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13 Dez 2006

Cuidado: Neoliberais Comem Criancinhas!

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Nos idos tempos da guerra fria, os comunistas debochavam dos anticomunistas e seu suposto pavor do comunismo alegando se tratar de um temor totalmente injustificado.

Nos idos tempos da guerra fria, os comunistas debochavam dos anticomunistas e seu suposto pavor do comunismo alegando se tratar de um temor totalmente injustificado. Em tom de pilheria, diziam eles: “Cuidado: comunistas comem criancinhas”. Mas após 1991, com o fim da União Soviética e da guerra fria, ah! como os tempos mudaram...

De acordo com o Jornal da ADUFRJ [Associação dos Do(c)entes da UFRJ] de 28/ 9/2006, o CCJE (Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas) desta mesma universidade promoveu uma série de seminários para padres, perdão: sobre “A Crise da Esquerda no Brasil”, coisa compreensível, pois num país que, desde a sua descoberta ou invenção –vexata quaestio - sempre tem estado em crise, não seriam “as esquerdas” que não estariam. Expresso-me no plural, porque não só há uma, porém muitas. Na realidade, elas só têm um ponto em comum: detestam a riqueza produzida pelo sistema capitalista tanto quanto detestam a si próprias e cultuam o coletivismo imbecilizante.

No referido seminário, teve lugar uma mesa redonda – que é sempre mesa, mas raramente redonda - intitulada “Alternativas ao Neoliberalismo”, em que estavam presentes o neonacionalista Carlos Lessa [obs. Assim ele se autoclassifica] do IE-UFRJ e o professor de economia da UNICAMP, o filho de Plínio, o Velho - ou seja: Plínio de Arruda Sampaio Jr. - um dos fundadores do glorioso PT (Perda Total, no jargão de seguros). O primeiro dispensa apresentações. Todo mundo sabe que foi o Magnífico mais breve da história da UFRJ, pois mal recebeu a toga e foi convidado por Lulla para ser presidente do BNDES, de onde acabou sendo exonerado, mas deixou o Poder sem deixar saudades.. O segundo não precisaria fazer nada para atingir a glória e a fama, uma vez que as herdou de seu pai, petista histórico da Rua Maria Antônia. Ah! Nada como glória e fama herdadas! Frank Sinatra Jr.que o diga.

Os doutos palestrantes se debateram para apontar as alternativas, ambos aceitando a insinuação implícita no título do tema em debate, qual seja: o sistema vigente é, ou está a ponto de se tornar “neoliberal”. Se não fosse assim, qual a razão de buscar alternativas para o mesmo? Uma parte das esquerdas acha que o neoliberalismo” foi coisa inventada pelo Consenso de Washington e adotada no Brasil por FHC, mas que acabou quando Lulla chegou ao “Puder”. Outra parte não hesita em falar do “neoliberalismo”de Lulla como uma continuidade do de seu antecessor.

Porém, no fundo mesmo, nenhum liberal que se preze considerará que um ou outro pode ser tido como liberal ou “neoliberal”, mas sim, com muita boa vontade, social-democrata. Porém as esquerdas precisam de alguém ou alguma coisa para assumir o papel de boneco de malhação do Judas. Nós somos pobres, logo: os culpados são eles!

Criativo, imprevisível e surpreendente como sempre, Carlos Lessa não propôs nenhuma alternativa de natureza econômica. Começou dizendo que se depender das elites não haverá debates e o subdesenvolvimento continuará existindo. Mas pode o subdesenvolvimento de qualquer país deixar de existir mesmo que as elites não desejem tal coisa? Ou isto é uma forma eufemística de dizer que o subdesenvolvimento simplesmente não deixará jamais de existir? Longe de nós o terrorismo e o fatalismo muçulmano! Para o neonacionalista Lessa, a verdadeira alternativa ao “neoliberalismo” consiste em “construir uma sociedade onde as regras civilizatórias prevaleçam”. Embora não concordemos com o verbo “construir”, porque acreditamos que a sociedade é uma ordem espontânea, fruto emergente de conseqüências não-pretendidas de milhares de interações de indivíduos humanos (segundo F. Hayek), poderíamos até concordar com a idéia de que é extremamente desejável uma “sociedade onde as regras civilizatórias prevaleçam”, tudo dependendo do que se entenda pela mencionada expressão.. Caso se entenda coisas tais como (1) imposto sobre grandes fortunas, (2) imposto de renda progressivo, (3) IPTU progressivo, (4) seguro desemprego vitalício, (5) contrato coletivo de trabalho, (6) proteção estatal de mães solteiras, (7) ação afirmativa, (8) uso compulsório dos eufemismos do jargão politicamente correto, para não ferir susceptibilidades alheias , (9) multiculturalismo, etc., aí então não podemos concordar com tais “regras civilizatórias”.

Revelando-se uma vez mais surpreendente, Carlos Lessa acha que o Brasil não precisa crescer a taxas elevadas como a Índia e a China. Acha que uns 5% ou uns 6% ao ano são de bom alvitre. Bem, considerando que a média de crescimento dos países “em desenvolvimento” (para manter o eufemismo da ONU) foi da ordem de 6% em 2006, se o Brasil crescesse isto em média durante uns 20 anos, não estaria nada mal. Porém, em 2005 e 2006 cresceu menos da metade da referida média (a saber: 2,3%) e, em toda a América Latina, só cresceu mais do que o Haiti. No primeiro governo Lulla, não tivemos o prometido “espetáculo do crescimento”, mas sim o “crescimento do espetáculo, coisa típica, aliás, de um Estado-espetáculo só “para inglês ver”.

Lessa acrescentou que não invejava as situações da Índia e da China, uma vez que a primeira tem uma população de 340 milhões de indigentes e a segunda tem de gerar 24 milhões de empregos por ano. De fato, dada à sua população consideravelmente menor do que a dos mencionados países, o Brasil tem um número bem menor de pessoas padecendo de miséria absoluta e tem de gerar muito menos empregos por ano, embora o desempenho do primeiro governo Lulla tenha simplesmente sido pífio no que se refere ao atendimento de nossas necessidades básicas de empregos, educação, saúde e segurança pública. Limitou-se a antigas práticas assistencialistas que tanto criticou em governos de seus antecessores.

Dito isto, o professor Lessa apresentou uma proposta “concreta” (Se é que existem propostas “abstratas”): “apostar num sistema gigantesco de construção civil. Isto empregaria grande mão-de-obra e não pressionaria importações, porque o material de construção civil é , em sua grande parte, é local e o país controla a tecnologia de produção. Ou seja: faria uma vigorosa política de geração de emprego e ainda melhorava as condições de habitação da população brasileira”. Será que Lessa acha que descobriu a pólvora com essa proposta inusitada? Ora bolas, muito antes dele, seguindo a receita de J.M. Keynes, F.D. Roosevelt patrocinou colossais obras de engenharia – como as do Tennessee Valley Authority - minimizando, em curto prazo, o grande desemprego gerado pela Depressão de 30, porém em médio e longo prazo aumentando assustadoramente a burocracia e o custo do Estado americano. Além disso, tivemos também o nosso Roosevelt caboclo gerando semelhantes efeitos: JK e sua construção da Ilha da Fantasia.

É uma coisa impressionante! No Brasil, quando se trata de gerar empregos, pensa-se imediatamente em gerar empregos públicos, mediante a criação de funções inúteis ou obras faraônicas patrocinadas pelo Estado. Raramente vem à baila criar condições favoráveis para a geração de empregos nas empresas privadas, principalmente nas microempresas, pequenas e médias que têm sido as maiores empregadoras no Brasil. Mas alguns ficam espantados ou mesmo revoltados quando ficam sabendo que a maior empregadora atualmente nesta terra é uma grande empresa estrangeira: o McDonald’s!

Para Plínio, o jovem, ou seja: Plínio de Arruda Sampaio Jr., o “neoliberalismo”é mais do que uma política econômica, “é a forma que assume o modo de vida no capitalismo contemporâneo”. Supondo que seja isto que ele afirma – inferimos nós - coisas tais mountain-bike, windsurf, piercing, body fitness, rap, funk, etc, sendo “formas que assumem os modos de vida no capitalismo contemporâneo”, são exemplos de neoliberalismo. Para o referido palestrante, “o neoliberalismo tem uma ampla agenda. No plano da economia, é a agenda do grande capital: como organizar a pilhagem em escala global. Isso é o neoliberalismo”. Desse modo, somos brindados por Plínio com uma revelação espantosa. Os grandes capitalistas internacionais - sempre procurando um modo de sugar e explorar indivíduos e países pobres - um belo dia inventaram um instrumento diabolicamente eficaz: a maldita globalização.

Bem fazem certos países da América do Sul e da África que estão e devem continuar fora da ação globalizante.

Como se dá no Brasil atual a relação Estado/economia? Plínio responde dizendo que “para as políticas sociais e obras de infraestrutura o Estado é mínimo, mas para segurar contratos e garantir a fiscalidade da dívida pública é Estado máximo”. Segundo pensamos, trata-se de outras relações. Para administrar com lisura e competência o dinheiro público, o Estado é mínimo, porém para cobrar impostos – atualmente correspondendo a 30% do PIB - e inchar a burocracia de aspones e AAAs (Assessores p/ Assuntos Aleatórios), o Estado é máximo. Além disso, será que ele é daqueles insensatos que acham que o Brasil não deve pagar seus credores e ficar mais sujo na praça do que pau de galinheiro? Credibilidade é coisa difícil de se conquistar, fácil de se perder e mais difícil ainda de ser reconquistar!

No plano da política, de acordo ainda com Plínio, o jovem, o “neoliberalismo impõe que a esquerda termina na chamada esquerda da capital e a esquerda da capital na ordem atual é o Lula. Além do Lula, é a anarquia, a confusão”. Hermenêutica nunca foi o nosso forte, porém para ler autores como Hegel, J.A. Giannotti e Plínio, o jovem, somos obrigados a recorrer a ela, na tentativa de decifrar sua linguagem . Que quer ele dizer com “esquerda da capital”? Será que é que está no Poder em Brasília? Mas há por acaso uma relevante diferença entre essa esquerda e outras fora do Poder - aquela em que milita Plínio, o jovem, por exemplo? Não sabemos, mas em compensação ficamos sabendo que ele é uma das Madalenas arrependidas de ter votado em Lulinha Paz e Amor. Creio que, para Plínio, o Lula se aburguesou e fez conchavos com o capitalismo internacional. A primeira suposição é correta: as toalhas e roupões do mais fino algodão egípcio não nos deixam mentir. Porém, a segunda fica por conta mesmo da teoria conspiratória.

Mas prossegue Plínio: “Há uma vontade de mudar na América Latina inteira, que está em ebulição, porque aquelas contradições contidas querem sair à superfície, mas há uma impotência para mudar”. Segundo pensamos, não há impotência nenhuma para mudar, tanto é assim que nos últimos anos países como o Brasil com Lulla-Nada-Vi-e-de-Nada-Sei, a Venezuela com Hugorila Chávez e a Bolívia com Evo Inmorales fizeram grandes mudanças ...todas para pior! E outras piores ainda hão certamente de vir.

Estou sendo fatalista? De nenhum modo, sou ferrenho defensor do livre arbítrio e da liberdade de escolha! Mas suponhamos que um indivíduo marcha resolutamente em linha reta na direção de um abismo. Suponhamos que, em vez de desviar o rumo - mediante “direita, volver!” - ele mantém seus passos na mesma direção...Será que é por uma fatalidade inexorável ou por causa do movimento retilíneo uniforme que ele vai acabar despencando no abismo?!

Nos idos tempos da guerra fria, os comunistas debochavam dos anticomunistas e seu suposto pavor do comunismo alegando se tratar de um temor totalmente injustificado. Em tom de pilheria, diziam eles: “Cuidado: comunistas comem criancinhas”. Mas após 1991, com o fim da União Soviética e da guerra fria, ah! como os tempos mudaram...

De acordo com o Jornal da ADUFRJ [Associação dos Do(c)entes da UFRJ] de 28/ 9/2006, o CCJE (Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas) desta mesma universidade promoveu uma série de seminários para padres, perdão: sobre “A Crise da Esquerda no Brasil”, coisa compreensível, pois num país que, desde a sua descoberta ou invenção –vexata quaestio - sempre tem estado em crise, não seriam “as esquerdas” que não estariam. Expresso-me no plural, porque não só há uma, porém muitas. Na realidade, elas só têm um ponto em comum: detestam a riqueza produzida pelo sistema capitalista tanto quanto detestam a si próprias e cultuam o coletivismo imbecilizante.

No referido seminário, teve lugar uma mesa redonda – que é sempre mesa, mas raramente redonda - intitulada “Alternativas ao Neoliberalismo”, em que estavam presentes o neonacionalista Carlos Lessa [obs. Assim ele se autoclassifica] do IE-UFRJ e o professor de economia da UNICAMP, o filho de Plínio, o Velho - ou seja: Plínio de Arruda Sampaio Jr. - um dos fundadores do glorioso PT (Perda Total, no jargão de seguros). O primeiro dispensa apresentações. Todo mundo sabe que foi o Magnífico mais breve da história da UFRJ, pois mal recebeu a toga e foi convidado por Lulla para ser presidente do BNDES, de onde acabou sendo exonerado, mas deixou o Poder sem deixar saudades.. O segundo não precisaria fazer nada para atingir a glória e a fama, uma vez que as herdou de seu pai, petista histórico da Rua Maria Antônia. Ah! Nada como glória e fama herdadas! Frank Sinatra Jr.que o diga.

Os doutos palestrantes se debateram para apontar as alternativas, ambos aceitando a insinuação implícita no título do tema em debate, qual seja: o sistema vigente é, ou está a ponto de se tornar “neoliberal”. Se não fosse assim, qual a razão de buscar alternativas para o mesmo? Uma parte das esquerdas acha que o neoliberalismo” foi coisa inventada pelo Consenso de Washington e adotada no Brasil por FHC, mas que acabou quando Lulla chegou ao “Puder”. Outra parte não hesita em falar do “neoliberalismo”de Lulla como uma continuidade do de seu antecessor.

Porém, no fundo mesmo, nenhum liberal que se preze considerará que um ou outro pode ser tido como liberal ou “neoliberal”, mas sim, com muita boa vontade, social-democrata. Porém as esquerdas precisam de alguém ou alguma coisa para assumir o papel de boneco de malhação do Judas. Nós somos pobres, logo: os culpados são eles!

Criativo, imprevisível e surpreendente como sempre, Carlos Lessa não propôs nenhuma alternativa de natureza econômica. Começou dizendo que se depender das elites não haverá debates e o subdesenvolvimento continuará existindo. Mas pode o subdesenvolvimento de qualquer país deixar de existir mesmo que as elites não desejem tal coisa? Ou isto é uma forma eufemística de dizer que o subdesenvolvimento simplesmente não deixará jamais de existir? Longe de nós o terrorismo e o fatalismo muçulmano! Para o neonacionalista Lessa, a verdadeira alternativa ao “neoliberalismo” consiste em “construir uma sociedade onde as regras civilizatórias prevaleçam”. Embora não concordemos com o verbo “construir”, porque acreditamos que a sociedade é uma ordem espontânea, fruto emergente de conseqüências não-pretendidas de milhares de interações de indivíduos humanos (segundo F. Hayek), poderíamos até concordar com a idéia de que é extremamente desejável uma “sociedade onde as regras civilizatórias prevaleçam”, tudo dependendo do que se entenda pela mencionada expressão.. Caso se entenda coisas tais como (1) imposto sobre grandes fortunas, (2) imposto de renda progressivo, (3) IPTU progressivo, (4) seguro desemprego vitalício, (5) contrato coletivo de trabalho, (6) proteção estatal de mães solteiras, (7) ação afirmativa, (8) uso compulsório dos eufemismos do jargão politicamente correto, para não ferir susceptibilidades alheias , (9) multiculturalismo, etc., aí então não podemos concordar com tais “regras civilizatórias”.

Revelando-se uma vez mais surpreendente, Carlos Lessa acha que o Brasil não precisa crescer a taxas elevadas como a Índia e a China. Acha que uns 5% ou uns 6% ao ano são de bom alvitre. Bem, considerando que a média de crescimento dos países “em desenvolvimento” (para manter o eufemismo da ONU) foi da ordem de 6% em 2006, se o Brasil crescesse isto em média durante uns 20 anos, não estaria nada mal. Porém, em 2005 e 2006 cresceu menos da metade da referida média (a saber: 2,3%) e, em toda a América Latina, só cresceu mais do que o Haiti. No primeiro governo Lulla, não tivemos o prometido “espetáculo do crescimento”, mas sim o “crescimento do espetáculo, coisa típica, aliás, de um Estado-espetáculo só “para inglês ver”.

Lessa acrescentou que não invejava as situações da Índia e da China, uma vez que a primeira tem uma população de 340 milhões de indigentes e a segunda tem de gerar 24 milhões de empregos por ano. De fato, dada à sua população consideravelmente menor do que a dos mencionados países, o Brasil tem um número bem menor de pessoas padecendo de miséria absoluta e tem de gerar muito menos empregos por ano, embora o desempenho do primeiro governo Lulla tenha simplesmente sido pífio no que se refere ao atendimento de nossas necessidades básicas de empregos, educação, saúde e segurança pública. Limitou-se a antigas práticas assistencialistas que tanto criticou em governos de seus antecessores.

Dito isto, o professor Lessa apresentou uma proposta “concreta” (Se é que existem propostas “abstratas”): “apostar num sistema gigantesco de construção civil. Isto empregaria grande mão-de-obra e não pressionaria importações, porque o material de construção civil é , em sua grande parte, é local e o país controla a tecnologia de produção. Ou seja: faria uma vigorosa política de geração de emprego e ainda melhorava as condições de habitação da população brasileira”. Será que Lessa acha que descobriu a pólvora com essa proposta inusitada? Ora bolas, muito antes dele, seguindo a receita de J.M. Keynes, F.D. Roosevelt patrocinou colossais obras de engenharia – como as do Tennessee Valley Authority - minimizando, em curto prazo, o grande desemprego gerado pela Depressão de 30, porém em médio e longo prazo aumentando assustadoramente a burocracia e o custo do Estado americano. Além disso, tivemos também o nosso Roosevelt caboclo gerando semelhantes efeitos: JK e sua construção da Ilha da Fantasia.

É uma coisa impressionante! No Brasil, quando se trata de gerar empregos, pensa-se imediatamente em gerar empregos públicos, mediante a criação de funções inúteis ou obras faraônicas patrocinadas pelo Estado. Raramente vem à baila criar condições favoráveis para a geração de empregos nas empresas privadas, principalmente nas microempresas, pequenas e médias que têm sido as maiores empregadoras no Brasil. Mas alguns ficam espantados ou mesmo revoltados quando ficam sabendo que a maior empregadora atualmente nesta terra é uma grande empresa estrangeira: o McDonald’s!

Para Plínio, o jovem, ou seja: Plínio de Arruda Sampaio Jr., o “neoliberalismo”é mais do que uma política econômica, “é a forma que assume o modo de vida no capitalismo contemporâneo”. Supondo que seja isto que ele afirma – inferimos nós - coisas tais mountain-bike, windsurf, piercing, body fitness, rap, funk, etc, sendo “formas que assumem os modos de vida no capitalismo contemporâneo”, são exemplos de neoliberalismo. Para o referido palestrante, “o neoliberalismo tem uma ampla agenda. No plano da economia, é a agenda do grande capital: como organizar a pilhagem em escala global. Isso é o neoliberalismo”. Desse modo, somos brindados por Plínio com uma revelação espantosa. Os grandes capitalistas internacionais - sempre procurando um modo de sugar e explorar indivíduos e países pobres - um belo dia inventaram um instrumento diabolicamente eficaz: a maldita globalização.

Bem fazem certos países da América do Sul e da África que estão e devem continuar fora da ação globalizante.

Como se dá no Brasil atual a relação Estado/economia? Plínio responde dizendo que “para as políticas sociais e obras de infraestrutura o Estado é mínimo, mas para segurar contratos e garantir a fiscalidade da dívida pública é Estado máximo”. Segundo pensamos, trata-se de outras relações. Para administrar com lisura e competência o dinheiro público, o Estado é mínimo, porém para cobrar impostos – atualmente correspondendo a 30% do PIB - e inchar a burocracia de aspones e AAAs (Assessores p/ Assuntos Aleatórios), o Estado é máximo. Além disso, será que ele é daqueles insensatos que acham que o Brasil não deve pagar seus credores e ficar mais sujo na praça do que pau de galinheiro? Credibilidade é coisa difícil de se conquistar, fácil de se perder e mais difícil ainda de ser reconquistar!

No plano da política, de acordo ainda com Plínio, o jovem, o “neoliberalismo impõe que a esquerda termina na chamada esquerda da capital e a esquerda da capital na ordem atual é o Lula. Além do Lula, é a anarquia, a confusão”. Hermenêutica nunca foi o nosso forte, porém para ler autores como Hegel, J.A. Giannotti e Plínio, o jovem, somos obrigados a recorrer a ela, na tentativa de decifrar sua linguagem . Que quer ele dizer com “esquerda da capital”? Será que é que está no Poder em Brasília? Mas há por acaso uma relevante diferença entre essa esquerda e outras fora do Poder - aquela em que milita Plínio, o jovem, por exemplo? Não sabemos, mas em compensação ficamos sabendo que ele é uma das Madalenas arrependidas de ter votado em Lulinha Paz e Amor. Creio que, para Plínio, o Lula se aburguesou e fez conchavos com o capitalismo internacional. A primeira suposição é correta: as toalhas e roupões do mais fino algodão egípcio não nos deixam mentir. Porém, a segunda fica por conta mesmo da teoria conspiratória.

Mas prossegue Plínio: “Há uma vontade de mudar na América Latina inteira, que está em ebulição, porque aquelas contradições contidas querem sair à superfície, mas há uma impotência para mudar”. Segundo pensamos, não há impotência nenhuma para mudar, tanto é assim que nos últimos anos países como o Brasil com Lulla-Nada-Vi-e-de-Nada-Sei, a Venezuela com Hugorila Chávez e a Bolívia com Evo Inmorales fizeram grandes mudanças ...todas para pior! E outras piores ainda hão certamente de vir.

Estou sendo fatalista? De nenhum modo, sou ferrenho defensor do livre arbítrio e da liberdade de escolha! Mas suponhamos que um indivíduo marcha resolutamente em linha reta na direção de um abismo. Suponhamos que, em vez de desviar o rumo - mediante “direita, volver!” - ele mantém seus passos na mesma direção...Será que é por uma fatalidade inexorável ou por causa do movimento retilíneo uniforme que ele vai acabar despencando no abismo?!

Mario Guerreiro

Mario Antonio de Lacerda Guerreiro nasceu no Rio de Janeiro em 1944. Doutorou-se em Filosofia pela UFRJ em 1983. É Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Ex-Pesquisador do CNPq. Ex-Membro do ILTC [Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC [Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos].Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da Universidade. Autor de Problemas de Filosofia da Linguagem (EDUFF, Niterói, 1985); O Dizível e O Indizível (Papirus, Campinas, 1989); Ética Mínima Para Homens Práticos (Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1995). O Problema da Ficção na Filosofia Analítica (Editora UEL, Londrina, 1999). Ceticismo ou Senso Comum? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999). Deus Existe? Uma Investigação Filosófica. (Editora UEL, Londrina, 2000). Liberdade ou Igualdade (Porto Alegre, EDIOUCRS, 2002).

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