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04 Nov 2006

O Brasil Desunido

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No momento, no Brasil desunido e tumultuado, os justos pagam pelos eleitores.

Em cadeia nacional de TV, na noite de 31 de outubro, o presidente reeleito pediu união nacional. Em seu pronunciamento convocou os partidos de oposição e a sociedade brasileira a participarem de uma agenda comum em torno de temas de interesse geral. Na verdade, novamente o governo petista não possui projeto de governo, mas tão somente de poder, e a sociedade emergiu das eleições com sentimentos difusos de desunião nunca existente com tamanha profundidade.

Tal situação derivou da retórica do presidente em campanha. Ele estimulou o ódio entre classes com sua persistente acusação contra as elites. Ao mesmo tempo, Luiz Inácio aguçou diferenças regionais e estaduais na medida em que conquistava o nordeste e o norte nos moldes de um oligarca. Desse modo, usando e abusando do poder econômico e político que a reeleição permite, o candidato e presidente conquistou abundantes votos entre os pobres de todos os Estados e, especialmente, das regiões mais carentes do Brasil.Vestido com o antigo figurino de operário ele se disse vítima das elites que seriam constituídas por ricos malvados e golpistas. Era como se não fizesse parte, como presidente da República, da atual elite do poder na qual se incorporaram seus poderosos companheiros de governo petista.

Sempre escorado em persuasiva propaganda LILS omitiu a corrupção deslavada que enlameou os quase quatro anos de seu primeiro mandato. Ele nada teve a ver com o PT nem foi responsável pelo que aconteceu, porque, aliás, nada sabe, nada viu. Em compensação, conseguiu o feito de colar em seu adversário, Geraldo Alckmin, a pecha de elitista, ao mesmo tempo em que o responsabilizava pelo governo passado entendido como maléfico. Parecia que o candidato não era Alckmin, mas FHC, do qual, aliás, o governo do PT copiou a política econômica e os projetos sociais.

Como Alckmin é paulista uma das estratégias do candidato Luiz Inácio baseou-se no ataque sistemático e contundente a São Paulo, que de modo estapafúrdio e a partir do cacoete esquerdista foi transformado em imperialista. Sua Excelência cuidadosamente omitiu que São Paulo o acolheu, como a tantos nordestinos, e lhe deu a oportunidade de ascender politicamente que jamais teria em Garanhuns. Também escondeu o apoio das elites financeiras paulistas e de outras regiões do Brasil que muito o ajudaram em sua segunda vitória, como tinham possibilitado a primeira.

Quanto a Geraldo Alckmin, praticamente sozinho, traído muitas vezes pelo próprio PSDB, desenvolvendo uma campanha franciscana em contraste com a de Luiz Inácio, passou para o segundo turno contrariando as pesquisas. Mas Alckmin não logrou convencer a maior parte do eleitorado que, como o PT, mandou a ética às favas. Em vão o ex-governador de São Paulo deu exemplo de impressionante tenacidade e de grande competência administrativa. Seus discursos foram lúcidos, coerentes e objetivos, e seus eleitores pelo Brasil afora encarnaram a parcela dos que não se deixaram iludir pela propaganda enganosa, que não compactuaram com a corrupção, que não aceitaram o paternalismo que mantém os pobres sempre pobres.

Acabou vencendo Luiz Inácio com o voto das elites financeiras, dos beneficiários das bolsas esmolas, de parte da classe média que votara em Heloísa Helena e Cristovam Buarque, ambos PT para sempre em seus corações.

Entretanto, mesmo antes de iniciar o segundo mandato Luiz Inácio já experimenta de sua herança maldita: caos nos aeroportos causado pela greve dos controladores de vôo, sendo que o governo sabia desde 2003 das condições precárias de trabalho destes profissionais e não tomou as providências cabíveis; briga relativa a condução da política econômica, que promete esquentar entre “desenvolvimentistas” e “monetaristas”; ameaça de retomada das invasões de terras pelo MST que articula com a CUT e a UNE um período de paralisações em todo país; previsão pífia de crescimento; necessidade de redução de gastos, o que será difícil num governo de “coalizão” com companheiros, notadamente os do PMDB; previsão do aumento do gás da Bolívia e manutenção de forma humilhante da Petrobrás neste país como prestadora de serviço; ameaça a liberdade de imprensa, que foi demonstrada em vários episódios recentes.

Na Av. Paulista Luiz Inácio se vangloriou da vitória que lhe foi dada pelos “de baixo”, contra os “de cima”. Na verdade, os segundos são os que não voltaram nele, e que não o toleram, não por causa de sua origem, mas dos desmandos do seu governo. Os primeiros podem vir a se desencantarem com o salvador da pátria, pois jamais se viu um segundo mandato dar certo. No momento, no Brasil desunido e tumultuado, os justos pagam pelos eleitores.

Em cadeia nacional de TV, na noite de 31 de outubro, o presidente reeleito pediu união nacional. Em seu pronunciamento convocou os partidos de oposição e a sociedade brasileira a participarem de uma agenda comum em torno de temas de interesse geral. Na verdade, novamente o governo petista não possui projeto de governo, mas tão somente de poder, e a sociedade emergiu das eleições com sentimentos difusos de desunião nunca existente com tamanha profundidade.

Tal situação derivou da retórica do presidente em campanha. Ele estimulou o ódio entre classes com sua persistente acusação contra as elites. Ao mesmo tempo, Luiz Inácio aguçou diferenças regionais e estaduais na medida em que conquistava o nordeste e o norte nos moldes de um oligarca. Desse modo, usando e abusando do poder econômico e político que a reeleição permite, o candidato e presidente conquistou abundantes votos entre os pobres de todos os Estados e, especialmente, das regiões mais carentes do Brasil.Vestido com o antigo figurino de operário ele se disse vítima das elites que seriam constituídas por ricos malvados e golpistas. Era como se não fizesse parte, como presidente da República, da atual elite do poder na qual se incorporaram seus poderosos companheiros de governo petista.

Sempre escorado em persuasiva propaganda LILS omitiu a corrupção deslavada que enlameou os quase quatro anos de seu primeiro mandato. Ele nada teve a ver com o PT nem foi responsável pelo que aconteceu, porque, aliás, nada sabe, nada viu. Em compensação, conseguiu o feito de colar em seu adversário, Geraldo Alckmin, a pecha de elitista, ao mesmo tempo em que o responsabilizava pelo governo passado entendido como maléfico. Parecia que o candidato não era Alckmin, mas FHC, do qual, aliás, o governo do PT copiou a política econômica e os projetos sociais.

Como Alckmin é paulista uma das estratégias do candidato Luiz Inácio baseou-se no ataque sistemático e contundente a São Paulo, que de modo estapafúrdio e a partir do cacoete esquerdista foi transformado em imperialista. Sua Excelência cuidadosamente omitiu que São Paulo o acolheu, como a tantos nordestinos, e lhe deu a oportunidade de ascender politicamente que jamais teria em Garanhuns. Também escondeu o apoio das elites financeiras paulistas e de outras regiões do Brasil que muito o ajudaram em sua segunda vitória, como tinham possibilitado a primeira.

Quanto a Geraldo Alckmin, praticamente sozinho, traído muitas vezes pelo próprio PSDB, desenvolvendo uma campanha franciscana em contraste com a de Luiz Inácio, passou para o segundo turno contrariando as pesquisas. Mas Alckmin não logrou convencer a maior parte do eleitorado que, como o PT, mandou a ética às favas. Em vão o ex-governador de São Paulo deu exemplo de impressionante tenacidade e de grande competência administrativa. Seus discursos foram lúcidos, coerentes e objetivos, e seus eleitores pelo Brasil afora encarnaram a parcela dos que não se deixaram iludir pela propaganda enganosa, que não compactuaram com a corrupção, que não aceitaram o paternalismo que mantém os pobres sempre pobres.

Acabou vencendo Luiz Inácio com o voto das elites financeiras, dos beneficiários das bolsas esmolas, de parte da classe média que votara em Heloísa Helena e Cristovam Buarque, ambos PT para sempre em seus corações.

Entretanto, mesmo antes de iniciar o segundo mandato Luiz Inácio já experimenta de sua herança maldita: caos nos aeroportos causado pela greve dos controladores de vôo, sendo que o governo sabia desde 2003 das condições precárias de trabalho destes profissionais e não tomou as providências cabíveis; briga relativa a condução da política econômica, que promete esquentar entre “desenvolvimentistas” e “monetaristas”; ameaça de retomada das invasões de terras pelo MST que articula com a CUT e a UNE um período de paralisações em todo país; previsão pífia de crescimento; necessidade de redução de gastos, o que será difícil num governo de “coalizão” com companheiros, notadamente os do PMDB; previsão do aumento do gás da Bolívia e manutenção de forma humilhante da Petrobrás neste país como prestadora de serviço; ameaça a liberdade de imprensa, que foi demonstrada em vários episódios recentes.

Na Av. Paulista Luiz Inácio se vangloriou da vitória que lhe foi dada pelos “de baixo”, contra os “de cima”. Na verdade, os segundos são os que não voltaram nele, e que não o toleram, não por causa de sua origem, mas dos desmandos do seu governo. Os primeiros podem vir a se desencantarem com o salvador da pátria, pois jamais se viu um segundo mandato dar certo. No momento, no Brasil desunido e tumultuado, os justos pagam pelos eleitores.

Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

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