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01 Abr 2004

Aniversário da Revolução

Escrito por 

Comemorar a Revolução de 31 de março de 1964 é evocar um dos momentos de grande lucidez da nossa história.

Éramos felizes e não sabíamos: nunca o bordão pôde ser utilizado com tanta propriedade quanto agora. Comemorar a Revolução de 31 de março de 1964 é evocar um dos momentos de grande lucidez da nossa história. Homens íntegros e de grande discernimento fizeram das armas o instrumento para manter a paz social e derrotar o inimigo infiltrado, para a felicidade das gerações que viriam.

Por muito pouco o Brasil escapou de ser uma imensa Cuba meridional.

Eu tinha então cinco anos de idade e só lembro dos elogios que meu pai fazia à virilidade dos comandantes, que impunham a ordem. Depois, quando veio a luta armada subversiva, para depor o regime militar, pouco me recordo. Em 1970 tinha então 11 anos e vivia um tempo pessoal e familiar muito difícil e as coisas da política eram então distantes e alheias ao meu interesse. Em 1974, já em São Paulo, vi eleger Orestes Quércia na onda de protestos oposicionistas, que só muito tempo depois descobri ter sido, em grande parte, obra da ação gramsciana nos órgão de imprensa. Em 1975, assisti o clamor que a esquerda fez por Manuel Fiel Filho e Valdimir Herzog. Jamais esquecerei o memorável culto ecumênico que o Cardeal Arns celebrou na Catedral da Sé. Veio o tempo da universidade e, claro, lá estava eu de bandeira vermelha na mão. Fiz da minha casa a sede de um núcleo do PT. Era o perfeito imbecil coletivo e não sabia.

Mal sabia eu que lutava contra mim mesmo e, feito fantoche, carregava a bandeira da mentira, a mesma mentira que elegeu Lula Lá. Como tantos jovens de minha geração, tive a minha alma seqüestrada, querendo dizer com isso que tive a minha capacidade de discernimento apequenada pela mentira e pela manipulação. Lembro de um antigo colega de trabalho que me emprestava os livros de Lênin, encapados, e pedia que deles cuidasse e que não deixasse ninguém ver, pois eram livros perigosos. Como lembro das longas horas de leitura em que tentava ser um verdadeiro revolucionário, mas faltava algo no quebra-cabeças que me deixava inquieto: mal sabia eu que simplesmente faltava a verdade.

Veio a Anistia e o retorno dos exilados. Na primeira reunião política de Genuíno, o presidente do PT, depois do exílio, lá estava eu, ouvindo as supostamente sábias palavras do herói. Nem eram sábias as palavras e nem sábio o homem, que também não era nenhum herói. Tratava-se apenas de um traidor da pátria que tomou armas contra a própria Nação, a mando de potências estrangeiras. Mas lá estava eu, guri de dezenove anos, doido para imitar o homem.

Vieram os comícios pelas Diretas Já. Na Sé, envergando formidável bandeira do PT, ouvi os líderes discursarem no palanque e como vaiei com gosto Leonel Brizola, que para nós do PT era um traidor social-democrata, expressão que equivalia a um xingamento. O acerto para fazer Tancredo presidente, via Colégio Eleitoral, provou uma grande infelicidade e eu não podia me conformar. Era como trair a sacrossanta democracia porque tanto lutávamos.

De lá para cá, foi o desacerto só, com a crescente tomada dos aparelhos de Estado pela vanguarda revolucionária que tomou armas contra o Brasil nos anos sessenta. Alguns deles hoje são poderosos ministros. A falsa lição é que vale a pena abraçar a bandeira da mentira, pois é o caminho mais curto para o poder. E por que falsa? Porque um poder formado assim não se sustenta, tropeça nas próprias mentiras e nas próprias falsas promessas. FHC, por exemplo, um dos líderes contra o regime militar, governou oito anos, mas o fez aderindo aos princípios da ordem, ainda que não tenha hesitado em praticar seu viés socialista, especialmente no que tange à elevação dos impostos, que o socialismo se resume apenas nisso: em escravizar quem trabalha para bancar a boa vida dos vadios. E agora o Lula Lá, a antípoda dos revolucionários de 1964, mentindo para se eleger e governando sob o signo da mentira.

Lula no poder é a derrota completa dos ideais da Revolução de 1964.

É como se tivéssemos voltado ao ponto de partida, é como se 1964 não tivesse existido. É como se tivesse criado um vácuo histórico. O mal não foi extirpado e as muitas cabeças da hidra brotaram novamente, devorando quem aparece no seu caminho.

Cadê a progênie dos grandes homens de outrora? Cadê o senso de perigo que levou a Nação a se levantar em armas, combatendo o bom combate? Por onde anda a disposição para o sacrifício heróico? Meus amigos, penso que essas pessoas estão por aí, dispersas, à espera do tempo devido.

Saúdo 31 de março de 1964, seus líderes, seus heróis. Saúdo os salvadores da Pátria.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 21:34
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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