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02 Mai 2007

Com a Palavra: A Ciência

Escrito por 
Não estamos aqui afirmando que o saber científico não tenha valor, mas sim, apontando para o fato de que ele não deve de modo algum ser divinizado o que, por sua deixa, acontece com grande freqüência nos dias atuais.

Torna-se cada vez mais curioso a forma como as palavras se apresentam imantadas por uma intensa carga emotiva. E o mais curioso é que quanto mais o ser humano se auto-proclama racional menos ele se dedica a fazer uso de suas faculdades sapienciais, permitindo-se entregar aos mais tolos devaneios como se esses tivessem alguma expressão de superioridade frente ao restante da humanidade.

E, por incrível que pareça, uma das palavras mais rodeadas destes pendores sentimentais é a palavra científico, bem como todo sinônimo desta. Basta que uma pessoa evoque qualquer besteira e, ao término de sua preleção, afirme que todo aquele trololó seria supostamente comprovado cientificamente que toda a patuleia ululante, dita racional, passa a crer em tudinho, similar a qualquer fanático diante se seu pregador.

Não estamos aqui afirmando que o saber científico não tenha valor, mas sim, apontando para o fato de que ele não deve de modo algum ser divinizado o que, por sua deixa, acontece com grande freqüência nos dias atuais. Deste modo, o que deveria ser um saber experimental, passa a se tornar uma crença pífia, nada mais e nada menos que isso.

Não? Estou delirando? Então me diga meu caro, você que afirma ser uma pessoa que deposita todas as suas fichas do jogo da vida no saber científico, qual é a ciência que você pratica? Nenhuma? Qual sistema teórico que você domina? Nenhum? Ora, Santa Madona, se você “pensa” assim, você não pratica ciência, mas sim, deixa-se guiar por uma crença muitíssimo mal fundada em uma casta sacerdotal que interpreta uma liturgia que você desconhece totalmente. E, diga-se de passagem, mais mal fundada que as crenças de um caboclo ribeirinho, pois este, pelo menos, tem a conhecimento experimentado de sua tradição.

Em nossa sociedade, basta que tenhamos um reris diploma universitário para que nos sintamos cientificamente corretos, mesmo que nunca tenhamos tido a devida paciência para aprender os métodos de uma. Quem o diga praticá-la de fato, não apenas de nome. Alias, paciência é a virtude primeira para esta atividade, coisa que, a maioria das pessoas que se dizem fiéis deste credo, não tem, não é mesmo? Por incrível que parece, perdem de longe, para um frei Franciscano. Alias, não é incrível, mas sim, previsível.

O que estas pessoas esquecem de perceber é que as ciências tratam de fragmentos do mundo real, não da totalidade da realidade. Cada uma delas se preocupa em compreender um aspecto da vida e não em explicar o que é a vida. Rubem Alves, de modo poético procurou dar conta deste ponto em seu livrinho “Entre a Ciência e a Sapiência” apontando-nos que, a ciência, nada mais seria que uma grande rede feita para pegar um determinado tipo de peixe dourado. Todavia, esta rede é totalmente incapaz de capturar as flores, os pássaros e seu canto, a brisa, etc.

Ora, não é atoa que a modernidade seja tão pobre espiritualmente. Olha, sem querer parecer patético, mas já o sendo, já tive a infelicidade de me recomendarem livros que provam cientificamente que Deus existe. Ora, Dio Santo! Como pode a criatura explicar a existência do Criador? Só na cabeça dos ditos “homens de ciência” mesmo.

Sobre este ponto, nos fala o filósofo português Mendo Castro Henriques nos lembra em sua obra “A filosofia civil de Eric Voegelin”, que: “O propósito de conhecer exaustivamente o mundo e realizar um inventário de todas as partes, ocupa o lugar da intenção de compreender o mundo segundo uma ordem do ser. Os métodos das ciências naturais determinam os critérios de verdade. Liquidam-se as questões metafísicas, declaradas insensatas pelas ideologias do 'indiferentismo, laicismo e ateismo'. Os argumentos anti-religiosos substituem linguagens conciliatórias anteriores e a ideologia revolucionária apoia-se crescentemente no cientismo, uma superstição de um novo tipo”. (1994; pág. 214)

E o que fazemos hoje em dia é justamente isso. Tentamos de modo tolo elevar o conhecimento científico ao patamar de saber último, transformando-o em medida absoluta para todos os valores que regem a vida e, deste modo, acabamos por vislumbrar a formação de uma metafísica materialista e vulgar (mesmo que estas pessoas nem saiba direito o que é isso) que procura dar uma explicação para tudo que se manifesta através do ser humano e ao seu redor, empobrecendo o nosso olhar sobre a realidade para assim, melhor ampliar a nossa miséria existencial.

Torna-se cada vez mais curioso a forma como as palavras se apresentam imantadas por uma intensa carga emotiva. E o mais curioso é que quanto mais o ser humano se auto-proclama racional menos ele se dedica a fazer uso de suas faculdades sapienciais, permitindo-se entregar aos mais tolos devaneios como se esses tivessem alguma expressão de superioridade frente ao restante da humanidade.

E, por incrível que pareça, uma das palavras mais rodeadas destes pendores sentimentais é a palavra científico, bem como todo sinônimo desta. Basta que uma pessoa evoque qualquer besteira e, ao término de sua preleção, afirme que todo aquele trololó seria supostamente comprovado cientificamente que toda a patuleia ululante, dita racional, passa a crer em tudinho, similar a qualquer fanático diante se seu pregador.

Não estamos aqui afirmando que o saber científico não tenha valor, mas sim, apontando para o fato de que ele não deve de modo algum ser divinizado o que, por sua deixa, acontece com grande freqüência nos dias atuais. Deste modo, o que deveria ser um saber experimental, passa a se tornar uma crença pífia, nada mais e nada menos que isso.

Não? Estou delirando? Então me diga meu caro, você que afirma ser uma pessoa que deposita todas as suas fichas do jogo da vida no saber científico, qual é a ciência que você pratica? Nenhuma? Qual sistema teórico que você domina? Nenhum? Ora, Santa Madona, se você “pensa” assim, você não pratica ciência, mas sim, deixa-se guiar por uma crença muitíssimo mal fundada em uma casta sacerdotal que interpreta uma liturgia que você desconhece totalmente. E, diga-se de passagem, mais mal fundada que as crenças de um caboclo ribeirinho, pois este, pelo menos, tem a conhecimento experimentado de sua tradição.

Em nossa sociedade, basta que tenhamos um reris diploma universitário para que nos sintamos cientificamente corretos, mesmo que nunca tenhamos tido a devida paciência para aprender os métodos de uma. Quem o diga praticá-la de fato, não apenas de nome. Alias, paciência é a virtude primeira para esta atividade, coisa que, a maioria das pessoas que se dizem fiéis deste credo, não tem, não é mesmo? Por incrível que parece, perdem de longe, para um frei Franciscano. Alias, não é incrível, mas sim, previsível.

O que estas pessoas esquecem de perceber é que as ciências tratam de fragmentos do mundo real, não da totalidade da realidade. Cada uma delas se preocupa em compreender um aspecto da vida e não em explicar o que é a vida. Rubem Alves, de modo poético procurou dar conta deste ponto em seu livrinho “Entre a Ciência e a Sapiência” apontando-nos que, a ciência, nada mais seria que uma grande rede feita para pegar um determinado tipo de peixe dourado. Todavia, esta rede é totalmente incapaz de capturar as flores, os pássaros e seu canto, a brisa, etc.

Ora, não é atoa que a modernidade seja tão pobre espiritualmente. Olha, sem querer parecer patético, mas já o sendo, já tive a infelicidade de me recomendarem livros que provam cientificamente que Deus existe. Ora, Dio Santo! Como pode a criatura explicar a existência do Criador? Só na cabeça dos ditos “homens de ciência” mesmo.

Sobre este ponto, nos fala o filósofo português Mendo Castro Henriques nos lembra em sua obra “A filosofia civil de Eric Voegelin”, que: “O propósito de conhecer exaustivamente o mundo e realizar um inventário de todas as partes, ocupa o lugar da intenção de compreender o mundo segundo uma ordem do ser. Os métodos das ciências naturais determinam os critérios de verdade. Liquidam-se as questões metafísicas, declaradas insensatas pelas ideologias do 'indiferentismo, laicismo e ateismo'. Os argumentos anti-religiosos substituem linguagens conciliatórias anteriores e a ideologia revolucionária apoia-se crescentemente no cientismo, uma superstição de um novo tipo”. (1994; pág. 214)

E o que fazemos hoje em dia é justamente isso. Tentamos de modo tolo elevar o conhecimento científico ao patamar de saber último, transformando-o em medida absoluta para todos os valores que regem a vida e, deste modo, acabamos por vislumbrar a formação de uma metafísica materialista e vulgar (mesmo que estas pessoas nem saiba direito o que é isso) que procura dar uma explicação para tudo que se manifesta através do ser humano e ao seu redor, empobrecendo o nosso olhar sobre a realidade para assim, melhor ampliar a nossa miséria existencial.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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