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25 Jul 2007

Vovô Ouviu as Vaias...

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Poucas coisas apavoram tanto os políticos populistas e demagogos quanto o apupo, a vaia, o motejo e a assuada do povo que eles imaginam adorá-los.

Poucas coisas apavoram tanto os políticos populistas e demagogos quanto o apupo, a vaia, o motejo e a assuada do povo que eles imaginam adorá-los. O episódio em que o presidente foi vaiado seis vezes, na abertura do Pan do Rio, com uma nitidez que não passou despercebida nem aos ouvidos de 97 anos de meu querido sogro e amigo, retrata fielmente duas artimanhas de que o populismo de esquerda sempre se valeu. A primeira, repetir exaustivamente uma tolice, até transformá-la em verdade inquestionável, que passa então a ser repetida, sem qualquer reflexão, por milhões de papagaios, e a segunda, sempre que pressionada por adversários, colocar qualquer argumento racional no armário e partir para o ataque, na tentativa de desqualificar o oponente.

A estultice que acabou adquirindo ar de verdade irretorquível é a de que apenas governos de esquerda seriam “populares e democráticos”. Aquelas vaias, por si, desqualificaram essa baboseira. Mostraram que nosso presidente - desprovido de espírito esportivo e acostumado à inebriante exaltação dos áulicos de plantão -, não é tão popular como apregoam seus defensores e revelaram também que ele e seus assessores imediatos nada têm de democráticos, até pelo contrário, apresentam muitas dificuldades para tolerar a divergência, o que explica a quebra de um protocolo que vinha sendo respeitado há 56 anos, segundo o qual sempre coube ao presidente anfitrião declarar abertos os jogos. Vovô ouviu. E o mundo inteiro também...

A tentativa de desqualificar o “adversário” – formado por um coro de mais de 80 mil pessoas – foi ligar os apupos a uma pretensa “orquestração”, indiretamente atribuída ao prefeito do Rio. Conversa para boi dormir, mas que não faz sequer bocejar nem os gordos animais do rebanho do presidente do nosso Senado... Mas é sempre assim. É da psicologia dos demagogos não saber perder. Se César Maia – ou qualquer outro – conseguisse organizar um coro com aquelas proporções, mereceria todas as medalhas de ouro, prata e bronze que estão sendo disputadas, além do cargo de regente vitalício da orquestra do Teatro Municipal...

O Rio de Janeiro, mais uma vez, deu uma lição ao país, no mais democrático espaço público nacional, o Maracanã. O povo vaiou o presidente seis vezes (sem contar os apupos do ensaio geral do evento): à chegada, quando apareceu no telão; nas três saudações em que teve o nome citado; quando Carlos Nuzman pronunciou o seu nome; e, finalmente, ao ser chamado por Mario Vázquez Raña, presidente da Organização Desportiva Pan-Americana. A sétima, certamente, seria quando começasse a falar. A arquitetura e a alma do estádio mais importante do mundo tornaram impossível ao zeloso cerimonial da Presidência evitar o contacto do seu messias com o povo, o que não ocorre nas outras aparições públicas do “maior presidente de todos os tempos”, em que sempre é possível separar quem quer aplaudir de quem deseja vaiar, mantendo-se os últimos a uma distância que os impeça de gritar ou arremessar tomates...

Maracanã é lugar de classe média, que lê jornal: a turma do “Bolsa Família” não estava lá, nem tampouco a das ONGs petistas subvencionadas pelo governo, nem o séqüito de bajuladores oficiais aquinhoados com empregos de DAS e nem certos professores de História que crêem ser sua missão doutrinar crianças desde a mais tenra idade... E quem pertence à classe média é tão “trabalhador” quanto quem é pobre, muito mais trabalhador do que os puxa-sacos oficiais e, até prova em contrário, também faz parte do “povo”. Ou não?

O recado do Maracanã é claro: a parcela mais esclarecida do povo está cansada de ser enganada, ludibriada, tapeada, tungada e sugada por políticos que tudo prometem e que se acham os donos da verdade. A primeira reação foi vaiar e a seguinte, certamente, será votar. Os institutos de pesquisas de opinião precisam abrir os olhos, para não caírem em descrédito. A verdade, cedo ou tarde, sempre aparece.

Poucas coisas apavoram tanto os políticos populistas e demagogos quanto o apupo, a vaia, o motejo e a assuada do povo que eles imaginam adorá-los. O episódio em que o presidente foi vaiado seis vezes, na abertura do Pan do Rio, com uma nitidez que não passou despercebida nem aos ouvidos de 97 anos de meu querido sogro e amigo, retrata fielmente duas artimanhas de que o populismo de esquerda sempre se valeu. A primeira, repetir exaustivamente uma tolice, até transformá-la em verdade inquestionável, que passa então a ser repetida, sem qualquer reflexão, por milhões de papagaios, e a segunda, sempre que pressionada por adversários, colocar qualquer argumento racional no armário e partir para o ataque, na tentativa de desqualificar o oponente.

A estultice que acabou adquirindo ar de verdade irretorquível é a de que apenas governos de esquerda seriam “populares e democráticos”. Aquelas vaias, por si, desqualificaram essa baboseira. Mostraram que nosso presidente - desprovido de espírito esportivo e acostumado à inebriante exaltação dos áulicos de plantão -, não é tão popular como apregoam seus defensores e revelaram também que ele e seus assessores imediatos nada têm de democráticos, até pelo contrário, apresentam muitas dificuldades para tolerar a divergência, o que explica a quebra de um protocolo que vinha sendo respeitado há 56 anos, segundo o qual sempre coube ao presidente anfitrião declarar abertos os jogos. Vovô ouviu. E o mundo inteiro também...

A tentativa de desqualificar o “adversário” – formado por um coro de mais de 80 mil pessoas – foi ligar os apupos a uma pretensa “orquestração”, indiretamente atribuída ao prefeito do Rio. Conversa para boi dormir, mas que não faz sequer bocejar nem os gordos animais do rebanho do presidente do nosso Senado... Mas é sempre assim. É da psicologia dos demagogos não saber perder. Se César Maia – ou qualquer outro – conseguisse organizar um coro com aquelas proporções, mereceria todas as medalhas de ouro, prata e bronze que estão sendo disputadas, além do cargo de regente vitalício da orquestra do Teatro Municipal...

O Rio de Janeiro, mais uma vez, deu uma lição ao país, no mais democrático espaço público nacional, o Maracanã. O povo vaiou o presidente seis vezes (sem contar os apupos do ensaio geral do evento): à chegada, quando apareceu no telão; nas três saudações em que teve o nome citado; quando Carlos Nuzman pronunciou o seu nome; e, finalmente, ao ser chamado por Mario Vázquez Raña, presidente da Organização Desportiva Pan-Americana. A sétima, certamente, seria quando começasse a falar. A arquitetura e a alma do estádio mais importante do mundo tornaram impossível ao zeloso cerimonial da Presidência evitar o contacto do seu messias com o povo, o que não ocorre nas outras aparições públicas do “maior presidente de todos os tempos”, em que sempre é possível separar quem quer aplaudir de quem deseja vaiar, mantendo-se os últimos a uma distância que os impeça de gritar ou arremessar tomates...

Maracanã é lugar de classe média, que lê jornal: a turma do “Bolsa Família” não estava lá, nem tampouco a das ONGs petistas subvencionadas pelo governo, nem o séqüito de bajuladores oficiais aquinhoados com empregos de DAS e nem certos professores de História que crêem ser sua missão doutrinar crianças desde a mais tenra idade... E quem pertence à classe média é tão “trabalhador” quanto quem é pobre, muito mais trabalhador do que os puxa-sacos oficiais e, até prova em contrário, também faz parte do “povo”. Ou não?

O recado do Maracanã é claro: a parcela mais esclarecida do povo está cansada de ser enganada, ludibriada, tapeada, tungada e sugada por políticos que tudo prometem e que se acham os donos da verdade. A primeira reação foi vaiar e a seguinte, certamente, será votar. Os institutos de pesquisas de opinião precisam abrir os olhos, para não caírem em descrédito. A verdade, cedo ou tarde, sempre aparece.

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

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