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09 Ago 2007

O Letes do Caribe

Escrito por 
Porque o “paraíso” cubano – a Disneylândia da esquerda - nada tem de paraíso. Está mais para um presídio leteu, encravado nas margens do Letes, um dos cinco rios do Inferno mitológico!

Em todas as competições esportivas internacionais de que Cuba participa, atletas daquele país escafedem-se da concentração, desaparecem por algum tempo e depois pedem asilo político ao país que organiza o evento. Nos Jogos Pan-Americanos recentemente realizados no Rio não foi diferente, a ponto do ditador-irmão-substituto, Raul Castro, após mais algumas dessas fugas e com medo de novas deserções, ter ordenado que a delegação antecipasse o seu retorno ao país, antes mesmo de receber as medalhas do basquete, embora, naturalmente, negasse com veemência a medida. É óbvio que precisava negar, para não passar recibo.

Até um obstinado carrapato agarrado a um esquálido jegue pastando placidamente em Garanhuns sabe a razão das fugas, mas os pretensos intelectuais tupiniquins e uma parte de nossa mídia teimam em apresentar a ilha-presídio comandada há meio século pelo mesmo ditador como um paraíso caribenho, um exemplo de “democracia popular” a ser imitado e implantado não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. Conforme os documentos do Foro de São Paulo e as ações da atual política externa de Amorim e do obsceno senhor Garcia estão aí para atestar, o sonho-pesadelo do risível Hugo Chávez, sorrateiramente acalentado pelas chamadas cabeças pensantes (sic) do petismo e das esquerdas latino-americanas, é remontar aqui uma réplica da antiga URSS. Parecem torcedores do São Cristóvão, campeão carioca de 1926...

O que leva nossa intelectualidade ballantines a continuar pintando o regime decrépito e comatoso de Cuba com as cores do paraíso, quando na realidade é um inferno, ao qual cabe perfeitamente o dístico de Dante, lasciate ogni speranza, voi ch´entrate? Hayek, em “Intellectuals and Socialism” e Mises, em diversos artigos e livros, esquadrinharam essa doença que acomete muitas pessoas bafejadas pela fama e sucesso, que as leva a adotarem o socialismo como um escudo, para simularem que, “apesar” de ricos (resultado que apenas reflete sua aptidão natural), preocupam-se com os “excluídos”. A explicação está muito mais nos meandros da psicologia do que nas frias escolhas da teoria econômica, despida de capacidade de mergulhar na alma humana. Sentindo-se, de alguma forma, culpadas pelo próprio sucesso, quando deveriam estar felizes com os resultados de seu trabalho e talento, precisam dar uma “explicação” para o seu êxito, até mesmo para que possam continuar a usufruir as delícias mundanas da fama, e o fazem apoiando o socialismo e, naturalmente, o cruel regime cubano. Assim, a massa ignorante - que não sabe discernir igualdade de oportunidades de igualdade por decreto -, os vê com bons olhos.

Os atletas de Cuba podem ser mal educados, mas são, em geral, excepcionais. Não mais do que os nossos, só que, como em qualquer ditadura que se preze, lá o Estado trata os esportes como uma questão política, de afirmação da pretensa superioridade do regime. Daí o seu sucesso e as suas medalhas. Mas quem se apropria de suas suadas vitórias, a não ser os que mandam no país? De que adianta você, amigo leitor, bater um recorde mundial em sua modalidade, se, ao retornar à sua casa, mesmo tendo comprovado o seu talento e vendo coroado de êxito o seu esforço, vai continuar a ter direito aos mesmos quatro ovos de galinha mensais que o governo estabelece como cota para todos? É óbvio que, na primeira oportunidade, após pesar custos e benefícios da decisão de pedir asilo no exterior, muitos decidem que o custo de ficar longe da pátria, da família e dos amigos é inferior ao benefício da liberdade e do êxito que podem obter no estrangeiro. Estes são os motivos das fugas. Não há outros. Se alguém com memória melhor do que a minha conseguir apontar algum caso de um vietnamita do sul que fugiu para o Vietnã do Norte, de um ex-alemão ocidental que se evadiu para a antiga Alemanha comunista, de um coreano do sul que escapou para o norte ou de um norte-americano que buscou asilo em Cuba, darei o braço a torcer.

Porque o “paraíso” cubano – a Disneylândia da esquerda - nada tem de paraíso. Está mais para um presídio leteu, encravado nas margens do Letes, um dos cinco rios do Inferno mitológico!

Em todas as competições esportivas internacionais de que Cuba participa, atletas daquele país escafedem-se da concentração, desaparecem por algum tempo e depois pedem asilo político ao país que organiza o evento. Nos Jogos Pan-Americanos recentemente realizados no Rio não foi diferente, a ponto do ditador-irmão-substituto, Raul Castro, após mais algumas dessas fugas e com medo de novas deserções, ter ordenado que a delegação antecipasse o seu retorno ao país, antes mesmo de receber as medalhas do basquete, embora, naturalmente, negasse com veemência a medida. É óbvio que precisava negar, para não passar recibo.

Até um obstinado carrapato agarrado a um esquálido jegue pastando placidamente em Garanhuns sabe a razão das fugas, mas os pretensos intelectuais tupiniquins e uma parte de nossa mídia teimam em apresentar a ilha-presídio comandada há meio século pelo mesmo ditador como um paraíso caribenho, um exemplo de “democracia popular” a ser imitado e implantado não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. Conforme os documentos do Foro de São Paulo e as ações da atual política externa de Amorim e do obsceno senhor Garcia estão aí para atestar, o sonho-pesadelo do risível Hugo Chávez, sorrateiramente acalentado pelas chamadas cabeças pensantes (sic) do petismo e das esquerdas latino-americanas, é remontar aqui uma réplica da antiga URSS. Parecem torcedores do São Cristóvão, campeão carioca de 1926...

O que leva nossa intelectualidade ballantines a continuar pintando o regime decrépito e comatoso de Cuba com as cores do paraíso, quando na realidade é um inferno, ao qual cabe perfeitamente o dístico de Dante, lasciate ogni speranza, voi ch´entrate? Hayek, em “Intellectuals and Socialism” e Mises, em diversos artigos e livros, esquadrinharam essa doença que acomete muitas pessoas bafejadas pela fama e sucesso, que as leva a adotarem o socialismo como um escudo, para simularem que, “apesar” de ricos (resultado que apenas reflete sua aptidão natural), preocupam-se com os “excluídos”. A explicação está muito mais nos meandros da psicologia do que nas frias escolhas da teoria econômica, despida de capacidade de mergulhar na alma humana. Sentindo-se, de alguma forma, culpadas pelo próprio sucesso, quando deveriam estar felizes com os resultados de seu trabalho e talento, precisam dar uma “explicação” para o seu êxito, até mesmo para que possam continuar a usufruir as delícias mundanas da fama, e o fazem apoiando o socialismo e, naturalmente, o cruel regime cubano. Assim, a massa ignorante - que não sabe discernir igualdade de oportunidades de igualdade por decreto -, os vê com bons olhos.

Os atletas de Cuba podem ser mal educados, mas são, em geral, excepcionais. Não mais do que os nossos, só que, como em qualquer ditadura que se preze, lá o Estado trata os esportes como uma questão política, de afirmação da pretensa superioridade do regime. Daí o seu sucesso e as suas medalhas. Mas quem se apropria de suas suadas vitórias, a não ser os que mandam no país? De que adianta você, amigo leitor, bater um recorde mundial em sua modalidade, se, ao retornar à sua casa, mesmo tendo comprovado o seu talento e vendo coroado de êxito o seu esforço, vai continuar a ter direito aos mesmos quatro ovos de galinha mensais que o governo estabelece como cota para todos? É óbvio que, na primeira oportunidade, após pesar custos e benefícios da decisão de pedir asilo no exterior, muitos decidem que o custo de ficar longe da pátria, da família e dos amigos é inferior ao benefício da liberdade e do êxito que podem obter no estrangeiro. Estes são os motivos das fugas. Não há outros. Se alguém com memória melhor do que a minha conseguir apontar algum caso de um vietnamita do sul que fugiu para o Vietnã do Norte, de um ex-alemão ocidental que se evadiu para a antiga Alemanha comunista, de um coreano do sul que escapou para o norte ou de um norte-americano que buscou asilo em Cuba, darei o braço a torcer.

Porque o “paraíso” cubano – a Disneylândia da esquerda - nada tem de paraíso. Está mais para um presídio leteu, encravado nas margens do Letes, um dos cinco rios do Inferno mitológico!

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

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