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30 Ago 2006

Náusea

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Logo, é provável que o fenômeno eleitoral petista para à presidência da República tenha explicação na falta de informação honesta, sincera, límpida.

Eis o sentimento que inunda o espírito deste articulista nestes últimos meses. E a razão está centrada no fato da real possibilidade de recondução do sr. Luis Inácio ao Palácio do Planalto. Novos quatro anos para o petismo é demais!

Interessante e lamentável notar como o brasileiro, ao menos os que se manifestam no sentido de destinar (ou seria desperdiçar?) seu voto ao Príncipe petista pouco ou nada se preocupam com as mazelas éticas e/ou morais vistas sob sua administração. Oras, se porque alguns roubam, eu roubarei e entenderei que você roube, e estaremos regredindo ao estado hobbesiano da barbárie.

Parcela considerável do povo brasileiro, em 2002, via no PT-oposição o paradigma da moralidade, da ética. Agora, quatro anos depois, todo o discurso histórico do petismo vai pro lixo e tudo bem. Afinal, o presidente de nada sabia. Meu Deus!

Difícil precisar o limite entre a inocência e a sua ausência, para ficar no colo da boa educação. Imaginar um desvalido que recebe seus R$50 mensais e dois pratos de comida por dia votando no sr. Luis Inácio é compreensível, ainda que a miséria e a indignidade social dêem votos. E a hipocrisia política está exatamente em não combatê-la de fato, com seriedade e responsabilidade política. Porém, como o IBGE flagrantemente demonstrou, o mal que assola o país não é a fome e sim a obesidade. E agora?

Porém o Brasil não é constituído apenas de pobres obesos. Existem em proliferação, brasileiros que manifestam seu voto no sr. Luis Inácio devido à outra forma de pobreza: a pobreza cultural. Não resta dúvida de que o povo brasileiro, conseqüência de mais de 500 anos de sono em berço esplêndido, perdeu, ou teve violentamente anestesiado, o poder de crítica. Ocorre que para se criticar é preciso conhecer. Para se conhecer é preciso se informar. E para se informar é preciso de informação honesta.

Isso parece ser óbvio. Informação é o conhecimento sobre alguém ou alguma coisa, susceptível de ser transmitido e conservado. Ou seja, poder. A honestidade em informar está na necessária capacidade de retransmissão fiel destes fatos. É poder, pois quem controla essa capacidade de retransmitir, controla a capacidade de formação de opinião, de crítica. Não é por outra razão que o sr. Luis Inácio apresentou recentemente a “idéia” de democratizar a imprensa. Desejo de controlar a informação.

Logo, é provável que o fenômeno eleitoral petista para à presidência da República tenha explicação na falta de informação honesta, sincera, límpida. Afinal, quem não sabe, não critica, não tem opinião fundamentada em pilares conceituais próprios e verdadeiros.

Agora a náusea aumenta mesmo quando se constata eleitores com potencial capacidade crítica manifestar sua intenção de voto no sr. Luis Inácio. Aqui a explicação pode se dividir em duas: existe um primeiro grupo que ainda quer acreditar na divindade do atual presidente, afinal ele nada sabia sobre os notórios e públicos fatos de corrupção. São os inocentes-úteis.

E há um segundo grupo que precisa do sr. Luis Inácio e do petismo para sobreviver midiaticamente. Exemplo: o sr. Paulo Betti e tutti quanti. Afirmou o ator global: "Não vamos ser hipócritas; eu acho que não dá para fazer política sem sujar as mãos”.

Lendo, ou ouvindo este absurdo, entende-se como correta a afirmação do petista histórico Clóvis Rossi, em seu artigo A Consagração da Merda (Folha, 30/08/2006): “O eleitor está informado que o presidente botou a mão na merda. Mas não se importa”.

É náusea pura.

O sr. Luis Inácio está novamente sendo anunciado ao eleitorado como o mais ético dos brasileiros. Aliás, ele mesmo afirmou isso, em uma lição de falta de humildade para alguém que arrota ser humilde. E o povo, ao menos os seus cordeiros, nisso acreditam, precisam acreditar, ou pior, querem acreditar.

De fato é de nausear.

Eis o sentimento que inunda o espírito deste articulista nestes últimos meses. E a razão está centrada no fato da real possibilidade de recondução do sr. Luis Inácio ao Palácio do Planalto. Novos quatro anos para o petismo é demais!

Interessante e lamentável notar como o brasileiro, ao menos os que se manifestam no sentido de destinar (ou seria desperdiçar?) seu voto ao Príncipe petista pouco ou nada se preocupam com as mazelas éticas e/ou morais vistas sob sua administração. Oras, se porque alguns roubam, eu roubarei e entenderei que você roube, e estaremos regredindo ao estado hobbesiano da barbárie.

Parcela considerável do povo brasileiro, em 2002, via no PT-oposição o paradigma da moralidade, da ética. Agora, quatro anos depois, todo o discurso histórico do petismo vai pro lixo e tudo bem. Afinal, o presidente de nada sabia. Meu Deus!

Difícil precisar o limite entre a inocência e a sua ausência, para ficar no colo da boa educação. Imaginar um desvalido que recebe seus R$50 mensais e dois pratos de comida por dia votando no sr. Luis Inácio é compreensível, ainda que a miséria e a indignidade social dêem votos. E a hipocrisia política está exatamente em não combatê-la de fato, com seriedade e responsabilidade política. Porém, como o IBGE flagrantemente demonstrou, o mal que assola o país não é a fome e sim a obesidade. E agora?

Porém o Brasil não é constituído apenas de pobres obesos. Existem em proliferação, brasileiros que manifestam seu voto no sr. Luis Inácio devido à outra forma de pobreza: a pobreza cultural. Não resta dúvida de que o povo brasileiro, conseqüência de mais de 500 anos de sono em berço esplêndido, perdeu, ou teve violentamente anestesiado, o poder de crítica. Ocorre que para se criticar é preciso conhecer. Para se conhecer é preciso se informar. E para se informar é preciso de informação honesta.

Isso parece ser óbvio. Informação é o conhecimento sobre alguém ou alguma coisa, susceptível de ser transmitido e conservado. Ou seja, poder. A honestidade em informar está na necessária capacidade de retransmissão fiel destes fatos. É poder, pois quem controla essa capacidade de retransmitir, controla a capacidade de formação de opinião, de crítica. Não é por outra razão que o sr. Luis Inácio apresentou recentemente a “idéia” de democratizar a imprensa. Desejo de controlar a informação.

Logo, é provável que o fenômeno eleitoral petista para à presidência da República tenha explicação na falta de informação honesta, sincera, límpida. Afinal, quem não sabe, não critica, não tem opinião fundamentada em pilares conceituais próprios e verdadeiros.

Agora a náusea aumenta mesmo quando se constata eleitores com potencial capacidade crítica manifestar sua intenção de voto no sr. Luis Inácio. Aqui a explicação pode se dividir em duas: existe um primeiro grupo que ainda quer acreditar na divindade do atual presidente, afinal ele nada sabia sobre os notórios e públicos fatos de corrupção. São os inocentes-úteis.

E há um segundo grupo que precisa do sr. Luis Inácio e do petismo para sobreviver midiaticamente. Exemplo: o sr. Paulo Betti e tutti quanti. Afirmou o ator global: "Não vamos ser hipócritas; eu acho que não dá para fazer política sem sujar as mãos”.

Lendo, ou ouvindo este absurdo, entende-se como correta a afirmação do petista histórico Clóvis Rossi, em seu artigo A Consagração da Merda (Folha, 30/08/2006): “O eleitor está informado que o presidente botou a mão na merda. Mas não se importa”.

É náusea pura.

O sr. Luis Inácio está novamente sendo anunciado ao eleitorado como o mais ético dos brasileiros. Aliás, ele mesmo afirmou isso, em uma lição de falta de humildade para alguém que arrota ser humilde. E o povo, ao menos os seus cordeiros, nisso acreditam, precisam acreditar, ou pior, querem acreditar.

De fato é de nausear.

Alexandre Seixas

O Prof. Alexandre M. Seixas é formado em Direito pela PUC de Campinas, tendo realizado o curso de Aperfeiçoamento em Ciências Sociais, e Mestrado em Ciência Política na Unicamp. Realizou ainda os cursos de inglês, na Surrey Heath Adult Education Center, em Camberley, Inglaterra. É professor universitário com vinculação em Teoria Geral do Estado e Ciência Política.

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