Qui11142019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

25 Mai 2007

O Grande Ardil

Escrito por 
Entretanto, todo mundo acreditará que estará agindo de acordo com a sua própria consciência sem perceber que todas as escolhas foram anuladas como sendo inválidas com a profícua colaboração do relativismo.

O caminho que o homem recebe para preocupar-se com a verdade do ser não é o conhecimento, mas a compreensão: compreensão do sentido ao qual aderiu”.(Joseph Ratzinger)

Nos dias de hoje Pior que o mal em si é a crença disseminada em sua não existência. Este é o grande ardil das forças das sombras e, um dos principais instrumentos (não o único) para a edificação deste imbuste é o relativismo absoluto que dia após dia vem sendo elevado a categoria de único critério válido para avaliação dos fatos o que, por sua deixa, acaba transformando a farsa e o engodo em uma prática cotidiana.

Para começo de prosa, o relativismo absoluto nega a si mesmo enquanto procedimento para interpretação, pois, se tudo pode e deve ser apreciado a partir de um viés relativista, valorizando as especificidades de cada complexo cultural, todas as culturas, em suas super-valorações estarão a se anular mutuamente. Se tudo tem igual valor, logo, nada vale. E, sendo assim, tudo seria relativo, menos a visão absolutamente relativa de tudo.

Esta arapuca é um dos principais instrumentos dos tiranetes de plantão, por uma questão bastante obvia: se tudo passa a estar invalidado por tudo validar algo, aquele que melhor articular o seu discurso em meio a este engodo epistêmico será capaz de sobrepujar a vontade das massas por levar o sistema de valores morais da sociedade a perder a sua solidez.

Exemplo interessante e recente deste problema característico das sociedades modernas foi a declaração proferida pelo Presidente da Venezuela, o senhor Hugo Chávez com relação a advertência feita pelo Papa Bento XVI aos fiés Católicos em sua estadia nas Terras Cabralinas no tocante ao retomada de determinadas práticas animistas na América Latina que, no entendimento do Sumo Pontífice, seria um grande retrocesso em termo de Evangelização.

Entretanto, para Chávez, o Papa Bento XVI deveria pedir desculpas a todos as povos pré-Colombianos, pois, suas palavras, seriam um grande insulto. E mais! Disse que a Evangelização na América Latina fora feita apenas com o uso da força. Que esta teria sido quase que uma negação do que ele, Hugo Chávez, entende por Cristianismo. Ou, segundo as suas próprias palavras: "Aqui aconteceu algo muito mais grave que o Holocausto na Segunda Guerra Mundial e ninguém pode negar essa verdade. Sua Santidade não pode vir aqui, na nossa própria terra, e negar o Holocausto indígena".

Ora, ao invés de partirmos de uma perspectiva relativista, vamos colocar os pingos nos “is”. Quando ele fala em culturas pré-Colombianas vamos lembrar que os ritos Sagros de muitos destes povos eram organizados em torno de sacrifícios humanos e, em muitos destes ritos, não era realizado um, mas imolada várias pessoas em uma única cerimônia. Tais ritos tinham um significado específico em seu sistema cultural, mas, colocar este sistema no mesmo grau de importância que o Cristianismo é deveras complicado.

De mais a mais, pergunto a todos aqueles que defendem tanto a equivalência destes sistemas culturais: se eles são tão bons quanto o que fundamenta a cultura da sociedade Ocidental e vocês tivessem a possibilidade de viver em uma sociedade com estes valores, vocês se entregariam de boa vontade para serem sacrificados aos seus “novos Deuses”? Observação capciosa: o mais interessante é que, em muitas destas culturas as vítimas sacrificiais eram pessoas capturadas em outras tribos (no caso dos Astecas, em especial).

E se pudéssemos nos alongar neste nosso colóquio poderíamos averiguar outras tantas peculiaridades existentes nessas culturas que de modo algum invalidariam a preocupação da Sua Santidade. É claro que muitos irão ler essas linhas e mais do que de pressa irão tachar o autor desta missiva de “preconceituoso” e outros adjetivos do gênero. Tudo bem, se você é uma destas pessoas, sinta-se a vontade. Porém, por gentileza, reflita sobre isso com as devidas proporções.

Para tanto, cabe aqui que apontemos nestas linhas a forma peculiar que tiranetes como Chávez usam as palavras em seus discursos. Estas normalmente são palavras de pouco significado, mas com grande capacidade de mobilizar as massas para os fins mais variados imagináveis pela mente humana devido ao seu intenso apelo emotivo de seus ditos sempre recheado de significados vagos o que permite que cada um dos ouvintes de suas locuções entenda o que desejar realizando assim, o que ele, o porta voz das massas, quer que façam.

Entretanto, todo mundo acreditará que estará agindo de acordo com a sua própria consciência sem perceber que todas as escolhas foram anuladas como sendo inválidas com a profícua colaboração do relativismo.

Sendo assim, não temos como não lembrarmos aqui nestas linhas os ensinamentos de G. K. Chesterton. Parafraseando com ele lembramos que o problema do homem que tudo relativiza não é que ele não acredita em nada, mas sim, que ele acaba acreditando em qualquer coisa. Ou, em qualquer demagogo histriônico que nos agrade e nos traga uma certa sensação de segurança, de confiança em meio a tormenta niilista criada por nós mesmos. Tormenta esta que nós não compreendemos e nos recusamos compreender.

O caminho que o homem recebe para preocupar-se com a verdade do ser não é o conhecimento, mas a compreensão: compreensão do sentido ao qual aderiu”.(Joseph Ratzinger)

Nos dias de hoje Pior que o mal em si é a crença disseminada em sua não existência. Este é o grande ardil das forças das sombras e, um dos principais instrumentos (não o único) para a edificação deste imbuste é o relativismo absoluto que dia após dia vem sendo elevado a categoria de único critério válido para avaliação dos fatos o que, por sua deixa, acaba transformando a farsa e o engodo em uma prática cotidiana.

Para começo de prosa, o relativismo absoluto nega a si mesmo enquanto procedimento para interpretação, pois, se tudo pode e deve ser apreciado a partir de um viés relativista, valorizando as especificidades de cada complexo cultural, todas as culturas, em suas super-valorações estarão a se anular mutuamente. Se tudo tem igual valor, logo, nada vale. E, sendo assim, tudo seria relativo, menos a visão absolutamente relativa de tudo.

Esta arapuca é um dos principais instrumentos dos tiranetes de plantão, por uma questão bastante obvia: se tudo passa a estar invalidado por tudo validar algo, aquele que melhor articular o seu discurso em meio a este engodo epistêmico será capaz de sobrepujar a vontade das massas por levar o sistema de valores morais da sociedade a perder a sua solidez.

Exemplo interessante e recente deste problema característico das sociedades modernas foi a declaração proferida pelo Presidente da Venezuela, o senhor Hugo Chávez com relação a advertência feita pelo Papa Bento XVI aos fiés Católicos em sua estadia nas Terras Cabralinas no tocante ao retomada de determinadas práticas animistas na América Latina que, no entendimento do Sumo Pontífice, seria um grande retrocesso em termo de Evangelização.

Entretanto, para Chávez, o Papa Bento XVI deveria pedir desculpas a todos as povos pré-Colombianos, pois, suas palavras, seriam um grande insulto. E mais! Disse que a Evangelização na América Latina fora feita apenas com o uso da força. Que esta teria sido quase que uma negação do que ele, Hugo Chávez, entende por Cristianismo. Ou, segundo as suas próprias palavras: "Aqui aconteceu algo muito mais grave que o Holocausto na Segunda Guerra Mundial e ninguém pode negar essa verdade. Sua Santidade não pode vir aqui, na nossa própria terra, e negar o Holocausto indígena".

Ora, ao invés de partirmos de uma perspectiva relativista, vamos colocar os pingos nos “is”. Quando ele fala em culturas pré-Colombianas vamos lembrar que os ritos Sagros de muitos destes povos eram organizados em torno de sacrifícios humanos e, em muitos destes ritos, não era realizado um, mas imolada várias pessoas em uma única cerimônia. Tais ritos tinham um significado específico em seu sistema cultural, mas, colocar este sistema no mesmo grau de importância que o Cristianismo é deveras complicado.

De mais a mais, pergunto a todos aqueles que defendem tanto a equivalência destes sistemas culturais: se eles são tão bons quanto o que fundamenta a cultura da sociedade Ocidental e vocês tivessem a possibilidade de viver em uma sociedade com estes valores, vocês se entregariam de boa vontade para serem sacrificados aos seus “novos Deuses”? Observação capciosa: o mais interessante é que, em muitas destas culturas as vítimas sacrificiais eram pessoas capturadas em outras tribos (no caso dos Astecas, em especial).

E se pudéssemos nos alongar neste nosso colóquio poderíamos averiguar outras tantas peculiaridades existentes nessas culturas que de modo algum invalidariam a preocupação da Sua Santidade. É claro que muitos irão ler essas linhas e mais do que de pressa irão tachar o autor desta missiva de “preconceituoso” e outros adjetivos do gênero. Tudo bem, se você é uma destas pessoas, sinta-se a vontade. Porém, por gentileza, reflita sobre isso com as devidas proporções.

Para tanto, cabe aqui que apontemos nestas linhas a forma peculiar que tiranetes como Chávez usam as palavras em seus discursos. Estas normalmente são palavras de pouco significado, mas com grande capacidade de mobilizar as massas para os fins mais variados imagináveis pela mente humana devido ao seu intenso apelo emotivo de seus ditos sempre recheado de significados vagos o que permite que cada um dos ouvintes de suas locuções entenda o que desejar realizando assim, o que ele, o porta voz das massas, quer que façam.

Entretanto, todo mundo acreditará que estará agindo de acordo com a sua própria consciência sem perceber que todas as escolhas foram anuladas como sendo inválidas com a profícua colaboração do relativismo.

Sendo assim, não temos como não lembrarmos aqui nestas linhas os ensinamentos de G. K. Chesterton. Parafraseando com ele lembramos que o problema do homem que tudo relativiza não é que ele não acredita em nada, mas sim, que ele acaba acreditando em qualquer coisa. Ou, em qualquer demagogo histriônico que nos agrade e nos traga uma certa sensação de segurança, de confiança em meio a tormenta niilista criada por nós mesmos. Tormenta esta que nós não compreendemos e nos recusamos compreender.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.