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29 Jun 2007

Refletindo Sobre o Irrefletido

Escrito por 
Estou a cada dia que passa mais convencido de que o foco de nossa educação não está simplesmente um tanto torto, fora de seu rumo, mas sim, totalmente fora de prumo.

Estou a cada dia que passa mais convencido de que o foco de nossa educação não está simplesmente um tanto torto, fora de seu rumo, mas sim, totalmente fora de prumo. Afirmamos isso não com vistas ao conteúdo presente nas mais variadas disciplinas, pois me sinto apenas autorizado a ponderar apenas sobre as disciplinas da seara das Humanidades (e olhe lá).

O que realmente, dia após dia, nos chama a atenção é a forma como se pensa o ensino e como se pensa o aprendizado e isso, meu amigo, é que desperta muitas vezes em minh'alma sentimentos de pânico.

Todavia, não é nosso intento neste breve libelo dissertar sobre todas as teorias da aprendizagem e sobre todas as práticas versadas por boa parte do professorado. Queremos apenas chamar a atenção para um singelo mal que constatamos com uma grande constância que é, por sua deixa, a forma como se usam os conceitos. Ou melhor: o que se imagina ser um conceito.

Um conceito, não é uma simples palavra. É, acima disso, uma ferramenta epistemológica que nos serve para captar a realidade tal qual ela é. A sua validade não está vinculada em seu grau de inter-subjetividade, não mesmo. Sua validade epistemológica está associada diretamente a sua capacidade de traduzir a realidade.

Porém, para se chegar a isso, não basta um breve bate-boca em um colóquio mais breve ainda em uma sala de aula e muito menos em uma efusiva e etílica troca de “idéias” em um boteco. Para realmente se chegar a uma compreensão no mínimo clara sobre os assuntos que se pretende versar é necessário, primeiro, estar aberto a aprendizagem e, em segundo, ter paciência frente as dificuldades que os temas nos apresentam. E, obviamente, não ver a si mesmo como sendo a suma autoridade frente ao mundo só pelo simples fato de você não concordar com a forma em que ele se encontra.

Alias, prendamos nossa atenção um pouco neste ponto, visto que, para boa parte das pessoas, ser uma pessoa crítica se resume na simplória postura de sentir-se autorizado a tudo questionar, mesmo que pouco, ou nada, se conheça dos assuntos questionados. Bem, o interessante que estes elementos, que não são poucos, infelizmente, permitem-se questionar a tudo, a toda inteligência da humanidade, mas, nunca se dão ao “luxo” de questionar a sua própria inteligência.

Esta postura turva é tão só uma auto-proclamação de onisciência cínica e nada mais. E pior. É o padrão médio do que se entende por educação “crítica” que, em resumidas palavras, seria uma supra valoração da subjetividade do indivíduo em detrimento da compreensão objetiva da realidade. Na verdade, a educação deveria começar pelo caminho inverso, ou seja: ensinando a duvidar de suas próprias elucubrações e não apenas (e primeiramente) das de outrem.

Sempre ouvimos aquele trololó de que devemos valorar a opinião de outrem, em relação aos assuntos que são abordados. Mas, e quando o infeliz desconhece o assunto em pauta? E quando quem está coordenando a discussão também desconhece? Que lição está sendo ensinada meu Deus do Céu? Que tudo o que você supostamente pensa deve ser valorado só porque você disse isso, pouco importando se tudo o que você disse não passa de um mero trocadilho decorado para agradar ou impressionar as pessoas e, principalmente, para iludir a si mesmo.

Segundo Olavo de Carvalho em sua obra Edmund Husserl contra o psicologismo, “é uma tendência que existe nas crianças, e que sobrevive na idade adulta, na esfera da imaginação. Para o bem da humanidade deveria ser progressivamente extirpada a medida que você evoluísse. Um exemplo disso é o fato de que as pessoas, mesmo conhecendo a distinção do verdadeiro e do falso, mesmo tendo estudado Filosofia, conhecido a Ciência, etc., continuam tendo a reação de se sentir mal quando imaginam imagens nocivas. Quando você imagina uma cena desagradável você se sente mal, como se ela estivesse acontecendo mesmo. Dificilmente você tem esse distanciamento”. (pág. 80)

Olha, para ilustrar, vamos dar um exemplo, do que estamos tratando. Olha, o dia que vocês lerem algo desse pacóvio escrivinhador sobre mudanças climáticas, aquecimento global, ou coisa do gênero, por favor, me mandem calar a boca e consumir com minha pena e tinteiro, pois, sinceramente, não me sinto autorizado a opinar sobre estes assuntos, pois, julgo que eles são por demais complexos para mim e ainda não tenho uma visão clara sobre a complexidade do mesmo visto as inúmeras divergências que existem sobre o tema.

Todavia, muitas pessoas, sem ter conhecimento destas divergências e confiando cegamente na mídia chique, no documentário premiado de Al Gore e na Xuxa estão aí a bradar aos quatro cantos as “Verdades Inconvenientes”.

Ora, se essas pessoas tivessem aprendido a analisar os fatos a partir de conceitos e não a partir de expressões não significativas, pensariam três vezes antes defender bandeiras e idéias de ocasião. Coisa que, a muito, foi deixado de lado neste país.

Estou a cada dia que passa mais convencido de que o foco de nossa educação não está simplesmente um tanto torto, fora de seu rumo, mas sim, totalmente fora de prumo. Afirmamos isso não com vistas ao conteúdo presente nas mais variadas disciplinas, pois me sinto apenas autorizado a ponderar apenas sobre as disciplinas da seara das Humanidades (e olhe lá).

O que realmente, dia após dia, nos chama a atenção é a forma como se pensa o ensino e como se pensa o aprendizado e isso, meu amigo, é que desperta muitas vezes em minh'alma sentimentos de pânico.

Todavia, não é nosso intento neste breve libelo dissertar sobre todas as teorias da aprendizagem e sobre todas as práticas versadas por boa parte do professorado. Queremos apenas chamar a atenção para um singelo mal que constatamos com uma grande constância que é, por sua deixa, a forma como se usam os conceitos. Ou melhor: o que se imagina ser um conceito.

Um conceito, não é uma simples palavra. É, acima disso, uma ferramenta epistemológica que nos serve para captar a realidade tal qual ela é. A sua validade não está vinculada em seu grau de inter-subjetividade, não mesmo. Sua validade epistemológica está associada diretamente a sua capacidade de traduzir a realidade.

Porém, para se chegar a isso, não basta um breve bate-boca em um colóquio mais breve ainda em uma sala de aula e muito menos em uma efusiva e etílica troca de “idéias” em um boteco. Para realmente se chegar a uma compreensão no mínimo clara sobre os assuntos que se pretende versar é necessário, primeiro, estar aberto a aprendizagem e, em segundo, ter paciência frente as dificuldades que os temas nos apresentam. E, obviamente, não ver a si mesmo como sendo a suma autoridade frente ao mundo só pelo simples fato de você não concordar com a forma em que ele se encontra.

Alias, prendamos nossa atenção um pouco neste ponto, visto que, para boa parte das pessoas, ser uma pessoa crítica se resume na simplória postura de sentir-se autorizado a tudo questionar, mesmo que pouco, ou nada, se conheça dos assuntos questionados. Bem, o interessante que estes elementos, que não são poucos, infelizmente, permitem-se questionar a tudo, a toda inteligência da humanidade, mas, nunca se dão ao “luxo” de questionar a sua própria inteligência.

Esta postura turva é tão só uma auto-proclamação de onisciência cínica e nada mais. E pior. É o padrão médio do que se entende por educação “crítica” que, em resumidas palavras, seria uma supra valoração da subjetividade do indivíduo em detrimento da compreensão objetiva da realidade. Na verdade, a educação deveria começar pelo caminho inverso, ou seja: ensinando a duvidar de suas próprias elucubrações e não apenas (e primeiramente) das de outrem.

Sempre ouvimos aquele trololó de que devemos valorar a opinião de outrem, em relação aos assuntos que são abordados. Mas, e quando o infeliz desconhece o assunto em pauta? E quando quem está coordenando a discussão também desconhece? Que lição está sendo ensinada meu Deus do Céu? Que tudo o que você supostamente pensa deve ser valorado só porque você disse isso, pouco importando se tudo o que você disse não passa de um mero trocadilho decorado para agradar ou impressionar as pessoas e, principalmente, para iludir a si mesmo.

Segundo Olavo de Carvalho em sua obra Edmund Husserl contra o psicologismo, “é uma tendência que existe nas crianças, e que sobrevive na idade adulta, na esfera da imaginação. Para o bem da humanidade deveria ser progressivamente extirpada a medida que você evoluísse. Um exemplo disso é o fato de que as pessoas, mesmo conhecendo a distinção do verdadeiro e do falso, mesmo tendo estudado Filosofia, conhecido a Ciência, etc., continuam tendo a reação de se sentir mal quando imaginam imagens nocivas. Quando você imagina uma cena desagradável você se sente mal, como se ela estivesse acontecendo mesmo. Dificilmente você tem esse distanciamento”. (pág. 80)

Olha, para ilustrar, vamos dar um exemplo, do que estamos tratando. Olha, o dia que vocês lerem algo desse pacóvio escrivinhador sobre mudanças climáticas, aquecimento global, ou coisa do gênero, por favor, me mandem calar a boca e consumir com minha pena e tinteiro, pois, sinceramente, não me sinto autorizado a opinar sobre estes assuntos, pois, julgo que eles são por demais complexos para mim e ainda não tenho uma visão clara sobre a complexidade do mesmo visto as inúmeras divergências que existem sobre o tema.

Todavia, muitas pessoas, sem ter conhecimento destas divergências e confiando cegamente na mídia chique, no documentário premiado de Al Gore e na Xuxa estão aí a bradar aos quatro cantos as “Verdades Inconvenientes”.

Ora, se essas pessoas tivessem aprendido a analisar os fatos a partir de conceitos e não a partir de expressões não significativas, pensariam três vezes antes defender bandeiras e idéias de ocasião. Coisa que, a muito, foi deixado de lado neste país.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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