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27 Nov 2006

Nada de Novo

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Atualmente, nesta juvenil vivência de um regime democrático, vemos sempre, com grande freqüência, infelizmente, uma e outra voz queixar-se de perseguição de caráter político.

A experiência democrática nestas plagas é algo extremamente recente e ainda começa totalmente às avessas. Por isso, considero de grande relevância que reflitamos sobre a nossa formação histórica autoritária que, em várias ocasiões soube dissimular plúmbeos ares de odor democrático, ares simulados inclusive por aqueles de que diziam e disse serem os defensores da democracia.

Atualmente, nesta juvenil vivência de um regime democrático, vemos sempre, com grande freqüência, infelizmente, uma e outra voz queixar-se de perseguição de caráter político (ou formas dissimuladas de coação) e, ao mesmo tempo, uma e outra voz, brindar tal perseguição como se fosse algo aceitável e, até mesmo, justo.

Quanto a essas práticas que se encontram deveras presentes em nossa sociedade ainda hoje e que, creio eu, continuarão existindo por muitos anos e, por isso, devemos alimentar uma devida ponderação sobre a sua relação visceral para com as instituições de nossa sociedade. Por isso, julgamos necessário que refletirmos sobre a forma como é exercida muitas vezes a autoridade.

Erich Fromm (1900 – 1980), em sua obra TENER Y SER (pág. 53 – 55), nos aponta para a existência de duas formas de autoridade. Uma ele denominou de autoridade racional e a outra de autoridade irracional. Nesta caracterização o mesmo procura nos evidenciar a diferença entre ser uma autoridade e ter uma autoridade.

A primeira se caracterizaria simplesmente pelo exercício da competência e do mérito, onde aquele que a exerce procura promover o crescimento dos demais que estão a sua volta. A segunda, por sua deixa, seria a autoridade exercida a partir de um cargo, ou de uma posição social, ou mesmo (e praticamente em todos os casos) pelo exercício da coação física ou psicológica (principalmente esta, nos dias hodiernos).

Obviamente, volvendo nossas vistas sob a nossa civitas, encontraremos em abundancia a segunda forma de autoridade, aquela que apenas se têm sem sê-la, e em raras ocasiões perceberemos aquela que é exercida por simplesmente ser uma autoridade.

Lembro aqui, nestas linhas, que o exercício de uma autoridade irracional só é possível quando se tem uma ampla base de sustentação social movida pela procura desta irracionalidade. Frente a indivíduos pensantes, dificilmente teríamos o império da coação, mas, como via de regra, o que há seria tão só uma massa ignara disforme, apática e oportunista, o que temos é isso, em boa parte das instituição que dão forma a nossa sociedade.

Essa expressão torpe que dá forma ao corpo societal, em si, não seria um emaranhado de mentirosos que procuram ludibriar a vida para assim melhor se enquadrar em seus quadros, mas sim, uma multidão de neuróticos, ou seja: essa platéia bestializada, não suporta de modo algum a verdade e, para tanto, conta para si e para os demais uma mentira para acobertar o veritatis splendor. Porém, estes se esqueceram de que eles a propagaram e, deste modo, passam a aceitar esse engodo como sendo “a Verdade”, tornando-se incapazes de se livrar dela simplesmente porque a sua integridade psíquica depende de toda a farsa armada por eles mesmos.

Sobre este ponto, Fromm, e sua obra “O MEDO À LIBERDADE” nos explica que: “Nos impulsos neuróticos, a pessoa age devido a uma compulsão que possui caráter intrinsecamente negativo: escapar a uma situação intolerável. Os estímulos tendem para uma direção que só ilusoriamente constitui uma solução. Na verdade, o resultado é oposto àquilo que a pessoa quer alcançar; a compulsão para livrar-se de um sentimento insuportável era tão intensa que a pessoa não pôde escolher uma linha de ação que pudesse ser uma solução em outro sentido que não o imaginário”. (pág. 127)

Por essa razão que sempre quando uma verdade é proclamada os indivíduos que se encontram imersos num simulacro desta feitura, sentem-se agredidos, atacados, ou mesmo indignados. Não entendo muito bem como que pessoas indignas se indignam, mas o fato é que essas em sua reação “moralista” apenas estão a apresentar a sua feição neurótica e, por essa mesma razão, decadente, justamente por sua existência depender de uma autoridade irracional que tolhe o seu crescimento por eles literalmente necessitarem continuar humanamente insignificantes e, quando qualquer elemento, aponta essa situação, logo ficam todinhos arpoados com uma fera acuada.

Quebrar esse invólucro, literalmente é uma tarefa colossal e lutar contra isso, uma legítima epopéia quixotesca. Mas creio ser muito mais digno fazer-se um leão solitário frente a esta pasmaceira do que ser mais um membro desta patuleia que necessita insanamente fingir ser algo que não se é para poder garantir uma pacóvia existência rodeada de lisonjas artificiais e rasas, tais quais as suas diminutas almas. Ou seja: nada de novo por estas paragens, nem mesmo o brilho ofuscante do sol.

A experiência democrática nestas plagas é algo extremamente recente e ainda começa totalmente às avessas. Por isso, considero de grande relevância que reflitamos sobre a nossa formação histórica autoritária que, em várias ocasiões soube dissimular plúmbeos ares de odor democrático, ares simulados inclusive por aqueles de que diziam e disse serem os defensores da democracia.

Atualmente, nesta juvenil vivência de um regime democrático, vemos sempre, com grande freqüência, infelizmente, uma e outra voz queixar-se de perseguição de caráter político (ou formas dissimuladas de coação) e, ao mesmo tempo, uma e outra voz, brindar tal perseguição como se fosse algo aceitável e, até mesmo, justo.

Quanto a essas práticas que se encontram deveras presentes em nossa sociedade ainda hoje e que, creio eu, continuarão existindo por muitos anos e, por isso, devemos alimentar uma devida ponderação sobre a sua relação visceral para com as instituições de nossa sociedade. Por isso, julgamos necessário que refletirmos sobre a forma como é exercida muitas vezes a autoridade.

Erich Fromm (1900 – 1980), em sua obra TENER Y SER (pág. 53 – 55), nos aponta para a existência de duas formas de autoridade. Uma ele denominou de autoridade racional e a outra de autoridade irracional. Nesta caracterização o mesmo procura nos evidenciar a diferença entre ser uma autoridade e ter uma autoridade.

A primeira se caracterizaria simplesmente pelo exercício da competência e do mérito, onde aquele que a exerce procura promover o crescimento dos demais que estão a sua volta. A segunda, por sua deixa, seria a autoridade exercida a partir de um cargo, ou de uma posição social, ou mesmo (e praticamente em todos os casos) pelo exercício da coação física ou psicológica (principalmente esta, nos dias hodiernos).

Obviamente, volvendo nossas vistas sob a nossa civitas, encontraremos em abundancia a segunda forma de autoridade, aquela que apenas se têm sem sê-la, e em raras ocasiões perceberemos aquela que é exercida por simplesmente ser uma autoridade.

Lembro aqui, nestas linhas, que o exercício de uma autoridade irracional só é possível quando se tem uma ampla base de sustentação social movida pela procura desta irracionalidade. Frente a indivíduos pensantes, dificilmente teríamos o império da coação, mas, como via de regra, o que há seria tão só uma massa ignara disforme, apática e oportunista, o que temos é isso, em boa parte das instituição que dão forma a nossa sociedade.

Essa expressão torpe que dá forma ao corpo societal, em si, não seria um emaranhado de mentirosos que procuram ludibriar a vida para assim melhor se enquadrar em seus quadros, mas sim, uma multidão de neuróticos, ou seja: essa platéia bestializada, não suporta de modo algum a verdade e, para tanto, conta para si e para os demais uma mentira para acobertar o veritatis splendor. Porém, estes se esqueceram de que eles a propagaram e, deste modo, passam a aceitar esse engodo como sendo “a Verdade”, tornando-se incapazes de se livrar dela simplesmente porque a sua integridade psíquica depende de toda a farsa armada por eles mesmos.

Sobre este ponto, Fromm, e sua obra “O MEDO À LIBERDADE” nos explica que: “Nos impulsos neuróticos, a pessoa age devido a uma compulsão que possui caráter intrinsecamente negativo: escapar a uma situação intolerável. Os estímulos tendem para uma direção que só ilusoriamente constitui uma solução. Na verdade, o resultado é oposto àquilo que a pessoa quer alcançar; a compulsão para livrar-se de um sentimento insuportável era tão intensa que a pessoa não pôde escolher uma linha de ação que pudesse ser uma solução em outro sentido que não o imaginário”. (pág. 127)

Por essa razão que sempre quando uma verdade é proclamada os indivíduos que se encontram imersos num simulacro desta feitura, sentem-se agredidos, atacados, ou mesmo indignados. Não entendo muito bem como que pessoas indignas se indignam, mas o fato é que essas em sua reação “moralista” apenas estão a apresentar a sua feição neurótica e, por essa mesma razão, decadente, justamente por sua existência depender de uma autoridade irracional que tolhe o seu crescimento por eles literalmente necessitarem continuar humanamente insignificantes e, quando qualquer elemento, aponta essa situação, logo ficam todinhos arpoados com uma fera acuada.

Quebrar esse invólucro, literalmente é uma tarefa colossal e lutar contra isso, uma legítima epopéia quixotesca. Mas creio ser muito mais digno fazer-se um leão solitário frente a esta pasmaceira do que ser mais um membro desta patuleia que necessita insanamente fingir ser algo que não se é para poder garantir uma pacóvia existência rodeada de lisonjas artificiais e rasas, tais quais as suas diminutas almas. Ou seja: nada de novo por estas paragens, nem mesmo o brilho ofuscante do sol.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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