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29 Abr 2007

Las Malvinas Son Malas Viñas

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Mas a invasão fortaleceu a hostilidade dos ilhéus em relação à Argentina e eliminou a possibilidade de negociação na Grã-Bretanha.

Quando da comemoração do 25.o aniversário da guerra das Malvinas – um episódio que os derrotados deveriam lamentar ou esquecer – Nestor Kirchner, um Lulla patagônico, dançando uma milonga ensandecida, decidiu insuflar o antiglobalizante patriotismo argentino no dia 2 de abril de 2007, data que em Ushaia – a capital da Terra do Fogo - os veteranos da campanha derrotada festejam o mui esperançoso desembarque de tropas argentinas nas Falkland Islands, que os argentinos insistem em chamar de Islas Malvinas.

É digno de nota como - após um quarto de século - a questão divide os conterrâneos de Carlitos Gardel, assim como o lugar de nascimento do mesmo, que para uns foi Buenos Aires, para outros Montevidéu e para outros ainda a terra do sanguinário terrorista Robespierre. No caso das Falklands, ditas Malvinas, também são três as correntes da opinião pública a respeito da referida vexata quaestio:

(1) Os ultranacionalistas, que sabem que a Argentina perdeu a guerra contra a armada real de Elizabeth II. Sabem mas não aceitam!!! Nosotros non aceptamos jamás la derrota, como disse Don Dieguito Maradona numa Copa do Mundo de Futebol.

(2) Os que sabem e aceitam, mas não sem tecer imprecações contra a usurpação de território argentino feita pelos “odiosos imperialistas britânicos”.

(3) Os que sabem, aceitam e não tecem quaisquer imprecações contra o Reino Unido, mas sim contra o fascista general Gualtieri e seus gorilas, que, para se manterem no Poder a todo custo, inventaram essa história de invadir território britânico, que resultou na morte de 649 jovens argentinos, muitos dos quais mortos de fome e de frio, e ao menos 350 deles de suicídio. Creio que, em números relativos, é mais alta taxa de suicídio registrada numa guerra em tão pouco tempo.

Embora est’última corrente de opinião pública seja a sustentada por uma ínfima minoria de argentinos, quero crer que a mesma não fez ouvidos moucos para A Voz da Sensatez, como as outras duas fizeram, deacreditando inteiramente qualquer critério de razoabilidade.

No entanto, há um ponto de interseção das três correntes constituindo uma forte unanimidade nacional: Las Malvinas son nuestras! E assim como a história presente não tem se mostrado inclinada a absolver El Coma Andante, que muitos consideram condenado às chamas do Inferno, a passada não tem se mostrado inclinada a aceitar a reivindicação de posse das Malvinas reiteradamente feita pelos argentinos. Basta uma rápida olhadinha na história das Falklands para nos convencermos disso.

Os primeiros a desembarcar e a se estabelecer naquelas gélidas terras foram os espanhóis, que lá ficaram de 1774 a 1811. Em 1820, os argentinos chegaram e botaram para correr os espanhóis, mas em 1833 os argentinos foram empurrados de volta ao continente pela gloriosa British Navy, jamais derrotada nos sete mares! Ora, de 1883 a 1982 - data do início do conflito armado - são 124 anos ininterruptos de colonização que assinalam a posse definitiva das Falklands pelo Reino Unido. É verdade que a Argentina nunca levou sua reivindicação de propriedade a um tribunal internacional, mas estou seguro de que se a levasse, os advogados de Sua Majestade Elizabeth II poderiam facilmente ganhar a questão, pois mais de um século é tempo mais do que suficiente para fazer valer o usucapião de um posseiro.

Não dando a menor importância às regras mais elementares do direito internacional público, diplomatas argentinos receberam do insosso e inseguro Kirchner a árdua missão de mostrar para a ONU o caráter supostamente ilegítimo da ocupação britânica.

Ilegítimo mesmo foi o regime militar de Gualtieri que, para se perpetuar no Poder, não teve a menor dúvida de encher de vãs esperanças uma nação combalida e mandar centenas de jovens recrutas - sem devidos treinamento e equipamento - para uma morte desonrosa, sem sentido e cruel - na realidade, um bando de soldadinhos de chumbo inteiramente despreparados enfrentando soldados profissionais de “a terceira potência bélica do mundo”, como reconheceu um historiador argentino num excelente documentário levado ao ar pelo History Channel. E como disse um não menos relevante artigo de The Economist, “Argentina and the Falklands”:

(...) “Mas a invasão fortaleceu a hostilidade dos ilhéus em relação à Argentina e eliminou a possibilidade de negociação na Grã-Bretanha. (...).De acordo com os princípios de ocupação contínua e autodeterminação, as Falklands são britânicas e estão felizes de permanecer assim”.

God save the Queen!

Quando da comemoração do 25.o aniversário da guerra das Malvinas – um episódio que os derrotados deveriam lamentar ou esquecer – Nestor Kirchner, um Lulla patagônico, dançando uma milonga ensandecida, decidiu insuflar o antiglobalizante patriotismo argentino no dia 2 de abril de 2007, data que em Ushaia – a capital da Terra do Fogo - os veteranos da campanha derrotada festejam o mui esperançoso desembarque de tropas argentinas nas Falkland Islands, que os argentinos insistem em chamar de Islas Malvinas.

É digno de nota como - após um quarto de século - a questão divide os conterrâneos de Carlitos Gardel, assim como o lugar de nascimento do mesmo, que para uns foi Buenos Aires, para outros Montevidéu e para outros ainda a terra do sanguinário terrorista Robespierre. No caso das Falklands, ditas Malvinas, também são três as correntes da opinião pública a respeito da referida vexata quaestio:

(1) Os ultranacionalistas, que sabem que a Argentina perdeu a guerra contra a armada real de Elizabeth II. Sabem mas não aceitam!!! Nosotros non aceptamos jamás la derrota, como disse Don Dieguito Maradona numa Copa do Mundo de Futebol.

(2) Os que sabem e aceitam, mas não sem tecer imprecações contra a usurpação de território argentino feita pelos “odiosos imperialistas britânicos”.

(3) Os que sabem, aceitam e não tecem quaisquer imprecações contra o Reino Unido, mas sim contra o fascista general Gualtieri e seus gorilas, que, para se manterem no Poder a todo custo, inventaram essa história de invadir território britânico, que resultou na morte de 649 jovens argentinos, muitos dos quais mortos de fome e de frio, e ao menos 350 deles de suicídio. Creio que, em números relativos, é mais alta taxa de suicídio registrada numa guerra em tão pouco tempo.

Embora est’última corrente de opinião pública seja a sustentada por uma ínfima minoria de argentinos, quero crer que a mesma não fez ouvidos moucos para A Voz da Sensatez, como as outras duas fizeram, deacreditando inteiramente qualquer critério de razoabilidade.

No entanto, há um ponto de interseção das três correntes constituindo uma forte unanimidade nacional: Las Malvinas son nuestras! E assim como a história presente não tem se mostrado inclinada a absolver El Coma Andante, que muitos consideram condenado às chamas do Inferno, a passada não tem se mostrado inclinada a aceitar a reivindicação de posse das Malvinas reiteradamente feita pelos argentinos. Basta uma rápida olhadinha na história das Falklands para nos convencermos disso.

Os primeiros a desembarcar e a se estabelecer naquelas gélidas terras foram os espanhóis, que lá ficaram de 1774 a 1811. Em 1820, os argentinos chegaram e botaram para correr os espanhóis, mas em 1833 os argentinos foram empurrados de volta ao continente pela gloriosa British Navy, jamais derrotada nos sete mares! Ora, de 1883 a 1982 - data do início do conflito armado - são 124 anos ininterruptos de colonização que assinalam a posse definitiva das Falklands pelo Reino Unido. É verdade que a Argentina nunca levou sua reivindicação de propriedade a um tribunal internacional, mas estou seguro de que se a levasse, os advogados de Sua Majestade Elizabeth II poderiam facilmente ganhar a questão, pois mais de um século é tempo mais do que suficiente para fazer valer o usucapião de um posseiro.

Não dando a menor importância às regras mais elementares do direito internacional público, diplomatas argentinos receberam do insosso e inseguro Kirchner a árdua missão de mostrar para a ONU o caráter supostamente ilegítimo da ocupação britânica.

Ilegítimo mesmo foi o regime militar de Gualtieri que, para se perpetuar no Poder, não teve a menor dúvida de encher de vãs esperanças uma nação combalida e mandar centenas de jovens recrutas - sem devidos treinamento e equipamento - para uma morte desonrosa, sem sentido e cruel - na realidade, um bando de soldadinhos de chumbo inteiramente despreparados enfrentando soldados profissionais de “a terceira potência bélica do mundo”, como reconheceu um historiador argentino num excelente documentário levado ao ar pelo History Channel. E como disse um não menos relevante artigo de The Economist, “Argentina and the Falklands”:

(...) “Mas a invasão fortaleceu a hostilidade dos ilhéus em relação à Argentina e eliminou a possibilidade de negociação na Grã-Bretanha. (...).De acordo com os princípios de ocupação contínua e autodeterminação, as Falklands são britânicas e estão felizes de permanecer assim”.

God save the Queen!

Mario Guerreiro

Mario Antonio de Lacerda Guerreiro nasceu no Rio de Janeiro em 1944. Doutorou-se em Filosofia pela UFRJ em 1983. É Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Ex-Pesquisador do CNPq. Ex-Membro do ILTC [Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC [Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos].Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da Universidade. Autor de Problemas de Filosofia da Linguagem (EDUFF, Niterói, 1985); O Dizível e O Indizível (Papirus, Campinas, 1989); Ética Mínima Para Homens Práticos (Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1995). O Problema da Ficção na Filosofia Analítica (Editora UEL, Londrina, 1999). Ceticismo ou Senso Comum? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999). Deus Existe? Uma Investigação Filosófica. (Editora UEL, Londrina, 2000). Liberdade ou Igualdade (Porto Alegre, EDIOUCRS, 2002).

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