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29 Jun 2007

Posturas, Composturas e Imposturas...

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Já não chegam tantas notícias de crimes e corrupção pública? Já não basta o descrédito em que jaz o Congresso?

Nestes tempos em que o relativismo moral impinge praticamente qualquer atitude ou palavra, por mais chula, não só como tolerável, mas como aplaudível; mascara desvios de comportamento de “opções”; aclama mediocridades; justifica crimes; transforma terroristas e traidores - como Lamarca - em heróis; premia a esperteza e aceita palavrões em qualquer ambiente, é essencial recuperar dois atributos que soam ultrapassados: o da postura, que se refere ao corpo, ao andar, sentar e portar-se e o da compostura, que abrange as ações denotativas de boa educação. E, naturalmente, repelir a impostura, o ato de ludibriar sob a aparência de verdade.

Há certos comportamentos que não podemos deixar de exigir, especialmente de pessoas que se dizem públicas, sob pena de perdermos todo e qualquer ressaibo de respeito por elas e, conseqüentemente – o que é mais grave - pelas instituições. Um deles é a honestidade; outro, a preocupação com o bem comum e um terceiro a adoção de posturas e composturas compatíveis com as posições que exercem na sociedade. Presidentes, ministros, senadores, deputados, vereadores, magistrados, religiosos, professores, jornalistas, artistas e outros, na Suíça, na bella Italia e aqui, precisam ter compostura, para darem exemplo e para não caírem em descrédito. O descumprimento desses atributos por parte dessas pessoas especiais nos faz imaginá-las como impostoras e vigaristas, despreparadas para os cargos que ocupam, até mesmo no ambiente deteriorado vigente, em que a competência, os princípios morais e a boa educação não contam.

Essa exigência elementar deveria ter levado a ministra do Turismo, autora de uma das mais infelizes declarações pronunciadas por uma pessoa pública em todos os tempos - aquela besteira pornô a respeito do “apagão aéreo” – a ter pedido demissão. Seu deboche, cinismo e desrespeito para com os milhares de passageiros que padecem nos aeroportos superaram a reação falsamente atribuída a Maria Antonieta de França, há mais de duzentos anos, quando, ao ser informada de que a massa faminta invadiria o palácio porque não tinha pão, teria sugerido que lhe oferecessem brioches... Um pedido de desculpas, mesmo bisado, como aconteceu, é muito pouco para um caso colossal de falta de compostura como o da ex-prefeita paulistana. O péssimo exemplo exigiria, além de um pedido de perdão à população que a mantém, uma carta de demissão, senão de sua parte, pelo menos da de seu chefe.

Ma che, daquele mato não sai coelho... O chefe, no mesmo dia e referindo-se ao mesmo assunto, regurgitou mais algumas das tolices que se lhe esvaem com naturalidade do aparelho fonador, qual cascata em moto perpétuo, quando se põe a falar de improviso. Há posturas absolutamente incompatíveis com chefes de governo e ministros, sejam iletrados ou doutores!

As centenas de cartas de leitores publicadas em nossos jornais e os milhares de mensagens que circularam na Internet sobre os dois episódios podem ser resumidas em uma frase, como que pronunciada em uníssono por um coral de 180 milhões de vozes (já descontadas as dos bajuladores e fanáticos): “respeito é bom e eu gosto!”, à qual podemos aduzir um “gosto, exijo e é absolutamente necessário, porque os sustento”.

Já não chegam tantas notícias de crimes e corrupção pública? Já não basta o descrédito em que jaz o Congresso? Já não é suficiente a turma da ação “social” do estado do Rio querer instituir uma Bolsa Bad Boy para premiar famílias de menores infratores? Já não é demais pedagogos de gabinete decretarem a aprovação automática de todos os alunos? Já não é um descalabro que traidores sejam promovidos post mortem e suas famílias aquinhoadas com Bolsas Terrorismo? Será que, além de tudo isso, ainda temos que ouvir declarações chulas, infelizes, vulgares e desrespeitosas? A impostura, o embuste, a prestidigitação e o charlatanismo não têm limites!

Nestes tempos em que o relativismo moral impinge praticamente qualquer atitude ou palavra, por mais chula, não só como tolerável, mas como aplaudível; mascara desvios de comportamento de “opções”; aclama mediocridades; justifica crimes; transforma terroristas e traidores - como Lamarca - em heróis; premia a esperteza e aceita palavrões em qualquer ambiente, é essencial recuperar dois atributos que soam ultrapassados: o da postura, que se refere ao corpo, ao andar, sentar e portar-se e o da compostura, que abrange as ações denotativas de boa educação. E, naturalmente, repelir a impostura, o ato de ludibriar sob a aparência de verdade.

Há certos comportamentos que não podemos deixar de exigir, especialmente de pessoas que se dizem públicas, sob pena de perdermos todo e qualquer ressaibo de respeito por elas e, conseqüentemente – o que é mais grave - pelas instituições. Um deles é a honestidade; outro, a preocupação com o bem comum e um terceiro a adoção de posturas e composturas compatíveis com as posições que exercem na sociedade. Presidentes, ministros, senadores, deputados, vereadores, magistrados, religiosos, professores, jornalistas, artistas e outros, na Suíça, na bella Italia e aqui, precisam ter compostura, para darem exemplo e para não caírem em descrédito. O descumprimento desses atributos por parte dessas pessoas especiais nos faz imaginá-las como impostoras e vigaristas, despreparadas para os cargos que ocupam, até mesmo no ambiente deteriorado vigente, em que a competência, os princípios morais e a boa educação não contam.

Essa exigência elementar deveria ter levado a ministra do Turismo, autora de uma das mais infelizes declarações pronunciadas por uma pessoa pública em todos os tempos - aquela besteira pornô a respeito do “apagão aéreo” – a ter pedido demissão. Seu deboche, cinismo e desrespeito para com os milhares de passageiros que padecem nos aeroportos superaram a reação falsamente atribuída a Maria Antonieta de França, há mais de duzentos anos, quando, ao ser informada de que a massa faminta invadiria o palácio porque não tinha pão, teria sugerido que lhe oferecessem brioches... Um pedido de desculpas, mesmo bisado, como aconteceu, é muito pouco para um caso colossal de falta de compostura como o da ex-prefeita paulistana. O péssimo exemplo exigiria, além de um pedido de perdão à população que a mantém, uma carta de demissão, senão de sua parte, pelo menos da de seu chefe.

Ma che, daquele mato não sai coelho... O chefe, no mesmo dia e referindo-se ao mesmo assunto, regurgitou mais algumas das tolices que se lhe esvaem com naturalidade do aparelho fonador, qual cascata em moto perpétuo, quando se põe a falar de improviso. Há posturas absolutamente incompatíveis com chefes de governo e ministros, sejam iletrados ou doutores!

As centenas de cartas de leitores publicadas em nossos jornais e os milhares de mensagens que circularam na Internet sobre os dois episódios podem ser resumidas em uma frase, como que pronunciada em uníssono por um coral de 180 milhões de vozes (já descontadas as dos bajuladores e fanáticos): “respeito é bom e eu gosto!”, à qual podemos aduzir um “gosto, exijo e é absolutamente necessário, porque os sustento”.

Já não chegam tantas notícias de crimes e corrupção pública? Já não basta o descrédito em que jaz o Congresso? Já não é suficiente a turma da ação “social” do estado do Rio querer instituir uma Bolsa Bad Boy para premiar famílias de menores infratores? Já não é demais pedagogos de gabinete decretarem a aprovação automática de todos os alunos? Já não é um descalabro que traidores sejam promovidos post mortem e suas famílias aquinhoadas com Bolsas Terrorismo? Será que, além de tudo isso, ainda temos que ouvir declarações chulas, infelizes, vulgares e desrespeitosas? A impostura, o embuste, a prestidigitação e o charlatanismo não têm limites!

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

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