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16 Nov 2006

Notas Sobre a Arrogância

Escrito por 
Doravante, em nosso cotidiano soturno, costumamos demonstrar uma postura similar, se não pior, que a de muitos de nossos parlamentares, fazendo assim, jus a nossa parva representação política.

Em nosso dia a dia, temos muitas vezes que nos defrontar com situações inusitadas, situações estas que requerem de nossa pessoa, uma resposta imediata e que, ao menos, seja plausível. Todavia, nós, em nossa condição ridiculamente humana, somos incapazes em muitas destas circunstâncias de auferir uma resposta da monta que nos é exigido, pois, como bem nos lembrava Friedrich A. Hayek, nós somos, por nossa constituição, incapaz de conhecermos a realidade de uma maneira total, podendo abarcar apenas algum de seus aspectos para assim, interagindo com os demais seres humanos para, deste modo, podermos construir uma possibilidade de ação.

Este é um fato obvio até por demais e, por essa mesma razão, nós com grande freqüência o desdenhamos, consciente ou não de estarmos fazendo isso. Exemplo dessa prática podemos encontrar com grande freqüência nos discursos dos políticos demagogos, protótipos de tiranos totalitários, como em nossos gestos mais corriqueiros.

No primeiro caso, basta prestarmos atenção em alguns dos projetos propostos pelos nossos representantes políticos, para percebermos o quanto que essas propostas são inócuas, que pretendem transformar uma determinada realidade sem, ao menos, levá-la em consideração.

Caso flagrante do que estamos apontando seria o projeto de Lei do Senador Mineiro Eduardo Azevedo (PSDB), que pretendia regulamentar (entenda-se burocratizar e, conseqüentemente cercear) o acesso e o uso da internet. Podem ser enquadrados também os já arquivados projetos de complemento 10% de farinha de mandioca à farinha de trigo (para baixar o seu custo e torna-la mais acessível) que fora proposto pelo Deputado Aldo Rabelo. Também da autoria deste, temos a proibição de estrangeirismos. Outro curioso seria o Projeto de Lei 137/2004 que criaria assim chamada “Poupança Fraterna”. E por aí segue o andor.

Doravante, em nosso cotidiano soturno, costumamos demonstrar uma postura similar, se não pior, que a de muitos de nossos parlamentares, fazendo assim, jus a nossa parva representação política.

Ora, quantas e quantas vezes não opinamos de maneira contundente e até mesmo agressiva sobre assuntos que conhecemos apenas de maneira superficial ou que desconhecemos por completo? Lá estamos nós, em um bar, em uma barbearia, ou em uma sala de aula a simular um saber ao qual não possuímos. E pior. Em muitas destas ocasiões somos advertidos por alguém que conhece o assunto em pauta e, neste momentos, como reagimos? Ficamos em silêncio e desdenhamos todas a fontes de informação apontadas pelo mesmo ou, na pior das hipóteses, além do desdém auferido para as suas palavras e sugestões, nós o acusamos de pedantismo e arrogância. Não assim?

Ora, como bem nos aponta Rubem Alves, em sua obra “Filosofia da Ciência”, que: “A habilidade para prever e predizer os acontecimentos, de entender o mundo em que se vive, e assim a capacidade para antecipar eventos e evitar a necessidade de reajustamentos bruscos, é um pré-requisito absoluto para que o indivíduo se mantenha inteiro. O indivíduo deve sentir que ele vive num ambiente estável e inteligível, no qual ele sabe o que fazer e como fazê-lo...”.

A observação tecida pela educador é perfeita, porém, o que se faz incrivelmente curioso, é como nós, de um modo geral, somos capazes de encontrar ordem e estabilidade sem ao menos termos procurado qualquer informação que venha a nos dar o mínimo de sustentabilidade como se, de maneira inata, já tivéssemos todas as respostas necessárias para uma existência digna.

Bem, eis aí, o reflexo de nossa sociedade (com acesso a informação). Um amontoado de pessoas que se ufana de nunca ter lido um livro na vida (ou de ler todos os de auto-ajuda) e, mesmo assim, terem sempre uma “boa opinião” sobre o que está acontecendo a sua volta. Mas é claro que, para essa gente miúda, o arrogante será sempre pessoas similares ao missivista desta linhas, não é mesmo?

Em nosso dia a dia, temos muitas vezes que nos defrontar com situações inusitadas, situações estas que requerem de nossa pessoa, uma resposta imediata e que, ao menos, seja plausível. Todavia, nós, em nossa condição ridiculamente humana, somos incapazes em muitas destas circunstâncias de auferir uma resposta da monta que nos é exigido, pois, como bem nos lembrava Friedrich A. Hayek, nós somos, por nossa constituição, incapaz de conhecermos a realidade de uma maneira total, podendo abarcar apenas algum de seus aspectos para assim, interagindo com os demais seres humanos para, deste modo, podermos construir uma possibilidade de ação.

Este é um fato obvio até por demais e, por essa mesma razão, nós com grande freqüência o desdenhamos, consciente ou não de estarmos fazendo isso. Exemplo dessa prática podemos encontrar com grande freqüência nos discursos dos políticos demagogos, protótipos de tiranos totalitários, como em nossos gestos mais corriqueiros.

No primeiro caso, basta prestarmos atenção em alguns dos projetos propostos pelos nossos representantes políticos, para percebermos o quanto que essas propostas são inócuas, que pretendem transformar uma determinada realidade sem, ao menos, levá-la em consideração.

Caso flagrante do que estamos apontando seria o projeto de Lei do Senador Mineiro Eduardo Azevedo (PSDB), que pretendia regulamentar (entenda-se burocratizar e, conseqüentemente cercear) o acesso e o uso da internet. Podem ser enquadrados também os já arquivados projetos de complemento 10% de farinha de mandioca à farinha de trigo (para baixar o seu custo e torna-la mais acessível) que fora proposto pelo Deputado Aldo Rabelo. Também da autoria deste, temos a proibição de estrangeirismos. Outro curioso seria o Projeto de Lei 137/2004 que criaria assim chamada “Poupança Fraterna”. E por aí segue o andor.

Doravante, em nosso cotidiano soturno, costumamos demonstrar uma postura similar, se não pior, que a de muitos de nossos parlamentares, fazendo assim, jus a nossa parva representação política.

Ora, quantas e quantas vezes não opinamos de maneira contundente e até mesmo agressiva sobre assuntos que conhecemos apenas de maneira superficial ou que desconhecemos por completo? Lá estamos nós, em um bar, em uma barbearia, ou em uma sala de aula a simular um saber ao qual não possuímos. E pior. Em muitas destas ocasiões somos advertidos por alguém que conhece o assunto em pauta e, neste momentos, como reagimos? Ficamos em silêncio e desdenhamos todas a fontes de informação apontadas pelo mesmo ou, na pior das hipóteses, além do desdém auferido para as suas palavras e sugestões, nós o acusamos de pedantismo e arrogância. Não assim?

Ora, como bem nos aponta Rubem Alves, em sua obra “Filosofia da Ciência”, que: “A habilidade para prever e predizer os acontecimentos, de entender o mundo em que se vive, e assim a capacidade para antecipar eventos e evitar a necessidade de reajustamentos bruscos, é um pré-requisito absoluto para que o indivíduo se mantenha inteiro. O indivíduo deve sentir que ele vive num ambiente estável e inteligível, no qual ele sabe o que fazer e como fazê-lo...”.

A observação tecida pela educador é perfeita, porém, o que se faz incrivelmente curioso, é como nós, de um modo geral, somos capazes de encontrar ordem e estabilidade sem ao menos termos procurado qualquer informação que venha a nos dar o mínimo de sustentabilidade como se, de maneira inata, já tivéssemos todas as respostas necessárias para uma existência digna.

Bem, eis aí, o reflexo de nossa sociedade (com acesso a informação). Um amontoado de pessoas que se ufana de nunca ter lido um livro na vida (ou de ler todos os de auto-ajuda) e, mesmo assim, terem sempre uma “boa opinião” sobre o que está acontecendo a sua volta. Mas é claro que, para essa gente miúda, o arrogante será sempre pessoas similares ao missivista desta linhas, não é mesmo?

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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