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26 Jan 2007

Dejeto Societal

Escrito por 
Tornou-se um lugar comum a afirmação de que é muito mais fácil “governar” um povo sem instrução do que um que seja instruído.

Tornou-se um lugar comum a afirmação de que é muito mais fácil “governar” um povo sem instrução do que um que seja instruído. Tal lugar comum se fia no intento de justificar o relativo desdém que seria auferido pelas autoridades públicas pela educação. Ora, como é sabido por todos nós, os investimentos em educação existem, sim. Não na medida desejada pelos profissionais da educação (em especial com relação aos seus soldos), mas existem e vem crescendo dia após dia, mesmo que de maneira minguada.

Gostemos ou não, isto é um fato. Todavia, ponto que passa muito distante da percepção destes indivíduos que pensam a sociedade apenas através de um viés economicista, seria quanto a forma da educação que está sendo promovida atualmente e quais os princípios que são inerentes a essa forma de gestionar o fazer educativo e bem, principalmente, quanto ao conteúdo inerente a este fazer.

Povo inculto nada mais é que um aglomerado de indivíduos não inseridos formalmente nas regras oficiais do convívio social, porém, estes, através das tradições que lhe eram legadas, construíram um manancial conceitual, tradicional, que lhes permitia ter uma visão parcial dos fenômenos e, deste modo, intuir uma compreensão clara do mundo a sua volta. Estes valores poderiam até certa medida serem errôneos, mas, eram um ponto sólido que eles adotavam como referência para guiar os seus passos pelo vida.

No que tange o sistema educacional brasileiro contemporâneo, temos presente justamente um prisma inverso ao que fora apresentado acima. Primeiro, os valores que são ministrados são tão errôneos quanto os que eram transmitidos tradicionalmente nos aglomerados incultos, porém, no sistema educacional, não se fia nenhum porto seguro, nenhum valor, que se faça baliza para a compreensão do universo a volta dos indivíduos, visto que, o princípio que norteia esse fazer educacional seria tão só um relativismo absoluto que, por sua deixa, é reforçado pelo bombardeio estridente da mídia que praticamente tomou conta do espaço que antes era ocupado pela tradição oral da massa inculta.

Deste modo, as pessoas sendo assim instruídas, tornaram-se muito mais fáceis de serem manipuladas por terem sido e por serem, o tempo todo, condicionadas a mudarem de “ponto de vista” rapidamente, sem a devida análise do que estão fazendo por não terem mais a solidez de uma tradição para lhes servir de referência e por não serem capacitadas para realizar uma devida reflexão do que estão fazendo, por terem sido instruídas por veredas fundadas em princípios avessos a inteligência (no sentido escolástico-tomista do termo).

Querem um exemplo tosco? Vamos supor que em uma sexta-feira seja exibido uma reportagem no Globo Repórter que afirma que se comermos “tantas” maças por dia nós envelheceremos mais lentamente. No sábado a tarde, se formos ao supermercado, com certeza, encontramos pouquíssimas maças. Isso dermos sorte.

Com este exemplo não estamos questionando o conteúdo explícito do programa, mas a atitude implícita no sistema cultural de nossa sociedade. Ora, basta uma reportagem qualquer para mudarmos assim nosso “ponto de vista” sobre algo? Alias, como mudamos, não é mesmo?

Vejamos outra situação, esta inerente ao sistema educacional. Logo no início da guerra Contra o Terror, houve uma “sugestão” do Governo do Estado para que todos os professores da Rede Pública de Ensino trabalhassem com os alunos temas referentes ao que eles denominaram por “cultura da paz” para que os alunos aprendessem a ver os conflitos armados de modo mais “crítico”. Bem, o professorado, “criticamente”, acatou a “sugestão” da Secretaria Estadual de Educação de modo tão “crítico” quanto a proposta sem, ao menos, em um momento que fosse, terem dedicado a devida atenção para a compreensão do Conflito no Iraque e muito menos para os mais de quarenta conflitos (aproximadamente) que estavam em curso naqueles idos.

Com práticas como esta, o que se ensina? A acatar ordens na forma de sugestão para assim, o indivíduo imaginar que está pensando criticamente. Quer canalhice maior que essa? Por isso, governar um povo instruído, nestes moldes, é muito mais fácil do que uma massa inculta, visto que, a indolência da ignorância de uma é muito mais independente do que a servidão da nesciedade adestrada da outra.

Por isso, a afirmação que se faz repetir com grande freqüência de que povo instruído é mais difícil de se governar relativamente é verídica, mas, em si, seria uma nefasta mentira. Não? Então me diga por que Vargas, Hitler, Castro, Chávez e tutti quanti investiam e investem tanto em um sistema educacional uniforme e no controle dos meios de comunicação? Bem, você pode pesquisar e pensar um pouco sobre ou simplesmente acatar a minha sugestão como se fosse um pensamento seu.

Você é quem sabe, sabendo do que se trata ou não.

Obs.: sugerimos ao amigo leitor que acesse o nosso site e assista ao slide “O reino do Brasil”.

Tornou-se um lugar comum a afirmação de que é muito mais fácil “governar” um povo sem instrução do que um que seja instruído. Tal lugar comum se fia no intento de justificar o relativo desdém que seria auferido pelas autoridades públicas pela educação. Ora, como é sabido por todos nós, os investimentos em educação existem, sim. Não na medida desejada pelos profissionais da educação (em especial com relação aos seus soldos), mas existem e vem crescendo dia após dia, mesmo que de maneira minguada.

Gostemos ou não, isto é um fato. Todavia, ponto que passa muito distante da percepção destes indivíduos que pensam a sociedade apenas através de um viés economicista, seria quanto a forma da educação que está sendo promovida atualmente e quais os princípios que são inerentes a essa forma de gestionar o fazer educativo e bem, principalmente, quanto ao conteúdo inerente a este fazer.

Povo inculto nada mais é que um aglomerado de indivíduos não inseridos formalmente nas regras oficiais do convívio social, porém, estes, através das tradições que lhe eram legadas, construíram um manancial conceitual, tradicional, que lhes permitia ter uma visão parcial dos fenômenos e, deste modo, intuir uma compreensão clara do mundo a sua volta. Estes valores poderiam até certa medida serem errôneos, mas, eram um ponto sólido que eles adotavam como referência para guiar os seus passos pelo vida.

No que tange o sistema educacional brasileiro contemporâneo, temos presente justamente um prisma inverso ao que fora apresentado acima. Primeiro, os valores que são ministrados são tão errôneos quanto os que eram transmitidos tradicionalmente nos aglomerados incultos, porém, no sistema educacional, não se fia nenhum porto seguro, nenhum valor, que se faça baliza para a compreensão do universo a volta dos indivíduos, visto que, o princípio que norteia esse fazer educacional seria tão só um relativismo absoluto que, por sua deixa, é reforçado pelo bombardeio estridente da mídia que praticamente tomou conta do espaço que antes era ocupado pela tradição oral da massa inculta.

Deste modo, as pessoas sendo assim instruídas, tornaram-se muito mais fáceis de serem manipuladas por terem sido e por serem, o tempo todo, condicionadas a mudarem de “ponto de vista” rapidamente, sem a devida análise do que estão fazendo por não terem mais a solidez de uma tradição para lhes servir de referência e por não serem capacitadas para realizar uma devida reflexão do que estão fazendo, por terem sido instruídas por veredas fundadas em princípios avessos a inteligência (no sentido escolástico-tomista do termo).

Querem um exemplo tosco? Vamos supor que em uma sexta-feira seja exibido uma reportagem no Globo Repórter que afirma que se comermos “tantas” maças por dia nós envelheceremos mais lentamente. No sábado a tarde, se formos ao supermercado, com certeza, encontramos pouquíssimas maças. Isso dermos sorte.

Com este exemplo não estamos questionando o conteúdo explícito do programa, mas a atitude implícita no sistema cultural de nossa sociedade. Ora, basta uma reportagem qualquer para mudarmos assim nosso “ponto de vista” sobre algo? Alias, como mudamos, não é mesmo?

Vejamos outra situação, esta inerente ao sistema educacional. Logo no início da guerra Contra o Terror, houve uma “sugestão” do Governo do Estado para que todos os professores da Rede Pública de Ensino trabalhassem com os alunos temas referentes ao que eles denominaram por “cultura da paz” para que os alunos aprendessem a ver os conflitos armados de modo mais “crítico”. Bem, o professorado, “criticamente”, acatou a “sugestão” da Secretaria Estadual de Educação de modo tão “crítico” quanto a proposta sem, ao menos, em um momento que fosse, terem dedicado a devida atenção para a compreensão do Conflito no Iraque e muito menos para os mais de quarenta conflitos (aproximadamente) que estavam em curso naqueles idos.

Com práticas como esta, o que se ensina? A acatar ordens na forma de sugestão para assim, o indivíduo imaginar que está pensando criticamente. Quer canalhice maior que essa? Por isso, governar um povo instruído, nestes moldes, é muito mais fácil do que uma massa inculta, visto que, a indolência da ignorância de uma é muito mais independente do que a servidão da nesciedade adestrada da outra.

Por isso, a afirmação que se faz repetir com grande freqüência de que povo instruído é mais difícil de se governar relativamente é verídica, mas, em si, seria uma nefasta mentira. Não? Então me diga por que Vargas, Hitler, Castro, Chávez e tutti quanti investiam e investem tanto em um sistema educacional uniforme e no controle dos meios de comunicação? Bem, você pode pesquisar e pensar um pouco sobre ou simplesmente acatar a minha sugestão como se fosse um pensamento seu.

Você é quem sabe, sabendo do que se trata ou não.

Obs.: sugerimos ao amigo leitor que acesse o nosso site e assista ao slide “O reino do Brasil”.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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