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19 Mai 2007

Um Homem Incomum

Escrito por 
Meira Penna era um homem comum que se fez incomum. Esse é o segredo da genialidade. Esse é o toque de garbo e elegância das alma aquilatadas.

ECCE HOMO! Esse é homem que testemunhou as grandes venturas e desventuras do século vinte e, através das janelas de sua alma foi capaz de nos descrever de maneira singular um verdadeiro laudo sobre as chagas que impregnam a existência da brasilidade.

Meira Penna era um homem comum que se fez incomum. Esse é o segredo da genialidade. Esse é o toque de garbo e elegância das alma aquilatadas. Sempre sarcástico em suas obras, abordando as questões sisudas, pois, sempre partilhou da idéia de que quem gosta de tristeza é o diabo. Por isso, com um senso de humor incomum ele nos faz ver através das palavras desenhadas com a pena firmada em seu sereno punho o nosso ridículo original embebido em nossa idiotia existencial.

Bacharel em Direito pela Universidade do Brasil/Rio de Janeiro – RJ. Estudou História na Universidade de Columbia em Nova Yorque e Psicologia Analítica no Jung Institut de Zurique. Suas obras são legítimos monumentos, espelhos que refletem o íntimo de nossa sociedade através de suas análises primorosas advindas de uma pujança intelectual sem igual. Sua lucidez e sua erudição chegam a ser assombrosos.

No fatídico ano de 1917 da Era de Nosso Senhor, na cidade do Rio de Janeiro, nascia José Osvaldo de Meira Penna, filho de José Flávio de Meira Penna e Maria do Nascimento Penna. Em 1938 ingressou na carreira de diplomata através de concurso, não por meio de carteiraço.

Este homem franzino construiu uma carreira brilhante. Representou nosso país nas embaixadas das cidades de Calcutá, Xangai, Âncara, Nanquim, São José, Ottawa, em Nova Yorque (junto a ONU), Zurich, Tel-Aviv, Chipre, Quito, Oslo, Varsóvia, vindo a se aposentar em 1981, de suas funções diplomáticas, não se afastando de modo algum de suas prerrogativas intelectuais, visto que, no ano passado, o mesmo nos brindou com o lançamento de mais uma obra: POLEMOS – uma análise crítica do darwinismo. (aos 89 anos de idade)

Também, não podemos nos esquecer que desde fins da década de sessenta este homem desenvolve ampla e combativa atividade jornalística, sendo colaborador de importantes diários brasileiros como O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde (São Paulo), Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), Mídia Sem Máscara e Parlata.

Em 1986 criou, junto com alguns intelectuais de inspiração liberal, a Sociedade Tocqueville, entidade da qual até então era o Presidente. Presidiu, também, o Instituto Liberal de Brasília e é membro ativo da Sociedade Mont Pélérin.

Lembro aqui, neste interim, as palavras do saudoso Roberto de Oliveira Campos que afirmava que: “Meira Penna faz uma crítica impiedosa mas salutar dos nossos vícios do familismo paternalista, da dependência do Estado como se fossemos infantes perpétuos”. Esta Lúcida alma sempre defendeu que a responsabilidade do cidadão, facilitaria tanto a implantação da democracia como o desenvolvimento de nossa economia. Porém, a lucidez é sempre desdenhada pelos incautos, para infelicidade geral da nação.

No afã de exemplificar arquétipos junguianos, fala-nos mais uma vez Roberto Campos que, Meira Penna produziu belas passagens literárias sobre a introversão quase desumana dos personagens de Machado de Assis, capazes de paixões pessoais porém insensíveis a pessoas abstratas, assim como também dissertou eruditas laudas sobre a simbologia do segundo Fausto de Goethe e do drama shakespereano de Otelo, que simboliza a construção racional por sua sombra Iago, de um ciúme irracional e autodestrutivo.

Por fim, como havia dito no início desta preleção, este é o homem, que deveria ter as suas obras atenciosamente lidas, refletidas, discutidas, com a mesma seriedade e sinceridade com que elas foram escritas, similar a forma como ele viveu cada uma daquelas linhas. Ora, se é correto o dito de que a obra de um escritor deve ser o reflexo de sua alma, posso lhes afirmar categoricamente que cada letra impressa é a marca de uma vida herculeamente vivida.

Se um dia, por ventura, em um futuro distante, a nossa nau de verde-amarela vier a afundar e passarmos a ser apenas mais uma das muitas sociedades que vieram a findar, com certeza José Osvaldo de Meira Penna será lembrado como uma alma socrática que singrou por estas terras cabralinas, que preferiu beber da cicuta do anonimato em fidelidade a Verdade a ter de viver uma vida de vã glória.

Este é o homem e esta é a sua obra!

ECCE HOMO! Esse é homem que testemunhou as grandes venturas e desventuras do século vinte e, através das janelas de sua alma foi capaz de nos descrever de maneira singular um verdadeiro laudo sobre as chagas que impregnam a existência da brasilidade.

Meira Penna era um homem comum que se fez incomum. Esse é o segredo da genialidade. Esse é o toque de garbo e elegância das alma aquilatadas. Sempre sarcástico em suas obras, abordando as questões sisudas, pois, sempre partilhou da idéia de que quem gosta de tristeza é o diabo. Por isso, com um senso de humor incomum ele nos faz ver através das palavras desenhadas com a pena firmada em seu sereno punho o nosso ridículo original embebido em nossa idiotia existencial.

Bacharel em Direito pela Universidade do Brasil/Rio de Janeiro – RJ. Estudou História na Universidade de Columbia em Nova Yorque e Psicologia Analítica no Jung Institut de Zurique. Suas obras são legítimos monumentos, espelhos que refletem o íntimo de nossa sociedade através de suas análises primorosas advindas de uma pujança intelectual sem igual. Sua lucidez e sua erudição chegam a ser assombrosos.

No fatídico ano de 1917 da Era de Nosso Senhor, na cidade do Rio de Janeiro, nascia José Osvaldo de Meira Penna, filho de José Flávio de Meira Penna e Maria do Nascimento Penna. Em 1938 ingressou na carreira de diplomata através de concurso, não por meio de carteiraço.

Este homem franzino construiu uma carreira brilhante. Representou nosso país nas embaixadas das cidades de Calcutá, Xangai, Âncara, Nanquim, São José, Ottawa, em Nova Yorque (junto a ONU), Zurich, Tel-Aviv, Chipre, Quito, Oslo, Varsóvia, vindo a se aposentar em 1981, de suas funções diplomáticas, não se afastando de modo algum de suas prerrogativas intelectuais, visto que, no ano passado, o mesmo nos brindou com o lançamento de mais uma obra: POLEMOS – uma análise crítica do darwinismo. (aos 89 anos de idade)

Também, não podemos nos esquecer que desde fins da década de sessenta este homem desenvolve ampla e combativa atividade jornalística, sendo colaborador de importantes diários brasileiros como O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde (São Paulo), Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), Mídia Sem Máscara e Parlata.

Em 1986 criou, junto com alguns intelectuais de inspiração liberal, a Sociedade Tocqueville, entidade da qual até então era o Presidente. Presidiu, também, o Instituto Liberal de Brasília e é membro ativo da Sociedade Mont Pélérin.

Lembro aqui, neste interim, as palavras do saudoso Roberto de Oliveira Campos que afirmava que: “Meira Penna faz uma crítica impiedosa mas salutar dos nossos vícios do familismo paternalista, da dependência do Estado como se fossemos infantes perpétuos”. Esta Lúcida alma sempre defendeu que a responsabilidade do cidadão, facilitaria tanto a implantação da democracia como o desenvolvimento de nossa economia. Porém, a lucidez é sempre desdenhada pelos incautos, para infelicidade geral da nação.

No afã de exemplificar arquétipos junguianos, fala-nos mais uma vez Roberto Campos que, Meira Penna produziu belas passagens literárias sobre a introversão quase desumana dos personagens de Machado de Assis, capazes de paixões pessoais porém insensíveis a pessoas abstratas, assim como também dissertou eruditas laudas sobre a simbologia do segundo Fausto de Goethe e do drama shakespereano de Otelo, que simboliza a construção racional por sua sombra Iago, de um ciúme irracional e autodestrutivo.

Por fim, como havia dito no início desta preleção, este é o homem, que deveria ter as suas obras atenciosamente lidas, refletidas, discutidas, com a mesma seriedade e sinceridade com que elas foram escritas, similar a forma como ele viveu cada uma daquelas linhas. Ora, se é correto o dito de que a obra de um escritor deve ser o reflexo de sua alma, posso lhes afirmar categoricamente que cada letra impressa é a marca de uma vida herculeamente vivida.

Se um dia, por ventura, em um futuro distante, a nossa nau de verde-amarela vier a afundar e passarmos a ser apenas mais uma das muitas sociedades que vieram a findar, com certeza José Osvaldo de Meira Penna será lembrado como uma alma socrática que singrou por estas terras cabralinas, que preferiu beber da cicuta do anonimato em fidelidade a Verdade a ter de viver uma vida de vã glória.

Este é o homem e esta é a sua obra!

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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