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02 Nov 2006

Simplex Véritas

Escrito por 
De nada adiantará haver reforma política se a sociedade civil realmente resolver se organizar. Enquanto continuarmos a nos deixar fazer de reféns desta casta patrimonialista que nos espolia, seja ela rubra ou meramente de uma linhagem destra e fisiológica.

É curioso o fascínio que as pessoas alimentam em torno dos ritos de passagem, destes momentos que são envoltos de ponta e prestígio como um pleito eleitoreiro como o que acaba de findar. Alimenta-se uma expectativa tão grande que a impressão que se tem é de que não só a nação, mas o mundo todo irá se transformar com o toque da vara de condão de nossos caudilhos populistas.

Alias, nos orgulhamos bestamente de nosso eficiente sistema de urnas eletrônicas como se estas fossem a última palavra em “democracia” pelo simples fato de ser tão só (nada mais que isso) mais rápido do que o sistema de votação de outras nações mais avançadas tecnológica e economicamente do que nós. Quanto surge este tipo de comentário, obviamente que a pedra está sendo atirada nos USA.

Bem, então chamaria atenção da ufanista idiotia patrioteira para fazer uma outra comparação para avaliação da “validade” de nossa democracia. Compare a estrutura das Escolas e Colégios Brasileiros onde ficaram as maravilhosas urnas eletrônicas com a estrutura das Escolas e Colégios Estadunidenses onde são colocadas as suas urnas cafonas as quais nem fazem barulhinho quando você vota, para lhe lembrar que seu voto foi devidamente sufragado.

Pior que isso tudo é a crença praticamente patológica em nossa classe política como se esta fosse a única capaz, e mesmo autorizada, a atuar na resolução das pendengas de nossa sociedade. Ora, não nos esqueçamos que nós criamos essas aberrações que nos (des)governam, feito mães irresponsáveis, intoxicadas de desídia e chimarrão que parem os guris e os deixam por conta própria na casa enquanto se reúne com as demais da sua estirpe para falar da vida alheia na tentativa pífia de encontrar um bode expiatório para a situação criada por elas mesmas.

De nada adiantará haver reforma política se a sociedade civil realmente resolver se organizar. Enquanto continuarmos a nos deixar fazer de reféns desta casta patrimonialista que nos espolia, seja ela rubra ou meramente de uma linhagem destra e fisiológica. De pouco nos servirá tal reforma se não nos libertarmos de nossa lassidão cognitiva e cívica, se continuarmos a nos impressionar, a nos indignar e, sem tormentos ou receio, entregar nossa confiança cega e sonsa para outro grupelho politicamente organizado.

Em sua obra A GAIA CIÊNCIA, Friedrich Nietzsche, nos aponta que os homens corruptos: “[...] sabem que há outras formas de matar que não seja pelo punhal e pela emboscada – sabem também que se acredita em tudo que é bem dito. – [...] é preciso esperar que ‘os costumes se corrompam’ para que esses seres chamados tiranos comecem a aparecer”. Bem, os nossos costumes mais do que a olhos vistos estão degradados e quanto aos tiranos, estes não nos faltam candidatos. Todavia, o mais sanguinário e truculento de todos praticamente já se assenhoreou do poder. Não é o Lula não meu caro. É a massa ignara, disforme, tal qual os nossos conceitos de ordem ética e moral.

Todavia, não vejo esse momento vivido como sendo negativo, pois, como todos sabemos, a estupidez humana é e sempre será tanto eterna como infinita. Alias, vejo neste momento pútrido como uma ótima ocasião para a emergência de uma percepção mais lúcida. Não por parte da sociedade como um todo, pois, a dita “consciência” coletiva nada mais é do que um resumo tosco, uma forma de decorada para macacos militantes imitadores temerosos de não fazerem parte da festa de idiotia democrática. Vejo como um momento ímpar para que os indivíduos, por si, sem terem de se atrelar a um dono ideológico, refletirem sobre a nossa desventura civilizacional. Fora disso, será apenas uma mudança nos rumos da manobra da referida massa.

O próprio Nietzsche, na obra referida linhas acima, nos lembra que (isso no século XIX), um dia, a política viria: “[...] a ser considerada tão vulgar que seria classificada, como toda literatura de partidos e de jornais, sob a rubrica ‘prostituição do espírito’”. Tal momento, creio eu, chegou em seu ápice, aqui nestas terras de Pindorama. Cabe a cada um pensar sobre isso com a seriedade que habita o seu ser, não mais através da volúpia das multidões.

Por fim, se você é daqueles que adora apregoar que a culpa aos miseráveis e desvalidos ou em nossa classe dirigente, esqueça. Pode ir parando por aí. Não foram eles que perverteram a nossa ordem moral, não foram eles que inverteram os pesos e as medidas éticas. Os responsáveis por isso foram justamente aqueles que, como eu e você, tiveram acesso a uma parva ilustração e que aprenderam a repetir verbetes decorados como se fossem verdades reveladas sem ao menos refletirmos sobre o assunto agindo como um bando de iludidos que fingem estar desiludido. Ora, sejamos sinceros: existe algo mais patético que isso?

É curioso o fascínio que as pessoas alimentam em torno dos ritos de passagem, destes momentos que são envoltos de ponta e prestígio como um pleito eleitoreiro como o que acaba de findar. Alimenta-se uma expectativa tão grande que a impressão que se tem é de que não só a nação, mas o mundo todo irá se transformar com o toque da vara de condão de nossos caudilhos populistas.

Alias, nos orgulhamos bestamente de nosso eficiente sistema de urnas eletrônicas como se estas fossem a última palavra em “democracia” pelo simples fato de ser tão só (nada mais que isso) mais rápido do que o sistema de votação de outras nações mais avançadas tecnológica e economicamente do que nós. Quanto surge este tipo de comentário, obviamente que a pedra está sendo atirada nos USA.

Bem, então chamaria atenção da ufanista idiotia patrioteira para fazer uma outra comparação para avaliação da “validade” de nossa democracia. Compare a estrutura das Escolas e Colégios Brasileiros onde ficaram as maravilhosas urnas eletrônicas com a estrutura das Escolas e Colégios Estadunidenses onde são colocadas as suas urnas cafonas as quais nem fazem barulhinho quando você vota, para lhe lembrar que seu voto foi devidamente sufragado.

Pior que isso tudo é a crença praticamente patológica em nossa classe política como se esta fosse a única capaz, e mesmo autorizada, a atuar na resolução das pendengas de nossa sociedade. Ora, não nos esqueçamos que nós criamos essas aberrações que nos (des)governam, feito mães irresponsáveis, intoxicadas de desídia e chimarrão que parem os guris e os deixam por conta própria na casa enquanto se reúne com as demais da sua estirpe para falar da vida alheia na tentativa pífia de encontrar um bode expiatório para a situação criada por elas mesmas.

De nada adiantará haver reforma política se a sociedade civil realmente resolver se organizar. Enquanto continuarmos a nos deixar fazer de reféns desta casta patrimonialista que nos espolia, seja ela rubra ou meramente de uma linhagem destra e fisiológica. De pouco nos servirá tal reforma se não nos libertarmos de nossa lassidão cognitiva e cívica, se continuarmos a nos impressionar, a nos indignar e, sem tormentos ou receio, entregar nossa confiança cega e sonsa para outro grupelho politicamente organizado.

Em sua obra A GAIA CIÊNCIA, Friedrich Nietzsche, nos aponta que os homens corruptos: “[...] sabem que há outras formas de matar que não seja pelo punhal e pela emboscada – sabem também que se acredita em tudo que é bem dito. – [...] é preciso esperar que ‘os costumes se corrompam’ para que esses seres chamados tiranos comecem a aparecer”. Bem, os nossos costumes mais do que a olhos vistos estão degradados e quanto aos tiranos, estes não nos faltam candidatos. Todavia, o mais sanguinário e truculento de todos praticamente já se assenhoreou do poder. Não é o Lula não meu caro. É a massa ignara, disforme, tal qual os nossos conceitos de ordem ética e moral.

Todavia, não vejo esse momento vivido como sendo negativo, pois, como todos sabemos, a estupidez humana é e sempre será tanto eterna como infinita. Alias, vejo neste momento pútrido como uma ótima ocasião para a emergência de uma percepção mais lúcida. Não por parte da sociedade como um todo, pois, a dita “consciência” coletiva nada mais é do que um resumo tosco, uma forma de decorada para macacos militantes imitadores temerosos de não fazerem parte da festa de idiotia democrática. Vejo como um momento ímpar para que os indivíduos, por si, sem terem de se atrelar a um dono ideológico, refletirem sobre a nossa desventura civilizacional. Fora disso, será apenas uma mudança nos rumos da manobra da referida massa.

O próprio Nietzsche, na obra referida linhas acima, nos lembra que (isso no século XIX), um dia, a política viria: “[...] a ser considerada tão vulgar que seria classificada, como toda literatura de partidos e de jornais, sob a rubrica ‘prostituição do espírito’”. Tal momento, creio eu, chegou em seu ápice, aqui nestas terras de Pindorama. Cabe a cada um pensar sobre isso com a seriedade que habita o seu ser, não mais através da volúpia das multidões.

Por fim, se você é daqueles que adora apregoar que a culpa aos miseráveis e desvalidos ou em nossa classe dirigente, esqueça. Pode ir parando por aí. Não foram eles que perverteram a nossa ordem moral, não foram eles que inverteram os pesos e as medidas éticas. Os responsáveis por isso foram justamente aqueles que, como eu e você, tiveram acesso a uma parva ilustração e que aprenderam a repetir verbetes decorados como se fossem verdades reveladas sem ao menos refletirmos sobre o assunto agindo como um bando de iludidos que fingem estar desiludido. Ora, sejamos sinceros: existe algo mais patético que isso?

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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