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21 Abr 2007

Sem Segredos

Escrito por 
O brasileiro médio analisa os acontecimentos, sejam eles hodiernos ou pretéritos, dentro de uma lógica que nem mesmo seria cabível dentro de um conto de fadas.

O brasileiro médio analisa os acontecimentos, sejam eles hodiernos ou pretéritos, dentro de uma lógica que nem mesmo seria cabível dentro de um conto de fadas. Entretanto, como neste país boa parte das pessoas se ufanam de nunca terem lido um livro sequer, tudo que é parvo torna-se possível e mesmo desejável, em especial, esta maneira peculiar de “pensar” onde tudo se sabe sem a necessidade de ter-se embrenhado nas veredas soturnas do conhecer.

É incrível como pessoas que não tem o menor amor pelo conhecimento nutrem uma voracidade tão grande pelo debate, digo, pelo que elas entendem por debate. Já reparam como nós agimos em relação aos mais variados assuntos de modo “crítico”? Nunca lemos nada profundo e significativo sobre um determinado assunto que esteja em pauta, mas, obviamente temos uma bem “fundada” opinião sobre o mesmo.

Nossa sociedade, em especial a fatia media desta(em termos sócio-econômicos), ama fazer pose de intelectual. É tagarela, moralista, indignada e, acima de tudo, descarada. Nossa sociedade, de um modo amplo, é uma legitima encarnação da Teoria do Medalhão de Machado de Assis, onde o conhecimento da verdade é desnecessário, mas o fingimento faz-se fundamental para a sobrevivência da indigente alma nacional.

Fingimos nos preocupar com o situação em que se encontra o Estado Brasileiro, sem estudar a sua formação histórica. Nos preocupamos com a economia, sem nos perguntarmos sobre os seus fundamentos. Nos alvoroçamos com o tal do aquecimento global sem em um único instante termos consultado um dado que não fosse oriundo da mídia chique que, por incrível que pareça, é objeto de desconfiança atroz. Mas, mesmo assim, discutimos entusiasticamente todos estes assuntos como se fossemos uma casta de ilustrados. Seres iluminados pelo vácuo de nossa ignorância voluntária.

O que importa nesta assembléia de inconscientes é que sejamos capazes de construir frases de forte impacto emotivo, frases que sejam bonitas e eloqüentes. E o mais importante: elas devem ser belas a tal ponto que nós mesmos sejamos capazes de acreditar versadas balelas, senão não seriamos um idiota completo, não é mesmo? Seriamos apenas mais um entre tantos e aí, não tem graça. Chique bem, é ser uma celebridade da imbecilidade.

Para podermos fazer parte deste grupo seleto da idiotia nacional, os celebres (de)formadores opinião, temos que formar uma grande clientela de idiotas menores que, além de não serem capazes de pensar de modo independente como os idiotas magnos, repitam as frases vazias ditas por estes para assim, como em uma espécie de mantra sacrossanto, possamos todos, comodamente, “pensar” através dos chavões decorados.

Nos apegamos a estas concepções turvas como se estas fossem nossos animais de estimação. Tratamos elas como se fossem parte integrante de nossa alma e, nos recusamos a debate-las com a merecida seriedade. Preferimos nos esquivar de tudo que possa realmente levar o nosso auto-engano ao descrédito.

Exemplo cabal do que apontamos aqui é o avesso que muitas pessoas tem a determinadas idéias e a determinadas pessoas. Quando perguntam para mim o que acho de fulano ou beltrano, respondo: não acho nada. Agora, se me perguntam o que penso de suas idéias e obras, a conversa muda de figura, visto que, a maioria das pessoas apenas tem uma forte antipatia a uma figura (ou teorias) por esta ser “pouco carismática” ou coisa do gênero.

Um julgamento deste quilate realmente é de grande valia para a manipulação das massas medianas, não para um exercício sério de compreensão da realidade.

Para se libertar desta armadilha epistêmica, não há segredo. Basta apenas que estejamos realmente dispostos a estudar com paciência os problemas que realmente desejamos entender. Porém, quando a mentira passa a ser parte integrante de nossa identidade, de nossa existência, a verdade nos coloca em estado de pânico pelo simples fato de mostra que não somos nada além de um engodo cinicamente edificado pela nossa massificante idiotia.

O brasileiro médio analisa os acontecimentos, sejam eles hodiernos ou pretéritos, dentro de uma lógica que nem mesmo seria cabível dentro de um conto de fadas. Entretanto, como neste país boa parte das pessoas se ufanam de nunca terem lido um livro sequer, tudo que é parvo torna-se possível e mesmo desejável, em especial, esta maneira peculiar de “pensar” onde tudo se sabe sem a necessidade de ter-se embrenhado nas veredas soturnas do conhecer.

É incrível como pessoas que não tem o menor amor pelo conhecimento nutrem uma voracidade tão grande pelo debate, digo, pelo que elas entendem por debate. Já reparam como nós agimos em relação aos mais variados assuntos de modo “crítico”? Nunca lemos nada profundo e significativo sobre um determinado assunto que esteja em pauta, mas, obviamente temos uma bem “fundada” opinião sobre o mesmo.

Nossa sociedade, em especial a fatia media desta(em termos sócio-econômicos), ama fazer pose de intelectual. É tagarela, moralista, indignada e, acima de tudo, descarada. Nossa sociedade, de um modo amplo, é uma legitima encarnação da Teoria do Medalhão de Machado de Assis, onde o conhecimento da verdade é desnecessário, mas o fingimento faz-se fundamental para a sobrevivência da indigente alma nacional.

Fingimos nos preocupar com o situação em que se encontra o Estado Brasileiro, sem estudar a sua formação histórica. Nos preocupamos com a economia, sem nos perguntarmos sobre os seus fundamentos. Nos alvoroçamos com o tal do aquecimento global sem em um único instante termos consultado um dado que não fosse oriundo da mídia chique que, por incrível que pareça, é objeto de desconfiança atroz. Mas, mesmo assim, discutimos entusiasticamente todos estes assuntos como se fossemos uma casta de ilustrados. Seres iluminados pelo vácuo de nossa ignorância voluntária.

O que importa nesta assembléia de inconscientes é que sejamos capazes de construir frases de forte impacto emotivo, frases que sejam bonitas e eloqüentes. E o mais importante: elas devem ser belas a tal ponto que nós mesmos sejamos capazes de acreditar versadas balelas, senão não seriamos um idiota completo, não é mesmo? Seriamos apenas mais um entre tantos e aí, não tem graça. Chique bem, é ser uma celebridade da imbecilidade.

Para podermos fazer parte deste grupo seleto da idiotia nacional, os celebres (de)formadores opinião, temos que formar uma grande clientela de idiotas menores que, além de não serem capazes de pensar de modo independente como os idiotas magnos, repitam as frases vazias ditas por estes para assim, como em uma espécie de mantra sacrossanto, possamos todos, comodamente, “pensar” através dos chavões decorados.

Nos apegamos a estas concepções turvas como se estas fossem nossos animais de estimação. Tratamos elas como se fossem parte integrante de nossa alma e, nos recusamos a debate-las com a merecida seriedade. Preferimos nos esquivar de tudo que possa realmente levar o nosso auto-engano ao descrédito.

Exemplo cabal do que apontamos aqui é o avesso que muitas pessoas tem a determinadas idéias e a determinadas pessoas. Quando perguntam para mim o que acho de fulano ou beltrano, respondo: não acho nada. Agora, se me perguntam o que penso de suas idéias e obras, a conversa muda de figura, visto que, a maioria das pessoas apenas tem uma forte antipatia a uma figura (ou teorias) por esta ser “pouco carismática” ou coisa do gênero.

Um julgamento deste quilate realmente é de grande valia para a manipulação das massas medianas, não para um exercício sério de compreensão da realidade.

Para se libertar desta armadilha epistêmica, não há segredo. Basta apenas que estejamos realmente dispostos a estudar com paciência os problemas que realmente desejamos entender. Porém, quando a mentira passa a ser parte integrante de nossa identidade, de nossa existência, a verdade nos coloca em estado de pânico pelo simples fato de mostra que não somos nada além de um engodo cinicamente edificado pela nossa massificante idiotia.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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