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07 Out 2006

Uma Burca Para Alckmin

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Tudo que Alckmin falar, tudo que fizer, será usado contra ele por petistas, exímios oposicionistas sempre tomados pela fúria sacrossanta da causa que tudo justifica. E se não houver motivo para abater o adversário, eles inventam.

Os resultados do segundo turno surpreenderam. Pelo menos diante do que mostravam todos os institutos de pesquisa. Parecia impossível que outro candidato à presidência da República pudesse superar o poderio econômico e político do presidente e candidato do PT.

Despido da fantasia de “Lulinha de paz e amor”, confeccionada por Duda Mendonça, um Lulão rugia raivoso nos palanques, como nos bons tempos em que incitava operários à greve. Nada poderia impedir que ele continuasse no cargo. Luiz Inácio mandava os adversários se prepararem para 2010. Falava de sua tentação de fechar o Congresso e, num daqueles freqüentes ataques de egolatria se comparou a Jesus Cristo e a Tiradentes, assumindo seu papel predileto de vítima tão rendoso em termos de votos.

Nem mesmo o escândalo do caríssimo dossiê, forjado para incriminar José Serra, e que seria pago aos Vedoin dos sanguessugas, poderia macular o homem mais ético do país. Aquilo fora idéia desastrada de seus fiéis e aloprados meninos para incrementar a campanha de Aloísio Mercadante. Mais um escândalo, menos um escândalo, não faria a menor diferença, pois todos sabem que o presidente nada sabe. Não sabe, inclusive, quem é seu guarda-costa Freud que o acompanha há dezessete anos. Tão pouco sabe quem é Ricardo Berzoine, seu ex-ministro, ex-coordenador de campanha, companheiro de longa data. O presidente nunca ouviu falar dos aloprados petistas: Osvaldo Bragas, Jorge Lorenzetti (churrasqueiro oficial), Expedito Veloso, Gedimar Passos, Valdebran Padilha, Hamilton Lacerda (coordenador de comunicação da campanha de Mercadante). Além do mais, existe o recurso à teoria da “culpa das elites”, pois o presidente da República não representa a elite do poder juntamente com os companheiros de governo. Da elite fazem parte os que o perseguem implacavelmente. Uma fantasia paranóica e tanto, mas que funciona.

Na certeza do apoteótico triunfo, o discurso da vitória de LILS já estava pronto. A festa na Avenida Paulista, programada pela CUT, seria estrondosa. Tarso Genro já convocara os demais partidos para se unirem em torno do governo petista. Mas as urnas, contrariando prognósticos e palpites, mostraram que Geraldo Alckmin havia passado para o segundo turno. Susto na corte. Pânicos entre as hostes vermelhas.

Nos Estados, muitas das previsões das pesquisas ditas científicas também esboroaram. Exceto onde seria óbvio o resultado, como em São Paulo e Minas Gerais que registraram estrondosa vitória dos candidatos do PSDB, José Serra e Aécio Neves. Na maioria do País o resultado das urnas não correspondeu aos das pesquisas. O que dizer, por exemplo, do que aconteceu no Rio Grande do Sul, no Paraná, na Bahia? Decididamente, as previsões meteorológicas, hoje dotadas do recurso de satélites, são bem mais confiáveis.

Se a campanha havia se desenrolado sem graça, com petistas esperançosos, mas envergonhados, sem coragem de por adesivos de Luiz Inácio nos carros, o segundo turno ameaça pegar fogo. Geraldo Alckmin que se cuide. Dele se espera que ande de burca, pudico, calado, quase oculto para não empanar o brilho do Lulinha paz e amor. Tudo que Alckmin falar, tudo que fizer, será usado contra ele por petistas, exímios oposicionistas sempre tomados pela fúria sacrossanta da causa que tudo justifica. E se não houver motivo para abater o adversário, eles inventam. O dossiê é a prova mais recente de como os companheiros são especialistas em forjar provas, atacar reputações de forma leviana, agir de modo inescrupuloso para manter o poder. O PT, nem Freud explica. Só Lombroso. Para piorar, Alckmin tem contra si muitos de seus correligionários e aliados.

Assim, quando Garotinho e sua mulher, a governadora Rosinha, apresentaram seu apoio a Alckmin, o fato foi transformado em heresia. Garotinho serviu para ter Benedita com vice quando foi governador. Serviu para apoiar Luiz Inácio, em 2002, no segundo turno. Serviu para dar apoio a candidata do PSOL, Heloísa Helena. Mas Alckmin tem que andar de burca. Não importa se Luiz Inácio tem o apoio de Fernando Collor, de Newton Cardoso, de Orestes Quércia, se gosta quando Maluf o chama de honesto. No Rio o palanque do candidato e presidente é composto pelos seguintes aliados: Marcelo Crivella (bispo da Igreja Universal que antes via em LILS o demônio em pessoa), Benedita da Silva (que em 2004 foi mandada embora do Ministério da Assistência Social por fazer viagem particular às custas do governo), Luiz Fernando Pezão (indicado por Garotinho como vice na chapa do candidato a governador, Sérgio Cabral), Sérgio Cabral (apoiado por Garotinho no primeiro turno), Márcio Fortes (afilhado de Severino Cavalcanti, que assumiu o Ministério das Cidades em 2005), Francisco Dornelles (ex-ministro do Trabalho de FHC) e Luiz Paulo Conde (lançado na política por Cesar Maia).

Conclusão: se Alckmin vencer, poderá ser considerado um prodígio de determinação e o maior gênio da arte de fazer política que o Brasil já viu.

Os resultados do segundo turno surpreenderam. Pelo menos diante do que mostravam todos os institutos de pesquisa. Parecia impossível que outro candidato à presidência da República pudesse superar o poderio econômico e político do presidente e candidato do PT.

Despido da fantasia de “Lulinha de paz e amor”, confeccionada por Duda Mendonça, um Lulão rugia raivoso nos palanques, como nos bons tempos em que incitava operários à greve. Nada poderia impedir que ele continuasse no cargo. Luiz Inácio mandava os adversários se prepararem para 2010. Falava de sua tentação de fechar o Congresso e, num daqueles freqüentes ataques de egolatria se comparou a Jesus Cristo e a Tiradentes, assumindo seu papel predileto de vítima tão rendoso em termos de votos.

Nem mesmo o escândalo do caríssimo dossiê, forjado para incriminar José Serra, e que seria pago aos Vedoin dos sanguessugas, poderia macular o homem mais ético do país. Aquilo fora idéia desastrada de seus fiéis e aloprados meninos para incrementar a campanha de Aloísio Mercadante. Mais um escândalo, menos um escândalo, não faria a menor diferença, pois todos sabem que o presidente nada sabe. Não sabe, inclusive, quem é seu guarda-costa Freud que o acompanha há dezessete anos. Tão pouco sabe quem é Ricardo Berzoine, seu ex-ministro, ex-coordenador de campanha, companheiro de longa data. O presidente nunca ouviu falar dos aloprados petistas: Osvaldo Bragas, Jorge Lorenzetti (churrasqueiro oficial), Expedito Veloso, Gedimar Passos, Valdebran Padilha, Hamilton Lacerda (coordenador de comunicação da campanha de Mercadante). Além do mais, existe o recurso à teoria da “culpa das elites”, pois o presidente da República não representa a elite do poder juntamente com os companheiros de governo. Da elite fazem parte os que o perseguem implacavelmente. Uma fantasia paranóica e tanto, mas que funciona.

Na certeza do apoteótico triunfo, o discurso da vitória de LILS já estava pronto. A festa na Avenida Paulista, programada pela CUT, seria estrondosa. Tarso Genro já convocara os demais partidos para se unirem em torno do governo petista. Mas as urnas, contrariando prognósticos e palpites, mostraram que Geraldo Alckmin havia passado para o segundo turno. Susto na corte. Pânicos entre as hostes vermelhas.

Nos Estados, muitas das previsões das pesquisas ditas científicas também esboroaram. Exceto onde seria óbvio o resultado, como em São Paulo e Minas Gerais que registraram estrondosa vitória dos candidatos do PSDB, José Serra e Aécio Neves. Na maioria do País o resultado das urnas não correspondeu aos das pesquisas. O que dizer, por exemplo, do que aconteceu no Rio Grande do Sul, no Paraná, na Bahia? Decididamente, as previsões meteorológicas, hoje dotadas do recurso de satélites, são bem mais confiáveis.

Se a campanha havia se desenrolado sem graça, com petistas esperançosos, mas envergonhados, sem coragem de por adesivos de Luiz Inácio nos carros, o segundo turno ameaça pegar fogo. Geraldo Alckmin que se cuide. Dele se espera que ande de burca, pudico, calado, quase oculto para não empanar o brilho do Lulinha paz e amor. Tudo que Alckmin falar, tudo que fizer, será usado contra ele por petistas, exímios oposicionistas sempre tomados pela fúria sacrossanta da causa que tudo justifica. E se não houver motivo para abater o adversário, eles inventam. O dossiê é a prova mais recente de como os companheiros são especialistas em forjar provas, atacar reputações de forma leviana, agir de modo inescrupuloso para manter o poder. O PT, nem Freud explica. Só Lombroso. Para piorar, Alckmin tem contra si muitos de seus correligionários e aliados.

Assim, quando Garotinho e sua mulher, a governadora Rosinha, apresentaram seu apoio a Alckmin, o fato foi transformado em heresia. Garotinho serviu para ter Benedita com vice quando foi governador. Serviu para apoiar Luiz Inácio, em 2002, no segundo turno. Serviu para dar apoio a candidata do PSOL, Heloísa Helena. Mas Alckmin tem que andar de burca. Não importa se Luiz Inácio tem o apoio de Fernando Collor, de Newton Cardoso, de Orestes Quércia, se gosta quando Maluf o chama de honesto. No Rio o palanque do candidato e presidente é composto pelos seguintes aliados: Marcelo Crivella (bispo da Igreja Universal que antes via em LILS o demônio em pessoa), Benedita da Silva (que em 2004 foi mandada embora do Ministério da Assistência Social por fazer viagem particular às custas do governo), Luiz Fernando Pezão (indicado por Garotinho como vice na chapa do candidato a governador, Sérgio Cabral), Sérgio Cabral (apoiado por Garotinho no primeiro turno), Márcio Fortes (afilhado de Severino Cavalcanti, que assumiu o Ministério das Cidades em 2005), Francisco Dornelles (ex-ministro do Trabalho de FHC) e Luiz Paulo Conde (lançado na política por Cesar Maia).

Conclusão: se Alckmin vencer, poderá ser considerado um prodígio de determinação e o maior gênio da arte de fazer política que o Brasil já viu.

Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

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