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27 Jun 2004

Dois Pesos e Duas Medidas

Escrito por 

Assim é o Brasil de hegemonia esquerdista. Atendeu aos preceitos da esquerda, você tem amplo espaço na mídia (esta dominada pelo esquerdismo); você tem pensamento em contrário, lhe resta a obscuridão e o desconhecimento.

Há cerca de um mês, aproximadamente, escrevi um artigo intitulado “Uma Revolução Sem Sangue”, onde faço um relato de como a esquerda conseguiu, através da ardileza, se tornar hegemônica dentro do Brasil, ou seja, existe uma dominação esquerdistas em todos os aspectos da vida nacional. Há como um verdadeiro patrulhamento ideológico sobre a sociedade brasileira. E o pior e mais triste é ver brasileiros ardorosamente empunhar a bandeira vermelha com uma força hercúlea, mas cheio de “razão”. É o que se convencionou chamar de “politicamente correto”. Na verdade, a esmagadora maioria do povo brasileiro sequer tem a capacidade de atentar para o fato de estar sendo usado a favor de uma causa que tanta desgraça trouxe à humanidade.

Para não aprofundar muito nessa questão do papel hegemônico da esquerda, basta citar o exemplo da palavrinha “social”. Em qualquer rincão deste país, se você, caro leitor, falar qualquer coisa introduzindo a palavra “social” , como em um toque de mágica, suas palavras ganham ares de sabedoria, de cultura e, principalmente, de preocupação com seus semelhantes. E o exemplo mais gritante (e irritante) é o da justiça social. Oras, se social significa algo pertencente ou relativo à sociedade, que diz respeito a uma sociedade, ou seja, próprio dos membros de uma sociedade, ou como nos esclarece o velho Aurélio, social é “relativo ou pertencente à sociedade humana considerada como entidade dividida em classes graduadas, segundo a posição na escala convencional”, logo é facilmente perceptível que a idéia de justiça, necessariamente, indelevelmente e inequivocamente, está associada à idéia de sociedade. Logo, justiça social é uma redundância, um estupro da língua portuguesa. Mas por que é usada?

Por uma simples razão. Passe a se manifestar sem o uso da palavra “social”, ou seja, se manifeste no sentido de para você o importante é se fazer justiça. O importante é reparar as desigualdades. O importante é a responsabilidade de cada um. Com certeza seus interlocutores, a maioria sem a menor consciência do que está falando, sentirá nas suas palavras um aspecto de individualismo, em detrimento do coletivismo. Faça um teste: pergunte a seus amigos ou parentes a diferença entre justiça e justiça social? Afianço-lhe, estimado leitor, que, senão todos, mas uma parcela respeitável irá se enrolar na resposta. Parcela essa que usa e abusa do termo, mas sem ter a noção do que está falando. Eis a dominação do intelecto por meio velhaco. E irão se enrolar pela simples razão de estar se tentando explicar algo sem explicação. Ao menos lógica.

Assim é que no Brasil, fatos e acontecimentos que, talvez merecessem ser alvo de um mínimo de questionamento, são aceitos, involuntariamente, pela sociedade brasileira.

E gostaria de citar como exemplo o último “lançamento” do senhor Élio Gaspari. Não irei sentar comentários a respeito dessa “obra”, pois respeito meus leitores, mas quero ressaltar a tremenda divulgação do referido livro pela mídia. Assim temos alguns exemplos: “Livro mostra que o governo Geisel quis fabricar bomba nuclear” – O Globo, 26/6/2004; “O sacerdote e o feiticeiro” – Isto É, 12/11/2003; “A Ditadura Derrotada”, Observatório da Imprensa, 11/10/2003; "A Ditadura Encurralada" – Jornal Folha São Paulo, 15/11/2003; Ditadura em Transe – Veja, 30/06/2004 (detalhe da data).

Vendo essas notícias é possível que se indague: qual o problema de divulgar referida “obra”. Esse articulista responde: nenhum problema. Aliás, incentivo que outras obras sejam divulgadas para o bem da cultura do país, que anda muito pobre.

Porém, a questão não é determinar se a mídia acertou ou não em divulgar o trabalho do jornalista Gaspari, mas sim, a omissão da existência de obras literárias de concepção cuja ideogenia se contrapõe ao ideário hegemônico reinante em terras tupiniquins, vale dizer, no Brasil. Se o livro do Élio serve para incrementar a mística sobre um período, deliberadamente, pouco explicado ou ensinado e, principalmente, praticamente nada compreendido pela maioria dos brasileiros, que foi o do regime militar de 64, justo, repito, justo que houvesse um contra-ponto, ou seja, uma obra que contra-argumentasse as proposições do Élio. Porém há uma sensação de que não existe nada em contrário. E se existe, devido à hegemonia esquerdista na mídia, essa existência é assassinada.

Então o que dizer do livro do professor José Giusti Tavares? É possível que meu caro leitor sequer o conheça. Então tenho o prazer de informar que o professor Giusti é doutor em Ciência Política, autor de 6 livros individuais e pelo menos uma dezena em conjunto com outros autores. Professor visitante por duas vezes na Helen Kellogg Institute for International Studies da Notre Dame University, no Estado de Indiana (EUA). Pesquisador associado ao Centre d' Études et de Recherches Internationales da Fondation Nationale des Sciences Politiques, em Paris. Atualmente é professor de Ciência Política na pós-graduação em Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra-RS).

Ocorre que em 2000, ou seja, há quatro anos, o professor Giusti lançou um livro. Um livro cujo conteúdo tratava da verdadeira cara do Partido dos Trabalhadores. Trata-se do livro “Totalitarismo Tardio: o caso do PT”. Em breves linhas, o livro do professor Giusti demonstra que o “PT não é um partido político no sentido convencional, que a tradição das democracias constitucionais do Ocidente registra. Não é uma organização cujos membros se associam para disputar, com base num programa concreto e específico, e por meio de eleições regulares periódicas, o exercício consentido e transitório do governo. É uma organização que busca, ao mesmo tempo pela via institucional e gradual e pela via da violência revolucionária, a destruição da ordem política constitucional "burguesa". Na concepção política do PT simplesmente não há lugar para a distinção complexa, delicada e sutil, entre Estado, instituição permanente que detém a soberania, isto é, o monopólio da capacidade de regulação do convívio societário, governo, conjunto de agências e de agentes que partilham o exercício das diferentes funções da soberania para a realização do interesse público, e partidos, organizações que competem periodicamente entre si pela ocupação temporária, com base no consentimento do eleitorado, das agências governamentais”.

Então vamos verificar qual mídia noticiou o lançamento do professor Giusti. Desse modo temos...Nenhuma notícia foi veiculada sobre o livro. A grande mídia, formadora de opinião, simplesmente ignorou um material cujo conteúdo estava em desacordo com o “pensamento hegemônico” no Brasil.

E é possível que o professor Giusti tenha escrito seu livro, ainda que não intencionalmente, seguindo as palavras do filósofo Nietzsche, "quem sofreu sob o teu jugo te conhece". Faço essa assertiva uma vez que o professor Giusti mora no RS, que esteve durante anos sob administração petista.

Assim é o Brasil de hegemonia esquerdista. Atendeu aos preceitos da esquerda, você tem amplo espaço na mídia (esta dominada pelo esquerdismo); você tem pensamento em contrário, lhe resta a obscuridão e o desconhecimento. Gramsci mostra sua força.

O que fazer? Escavar, a força, um espaço nesse Brasil socializado. Trata-se de uma árdua tarefa, mas não impossível.

Logo, em nosso país, existe um claro e triste abismo entre a verdade e a “verdade”. Em qual acreditar? Cabe a você, meu caro leitor fazer a escolha. Eu fico com a verdade, sem aspas.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:24
Alexandre Seixas

O Prof. Alexandre M. Seixas é formado em Direito pela PUC de Campinas, tendo realizado o curso de Aperfeiçoamento em Ciências Sociais, e Mestrado em Ciência Política na Unicamp. Realizou ainda os cursos de inglês, na Surrey Heath Adult Education Center, em Camberley, Inglaterra. É professor universitário com vinculação em Teoria Geral do Estado e Ciência Política.

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