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25 Jul 2007

Nem Regulado, Nem Regulante

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Será que "imperfeito" é o adjetivo mais adequado para qualificar o mercado auto-regulável? O que observamos, na realidade, é que o mercado é um sistema complexo.

A Economia é uma ciência social que estuda a alocação de recursos para fins variados. Como os recursos são escassos e os fins, em geral, decorrem dos desejos e das necessidades humanas, sendo portanto ilimitados, torna-se necessário determinar prioridades e investigar quais são as melhores alocações para satisfazê-las.

Dentre as diversas possibilidades para o gerenciamento da alocação dos recursos, temos a proposta de um planejamento centralizado com regulação das atividades econômicas, geralmente defendida por indivíduos que têm inclinações socialistas. No outro extremo, pessoas que se entendem como liberais em economia acreditam que o mercado auto-regulável, livre da intervenção governamental, promove a melhor alocação possível para o bem comum da sociedade.

Um dos problemas da economia planejada e submetida à regulação governamental é que o objetivo de satisfazer o bem comum confunde-se com a conveniência de favorecer o bem público. Além do mais, contra o argumento de que o mercado possui imperfeições e que, portanto, torna-se necessária a presença do governo para corrigi-las, os teóricos da Escolha Pública advertem que os processos governamentais também são imperfeitos e que, assim como existe um mercado econômico, também há um "mercado político".

Será que "imperfeito" é o adjetivo mais adequado para qualificar o mercado auto-regulável? O que observamos, na realidade, é que o mercado (entendido como o lugar onde ocorrem as trocas econômicas) é um sistema complexo. Quando não obtemos os resultados supostamente desejados, atribuímos o fracasso às "imperfeições" do mercado e não à sua complexidade.

Sistemas complexos são dinâmicos, em incessante evolução e possuem um grande número de agentes que interagem entre si; são sistemas abertos (há trocas com o meio-ambiente); existe adaptação decorrente da evolução constante, ou seja, os atributos se modificam de acordo com a experiência resultante da interação com o ambiente (este aspecto é marcante na economia globalizada). Outras características importantes são a aleatoriedade (no caso específico da economia, as decisões dos agentes muitas vezes decorrem de fatores aleatórios), a auto-organização espontânea (ou ordem emergente) e a presença de atratores múltiplos (equilíbrios) para os quais o sistema tende. O mercado econômico entendido como um sistema complexo apresentará, portanto, certas tendências e equilíbrios, correspondentes ou não aos nossos anseios e expectativas.

Mesmo se mercado auto-regulável for a melhor configuração possível, isso não significa que atingiremos sempre os resultados desejados. Contudo, se a nossa postura for defender que o mercado não deve ser regulado, devemos tomar o cuidado de não terminarmos por defender o mercado regulante, que dita como deve ser o comportamento das pessoas para o bom funcionamento do mercado.

Para que a pessoa humana seja livre em sua vida no interior da sociedade, não pode ser excessivamente regulada nem pelo governo, nem pelo mercado. O reconhecimento da economia como um sistema complexo limita as nossas pretensões de controlá-la, porém ao mesmo tempo coloca em questão a nossa capacidade de compreendê-la racionalmente e de manipulá-la a nosso favor na totalidade de sua dinâmica evolutiva.

Assim como o totalitarismo político destrói toda a possibilidade de relação política entre os homens, também o totalitarismo do mercado impede as livres trocas econômicas entre os indivíduos, pois acaba ditando as normas para as ações humanas. É por isso que o excesso de liberdade – ou a liberdade ideologizada - também é uma forma de escravidão.

A Economia é uma ciência social que estuda a alocação de recursos para fins variados. Como os recursos são escassos e os fins, em geral, decorrem dos desejos e das necessidades humanas, sendo portanto ilimitados, torna-se necessário determinar prioridades e investigar quais são as melhores alocações para satisfazê-las.

Dentre as diversas possibilidades para o gerenciamento da alocação dos recursos, temos a proposta de um planejamento centralizado com regulação das atividades econômicas, geralmente defendida por indivíduos que têm inclinações socialistas. No outro extremo, pessoas que se entendem como liberais em economia acreditam que o mercado auto-regulável, livre da intervenção governamental, promove a melhor alocação possível para o bem comum da sociedade.

Um dos problemas da economia planejada e submetida à regulação governamental é que o objetivo de satisfazer o bem comum confunde-se com a conveniência de favorecer o bem público. Além do mais, contra o argumento de que o mercado possui imperfeições e que, portanto, torna-se necessária a presença do governo para corrigi-las, os teóricos da Escolha Pública advertem que os processos governamentais também são imperfeitos e que, assim como existe um mercado econômico, também há um "mercado político".

Será que "imperfeito" é o adjetivo mais adequado para qualificar o mercado auto-regulável? O que observamos, na realidade, é que o mercado (entendido como o lugar onde ocorrem as trocas econômicas) é um sistema complexo. Quando não obtemos os resultados supostamente desejados, atribuímos o fracasso às "imperfeições" do mercado e não à sua complexidade.

Sistemas complexos são dinâmicos, em incessante evolução e possuem um grande número de agentes que interagem entre si; são sistemas abertos (há trocas com o meio-ambiente); existe adaptação decorrente da evolução constante, ou seja, os atributos se modificam de acordo com a experiência resultante da interação com o ambiente (este aspecto é marcante na economia globalizada). Outras características importantes são a aleatoriedade (no caso específico da economia, as decisões dos agentes muitas vezes decorrem de fatores aleatórios), a auto-organização espontânea (ou ordem emergente) e a presença de atratores múltiplos (equilíbrios) para os quais o sistema tende. O mercado econômico entendido como um sistema complexo apresentará, portanto, certas tendências e equilíbrios, correspondentes ou não aos nossos anseios e expectativas.

Mesmo se mercado auto-regulável for a melhor configuração possível, isso não significa que atingiremos sempre os resultados desejados. Contudo, se a nossa postura for defender que o mercado não deve ser regulado, devemos tomar o cuidado de não terminarmos por defender o mercado regulante, que dita como deve ser o comportamento das pessoas para o bom funcionamento do mercado.

Para que a pessoa humana seja livre em sua vida no interior da sociedade, não pode ser excessivamente regulada nem pelo governo, nem pelo mercado. O reconhecimento da economia como um sistema complexo limita as nossas pretensões de controlá-la, porém ao mesmo tempo coloca em questão a nossa capacidade de compreendê-la racionalmente e de manipulá-la a nosso favor na totalidade de sua dinâmica evolutiva.

Assim como o totalitarismo político destrói toda a possibilidade de relação política entre os homens, também o totalitarismo do mercado impede as livres trocas econômicas entre os indivíduos, pois acaba ditando as normas para as ações humanas. É por isso que o excesso de liberdade – ou a liberdade ideologizada - também é uma forma de escravidão.

Claudio A. Téllez

Claudio Andrés Téllez é cidadão chileno, mas mora no Brasil desde 1979. Cursou o Bacharelado em Matemática Aplicada na PUC-Rio e atualmente está cursando Relações Internacionais no Centro Universitário da Cidade (Rio de Janeiro). Escreve no Mídia Sem Máscara desde setembro de 2003.

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