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07 Abr 2004

O Beijo da Serpente

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Por exclusão, a instituição da ordem é o bem por excelência.

Dentro da sua raiz gnóstica, o Partido dos Trabalhadores, como de resto, todas as organizações de esquerda, tem uma falha essencial que é impeditiva de seu sucesso em prazo mais longo no exercício do poder. Como se sabe, ter o poder envolve a responsabilidade pela ordem, único fator a lhe dar legitimação. Um poder que não garante a ordem está podre e será prontamente substituído, por bem ou por mal. Nenhuma sociedade suporta a desordem por muito tempo, constituindo-se ela no grande mal da política.

Por exclusão, a instituição da ordem é o bem por excelência. É ela o ponto central da ciência política, na medida em que garante as condições de prosperidade e de bem-estar coletivos.

Ocorre que as organizações de esquerda, como o PT, são a expressão das forças que pugnam pela desordem, pela negação, pela destruição da tradição, que praticam um discurso mentiroso para enganar as multidões bocós. Quando chegam ao centro de poder são obrigadas aos maiores contorcionismos verbais, pois a ação cotidiana do exercício do poder é a exata negação das suas pregações. Pô-las em práticas é apenas um modo de instalar a desordem com muita rapidez. Daí porque o caráter esquizofrênico de sua ação política é inevitável. Negam à noite aquilo que afirmaram durante o dia; agem em pleno desacordo com as suas promessas; conspiram nas madrugadas contra o que é mais sagrado.

Por paradoxal que possa parecer, é nisso que consiste a sua coerência. A hidra multicéfala  é a imagem que pode ser usada para representar as forças de esquerda. As múltiplas cabeças são a sua unidade. É a coerência inexorável da sua loucura.

Só assim podemos compreender o beijo carinhoso trocado entre o senador Eduardo Suplicy e o líder do MST, João Pedro Stédile, o alucinado messiânico que lidera a facção maoísta do PT. Enquanto senador, Suplicy deveria ser o advogado da ordem, que outra coisa não é aquele que deveria lutar pelo império da lei. O poder parlamentar é a instância mais exaltada desse anseio pelo Estado de Direito. Um membro das suas Casas não poderia, em hipótese alguma, fazer gestos de apologia a nenhum fora-da-lei.

Stédile, por seu turno, é a expressão de um fora-da-lei, alguém que se coloca acima do bem e do mal, na suposição de que a sua causa é justa e os fins justificam os meios. Ele é a personificação da desordem, da irracionalidade, da violência mais destrutiva, da negação de tudo que é essencial para a normalidade das instituições democráticas. Ele é a desordem. Quando osculou o senador do PT, sua contraparte legal, viu-se por inteiro o beijo entre duas cabeças da mesma hidra. Ordem e desordem se confundiram naquele ósculo porque os parlamentares do PT são falsos representantes da normalidade democrática. Seu programa mais caro leva inevitavelmente para proposição da ditadura do partido único.

A luta que ora se trava no campo econômico, entre a racionalidade e a irracionalidade, é a mesma expressão dessa fragmentação congênita, que jamais poderá ser superada. O duelo é fratricida e dele jamais haverá vencedores, apenas perdedores. Eles perdem e, na sua derrota, arrastam para o desastre a coletividade, na medida em que hoje são o centro de poder em nosso país.

É a mesma serpente que esteve do Éden e produziu a Queda. Deus nos proteja.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:33
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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