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13 Jul 2007

Salvem a Professorinha!

Escrito por 
A vida não é perfeita, mas nós, através da educação estamos dia após dia ensinando que ela pode ser pior.

Um mundo que confia seu futuro ao discernimento dos jovens

é um mundo velho e cansado, que já não tem futuro algum”. (Olavo de Carvalho)

* * *

Certa feita, uma jovem havia me dito que ela não admitia que uma autoridade afirmasse que um pai deveria ser mais enérgico com uma criança (dar-lhe umas boas palmadas) quando fosse necessário. De minha parte, confesso que não me sinto de modo algum autorizado a dizer o que um pai e uma mãe podem ou não fazer com os seus filhos em termos educacionais, visto que, muitas das vezes, a ULTIMA RATIO educacional em um lar, em muitas ocasiões, inevitavelmente são umas boas palmadas.

Todavia, para aqueles que tem o seu pensamento engessado com os ditames politicamente corretos que infectam a nossa sociedade, cabe aqui lembrarmos alguns pontos que julgo serem relevantes para serem trazidos a baila.

Um destes pontos, que julgo ser deveras simples e talvez, por isso, tão desdenhado, é o papel da educação na apresentação das possibilidades da ação humana.

Desde que o mundo é mundo a função primeira da educação é preparar o indivíduo para a vida, para seus regalos e para seus ônus. Entretanto, o que temos hoje em nossa sociedade atual é justamente o inverso. Prepara-se o indivíduo para viver em um possível mundo futuro, fomentando nestes um forte sentimento de desprezo e de insatisfação infundada pela sociedade presente. Não? Basta então ler com a devida atenção os materiais didáticos e para-didáticos que circulam pelas instituições de ensino e compreenderá o que estamos apontando.

Muitos destes materiais são repletos de indagações retóricas onde a resposta se encontra maliciosamente embutida na pergunta, todas, obviamente, com pretensão de serem materiais com alto grau criticidade. Alias, tudo que venha seguido deste jargão, criticidade, me dá arrepios, pois, na maioria das vezes não passa de doutrinação marxista descarada.

Junte à isso, um sistema educacional em que procura-se unicamente contabilizar resultados através de uma média aritmética forçada onde a porcentagem de aprovações é super-valorizada em detrimento ao mérito individual dos alunos que se esforçam. Isso mesmo, o populismo pedagógico implantado em nosso país que em nome da bonança da mediocridade geral, penaliza com o descaso os que se sobressaem pelos seus esforços e pela sua dedicação.

Haverão aqueles que afirmarão que o aprendizado deve ser algo prazeroso, lúdico e blablablá. Concordo que o aprendizado é muito mais fértil quando parte tão só do interesse o aluno, porém, isso só é possível quando os indivíduos estão em um ambiente de ensino por livre e espontânea vontade e não por uma imposição legal. Uma sala de aula, do ensino fundamental ou médio, não é um campo de futebol. Logo, essa conversa mole não funciona. Basta verificar a quantas anda a educação em nosso país. Não na mesa dos burocratas ou nos palanques de nossos demagogos. Estou falando das salas de aula. Estou falando da forma como os alunos saem das instituições de ensino e como eles se encontram nelas.

Sobre isso tudo, com muito mais propriedade que este mísero missivista, fala-nos o filósofo Olavo de Carvalho em seu artigo “O imbecil juvenil” publicado em 03 de abril de 1998 que: “Todas as mutações se dão na penumbra, na zona indistinta entre o ser e o não-ser: o jovem, em trânsito entre o que já não é e o que não é ainda, é, por fatalidade, inconsciente de si, de sua situação, das autorias e das culpas de quanto se passa dentro e em torno dele. Seus julgamentos são quase sempre a inversão completa da realidade. Eis o motivo pelo qual a juventude, desde que a covardia dos adultos lhe deu autoridade para mandar e desmandar, esteve sempre na vanguarda de todos os erros e perversidade do século: nazismo, fascismo, comunismo, seitas pseudo-religiosas, consumo de drogas. São sempre os jovens que estão um passo à frente na direção do pior”.

Aí eu lhes pergunto: não estamos diante de um cenário semelhante a este? Nosso sistema educacional não está a alentar esse sentimento? Ora, se não mais é apresentado aos nossos jovens os limites necessários para que se realizem enquanto indivíduos, o que estamos fazendo? Literalmente ensinando eles a atearem fogo nas madeixas de professoras, atropelar serventes com mais de 60 anos no corredor da escola e a colocar bombas para estourar a mão de educadores em escolas técnicas.

A vida não é perfeita, mas nós, através da educação estamos dia após dia ensinando que ela pode ser pior.

E estamos conseguindo.

Um mundo que confia seu futuro ao discernimento dos jovens

é um mundo velho e cansado, que já não tem futuro algum”. (Olavo de Carvalho)

* * *

Certa feita, uma jovem havia me dito que ela não admitia que uma autoridade afirmasse que um pai deveria ser mais enérgico com uma criança (dar-lhe umas boas palmadas) quando fosse necessário. De minha parte, confesso que não me sinto de modo algum autorizado a dizer o que um pai e uma mãe podem ou não fazer com os seus filhos em termos educacionais, visto que, muitas das vezes, a ULTIMA RATIO educacional em um lar, em muitas ocasiões, inevitavelmente são umas boas palmadas.

Todavia, para aqueles que tem o seu pensamento engessado com os ditames politicamente corretos que infectam a nossa sociedade, cabe aqui lembrarmos alguns pontos que julgo serem relevantes para serem trazidos a baila.

Um destes pontos, que julgo ser deveras simples e talvez, por isso, tão desdenhado, é o papel da educação na apresentação das possibilidades da ação humana.

Desde que o mundo é mundo a função primeira da educação é preparar o indivíduo para a vida, para seus regalos e para seus ônus. Entretanto, o que temos hoje em nossa sociedade atual é justamente o inverso. Prepara-se o indivíduo para viver em um possível mundo futuro, fomentando nestes um forte sentimento de desprezo e de insatisfação infundada pela sociedade presente. Não? Basta então ler com a devida atenção os materiais didáticos e para-didáticos que circulam pelas instituições de ensino e compreenderá o que estamos apontando.

Muitos destes materiais são repletos de indagações retóricas onde a resposta se encontra maliciosamente embutida na pergunta, todas, obviamente, com pretensão de serem materiais com alto grau criticidade. Alias, tudo que venha seguido deste jargão, criticidade, me dá arrepios, pois, na maioria das vezes não passa de doutrinação marxista descarada.

Junte à isso, um sistema educacional em que procura-se unicamente contabilizar resultados através de uma média aritmética forçada onde a porcentagem de aprovações é super-valorizada em detrimento ao mérito individual dos alunos que se esforçam. Isso mesmo, o populismo pedagógico implantado em nosso país que em nome da bonança da mediocridade geral, penaliza com o descaso os que se sobressaem pelos seus esforços e pela sua dedicação.

Haverão aqueles que afirmarão que o aprendizado deve ser algo prazeroso, lúdico e blablablá. Concordo que o aprendizado é muito mais fértil quando parte tão só do interesse o aluno, porém, isso só é possível quando os indivíduos estão em um ambiente de ensino por livre e espontânea vontade e não por uma imposição legal. Uma sala de aula, do ensino fundamental ou médio, não é um campo de futebol. Logo, essa conversa mole não funciona. Basta verificar a quantas anda a educação em nosso país. Não na mesa dos burocratas ou nos palanques de nossos demagogos. Estou falando das salas de aula. Estou falando da forma como os alunos saem das instituições de ensino e como eles se encontram nelas.

Sobre isso tudo, com muito mais propriedade que este mísero missivista, fala-nos o filósofo Olavo de Carvalho em seu artigo “O imbecil juvenil” publicado em 03 de abril de 1998 que: “Todas as mutações se dão na penumbra, na zona indistinta entre o ser e o não-ser: o jovem, em trânsito entre o que já não é e o que não é ainda, é, por fatalidade, inconsciente de si, de sua situação, das autorias e das culpas de quanto se passa dentro e em torno dele. Seus julgamentos são quase sempre a inversão completa da realidade. Eis o motivo pelo qual a juventude, desde que a covardia dos adultos lhe deu autoridade para mandar e desmandar, esteve sempre na vanguarda de todos os erros e perversidade do século: nazismo, fascismo, comunismo, seitas pseudo-religiosas, consumo de drogas. São sempre os jovens que estão um passo à frente na direção do pior”.

Aí eu lhes pergunto: não estamos diante de um cenário semelhante a este? Nosso sistema educacional não está a alentar esse sentimento? Ora, se não mais é apresentado aos nossos jovens os limites necessários para que se realizem enquanto indivíduos, o que estamos fazendo? Literalmente ensinando eles a atearem fogo nas madeixas de professoras, atropelar serventes com mais de 60 anos no corredor da escola e a colocar bombas para estourar a mão de educadores em escolas técnicas.

A vida não é perfeita, mas nós, através da educação estamos dia após dia ensinando que ela pode ser pior.

E estamos conseguindo.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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