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07 Jun 2006

Contra-Ponto Sem Ponto

Escrito por 
Estava recentemente a reler a obra “O Crepúsculo dos Ídolos” do filósofo alemão Friedrich Nietzsche e, como sempre, este poeta filosofante conseguiu o que praticamente sempre consegue com esse seu leitor teimoso: suscitar algumas reflexões sobre a desventura humana abaixo da linha do equador.

Estava recentemente a reler a obra “O Crepúsculo dos Ídolos” do filósofo alemão Friedrich Nietzsche e, como sempre, este poeta filosofante conseguiu o que praticamente sempre consegue com esse seu leitor teimoso: suscitar algumas reflexões sobre a desventura humana abaixo da linha do equador.

O ser humano moderno, o brazuca em especial, é cotidianamente atingido por mordazes golpes de martelo que, em cheio, vão gradativamente moldando a sua capacidade cognitiva, tolhendo o seu olhar frente a realidade vivida, frente a vida dissimulada em um simulacro apelidado de realidade. Tais golpes nos são dirigidos através de nosso sistema educacional ideologicamente constituído, de nossas mídias desinformantes e sorumbáticas e, acima de tudo, de nossa congênita predileção pelo que é-nos fácil e que, no caso, é a acomodação frente ao que aparentemente é incompreensível por temermos ser chamados de burros e, por isso, em muitos casos, preferimos dissimular um pseudo-entendimento para assim acobertar de maneira canhestra a nossa criancice existencial.

Machado de Assis realizou um diagnóstico sobre a nossa maneira brasileira de representar o humano com seus personagens cafajestes e canalhas, principalmente quando esse em seus contos, através da boca de seus personagens afirma que no Brasil fingir é fundamental e que, a verdade (pobre indigente), seria apenas conveniente. E não nos portamos mediocremente assim? Quando nada sabemos fingimos magistralmente tudo entender para melhor iludir os que nada sabem e que, também, fingem que é uma maravilha.

Trocando por dorso, podemos afirmar, mesmo que de modo inconveniente, que o princípio de equilibração apontado por Jean Piaget (perdoe-me mestre pela tosca síntese) seria magicamente desdenhado, pelo menos no caso de nós, brasileiros. Segundo Piaget, todo ser humano seria dotado deste princípio que moveria sempre o indivíduo a procurar um equilíbrio entre o que fora apreendido e processado pela sua capacidade cognitiva e o mundo perceptível a sua volta. Toda vez que um dado novo fosse captado, o indivíduo entraria em uma espécie de “desequilíbrio intelectivo” o que forçaria o elemento a novamente encontrar o seu ponto de equilibração através da compreensão do que lhe foi informado e o tirou de seu estado de “harmonia”. Tal processo iniciaria, a grosso modo, com a singela pergunta: o que é isso? E seguido de uma devida investigação.

E nós, o que fazemos quando estamos diante de informações que nos parecem aparentemente incompreensíveis? Não sei como, mas muitas vezes conseguimos dissimular um “claro” entendimento da situação sem compreender absolutamente nada do que se trata. E pior! Não sei como conseguimos argumentar e dialogar com os sujeitos supostamente informados sobre o dito assunto e fingir uma medonha seriedade no diálogo travado. Pode uma coisa desta? É de morrer!

Exemplo deste tipo de comportamento do homo brasilienses, que pode ser mencionado, foi a forma como nós processamos os atentados perpetrados pelo PCC em conexão com outros movimentos sociais. Inúmeros policiais foram assassinados através de uma ação sincronizada com altíssimo grau de organização e nós, enquanto sociedade, demonstramos um pacato sentimento de normalidade.

Dio Santo! Como continuarmos a tratar uma situação destas como sendo “normal” sabendo que, meses atrás um dos líderes do PCC, em gravação transcrita na revista Veja, confessou que o ministro da Justiça, o senhor Márcio Thomaz Bastos, havia ajudado a organização a obter o apoio do MST e este, até hoje, continua a ocupar o referido cargo com direito a todos os louros que cabem a seu ocupante. Minha burrice congênita não se cala e com um bagual em um baita um coice me pergunta: será que não há nada de errado nesta história toda? Um néscio normal (pelo menos penso que sou um ignaro deste tipo) faria essa pergunta para ter uma visão mais clara sobre o que está ocorrendo, mesmo que a resposta não lhe traga a paz desejada.

Outra informação que seria interessante articular com o atual cenário para podermos, pelo menos, levantarmos algumas questões que poderiam nos tirar dessa torpeza voluntária é a declaração dada pelo senhor Olivério Medina, de que havia ele trazido 5 milhões de dólares doados pelas FARC para a campanha eleitoreira do PT que, ao que parece, de modo algum suscitou alguma indagação que fosse na cívica e inerme massa ignara.

Não podemos também nos esquecer da resistência da governança petista em reconhecer que este grupo, as FARC, pelo que são: um grupo terrorista. Tal postura se explica pelo fato de que ambos integram a mesma organização continental de caráter revolucionário que é o Foro de São Paulo. Bingo! Essa seria uma outra perguntinha interessante para indagarmos e nos incomodarmos: o que é essa dita organização e qual o reflexo de suas ações na América Latina e, em especial, em nosso país? Alias, será que o fato de o partido governista hodierno ser um dos fundadores desta organização não implica em nada nas atuais atitudes de nosso Presidente em relação as “irmãs” Argentina e Bolívia que atualmente são governadas por outros dois membros do referido Foro?

É, bem que Nietzsche, com suas causticas palavras tinha razão na obra citada no início deste libelo quando afirmava que: “Aquele que não sabe dispor sua vontade nas coisas quer ao menos atribuir-lhes um sentido: o que faz acreditar que já existe uma vontade nelas”. Se os atuais fatos nos fogem a compreensão e nossa vontade para refletir sobre eles é nula, então continuemos a desdenhá-los atribuindo-lhes um tosco significado como se tal atitude denotasse uma resolução do caso e, quando algo de maior envergadura vier à tona possamos nos confortar com a crença de que esse seria um golpe do destino e que nós não tínhamos como evitar nada disso. Tudo isso por termos fingido pensar através de um contra-ponto existente apenas em nossa imaginária compreensão da realidade que, sem ponto de referencia tudo pontua para assim nada de concreto apontar.

Estava recentemente a reler a obra “O Crepúsculo dos Ídolos” do filósofo alemão Friedrich Nietzsche e, como sempre, este poeta filosofante conseguiu o que praticamente sempre consegue com esse seu leitor teimoso: suscitar algumas reflexões sobre a desventura humana abaixo da linha do equador.

O ser humano moderno, o brazuca em especial, é cotidianamente atingido por mordazes golpes de martelo que, em cheio, vão gradativamente moldando a sua capacidade cognitiva, tolhendo o seu olhar frente a realidade vivida, frente a vida dissimulada em um simulacro apelidado de realidade. Tais golpes nos são dirigidos através de nosso sistema educacional ideologicamente constituído, de nossas mídias desinformantes e sorumbáticas e, acima de tudo, de nossa congênita predileção pelo que é-nos fácil e que, no caso, é a acomodação frente ao que aparentemente é incompreensível por temermos ser chamados de burros e, por isso, em muitos casos, preferimos dissimular um pseudo-entendimento para assim acobertar de maneira canhestra a nossa criancice existencial.

Machado de Assis realizou um diagnóstico sobre a nossa maneira brasileira de representar o humano com seus personagens cafajestes e canalhas, principalmente quando esse em seus contos, através da boca de seus personagens afirma que no Brasil fingir é fundamental e que, a verdade (pobre indigente), seria apenas conveniente. E não nos portamos mediocremente assim? Quando nada sabemos fingimos magistralmente tudo entender para melhor iludir os que nada sabem e que, também, fingem que é uma maravilha.

Trocando por dorso, podemos afirmar, mesmo que de modo inconveniente, que o princípio de equilibração apontado por Jean Piaget (perdoe-me mestre pela tosca síntese) seria magicamente desdenhado, pelo menos no caso de nós, brasileiros. Segundo Piaget, todo ser humano seria dotado deste princípio que moveria sempre o indivíduo a procurar um equilíbrio entre o que fora apreendido e processado pela sua capacidade cognitiva e o mundo perceptível a sua volta. Toda vez que um dado novo fosse captado, o indivíduo entraria em uma espécie de “desequilíbrio intelectivo” o que forçaria o elemento a novamente encontrar o seu ponto de equilibração através da compreensão do que lhe foi informado e o tirou de seu estado de “harmonia”. Tal processo iniciaria, a grosso modo, com a singela pergunta: o que é isso? E seguido de uma devida investigação.

E nós, o que fazemos quando estamos diante de informações que nos parecem aparentemente incompreensíveis? Não sei como, mas muitas vezes conseguimos dissimular um “claro” entendimento da situação sem compreender absolutamente nada do que se trata. E pior! Não sei como conseguimos argumentar e dialogar com os sujeitos supostamente informados sobre o dito assunto e fingir uma medonha seriedade no diálogo travado. Pode uma coisa desta? É de morrer!

Exemplo deste tipo de comportamento do homo brasilienses, que pode ser mencionado, foi a forma como nós processamos os atentados perpetrados pelo PCC em conexão com outros movimentos sociais. Inúmeros policiais foram assassinados através de uma ação sincronizada com altíssimo grau de organização e nós, enquanto sociedade, demonstramos um pacato sentimento de normalidade.

Dio Santo! Como continuarmos a tratar uma situação destas como sendo “normal” sabendo que, meses atrás um dos líderes do PCC, em gravação transcrita na revista Veja, confessou que o ministro da Justiça, o senhor Márcio Thomaz Bastos, havia ajudado a organização a obter o apoio do MST e este, até hoje, continua a ocupar o referido cargo com direito a todos os louros que cabem a seu ocupante. Minha burrice congênita não se cala e com um bagual em um baita um coice me pergunta: será que não há nada de errado nesta história toda? Um néscio normal (pelo menos penso que sou um ignaro deste tipo) faria essa pergunta para ter uma visão mais clara sobre o que está ocorrendo, mesmo que a resposta não lhe traga a paz desejada.

Outra informação que seria interessante articular com o atual cenário para podermos, pelo menos, levantarmos algumas questões que poderiam nos tirar dessa torpeza voluntária é a declaração dada pelo senhor Olivério Medina, de que havia ele trazido 5 milhões de dólares doados pelas FARC para a campanha eleitoreira do PT que, ao que parece, de modo algum suscitou alguma indagação que fosse na cívica e inerme massa ignara.

Não podemos também nos esquecer da resistência da governança petista em reconhecer que este grupo, as FARC, pelo que são: um grupo terrorista. Tal postura se explica pelo fato de que ambos integram a mesma organização continental de caráter revolucionário que é o Foro de São Paulo. Bingo! Essa seria uma outra perguntinha interessante para indagarmos e nos incomodarmos: o que é essa dita organização e qual o reflexo de suas ações na América Latina e, em especial, em nosso país? Alias, será que o fato de o partido governista hodierno ser um dos fundadores desta organização não implica em nada nas atuais atitudes de nosso Presidente em relação as “irmãs” Argentina e Bolívia que atualmente são governadas por outros dois membros do referido Foro?

É, bem que Nietzsche, com suas causticas palavras tinha razão na obra citada no início deste libelo quando afirmava que: “Aquele que não sabe dispor sua vontade nas coisas quer ao menos atribuir-lhes um sentido: o que faz acreditar que já existe uma vontade nelas”. Se os atuais fatos nos fogem a compreensão e nossa vontade para refletir sobre eles é nula, então continuemos a desdenhá-los atribuindo-lhes um tosco significado como se tal atitude denotasse uma resolução do caso e, quando algo de maior envergadura vier à tona possamos nos confortar com a crença de que esse seria um golpe do destino e que nós não tínhamos como evitar nada disso. Tudo isso por termos fingido pensar através de um contra-ponto existente apenas em nossa imaginária compreensão da realidade que, sem ponto de referencia tudo pontua para assim nada de concreto apontar.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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