Qui11142019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

21 Jul 2007

Indigestão Cultural Européia

Escrito por 
Sem o conservadorismo ou os fortes valores cristãos dos americanos, talvez a receita para a Europa seja por meio de uma forte desregulamentação da economia, baseada no labor e responsabilidades individuais.

As taxas de natalidade na Europa têm apresentado quedas significativas nos últimos tempos. Uma simples viagem pelo continente mostrará esta realidade. Muitos são os casais que decidem não ter filhos. Este número cresce em larga medida onde encontramos maior desenvolvimento econômico. Ou seja, nas classes mais altas e nos países que possuem os melhores índices de qualidade de vida. Apesar de já ter observado este fato, percebi que não são somente fatores econômicos que podem ser responsável por esta realidade. Alguns pesquisadores culpam o estado de bem estar social europeu, além da falta de maior conservadorismo na Europa. Estou seguro que todos estes fatores são importantes, entretanto é preciso entender as conseqüências desta nova realidade que aos poucos vai mudando a face da Europa.

Acredito que a baixa natalidade não é explicada somente por um determinado fator. Diversas são as causas que estão levando os europeus a optarem por este caminho. O estado de bem estar social pode ser um deles, talvez o principal. Nesta linha de pensamento, o excesso de zelo e ajuda do Estado, mediante políticas assistencialistas ajudaram a desestruturar o modelo viável de família, sob o ponto de vista social e econômico, como bem apontou a professora Jennifer Morse em sua série de artigos sobre o tema. O estado de bem estar, que desestimula a natalidade e o casamento, paradoxalmente, precisa de jovens para financiar o sistema, sob o risco de colapso.

As baixas taxas de natalidade se espalham por toda a Europa. Um sistema em equilíbrio necessita de 2,1 filhos por mulher. A média européia fica abaixo disto, por volta de 1,47. Países como Polônia, Itália, Bulgária e Espanha atingem preocupantes 1,2, enquanto França e Suécia estão na média de 1,7. No caso da França, por exemplo, um dos países onde mais se encontram crianças, um em cada três nascimentos é proveniente de imigrantes muçulmanos. Na Espanha ocorre o mesmo, havendo uma mescla entre imigração latino-americana e muçulmana, em especial da África. A cara da Europa está mudando, e conseqüentemente, seus hábitos, culturas e crenças.

Aqui se encontra o ponto de inflexão. A crescente imigração aliada à tímida taxa de natalidade da Europa começa a mudar a face do continente. Este não seria um fato preocupante se a Europa soubesse valorar a importância de sua própria nacionalidade, incentivando, desta forma, que o imigrante enxergasse o novo país como sua nova nação. Os distúrbios em Paris evidenciaram a falta de uma política clara neste sentido. Filhos de imigrantes, nascidos na França, queimavam carros. Na Inglaterra, filhos de imigrantes, portanto, cidadãos ingleses natos, foram responsáveis pelos atentados terroristas de 2006. Existe uma tensão social gerada pela falta de habilidade na condução das políticas de absorção da imigração, exatamente como descreveu Giovanni Sartori em A Sociedade Multietnica, quando analisa pluralismos e multiculturalismos.

A Europa passa por uma “indigestão cultural” como bem definiu Nicholas Eberstadt em artigo recente no Washington Post. As tensões sociais somente podem diminuir por meio da interação e integração à cultura local. Não se discute se haverá ou não islamização na Europa, mas debate-se em que grau ocorrerá e como é possível lidar com este fenômeno. Muitos se perguntam, inclusive, se a cultura européia conseguirá resistir e sobreviver, especialmente em função da baixa natalidade.

Restringir a imigração não é uma saída viável. De nada ainda restringir as leis imigratórias na Dinamarca e Áustria, como ocorre hoje, se Espanha e Itália abrem suas fronteiras, inclusive fornecendo amparo aos ilegais que chegam a seu território. É preciso controlar a imigração ilegal e facilitar a imigração legal, especialmente de pessoas qualificadas, de classe média, dispostas a se integrar a uma nova cultura.

O saudoso Jean Francois Revel sempre citava os Estados Unidos como um bom exemplo a ser estudado no tocante a imigração. Por certo os americanos têm experiência em absorver imigrantes em grande número mantendo forte integração. Entretanto existe outro fator basilar presente nos Estados Unidos: os fortes pilares conservadores cristãos aliados aos princípios de uma economia livre. Isto talvez explique porque, além de serem prósperos, os americanos possuem taxas de natalidade equilibradas e uma política de sucesso na integração dos imigrantes aos fundamentos da sociedade.

Sem o conservadorismo ou os fortes valores cristãos dos americanos, talvez a receita para a Europa seja por meio de uma forte desregulamentação da economia, baseada no labor e responsabilidades individuais. Assim podem-se evitar futuras tendências radicais. O fim do estado de bem estar social, entretanto, é inevitável. Cada vez estou mais seguro que somente um sistema baseado em plena liberdade econômica e incluindo em seu seio, diversas culturas, é o caminho do futuro para uma Europa plural e estável.

As taxas de natalidade na Europa têm apresentado quedas significativas nos últimos tempos. Uma simples viagem pelo continente mostrará esta realidade. Muitos são os casais que decidem não ter filhos. Este número cresce em larga medida onde encontramos maior desenvolvimento econômico. Ou seja, nas classes mais altas e nos países que possuem os melhores índices de qualidade de vida. Apesar de já ter observado este fato, percebi que não são somente fatores econômicos que podem ser responsável por esta realidade. Alguns pesquisadores culpam o estado de bem estar social europeu, além da falta de maior conservadorismo na Europa. Estou seguro que todos estes fatores são importantes, entretanto é preciso entender as conseqüências desta nova realidade que aos poucos vai mudando a face da Europa.

Acredito que a baixa natalidade não é explicada somente por um determinado fator. Diversas são as causas que estão levando os europeus a optarem por este caminho. O estado de bem estar social pode ser um deles, talvez o principal. Nesta linha de pensamento, o excesso de zelo e ajuda do Estado, mediante políticas assistencialistas ajudaram a desestruturar o modelo viável de família, sob o ponto de vista social e econômico, como bem apontou a professora Jennifer Morse em sua série de artigos sobre o tema. O estado de bem estar, que desestimula a natalidade e o casamento, paradoxalmente, precisa de jovens para financiar o sistema, sob o risco de colapso.

As baixas taxas de natalidade se espalham por toda a Europa. Um sistema em equilíbrio necessita de 2,1 filhos por mulher. A média européia fica abaixo disto, por volta de 1,47. Países como Polônia, Itália, Bulgária e Espanha atingem preocupantes 1,2, enquanto França e Suécia estão na média de 1,7. No caso da França, por exemplo, um dos países onde mais se encontram crianças, um em cada três nascimentos é proveniente de imigrantes muçulmanos. Na Espanha ocorre o mesmo, havendo uma mescla entre imigração latino-americana e muçulmana, em especial da África. A cara da Europa está mudando, e conseqüentemente, seus hábitos, culturas e crenças.

Aqui se encontra o ponto de inflexão. A crescente imigração aliada à tímida taxa de natalidade da Europa começa a mudar a face do continente. Este não seria um fato preocupante se a Europa soubesse valorar a importância de sua própria nacionalidade, incentivando, desta forma, que o imigrante enxergasse o novo país como sua nova nação. Os distúrbios em Paris evidenciaram a falta de uma política clara neste sentido. Filhos de imigrantes, nascidos na França, queimavam carros. Na Inglaterra, filhos de imigrantes, portanto, cidadãos ingleses natos, foram responsáveis pelos atentados terroristas de 2006. Existe uma tensão social gerada pela falta de habilidade na condução das políticas de absorção da imigração, exatamente como descreveu Giovanni Sartori em A Sociedade Multietnica, quando analisa pluralismos e multiculturalismos.

A Europa passa por uma “indigestão cultural” como bem definiu Nicholas Eberstadt em artigo recente no Washington Post. As tensões sociais somente podem diminuir por meio da interação e integração à cultura local. Não se discute se haverá ou não islamização na Europa, mas debate-se em que grau ocorrerá e como é possível lidar com este fenômeno. Muitos se perguntam, inclusive, se a cultura européia conseguirá resistir e sobreviver, especialmente em função da baixa natalidade.

Restringir a imigração não é uma saída viável. De nada ainda restringir as leis imigratórias na Dinamarca e Áustria, como ocorre hoje, se Espanha e Itália abrem suas fronteiras, inclusive fornecendo amparo aos ilegais que chegam a seu território. É preciso controlar a imigração ilegal e facilitar a imigração legal, especialmente de pessoas qualificadas, de classe média, dispostas a se integrar a uma nova cultura.

O saudoso Jean Francois Revel sempre citava os Estados Unidos como um bom exemplo a ser estudado no tocante a imigração. Por certo os americanos têm experiência em absorver imigrantes em grande número mantendo forte integração. Entretanto existe outro fator basilar presente nos Estados Unidos: os fortes pilares conservadores cristãos aliados aos princípios de uma economia livre. Isto talvez explique porque, além de serem prósperos, os americanos possuem taxas de natalidade equilibradas e uma política de sucesso na integração dos imigrantes aos fundamentos da sociedade.

Sem o conservadorismo ou os fortes valores cristãos dos americanos, talvez a receita para a Europa seja por meio de uma forte desregulamentação da economia, baseada no labor e responsabilidades individuais. Assim podem-se evitar futuras tendências radicais. O fim do estado de bem estar social, entretanto, é inevitável. Cada vez estou mais seguro que somente um sistema baseado em plena liberdade econômica e incluindo em seu seio, diversas culturas, é o caminho do futuro para uma Europa plural e estável.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.