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13 Nov 2006

O Que Há Com Nossa Educação

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Acrescente-se o atual sistema de cotas, que em nome da justiça social acirra preconceitos, e o resultado é a mediocrização ainda maior do ensino.

Sempre se falou na importância da educação. Continua-se falando. De fato, é a educação que permite a expansão do espírito humano, o progresso da sociedade como um todo, o acesso à igualdade de oportunidades própria das democracias. E um país onde a maioria recebe as luzes da educação se torna mais apto a competir com os demais no plano internacional, pois conhecimento é poder.

Entretanto, é necessário considerar que tipo de educação conduz ao desenvolvimento individual e coletivo, pois no Brasil, onde todos querem ser doutores, busca-se a quantidade em detrimento da qualidade, impõe-se a doutrinação no lugar do raciocínio, cultiva-se a erudição que não prepara para a prática.

Por conta disso, a sensação que se tem é a de que o ser humano nasce inteligente e a escola o emburrece. E na Universidade, com exceção de algumas instituições de nível superior que primam pela excelência, completa-se o bitolamento mental, pois quase não se cria conhecimento, mas apenas se imita o pensamento que vem de fora. Não se estimula a capacidade de pensar por conta própria, mas se aprisiona as mentes no método escolástico que impede a criatividade e a imaginação.

Ao mesmo tempo, não se pode deixar de constatar que a qualidade do ensino superior vem declinando. Num verdadeiro ciclo vicioso cursos ruins formam professores ruins, que ministram cursos piores para alunos cada vez piores. A Universidade coroa toda a soma de baixa qualidade de ensino que a antecede, perpetuando para cada aluno o que lhe vinha acontecendo em matéria de educação desde os seus três anos de idade.

Antes se criticava a elitização da Universidade, que selecionava com base na competência e absorvia alunos de renda mais alta. A mudança no sistema do vestibular, que facilitou a entrada de um número bem maior de estudantes de poder aquisitivo mais baixo, e a cópia do sistema de crédito das universidades norte-americanas, que aparentemente facilitou a vida de professores e alunos, foram medidas tomadas em nome da “democratização” do ensino. O resultado, porém, foi o da massificação. Sem estrutura e infra-estrutura para suportar a quantidade, a qualidade universitária se degradou. A decantada democracia converteu-se numa ilusão, pois aos alunos, inclusive aos de renda mais baixa, este tipo de Universidade não oferece a possibilidade de elevação de status na medida em que não os prepara adequadamente para enfrentarem o mercado de trabalho cada vez mais exigente.

À ilusão de democracia, somam-se certos simplismos democráticos. Em nome de uma abstrata igualdade que omite a diferenciação por níveis de conhecimento, nivela-se por baixo, deixando-se de lado os pilares em que se devem se assentar a Universidade: a hierarquia, o mérito, a competência. Acrescente-se o atual sistema de cotas, que em nome da justiça social acirra preconceitos, e o resultado é a mediocrização ainda maior do ensino.

A despeito, porém dessa situação, a Universidade continua atraindo e acolhendo cada vez mais estudantes. Entrar no curso superior é como um “rito de passagem”. É preciso transpor o ritual do vestibular e ingressar no fabuloso mundo do diploma. Este é o alvo, o símbolo mágico do poder que se espera vir a ter, e que muitas vezes não se alcança.

Especialmente nas ciências humanas, limitamo-nos a copiar idéias muitas vezes ultrapassadas ou a repetir com fervor ortodoxo fórmulas que apenas traduzem interesses ideológicos.

Que existam influências marcantes do poderoso pensamento europeu, é perfeitamente normal. Que as aperfeiçoadas técnicas de pesquisa norte-americana norteiem nossos vacilantes passos nessa área, é até saudável. Nosso problema, porém, não é o das influências, mas a maneira como as absorvemos sem adaptá-las à nossa realidade.

Entrementes, a teoria marxista continua agradando em cheio. Os candentes discursos de Karl Marx dão a impressão ao estudante que são dirigidos a ele em particular e à sua sociedade como um todo. O jovem começa a se sentir “coitado”, “espoliado”, “oprimido”. Seu grande ideal converte-se na luta em defesa dos fracos explorados pelos fortes malvados. Para tanto é preciso cultivar o ódio à burguesia, ao capitalismo, ao Estados Unidos, ao neoliberalismo, à globalização. Enfim, tudo que trouxe progresso ao mundo.

Isso explica porquê a classe média, que freqüenta as universidades, vota no PT. Intoxicados mentalmente, universitários e os chamados intelectuais não têm condições de perceber a realidade. Nem a nacional, quanto mais a internacional. Provavelmente não sabem que caiu o Muro de Berlim. E, assim, se crê que só Marx e Lula salvam.

Diante dessas tristes constatações não é possível vislumbrar mudanças em nossa mentalidade do atraso, pelo menos à médio prazo. Como disse Nelson Rodrigues: “subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”.

Sempre se falou na importância da educação. Continua-se falando. De fato, é a educação que permite a expansão do espírito humano, o progresso da sociedade como um todo, o acesso à igualdade de oportunidades própria das democracias. E um país onde a maioria recebe as luzes da educação se torna mais apto a competir com os demais no plano internacional, pois conhecimento é poder.

Entretanto, é necessário considerar que tipo de educação conduz ao desenvolvimento individual e coletivo, pois no Brasil, onde todos querem ser doutores, busca-se a quantidade em detrimento da qualidade, impõe-se a doutrinação no lugar do raciocínio, cultiva-se a erudição que não prepara para a prática.

Por conta disso, a sensação que se tem é a de que o ser humano nasce inteligente e a escola o emburrece. E na Universidade, com exceção de algumas instituições de nível superior que primam pela excelência, completa-se o bitolamento mental, pois quase não se cria conhecimento, mas apenas se imita o pensamento que vem de fora. Não se estimula a capacidade de pensar por conta própria, mas se aprisiona as mentes no método escolástico que impede a criatividade e a imaginação.

Ao mesmo tempo, não se pode deixar de constatar que a qualidade do ensino superior vem declinando. Num verdadeiro ciclo vicioso cursos ruins formam professores ruins, que ministram cursos piores para alunos cada vez piores. A Universidade coroa toda a soma de baixa qualidade de ensino que a antecede, perpetuando para cada aluno o que lhe vinha acontecendo em matéria de educação desde os seus três anos de idade.

Antes se criticava a elitização da Universidade, que selecionava com base na competência e absorvia alunos de renda mais alta. A mudança no sistema do vestibular, que facilitou a entrada de um número bem maior de estudantes de poder aquisitivo mais baixo, e a cópia do sistema de crédito das universidades norte-americanas, que aparentemente facilitou a vida de professores e alunos, foram medidas tomadas em nome da “democratização” do ensino. O resultado, porém, foi o da massificação. Sem estrutura e infra-estrutura para suportar a quantidade, a qualidade universitária se degradou. A decantada democracia converteu-se numa ilusão, pois aos alunos, inclusive aos de renda mais baixa, este tipo de Universidade não oferece a possibilidade de elevação de status na medida em que não os prepara adequadamente para enfrentarem o mercado de trabalho cada vez mais exigente.

À ilusão de democracia, somam-se certos simplismos democráticos. Em nome de uma abstrata igualdade que omite a diferenciação por níveis de conhecimento, nivela-se por baixo, deixando-se de lado os pilares em que se devem se assentar a Universidade: a hierarquia, o mérito, a competência. Acrescente-se o atual sistema de cotas, que em nome da justiça social acirra preconceitos, e o resultado é a mediocrização ainda maior do ensino.

A despeito, porém dessa situação, a Universidade continua atraindo e acolhendo cada vez mais estudantes. Entrar no curso superior é como um “rito de passagem”. É preciso transpor o ritual do vestibular e ingressar no fabuloso mundo do diploma. Este é o alvo, o símbolo mágico do poder que se espera vir a ter, e que muitas vezes não se alcança.

Especialmente nas ciências humanas, limitamo-nos a copiar idéias muitas vezes ultrapassadas ou a repetir com fervor ortodoxo fórmulas que apenas traduzem interesses ideológicos.

Que existam influências marcantes do poderoso pensamento europeu, é perfeitamente normal. Que as aperfeiçoadas técnicas de pesquisa norte-americana norteiem nossos vacilantes passos nessa área, é até saudável. Nosso problema, porém, não é o das influências, mas a maneira como as absorvemos sem adaptá-las à nossa realidade.

Entrementes, a teoria marxista continua agradando em cheio. Os candentes discursos de Karl Marx dão a impressão ao estudante que são dirigidos a ele em particular e à sua sociedade como um todo. O jovem começa a se sentir “coitado”, “espoliado”, “oprimido”. Seu grande ideal converte-se na luta em defesa dos fracos explorados pelos fortes malvados. Para tanto é preciso cultivar o ódio à burguesia, ao capitalismo, ao Estados Unidos, ao neoliberalismo, à globalização. Enfim, tudo que trouxe progresso ao mundo.

Isso explica porquê a classe média, que freqüenta as universidades, vota no PT. Intoxicados mentalmente, universitários e os chamados intelectuais não têm condições de perceber a realidade. Nem a nacional, quanto mais a internacional. Provavelmente não sabem que caiu o Muro de Berlim. E, assim, se crê que só Marx e Lula salvam.

Diante dessas tristes constatações não é possível vislumbrar mudanças em nossa mentalidade do atraso, pelo menos à médio prazo. Como disse Nelson Rodrigues: “subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”.

Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

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