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22 Ago 2006

Cidadania e Solidariedade

Escrito por 
Discurso do professor Márcio Coimbra, paraninfo da turma formanda em Direito pelo UniCEUB, em Brasília, batizada de "Cidadania e Solidariedade".

Prezados professores aqui já nominados e especialmente minha querida turma que aqui se forma, seus pais, mães, filhos e familiares que aqui se encontram.

Usualmente as formaturas do curso de Direito são pautadas por palavras, significados e definições sobre o que é justiça, lei, contratos, processos. Mas esta turma que aqui se forma é diferente. E para fazer jus ao grupo que atinge, neste momento, uma conquista tão expressiva, quero que minhas palavras para vocês sejam assim, diferentes e especiais.

Estimada platéia, quero falar aqui não somente com meus brilhantes alunos que aqui se formam. O que farei com o carinho e incentivo que merecem. Mas quero falar também um pouco destes bravos e corajosos, agora colegas, para todos aqui presentes.

Esta turma é singular, única. Conheci vocês já na reta final, nos últimos instantes da faculdade de Direito e posso dizer, sem sombra de dúvida, que o aprendizado que levo de meus antigos alunos é inestimável. Tristes são aqueles mestres que não acreditam ser possível aprender com os alunos, ainda mais com estes extraordinários colegas.

Neste grupo, senhores, existe a expressão do que há de mais sublime no ser humano: garra, obstinação, companheirismo, amizade, amor, afeto, respeito. Talvez vocês todos não saibam, mas existem colegas que se formam hoje exatamente por terem recebido a força deste fantástico grupo, pessoas que por vezes se encontravam sem forças e energias para continuar. “Calma, vai valer a pena”. Falta pouco meus caros, falta pouco.

Aqui se aprendeu muito mais do que Direito. Permeado pelo ensino jurídico, aqui se formam homens e mulheres completos, que saberão lidar com as adversidades e desfrutarão das felicidades da vida. Eles chegam aqui depois de uma guerra, depois de vencer todas as batalhas, erguerão com merecido orgulho o troféu maior: o diploma de bacharel.

Bacharéis em Direito. O mundo se abre neste momento para vocês. Alguns abrirão escritório, outros seguirão a carreira pública, outros abrirão um negócio, outros farão outro curso e existem até aqueles que desejam largar tudo e se tornar um fotógrafo profissional, músico ou peregrinar pelos mistérios do Tibete. Não se preocupem se ainda não acharam seu foco e aqui fica a dica de um homem que os admira: sigam seus desejos, escutem suas aptidões, descubram seus talentos – nunca será tarde! Eles serão responsáveis pelo teu sucesso. Encontre aquilo que você ama, então exerça seu trabalho com devoção. Steve Jobs, criador da Apple, disse: “A única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, não sossegue”. Meus amigos, o Direito é uma grande base em cima da qual praticamente qualquer profissão pode ser desenvolvida.

Para isso, vamos lembrar alguns dos grandes bacharéis em Direito: o poeta Vinícius de Moraes, o mago das comunicações Assis Chateaubriand, o ator Paulo Autran, o jornalista Roberto Marinho, o músico Alceu Valença, o poeta modernista Oswald de Andrade a até o fabuloso filósofo Victor Hugo.

Lembrem deste recado: Não busquem um concurso público simplesmente como garantia de uma suposta estabilidade. Deixem os concursos para aqueles que possuem vocação para lidar com a coisa pública. Buscar o concurso como simples garantia de estabilidade é o primeiro passo em direção a uma vida profissional frustrada. Lembrem: Neste País, que possui um sistema de previdência fadado ao fracasso, a única garantia real de cada um de vocês está no talento e empenho pessoal. Acreditem em vocês mesmos.

Na vida profissional vocês irão fracassar, muito. Mas lembrem-se do que disse Samuel Beckett: "Tente de novo. Fracasse de novo. Fracasse melhor". Do fracasso vem o aprendizado, o exercício, a sabedoria.

Aqui tenho outra dica: não sejam covardes, mas acho que isto não é preciso dizer para vocês, porque aqui está uma turma de homens e mulheres corajosos, senhoras e senhores. Pessoas que nunca tiveram o medo de não parecer politicamente corretos – esta praga que destrói a capacidade de pensar dos seres humanos. Mas com vocês foi diferente. Esta turma pensou, esta turma ousou, esta turma quebrou paradigmas, deixou sua marca, fez história. E se não fazemos isso, pergunto: qual o sentido da vida?

Este grupo de, agora colegas, e sempre amigos, mostrou que em uma faculdade de Direito pode se aprender muito mais do que Direito. Aqui se aprendeu a pensar, questionar de forma inteligente, escrever, falar, ou seja, a de exercer a sua liberdade de expressão e pensamento, que é a base de todas as outras liberdades e valores que carregamos em nossa civilização ocidental.

Aqui se aprendeu sobre Ética. E aqui, na qualidade de educador, que exerço pela última vez, em frente de meus mais brilhantes alunos de minha carreira acadêmica que aqui, nesta cerimônia, se finda, sinto que devo falar do assunto. Lemos um artigo em sala de aula sobre ética onde o brilhante Jung dizia: “Nada pode livrar-nos de um diário tormento ético”. Meus caros, é preciso saber que vitória e plena justiça nem sempre são possíveis. Vocês viverão este dilema em suas vidas profissionais. A vida tem essa contradição. Muitas vezes surgirá a questão: permanecer com os valores morais ao preço de ser derrotado ou passar por cima de critérios éticos e atirar-se a vencer de qualquer maneira.

Meus caros pais aqui presentes. Esta turma passou por esta provação...e já sabe o caminho. Colocada a prova, escolheu a honradez. (vocês me orgulham)

Em um país tão solapado pelo assassinato diário ética, desde o parlamentar até o flanelinha, estes alunos encontraram resposta e me emocionei. Esta turma foi chamada a entregar sua alma aos algozes que, arbitrariamente, usaram seu último segundo de poder para intimidá-los. Alguém achou que a honra destes bravos alunos estava a venda. Não estava.

Quando chamada a se incriminar, reagiu. Quando humilhada, se levantou. Quando encontrou a força descomunal do poder com o ímpeto de ceifar seus sonhos acadêmicos, usou a verdade para se defender, usou a ética para responder e a solidariedade, que empresta de forma digna o nome a essa turma, para vencer. Vocês me enchem de orgulho.

Vocês venceram, naquele momento, na reta final, o grande desafio da vida. Deram o primeiro grande passo para caminhar de cabeça erguida, olhar seus filhos, pais, irmãos e amigos nos olhos com uma certeza: Vocês ensinaram que é possível juntar justiça, verdade e vitória em um elemento único.

Lembro todos presentes nesta cerimônia o que esta turma ensinou aos seus algozes e serve de aprendizado para todos nós: ninguém pode ser punido sem direito ao contraditório e a ampla defesa. Nenhum delito impossível, como lembrou o saudoso Mário Covas, pode ser capaz de ceifar a liberdade e o Direito.

E agora bacharéis, quando questionados pela ironia da tirania, pelos oportunistas de plantão, não hesitem em usar o Direito e a verdade em sua defesa, pois ela garante a sua liberdade.

Lembro, por fim, aos seus algozes, a lição de Affonso Arinos, perdida na memória daqueles que esqueceram o juramento vocês estão prestes a fazer: “Justiça é a noção de limitação de poder”.

Universidade não é comércio, Universidade é lugar de pesquisa, de seriedade. Forçar nossos alunos a trocar o tema de pesquisa ao fim do curso é desperdiçar o talento destes brilhantes alunos, é arrancar seus sonhos. Em qualquer Universidade séria deste mundo, e aqui fala um professor que passou por Harvard, o aluno possui liberdade para escolher seu orientador. Lembrem-se que o Brasil não é um grande país quando se fala sobre educação. Dentre as 100 melhores universidades das Américas, existe apenas uma brasileira, a USP. Das 500 melhores universidades do mundo, apenas 4 brasileiras: USP, Unicamp, UFRJ e Unesp. Talvez seja por isso que nunca tivemos um Nobel, nem o da Paz, que não exige pesquisa alguma. Vocês têm muito trabalho pela frente.

Mas as portas se abrem para aqueles que fazem aquilo que gostam. Para realizar, a cada dia, aquilo que gostamos, é preciso conhecer a si próprio. “Por vezes caímos moralmente doentes, porque costumamos dizer coisas diferentes daquilo que pensamos”, lembrou Vaclav Havel. Sejam autênticos, não temam buscar riqueza, pois ela será resultado do teu trabalho. Não tenham medo de não concordar com a maioria – pois vocês estão além das opiniões correntes e comuns. Chegou a hora de vocês criarem opinião, superarem barreiras, derrubarem teses, desenvolver a humanidade. É hora de criticar, é hora de mudar e em breve será o momento de liderar. Estejam preparados para isso.

Vocês são extremamente inteligentes, por isso lembrem-se da dica recebida por Winston Churchill, ainda jovem deputado, depois de seu primeiro discurso na Câmara dos Comuns: “Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta”.

E antes de vestirem, por vezes enfadonhos ternos que muitas vezes servem simplesmente para esconder inseguranças e transparecer prepotência e arrogância, vistam o manto da Ética. Somente aqueles que vestem o manto da ética são dignos de exercer qualquer profissão. Está, a partir deste momento, nas mãos de vocês, iniciar a mudança, consolidar valores, sedimentar um futuro sem os vícios dos hipócritas que já cruzaram o teu caminho.

E para não fugir do Direito, como complemento, lembro de uma frase de Ruy Barbosa: "Há tantos burros mandando em homens de inteligência que às vezes fico pensando que a burrice é uma Ciência".

Meus queridos alunos, vocês fizeram da minha docência um sacerdócio, algo que fiz com prazer e amor. Não poderia escolher melhor momento para me retirar do que aquele em que vocês entram em cena. É a transição natural da vida. Durante os meses que passamos juntos senti o raro prazer da reciprocidade, do carinho, da amizade, do respeito, do amor. Vocês foram minha cachaça, vocês foram minha consolação. Carregarei para sempre cada um de vocês no coração. Saio completo e realizado. Aqui fica meu muito obrigado.

Certo do pleno sucesso da turma “Cidadania e Solidariedade”, ou “Só o Caput”, para os mais íntimos, deixo aqui uma certeza: Esta turma é a essência do que devemos buscar como a Nova Justiça do Século XXI. Que o mundo os escute e abra passagem.

E agora que o Professor colorado de vocês conquistou a América, chegou a hora de vocês conquistarem o mundo.

Neste momento que significa renovação e mudança, prestemos ao Deus todo poderoso nosso agradecimento, implorando sua benção e ajuda para que realizemos seu trabalho aqui na Terra com paz interior. Sigam adiante defendendo a liberdade e tudo o que é bom e justo em nosso mundo.

Muito obrigado.

Prof. Márcio Chalegre Coimbra

Paraninfo

Prezados professores aqui já nominados e especialmente minha querida turma que aqui se forma, seus pais, mães, filhos e familiares que aqui se encontram.

Usualmente as formaturas do curso de Direito são pautadas por palavras, significados e definições sobre o que é justiça, lei, contratos, processos. Mas esta turma que aqui se forma é diferente. E para fazer jus ao grupo que atinge, neste momento, uma conquista tão expressiva, quero que minhas palavras para vocês sejam assim, diferentes e especiais.

Estimada platéia, quero falar aqui não somente com meus brilhantes alunos que aqui se formam. O que farei com o carinho e incentivo que merecem. Mas quero falar também um pouco destes bravos e corajosos, agora colegas, para todos aqui presentes.

Esta turma é singular, única. Conheci vocês já na reta final, nos últimos instantes da faculdade de Direito e posso dizer, sem sombra de dúvida, que o aprendizado que levo de meus antigos alunos é inestimável. Tristes são aqueles mestres que não acreditam ser possível aprender com os alunos, ainda mais com estes extraordinários colegas.

Neste grupo, senhores, existe a expressão do que há de mais sublime no ser humano: garra, obstinação, companheirismo, amizade, amor, afeto, respeito. Talvez vocês todos não saibam, mas existem colegas que se formam hoje exatamente por terem recebido a força deste fantástico grupo, pessoas que por vezes se encontravam sem forças e energias para continuar. “Calma, vai valer a pena”. Falta pouco meus caros, falta pouco.

Aqui se aprendeu muito mais do que Direito. Permeado pelo ensino jurídico, aqui se formam homens e mulheres completos, que saberão lidar com as adversidades e desfrutarão das felicidades da vida. Eles chegam aqui depois de uma guerra, depois de vencer todas as batalhas, erguerão com merecido orgulho o troféu maior: o diploma de bacharel.

Bacharéis em Direito. O mundo se abre neste momento para vocês. Alguns abrirão escritório, outros seguirão a carreira pública, outros abrirão um negócio, outros farão outro curso e existem até aqueles que desejam largar tudo e se tornar um fotógrafo profissional, músico ou peregrinar pelos mistérios do Tibete. Não se preocupem se ainda não acharam seu foco e aqui fica a dica de um homem que os admira: sigam seus desejos, escutem suas aptidões, descubram seus talentos – nunca será tarde! Eles serão responsáveis pelo teu sucesso. Encontre aquilo que você ama, então exerça seu trabalho com devoção. Steve Jobs, criador da Apple, disse: “A única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, não sossegue”. Meus amigos, o Direito é uma grande base em cima da qual praticamente qualquer profissão pode ser desenvolvida.

Para isso, vamos lembrar alguns dos grandes bacharéis em Direito: o poeta Vinícius de Moraes, o mago das comunicações Assis Chateaubriand, o ator Paulo Autran, o jornalista Roberto Marinho, o músico Alceu Valença, o poeta modernista Oswald de Andrade a até o fabuloso filósofo Victor Hugo.

Lembrem deste recado: Não busquem um concurso público simplesmente como garantia de uma suposta estabilidade. Deixem os concursos para aqueles que possuem vocação para lidar com a coisa pública. Buscar o concurso como simples garantia de estabilidade é o primeiro passo em direção a uma vida profissional frustrada. Lembrem: Neste País, que possui um sistema de previdência fadado ao fracasso, a única garantia real de cada um de vocês está no talento e empenho pessoal. Acreditem em vocês mesmos.

Na vida profissional vocês irão fracassar, muito. Mas lembrem-se do que disse Samuel Beckett: "Tente de novo. Fracasse de novo. Fracasse melhor". Do fracasso vem o aprendizado, o exercício, a sabedoria.

Aqui tenho outra dica: não sejam covardes, mas acho que isto não é preciso dizer para vocês, porque aqui está uma turma de homens e mulheres corajosos, senhoras e senhores. Pessoas que nunca tiveram o medo de não parecer politicamente corretos – esta praga que destrói a capacidade de pensar dos seres humanos. Mas com vocês foi diferente. Esta turma pensou, esta turma ousou, esta turma quebrou paradigmas, deixou sua marca, fez história. E se não fazemos isso, pergunto: qual o sentido da vida?

Este grupo de, agora colegas, e sempre amigos, mostrou que em uma faculdade de Direito pode se aprender muito mais do que Direito. Aqui se aprendeu a pensar, questionar de forma inteligente, escrever, falar, ou seja, a de exercer a sua liberdade de expressão e pensamento, que é a base de todas as outras liberdades e valores que carregamos em nossa civilização ocidental.

Aqui se aprendeu sobre Ética. E aqui, na qualidade de educador, que exerço pela última vez, em frente de meus mais brilhantes alunos de minha carreira acadêmica que aqui, nesta cerimônia, se finda, sinto que devo falar do assunto. Lemos um artigo em sala de aula sobre ética onde o brilhante Jung dizia: “Nada pode livrar-nos de um diário tormento ético”. Meus caros, é preciso saber que vitória e plena justiça nem sempre são possíveis. Vocês viverão este dilema em suas vidas profissionais. A vida tem essa contradição. Muitas vezes surgirá a questão: permanecer com os valores morais ao preço de ser derrotado ou passar por cima de critérios éticos e atirar-se a vencer de qualquer maneira.

Meus caros pais aqui presentes. Esta turma passou por esta provação...e já sabe o caminho. Colocada a prova, escolheu a honradez. (vocês me orgulham)

Em um país tão solapado pelo assassinato diário ética, desde o parlamentar até o flanelinha, estes alunos encontraram resposta e me emocionei. Esta turma foi chamada a entregar sua alma aos algozes que, arbitrariamente, usaram seu último segundo de poder para intimidá-los. Alguém achou que a honra destes bravos alunos estava a venda. Não estava.

Quando chamada a se incriminar, reagiu. Quando humilhada, se levantou. Quando encontrou a força descomunal do poder com o ímpeto de ceifar seus sonhos acadêmicos, usou a verdade para se defender, usou a ética para responder e a solidariedade, que empresta de forma digna o nome a essa turma, para vencer. Vocês me enchem de orgulho.

Vocês venceram, naquele momento, na reta final, o grande desafio da vida. Deram o primeiro grande passo para caminhar de cabeça erguida, olhar seus filhos, pais, irmãos e amigos nos olhos com uma certeza: Vocês ensinaram que é possível juntar justiça, verdade e vitória em um elemento único.

Lembro todos presentes nesta cerimônia o que esta turma ensinou aos seus algozes e serve de aprendizado para todos nós: ninguém pode ser punido sem direito ao contraditório e a ampla defesa. Nenhum delito impossível, como lembrou o saudoso Mário Covas, pode ser capaz de ceifar a liberdade e o Direito.

E agora bacharéis, quando questionados pela ironia da tirania, pelos oportunistas de plantão, não hesitem em usar o Direito e a verdade em sua defesa, pois ela garante a sua liberdade.

Lembro, por fim, aos seus algozes, a lição de Affonso Arinos, perdida na memória daqueles que esqueceram o juramento vocês estão prestes a fazer: “Justiça é a noção de limitação de poder”.

Universidade não é comércio, Universidade é lugar de pesquisa, de seriedade. Forçar nossos alunos a trocar o tema de pesquisa ao fim do curso é desperdiçar o talento destes brilhantes alunos, é arrancar seus sonhos. Em qualquer Universidade séria deste mundo, e aqui fala um professor que passou por Harvard, o aluno possui liberdade para escolher seu orientador. Lembrem-se que o Brasil não é um grande país quando se fala sobre educação. Dentre as 100 melhores universidades das Américas, existe apenas uma brasileira, a USP. Das 500 melhores universidades do mundo, apenas 4 brasileiras: USP, Unicamp, UFRJ e Unesp. Talvez seja por isso que nunca tivemos um Nobel, nem o da Paz, que não exige pesquisa alguma. Vocês têm muito trabalho pela frente.

Mas as portas se abrem para aqueles que fazem aquilo que gostam. Para realizar, a cada dia, aquilo que gostamos, é preciso conhecer a si próprio. “Por vezes caímos moralmente doentes, porque costumamos dizer coisas diferentes daquilo que pensamos”, lembrou Vaclav Havel. Sejam autênticos, não temam buscar riqueza, pois ela será resultado do teu trabalho. Não tenham medo de não concordar com a maioria – pois vocês estão além das opiniões correntes e comuns. Chegou a hora de vocês criarem opinião, superarem barreiras, derrubarem teses, desenvolver a humanidade. É hora de criticar, é hora de mudar e em breve será o momento de liderar. Estejam preparados para isso.

Vocês são extremamente inteligentes, por isso lembrem-se da dica recebida por Winston Churchill, ainda jovem deputado, depois de seu primeiro discurso na Câmara dos Comuns: “Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta”.

E antes de vestirem, por vezes enfadonhos ternos que muitas vezes servem simplesmente para esconder inseguranças e transparecer prepotência e arrogância, vistam o manto da Ética. Somente aqueles que vestem o manto da ética são dignos de exercer qualquer profissão. Está, a partir deste momento, nas mãos de vocês, iniciar a mudança, consolidar valores, sedimentar um futuro sem os vícios dos hipócritas que já cruzaram o teu caminho.

E para não fugir do Direito, como complemento, lembro de uma frase de Ruy Barbosa: "Há tantos burros mandando em homens de inteligência que às vezes fico pensando que a burrice é uma Ciência".

Meus queridos alunos, vocês fizeram da minha docência um sacerdócio, algo que fiz com prazer e amor. Não poderia escolher melhor momento para me retirar do que aquele em que vocês entram em cena. É a transição natural da vida. Durante os meses que passamos juntos senti o raro prazer da reciprocidade, do carinho, da amizade, do respeito, do amor. Vocês foram minha cachaça, vocês foram minha consolação. Carregarei para sempre cada um de vocês no coração. Saio completo e realizado. Aqui fica meu muito obrigado.

Certo do pleno sucesso da turma “Cidadania e Solidariedade”, ou “Só o Caput”, para os mais íntimos, deixo aqui uma certeza: Esta turma é a essência do que devemos buscar como a Nova Justiça do Século XXI. Que o mundo os escute e abra passagem.

E agora que o Professor colorado de vocês conquistou a América, chegou a hora de vocês conquistarem o mundo.

Neste momento que significa renovação e mudança, prestemos ao Deus todo poderoso nosso agradecimento, implorando sua benção e ajuda para que realizemos seu trabalho aqui na Terra com paz interior. Sigam adiante defendendo a liberdade e tudo o que é bom e justo em nosso mundo.

Muito obrigado.

Prof. Márcio Chalegre Coimbra

Paraninfo

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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