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30 Jan 2007

O Ocaso de Zapatero?

Escrito por 
O Presidente de Governo da Espanha está colhendo os resultados de sua pífia estratégia política de negociação com o terrorismo.

O Presidente de Governo da Espanha está colhendo os resultados de sua pífia estratégia política de negociação com o terrorismo. O atentado de 30 de dezembro no aeroporto de Barajas serviu para que os espanhóis passassem a duvidar de Zapatero. A conseqüência mais clara do novo atentado em Madri foi o fim da agenda do atual governo, que agora está pautada e atrelada a questão do grupo terrorista basco.

Uma das grandes conquistas espanholas, garantidas pela Constituição de 1978, foi seu sistema parlamentarista de controle dos atos do governo. Presidente e Ministros, quando convocados pelo Parlamento, devem apresentar-se em sessão legislativa para oferecer esclarecimentos. Zapatero e seus ministros compareceram ao Congresso de Deputados e escutaram do líder da oposição, Mariano Rajoy, uma verdade inquietante: “Um grupo de assassinos zombou de vocês”.

Os erros de Zapatero são evidentes e sucessivos. Um dia antes do atentado ao moderno terminal 4, o Presidente de Governo havia declarado que a situação se encontrava melhor e melhoraria ainda mais. Um dia depois, dois imigrantes equatorianos perdiam a vida pelas mãos do ETA. Logo após o atentado, em um ato falho gravíssimo, se referiu ao crime como um “trágico acidente”, além de ter demorado incansáveis dias para realizar a primeira visita ao local do ataque. Muitas são as perguntas ainda sem respostas.

Tudo isso reforçou a idéia de que Zapatero é um Presidente fraco, sem liderança, agenda ou estatura política para governar a Espanha, que somente chegou a La Moncloa por acidente após os atentados de 11 de março de 2004. Sua ingenuidade em acreditar que seria possível negociar com um grupo terrorista pelo fim do conflito nos faz ter certeza de que sua administração parece cada vez mais patética, errática e débil. O Presidente de Governo deixou que um grupo terrorista capturasse a agenda política espanhola.

Zapatero, que carece do mal de aprendiz revolucionário, não entendeu que uma trégua ou cessar fogo, como a que foi negociada desta vez com o ETA, serve somente para o grupo terrorista rearmar-se, buscar financiamento para suas atividades e voltar com mais força. O tempo fornecido de forma ingênua pelo governo serviu exatamente para isso. As provas estão nos escombros do moderno terminal do aeroporto de Madri.

A aprovação do governo despencou e as intenções de voto para a oposição subiram. A confortável vantagem do PSOE sumiu. As pesquisas já mostram um empate técnico entre socialistas e populares. O desastre político somente não foi maior porque a opinião pública espanhola tradicionalmente tende mais a esquerda. Assim, sondagens que mostram as intenções de voto do Partido Popular equilibradas com as do PSOE, evidenciam que os erros do governo Zapatero podem ser tão desastrosos quanto os recorrentes casos de corrupção que decretaram o fim de Felipe González há cerca de uma década atrás. A diferença é que a chamada “Era Zapatero” pode encontrar seu fim em apenas quatro anos, ao contrário de González, abatido depois de 14 anos de poder. Para perceber se o governo ZP está realmente encontrando seu ocaso, a senha é acompanhar os passos de seu ministro do Interior e mestre da sobrevivência política, Alfredo Pérez Rubalcaba, conhecido com o grande Fouché do PSOE, o maior sobrevivente do Felipismo. Se Rubalcaba deixar o governo será porque Zapatero está perdido definitivamente.

Ao fim e ao cabo, é possível que não seja difícil para Zapatero se recuperar politicamente. Além de o eleitorado espanhol pender tradicionalmente um pouco mais a esquerda, seu governo, de forma irresponsável, segundo alguns, incentivou movimentos de maior autonomia em algumas Comunidades, como a Catalunha. Isto, apesar de colocar em risco a existência da concepção de nação espanhola moderna, pode fazer com que ZP ganhe votos nestas localidades. O fato é que depois deste ataque foi possível perceber que o ETA se rearmou com tranqüilidade durante a trégua. Se Zapatero insistir nas negociações e houver outro atentado, isto pode custar-lhe o governo, e como lembrou o líder do PP, Mariano Rajoy, "Não se negocia com o terrorismo. O terrorismo deve ser vencido ou deve ser aturado". A decisão está nas mãos do Presidente de Governo. Caberá a ele decidir o que fazer. Os resultados serão determinantes para definir sua continuidade frente a La Moncloa.

O Presidente de Governo da Espanha está colhendo os resultados de sua pífia estratégia política de negociação com o terrorismo. O atentado de 30 de dezembro no aeroporto de Barajas serviu para que os espanhóis passassem a duvidar de Zapatero. A conseqüência mais clara do novo atentado em Madri foi o fim da agenda do atual governo, que agora está pautada e atrelada a questão do grupo terrorista basco.

Uma das grandes conquistas espanholas, garantidas pela Constituição de 1978, foi seu sistema parlamentarista de controle dos atos do governo. Presidente e Ministros, quando convocados pelo Parlamento, devem apresentar-se em sessão legislativa para oferecer esclarecimentos. Zapatero e seus ministros compareceram ao Congresso de Deputados e escutaram do líder da oposição, Mariano Rajoy, uma verdade inquietante: “Um grupo de assassinos zombou de vocês”.

Os erros de Zapatero são evidentes e sucessivos. Um dia antes do atentado ao moderno terminal 4, o Presidente de Governo havia declarado que a situação se encontrava melhor e melhoraria ainda mais. Um dia depois, dois imigrantes equatorianos perdiam a vida pelas mãos do ETA. Logo após o atentado, em um ato falho gravíssimo, se referiu ao crime como um “trágico acidente”, além de ter demorado incansáveis dias para realizar a primeira visita ao local do ataque. Muitas são as perguntas ainda sem respostas.

Tudo isso reforçou a idéia de que Zapatero é um Presidente fraco, sem liderança, agenda ou estatura política para governar a Espanha, que somente chegou a La Moncloa por acidente após os atentados de 11 de março de 2004. Sua ingenuidade em acreditar que seria possível negociar com um grupo terrorista pelo fim do conflito nos faz ter certeza de que sua administração parece cada vez mais patética, errática e débil. O Presidente de Governo deixou que um grupo terrorista capturasse a agenda política espanhola.

Zapatero, que carece do mal de aprendiz revolucionário, não entendeu que uma trégua ou cessar fogo, como a que foi negociada desta vez com o ETA, serve somente para o grupo terrorista rearmar-se, buscar financiamento para suas atividades e voltar com mais força. O tempo fornecido de forma ingênua pelo governo serviu exatamente para isso. As provas estão nos escombros do moderno terminal do aeroporto de Madri.

A aprovação do governo despencou e as intenções de voto para a oposição subiram. A confortável vantagem do PSOE sumiu. As pesquisas já mostram um empate técnico entre socialistas e populares. O desastre político somente não foi maior porque a opinião pública espanhola tradicionalmente tende mais a esquerda. Assim, sondagens que mostram as intenções de voto do Partido Popular equilibradas com as do PSOE, evidenciam que os erros do governo Zapatero podem ser tão desastrosos quanto os recorrentes casos de corrupção que decretaram o fim de Felipe González há cerca de uma década atrás. A diferença é que a chamada “Era Zapatero” pode encontrar seu fim em apenas quatro anos, ao contrário de González, abatido depois de 14 anos de poder. Para perceber se o governo ZP está realmente encontrando seu ocaso, a senha é acompanhar os passos de seu ministro do Interior e mestre da sobrevivência política, Alfredo Pérez Rubalcaba, conhecido com o grande Fouché do PSOE, o maior sobrevivente do Felipismo. Se Rubalcaba deixar o governo será porque Zapatero está perdido definitivamente.

Ao fim e ao cabo, é possível que não seja difícil para Zapatero se recuperar politicamente. Além de o eleitorado espanhol pender tradicionalmente um pouco mais a esquerda, seu governo, de forma irresponsável, segundo alguns, incentivou movimentos de maior autonomia em algumas Comunidades, como a Catalunha. Isto, apesar de colocar em risco a existência da concepção de nação espanhola moderna, pode fazer com que ZP ganhe votos nestas localidades. O fato é que depois deste ataque foi possível perceber que o ETA se rearmou com tranqüilidade durante a trégua. Se Zapatero insistir nas negociações e houver outro atentado, isto pode custar-lhe o governo, e como lembrou o líder do PP, Mariano Rajoy, "Não se negocia com o terrorismo. O terrorismo deve ser vencido ou deve ser aturado". A decisão está nas mãos do Presidente de Governo. Caberá a ele decidir o que fazer. Os resultados serão determinantes para definir sua continuidade frente a La Moncloa.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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