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30 Jun 2004

A Opinião de César Maia

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Definitivamente, racionalidade não é posição política, é contingência da vida, uma necessidade de sobrevivência. A lei da escassez em economia vale desde sempre, desde que o mundo é mundo, e o dito “comerás o pão com o suor de seu rosto” só é superado por aqueles que fogem às regras da ética ou são beneficiados por iniqüidades legais, o que dá na mesma.

Em seu artigo publicado hoje na Folha de São Paulo (“PT – Um governo de centro-direita”), o prefeito César Maia está coberto de razão ao afirmar que “não será o discurso dos políticos e partidos que levará o eleitor a localizá-los ideologicamente, mas sim a sua ação de governo”. Mas não é o que ele faz no texto, cuja tese central está equivocada. O PT jamais foi de centro-direita.

Infelizmente, o prefeito não listou as ações que colocariam, por suposto, aquele partido dentro do espectro da direita. Presumo que estejam associadas à racionalidade imposta às finanças públicas e às decisões como a do salário mínimo, sobre as quais medidas populistas não puderam ser adotadas.

Definitivamente, racionalidade não é posição política, é contingência da vida, uma necessidade de sobrevivência. A lei da escassez em economia vale desde sempre, desde que o mundo é mundo, e o dito “comerás o pão com o suor de seu rosto” só é superado por aqueles que fogem às regras da ética ou são beneficiados por iniqüidades legais, o que dá na mesma.

Não é uma discussão menor, esta. Há quem diga que é falso maniqueísmo. Não é. A dicotomia esquerda/direita é muito útil para situar a posição política dos agentes. Basicamente, é de esquerda aquele que pugna pelo Estado grande, que defende a elevação da carga tributária, que prescreve a intervenção cada vez maior do ente estatal na vida privada das pessoas, que quer fazer do Estado o instrumento para a redistribuição da renda. A direita é o oposto de tudo isso.

Desde que Lula assumiu a carga tributária só cresceu, a regulamentação da vida privada só aumentou e o Estado ficou cada vez mais forte. Exemplos estão aí, como os recordes de arrecadação e a Lei do Desarmamento Civil. Mais de esquerda, impossível. É claro que essa ânsia esquerdista esbarra no princípio de realidade, pois uma política desse naipe leva necessariamente a uma situação de crise econômica e injustiça social. O aumento da carga tributária tem como conseqüência reduzir a dinâmica da economia, no limite da estagnação. A injustiça econômica praticada pelo sistema tributário iníquo é o caminho da miséria, que estamos trilhando a passos largos.

César Maia tem razão ao dizer que a tônica do governo Lula “é a do sindicalismo privado e, em especial, a das grandes empresas com fortes sindicatos, particularmente os de São Paulo”. Mas não é isso em toda parte o modo de ser dos socialistas, que privatizam o Estado para seus próprios interesses? O socialismo, por onde governou, escravizou toda a gente à burocracia estatal e partidária e aqui não poderia ser diferente.

Lamento que homens da projeção do prefeito defendam opiniões tão distantes da realidade, contribuindo para confundir o debate político. Esquerda é esquerda, direita é direita, e não há porque confundir os conceitos. São opostos irreconciliáveis.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:24
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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