Sex11152019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

23 Fev 2007

A Tragédia da Tragédia

Escrito por 
Infelizmente, o que vejo é apenas a espetacularização desta tragédia para esconder a grande desgraça de nosso País que é o fato que estamos no mato (de impostos) sem Estado (eficiente).

Antes de versar sobre o tema que pretendo discorrer nestas linhas mal fadadas, gostaria de lembrar um ponto que julgo ser simples e, por isso mesmo, basilar. Toda vez que decidimos tomar uma atitude de grande importância estando sob um forte bombardeio de emoções, corremos um sério risco de nos distanciarmos da verdade ou, no mínimo, de uma resposta lúcida as questões que nos convocam a contenda de idéias, que nos convocam a reflexão.

Corremos seriamente este risco diante do caso do garoto João Hélio, que Deus o tenha, por estarmos nos manifestando sobre um tema que até então não marcava presença marcante em nossas conversas formais e informais a não ser de modo secundário.

Que nossos representantes assim procedam para darem vazão aos seus projetos é deveras compreensível, visto que, estes não passam de uma massa de pusilânimes que fazem uso de todo e qualquer expediente para simular coragem frente a grande responsabilidade que estes deveriam fazer transparecer em seus atos mais corriqueiros. Mas, como a muito havia nos dito Humberto de Campos, nossos políticos são tal qual a nossa fauna: não há gigantes. Por isso muitos deles fazem uso da infelicidade desta família de brasileiros honestos e trabalhadores para demonstrar alguma preocupação para com a sociedade que eles dizem representar.

De minha parte, quanto ao ocorrido, por respeito a dor dos pais, prefiro me calar, pois sou pai e confesso: não sei o que faria se estivesse no lugar deles. Imagino que definharia até morte diante de tamanha tristeza.

Mas ouso lembrar apenas um acontecimento. Alias, ouso apenas indagar sobre três fatos que creio que sejam relevantes para serem trazidos a baila neste momento. Vamos avivar a nossa memória. Primeiro: que destino foi dado aos assassinos do índio Galdino? Isso mesmo! Que destino foi dado aos rapazes que, por farra, ensoparam um índio Pataxó com álcool, índio este que eles imaginavam ser apenas um indigente e, em seguida, lhe atearam fogo? Qual foi o destino que a justiça lhes auferiu? Qual foi o destino que nossa memória atribuiu a este caso?

Segundo: a quantas anda as investigações do assassinato do ex-prefeito da cidade de Santo André, Celso Daniel que, até o momento, colecionou inúmeros óbitos de pessoas que estavam direta ou indiretamente envolvidas nas investigações? Como está a família do finado que, segundo alguns, não foi assassinado por motivos políticos escusos? Atualmente, encontra-se exilada fora do país devido as inúmeras ameaças de morte, repetimos a pergunta: qual a atenção que nossa memória deu a este caso medonho?

Terceiro: fiquei curioso. Confesso que é uma curiosidade macabra, mas, como foi a morte dos outros 50.000 cidadãos brasileiros que foram estupidamente assassinados? Será que foram menos trágicas ou apenas não tiveram a mesma atenção dada pela mídia a esta tragédia carioca?

Ouso ainda levantar uma quarta indagação que, neste momento, me ocorreu. Nos três pontos que levantei linhas acima, em especial, nos dois primeiros, houve uma visível intenção de matar regado com requintes de crueldade, não é mesmo? Qual a postura dos poderes do Estado em relação a estes casos? Qual a nossa postura? De indignação ou conformismo?

Por fim, em meio a esta plúmbea atmosfera, pergunto: frente ao nosso sistema prisional, frente as limitações materiais de nossa força policial, frente ao envolvimento de muitas “otoridades” com pessoas da mais baixa estirpe, em fim, frente a este acampamento de refugiados chamado Brasil, você acredita mesmo que apenas com uma mudança aqui e outra acolá em nosso Código Penal irá resolver uma pequena parcela que seja da epidemia de insegurança que está tomando conta de nossa sociedade?

Olha meu amigo se a criação de leis e ministérios resolvessem os problemas de modo efetivo, a muito os estraves burocráticos deveriam ter sido resolvidos pelo extinto Ministério da Desburocratização (criado nos idos dos governos Militares) e o crime organizado deveria já estar em rápido processo de desmantelamento com o Estatuto do Desarmamento, não é mesmo?

Infelizmente, o que vejo é apenas a espetacularização desta tragédia para esconder a grande desgraça de nosso País que é o fato que estamos no mato (de impostos) sem Estado (eficiente). Sim, este com seus parasitas, irão fazer do flagelo deste inocente um circo para assim se esquivarem de sua responsabilidade, como sempre fazem.

E pior! Nós sempre caímos feito patinhos nestas bravatas que nem mesmo mudam de cor ou de tom da tragédia das tragédias que é circunstância atual em que vivemos imersos.

 

http://zanela.tk

Antes de versar sobre o tema que pretendo discorrer nestas linhas mal fadadas, gostaria de lembrar um ponto que julgo ser simples e, por isso mesmo, basilar. Toda vez que decidimos tomar uma atitude de grande importância estando sob um forte bombardeio de emoções, corremos um sério risco de nos distanciarmos da verdade ou, no mínimo, de uma resposta lúcida as questões que nos convocam a contenda de idéias, que nos convocam a reflexão.

Corremos seriamente este risco diante do caso do garoto João Hélio, que Deus o tenha, por estarmos nos manifestando sobre um tema que até então não marcava presença marcante em nossas conversas formais e informais a não ser de modo secundário.

Que nossos representantes assim procedam para darem vazão aos seus projetos é deveras compreensível, visto que, estes não passam de uma massa de pusilânimes que fazem uso de todo e qualquer expediente para simular coragem frente a grande responsabilidade que estes deveriam fazer transparecer em seus atos mais corriqueiros. Mas, como a muito havia nos dito Humberto de Campos, nossos políticos são tal qual a nossa fauna: não há gigantes. Por isso muitos deles fazem uso da infelicidade desta família de brasileiros honestos e trabalhadores para demonstrar alguma preocupação para com a sociedade que eles dizem representar.

De minha parte, quanto ao ocorrido, por respeito a dor dos pais, prefiro me calar, pois sou pai e confesso: não sei o que faria se estivesse no lugar deles. Imagino que definharia até morte diante de tamanha tristeza.

Mas ouso lembrar apenas um acontecimento. Alias, ouso apenas indagar sobre três fatos que creio que sejam relevantes para serem trazidos a baila neste momento. Vamos avivar a nossa memória. Primeiro: que destino foi dado aos assassinos do índio Galdino? Isso mesmo! Que destino foi dado aos rapazes que, por farra, ensoparam um índio Pataxó com álcool, índio este que eles imaginavam ser apenas um indigente e, em seguida, lhe atearam fogo? Qual foi o destino que a justiça lhes auferiu? Qual foi o destino que nossa memória atribuiu a este caso?

Segundo: a quantas anda as investigações do assassinato do ex-prefeito da cidade de Santo André, Celso Daniel que, até o momento, colecionou inúmeros óbitos de pessoas que estavam direta ou indiretamente envolvidas nas investigações? Como está a família do finado que, segundo alguns, não foi assassinado por motivos políticos escusos? Atualmente, encontra-se exilada fora do país devido as inúmeras ameaças de morte, repetimos a pergunta: qual a atenção que nossa memória deu a este caso medonho?

Terceiro: fiquei curioso. Confesso que é uma curiosidade macabra, mas, como foi a morte dos outros 50.000 cidadãos brasileiros que foram estupidamente assassinados? Será que foram menos trágicas ou apenas não tiveram a mesma atenção dada pela mídia a esta tragédia carioca?

Ouso ainda levantar uma quarta indagação que, neste momento, me ocorreu. Nos três pontos que levantei linhas acima, em especial, nos dois primeiros, houve uma visível intenção de matar regado com requintes de crueldade, não é mesmo? Qual a postura dos poderes do Estado em relação a estes casos? Qual a nossa postura? De indignação ou conformismo?

Por fim, em meio a esta plúmbea atmosfera, pergunto: frente ao nosso sistema prisional, frente as limitações materiais de nossa força policial, frente ao envolvimento de muitas “otoridades” com pessoas da mais baixa estirpe, em fim, frente a este acampamento de refugiados chamado Brasil, você acredita mesmo que apenas com uma mudança aqui e outra acolá em nosso Código Penal irá resolver uma pequena parcela que seja da epidemia de insegurança que está tomando conta de nossa sociedade?

Olha meu amigo se a criação de leis e ministérios resolvessem os problemas de modo efetivo, a muito os estraves burocráticos deveriam ter sido resolvidos pelo extinto Ministério da Desburocratização (criado nos idos dos governos Militares) e o crime organizado deveria já estar em rápido processo de desmantelamento com o Estatuto do Desarmamento, não é mesmo?

Infelizmente, o que vejo é apenas a espetacularização desta tragédia para esconder a grande desgraça de nosso País que é o fato que estamos no mato (de impostos) sem Estado (eficiente). Sim, este com seus parasitas, irão fazer do flagelo deste inocente um circo para assim se esquivarem de sua responsabilidade, como sempre fazem.

E pior! Nós sempre caímos feito patinhos nestas bravatas que nem mesmo mudam de cor ou de tom da tragédia das tragédias que é circunstância atual em que vivemos imersos.

 

http://zanela.tk

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.