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02 Mai 2007

Sarko, Ségo e Bayrou

Escrito por 
Quando se trata de eleições na França é sempre bom ter muito cuidado. O eleitorado francês é muito instável e imprevisível.

Quando se trata de eleições na França é sempre bom ter muito cuidado. O eleitorado francês é muito instável e imprevisível. Assim, fazer previsões sobre os resultados é sempre uma tarefa arriscada. A chegada de Le Pen ao segundo turno em 2002 e o rotundo “não” de um dos fundadores da União Européia para a existência de sua própria Constituição foram os fatos mais recentes que ilustram essa idéia. Assim, nós, analistas políticos, tínhamos receio da ocorrência de alguma surpresa nas Presidenciais deste ano. É preciso entender o eleitorado para estabelecer uma opinião crítica tranqüila. Neste ano, resolvi ir até a França para conseguir entender melhor esses movimentos políticos e aqui trago algumas observações para o segundo turno do dia 6 de maio.

Se existiu alguma surpresa, foram os eleitores franceses. O grande comparecimento foi um ponto importante desta eleição. 84,6% dos eleitores foram votar, um êxito que fortalece a V República. Este pleito também enterrou um mito, e neste ponto reside uma das principais mensagens deste primeiro turno. Por aqui é tido como fato de que quando todos votam, os socialistas ganham, ou seja, na falta de uma boa campanha, a esquerda deve saber mobilizar os eleitores e assim, ganhar a eleição. Este mito acabou. A grande soma de votos de Sarkozy, com grande comparecimento, mostrou que talvez uma mudança de fundo esteja em curso na população francesa. E está, a prova disto são os votos de Bayrou, mas falaremos disto mais adiante.

Sarkozy realmente largou na frente como era esperado, mas um pouco além de qualquer previsão. Com 11 milhões de votos, 31,11%, números superiores aos projetados pelos institutos de pesquisa, larga com segurança para o segundo turno. As primeiras sondagens apresentam o candidato da UMP com 54% de intenções de voto para o novo embate com Ségolène.

Do outro lado, a bela Ségolène conseguiu resgatar a dignidade dos socialistas, depois de o fraco Jospin ter sido atropelado por Le Pen em 2002. Teve 25,84%, exatamente o que previam as pesquisas. A dúvida na cabeça de todos é a incerteza quanto ao fôlego para vencer no segundo turno. Tudo seria mais fácil se conseguisse o apoio de Bayrou, o que é difícil, porém não impossível. Pesquisas mostram que Royal teria hoje 46%. Se deseja bater
Sarkozy, precisa fazer melhor do que isto.

O grande perdedor foi Le Pen. Não acertou a mão nesta eleição, mas também vale lembrar que este pleito foi extremamente diferente do último. Le Pen perdeu alguns votos para Sarkozy, um candidato mais conservador que Chirac em 2002. Estacionou nos seus históricos 10%, abaixo do que as pesquisas lhe conferiam, por volta de 15%. Isto mostra, de alguma forma, que seu êxito em 2002 não se consolidou. Parte de seus votos devem migrar para Sarkozy, mas Le Pen deve pregar a neutralidade, já que o candidato da UMP é filho de pai húngaro.

Chegamos a Bayrou, e seus 7 milhões de votos. Ele é o grande vencedor do primeiro turno juntamente com Sarkozy, mas de uma maneira diferente. Bayrou abriu o centro, ocupou o lugar mais estratégico da política francesa que até hoje nunca havia sido reivindicado ou conquistado por qualquer político. Se coloca no tabuleiro como uma nova força política pouco antes das eleições legislativas. Pode ter um futuro promissor. Seus 18,55%, podem ser o fiel da balança no segundo turno, mas em sua primeira coletiva pós-eleições, anunciou que se manterá neutro. Entretanto suas palavras colocaram o centrista eventualmente muito mais perto de Ségolène do que de Sarkozy.

Bayrou tem um grande capital político nas mãos. É um trunfo, mas também é um risco. Sua posição é tão privilegiada que pode negociar inclusive o posto de Primeiro-Ministro na próxima administração. A grande dúvida é saber se Bayrou irá pensar no longo ou curto prazo, e ambas posições revelam grandes riscos que devem ser muito bem avaliados. Ele pode ter muitos objetivos, como pensar no Elyseé, organizar seu novo partido, consolidar o centro ou até mesmo ocupar e repartir poder mirando nos mesmos objetivos. Neste momento, optou pela prudência, entretanto, deve dosar essa posição. Se a prudência, no curto prazo, é indicada, no longo, pode mostrar-se como seu mais perigoso inimigo, destruindo sua imagem e capital político, evidenciando um líder errático e vacilante, incapaz de tomar decisões.

Ao fim e ao cabo, tudo indica que Sarkozy deve vencer, entretanto, tratando-se de eleitores franceses, sempre é necessário estar atento para qualquer mudança de rumo.

Quando se trata de eleições na França é sempre bom ter muito cuidado. O eleitorado francês é muito instável e imprevisível. Assim, fazer previsões sobre os resultados é sempre uma tarefa arriscada. A chegada de Le Pen ao segundo turno em 2002 e o rotundo “não” de um dos fundadores da União Européia para a existência de sua própria Constituição foram os fatos mais recentes que ilustram essa idéia. Assim, nós, analistas políticos, tínhamos receio da ocorrência de alguma surpresa nas Presidenciais deste ano. É preciso entender o eleitorado para estabelecer uma opinião crítica tranqüila. Neste ano, resolvi ir até a França para conseguir entender melhor esses movimentos políticos e aqui trago algumas observações para o segundo turno do dia 6 de maio.

Se existiu alguma surpresa, foram os eleitores franceses. O grande comparecimento foi um ponto importante desta eleição. 84,6% dos eleitores foram votar, um êxito que fortalece a V República. Este pleito também enterrou um mito, e neste ponto reside uma das principais mensagens deste primeiro turno. Por aqui é tido como fato de que quando todos votam, os socialistas ganham, ou seja, na falta de uma boa campanha, a esquerda deve saber mobilizar os eleitores e assim, ganhar a eleição. Este mito acabou. A grande soma de votos de Sarkozy, com grande comparecimento, mostrou que talvez uma mudança de fundo esteja em curso na população francesa. E está, a prova disto são os votos de Bayrou, mas falaremos disto mais adiante.

Sarkozy realmente largou na frente como era esperado, mas um pouco além de qualquer previsão. Com 11 milhões de votos, 31,11%, números superiores aos projetados pelos institutos de pesquisa, larga com segurança para o segundo turno. As primeiras sondagens apresentam o candidato da UMP com 54% de intenções de voto para o novo embate com Ségolène.

Do outro lado, a bela Ségolène conseguiu resgatar a dignidade dos socialistas, depois de o fraco Jospin ter sido atropelado por Le Pen em 2002. Teve 25,84%, exatamente o que previam as pesquisas. A dúvida na cabeça de todos é a incerteza quanto ao fôlego para vencer no segundo turno. Tudo seria mais fácil se conseguisse o apoio de Bayrou, o que é difícil, porém não impossível. Pesquisas mostram que Royal teria hoje 46%. Se deseja bater
Sarkozy, precisa fazer melhor do que isto.

O grande perdedor foi Le Pen. Não acertou a mão nesta eleição, mas também vale lembrar que este pleito foi extremamente diferente do último. Le Pen perdeu alguns votos para Sarkozy, um candidato mais conservador que Chirac em 2002. Estacionou nos seus históricos 10%, abaixo do que as pesquisas lhe conferiam, por volta de 15%. Isto mostra, de alguma forma, que seu êxito em 2002 não se consolidou. Parte de seus votos devem migrar para Sarkozy, mas Le Pen deve pregar a neutralidade, já que o candidato da UMP é filho de pai húngaro.

Chegamos a Bayrou, e seus 7 milhões de votos. Ele é o grande vencedor do primeiro turno juntamente com Sarkozy, mas de uma maneira diferente. Bayrou abriu o centro, ocupou o lugar mais estratégico da política francesa que até hoje nunca havia sido reivindicado ou conquistado por qualquer político. Se coloca no tabuleiro como uma nova força política pouco antes das eleições legislativas. Pode ter um futuro promissor. Seus 18,55%, podem ser o fiel da balança no segundo turno, mas em sua primeira coletiva pós-eleições, anunciou que se manterá neutro. Entretanto suas palavras colocaram o centrista eventualmente muito mais perto de Ségolène do que de Sarkozy.

Bayrou tem um grande capital político nas mãos. É um trunfo, mas também é um risco. Sua posição é tão privilegiada que pode negociar inclusive o posto de Primeiro-Ministro na próxima administração. A grande dúvida é saber se Bayrou irá pensar no longo ou curto prazo, e ambas posições revelam grandes riscos que devem ser muito bem avaliados. Ele pode ter muitos objetivos, como pensar no Elyseé, organizar seu novo partido, consolidar o centro ou até mesmo ocupar e repartir poder mirando nos mesmos objetivos. Neste momento, optou pela prudência, entretanto, deve dosar essa posição. Se a prudência, no curto prazo, é indicada, no longo, pode mostrar-se como seu mais perigoso inimigo, destruindo sua imagem e capital político, evidenciando um líder errático e vacilante, incapaz de tomar decisões.

Ao fim e ao cabo, tudo indica que Sarkozy deve vencer, entretanto, tratando-se de eleitores franceses, sempre é necessário estar atento para qualquer mudança de rumo.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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