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27 Jun 2004

Esses Discursos Revolucionários

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Não faltariam na história razões e exemplos para que a palavra revolução chegasse a este início de milênio desgastada por insucessos. Fracassaram praticamente todos os movimentos políticos e militares que se associaram a tal conceito.

Não faltariam na história razões e exemplos para que a palavra revolução chegasse a este início de milênio desgastada por insucessos. Fracassaram praticamente todos os movimentos políticos e militares que se associaram a tal conceito - revolução francesa, russa, chinesa, cubana, etc. - bem como todas as incontáveis insurreições, fardadas ou não, com ou sem base social, ocorridas na Ásia, na África e nas Américas. Tivemos revoluções de esquerda e de direita e movimentos contra-revolucionários de direita e de esquerda. Um dos quadros-negros mais negro das aulas de história é o quadro-negro das revoluções.

No entanto, o termo ainda hoje possui um forte apelo emocional e político pois acena com a transformação profunda de uma determinada situação através da substituição rápida e radical dos agentes do poder. O sonho de todo revolucionário não é estrutural, nem social, nem econômico. É político e tem na mira o poder. O outro mundo possível é o mundo onde ele manda. Em sua estranha moral, todo o direito esbarra no direito da revolução que o beneficiará.

Pois apesar do abuso que caracteriza tais idéias e as respectivas ações não são poucos os cristãos que se sensibilizam por discursos revolucionários. Quanta distância, porém, entre essas revoluções e a conversão que suavemente surge do encontro pessoal com Jesus Cristo e que leva amor ao ódio, perdão à ofensa, união à discórdia e luz às trevas! No dizer de Daniel-Rops, o cristianismo produz uma “revolução da cruz” que faz desabar ao seu contato “tudo aquilo que no mundo da época é erro, fingimento e matéria morta”.

Não devemos esquecer, porém, que o impacto do cristianismo e a conseqüente construção do Reino exigem sempre esse encontro da realidade com o exemplo, determinado e firme, daqueles sobre os quais pesa o mandamento de anunciar o evangelho a todas as criaturas.  Esse mandamento recusa o fio da lâmina e a força da pólvora. Pelo contrário, é o sangue dos mártires que muitas vezes faz multiplicar a fé e fertiliza o solo das mudanças.

Quando nos parecem necessárias outras revoluções ou quando certos revolucionários nos resultam simpáticos e nos caem no agrado, lembremos de que o erro só desaba perante a verdade, de que só a “Fonte de água viva” vence a morte e de que o único caminho é o que passa por e o que segue com Jesus. Todo o resto é resto. Barrabás era um sedicioso e saiu livre; Jesus foi crucificado. Quem efetivamente mudou a História?

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:24
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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