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10 Set 2006

O Paradoxo Conservador

Escrito por 
Nunca houve uma eleição tão fácil para ser vencida pela oposição. Uma sucessão de erros, e também de falta de sensibilidade política, podem levar o pleito presidencial a terminar já no primeiro turno, em favor de Lula.

Nunca houve uma eleição tão fácil para ser vencida pela oposição. Uma sucessão de erros, e também de falta de sensibilidade política, podem levar o pleito presidencial a terminar já no primeiro turno, em favor de Lula. O roteiro da provável derrota já vem sendo escrito há algum tempo, temperado por elementos que vão do egoísmo ao egocentrismo, permeados especialmente pelo despreparo para a magnitude do projeto em pauta. A (única) chance (real) de retirar Lula do Palácio do Planalto se esvai pelos dedos de uma oposição que acaba por cometer os mesmos pecados e promover praticamente a mesma agenda da situação.

Em primeiro plano vem a briga interna do PSDB. Os pecados dos tucanos podem ser fatais, e afetar sua própria existência como partido e projeto político viável para o País. E aqui é nosso ponto de reflexão. Explico. Enquanto se fala de reforma política e cláusula de barreira, um novo partido vem se articulando para nascer dos cacos das brigas entre tucanos e petistas, consolidando aquilo já previsto anteriormente por analistas políticos – um novo partido de centro esquerda brasileiro.

Nasce, dentro deste novo espectro, uma agremiação partidária que teria por mensagem resgatar os valores “perdidos” pela esquerda brasileira, no caminho do “Novo Trabalhismo inglês”. Este grupo viria de tucanos, petistas e até setores do PMDB, além dos resquícios daqueles partidos que serão varridos do cenário nacional após a cláusula de barreira. Se o PSDB surgiu do “racha ético” do PMDB, um novo partido de esquerda poderá vir de um suposto racha de vários outros que possuem uma clara agenda esquerdista, como PT e PSDB, que estão muito mais próximos ideologicamente do que se imagina.

Os órfãos brasileiros serão, sem dúvida, dentro deste espectro, os reais conservadores, sem liderança, agenda, partido nacional homogêneo e como conseqüência, sem um projeto claro. O PFL, ainda refém de interesses de lideranças regionais que surgiram em ligação íntima com o Estado, não consegue ocupar este espaço e não preparou uma nova geração de lideranças políticas. Uma vez no poder, optou pela timidez na aplicação de uma agenda conservadora-reformista, especialmente nos oito anos do governo FHC. Nunca houve no Brasil a implantação de uma real agenda de idéias conservadoras ou como se chama na Europa, centro-reformistas, que se baseiam na diminuição do tamanho e deveres do Estado, na aplicação da economia de mercado, pela imposição de limites duros ao poder público, e pelo fim das políticas assistencialistas, mascaradas, nos últimos governos, de “transferência de renda”.

Surge, no campo conservador, de forma diametralmente oposta ao eixo da esquerda, um espaço precioso para a constituição de um real partido conservador, afinado com congêneres internacionais como o Conservador britânico, Popular espanhol e Republicano norte-americano. Esta nova agremiação deveria possuir, antes de qualquer coisa, um forte e atuante instituto de estudos, formação e aperfeiçoamento de (novas) lideranças, idéias, projetos e propostas para o País em sintonia com os valores conservadores. É preciso, para esta realização, um projeto de longo prazo, com estabelecimento de metas e muito empenho.

A iminente derrota para Lula é a senha para a reflexão e estabelecimento de metas futuras de longo prazo. A reorganização de forças políticas pela qual o Brasil passará e que propiciará o surgimento de um novo grupamento à esquerda, é a chance da grande reorganização conservadora que certamente encontrará eco em grande parte da sociedade. Além disso, se tucanos e petistas não acordarem de seu sono profundo, ambos passarão a coadjuvantes do cenário político nacional.

Um novo espectro político se desenha no Brasil. 2007 é o início deste processo. Se aqueles que se dizem conservadores continuarem em seu estado letárgico, a agenda continuará tomada pelos temas esquerdistas. Se continuarem, nos Estados que administram, com a mesma política de manutenção no poder via políticas assistencialistas e clientelistas, é bom que saibam que de nada diferem da esquerda. O Brasil precisa, para contraponto político, pelo bom debate e para o bem do País, de uma direita reformista esclarecida, ética, renovada, que use o espaço político e suas administrações de vitrines para implementação de suas propostas, para a consolidação de sua agenda de mudanças, para que coloque em prática políticas liberalizantes e modernas. Caso contrário, o Brasil continuará a escolher entre candidatos que estão mais, ou menos, à esquerda, o grande ciclo vicioso responsável pela desgraça de nosso País.

Assim, reafirmo, nunca houve uma eleição tão fácil para ser vencida pela oposição, se realmente houvesse oposição.

Nunca houve uma eleição tão fácil para ser vencida pela oposição. Uma sucessão de erros, e também de falta de sensibilidade política, podem levar o pleito presidencial a terminar já no primeiro turno, em favor de Lula. O roteiro da provável derrota já vem sendo escrito há algum tempo, temperado por elementos que vão do egoísmo ao egocentrismo, permeados especialmente pelo despreparo para a magnitude do projeto em pauta. A (única) chance (real) de retirar Lula do Palácio do Planalto se esvai pelos dedos de uma oposição que acaba por cometer os mesmos pecados e promover praticamente a mesma agenda da situação.

Em primeiro plano vem a briga interna do PSDB. Os pecados dos tucanos podem ser fatais, e afetar sua própria existência como partido e projeto político viável para o País. E aqui é nosso ponto de reflexão. Explico. Enquanto se fala de reforma política e cláusula de barreira, um novo partido vem se articulando para nascer dos cacos das brigas entre tucanos e petistas, consolidando aquilo já previsto anteriormente por analistas políticos – um novo partido de centro esquerda brasileiro.

Nasce, dentro deste novo espectro, uma agremiação partidária que teria por mensagem resgatar os valores “perdidos” pela esquerda brasileira, no caminho do “Novo Trabalhismo inglês”. Este grupo viria de tucanos, petistas e até setores do PMDB, além dos resquícios daqueles partidos que serão varridos do cenário nacional após a cláusula de barreira. Se o PSDB surgiu do “racha ético” do PMDB, um novo partido de esquerda poderá vir de um suposto racha de vários outros que possuem uma clara agenda esquerdista, como PT e PSDB, que estão muito mais próximos ideologicamente do que se imagina.

Os órfãos brasileiros serão, sem dúvida, dentro deste espectro, os reais conservadores, sem liderança, agenda, partido nacional homogêneo e como conseqüência, sem um projeto claro. O PFL, ainda refém de interesses de lideranças regionais que surgiram em ligação íntima com o Estado, não consegue ocupar este espaço e não preparou uma nova geração de lideranças políticas. Uma vez no poder, optou pela timidez na aplicação de uma agenda conservadora-reformista, especialmente nos oito anos do governo FHC. Nunca houve no Brasil a implantação de uma real agenda de idéias conservadoras ou como se chama na Europa, centro-reformistas, que se baseiam na diminuição do tamanho e deveres do Estado, na aplicação da economia de mercado, pela imposição de limites duros ao poder público, e pelo fim das políticas assistencialistas, mascaradas, nos últimos governos, de “transferência de renda”.

Surge, no campo conservador, de forma diametralmente oposta ao eixo da esquerda, um espaço precioso para a constituição de um real partido conservador, afinado com congêneres internacionais como o Conservador britânico, Popular espanhol e Republicano norte-americano. Esta nova agremiação deveria possuir, antes de qualquer coisa, um forte e atuante instituto de estudos, formação e aperfeiçoamento de (novas) lideranças, idéias, projetos e propostas para o País em sintonia com os valores conservadores. É preciso, para esta realização, um projeto de longo prazo, com estabelecimento de metas e muito empenho.

A iminente derrota para Lula é a senha para a reflexão e estabelecimento de metas futuras de longo prazo. A reorganização de forças políticas pela qual o Brasil passará e que propiciará o surgimento de um novo grupamento à esquerda, é a chance da grande reorganização conservadora que certamente encontrará eco em grande parte da sociedade. Além disso, se tucanos e petistas não acordarem de seu sono profundo, ambos passarão a coadjuvantes do cenário político nacional.

Um novo espectro político se desenha no Brasil. 2007 é o início deste processo. Se aqueles que se dizem conservadores continuarem em seu estado letárgico, a agenda continuará tomada pelos temas esquerdistas. Se continuarem, nos Estados que administram, com a mesma política de manutenção no poder via políticas assistencialistas e clientelistas, é bom que saibam que de nada diferem da esquerda. O Brasil precisa, para contraponto político, pelo bom debate e para o bem do País, de uma direita reformista esclarecida, ética, renovada, que use o espaço político e suas administrações de vitrines para implementação de suas propostas, para a consolidação de sua agenda de mudanças, para que coloque em prática políticas liberalizantes e modernas. Caso contrário, o Brasil continuará a escolher entre candidatos que estão mais, ou menos, à esquerda, o grande ciclo vicioso responsável pela desgraça de nosso País.

Assim, reafirmo, nunca houve uma eleição tão fácil para ser vencida pela oposição, se realmente houvesse oposição.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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