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05 Jun 2004

A Tragédia e a Farsa

Escrito por 

Nosso Fome Zero desde o início só poderia ser tomado como a grande farsa que é, um esforço publicitário demagógico e insustentável que não engana nem mesmo os cabos eleitorais do PT.

Relendo o livro de Paul Johnson, Tempos Modernos, especialmente os seus capítulos 18 (“Tentativa de suicídio da América”) e 19 (“Os coletivistas nos anos 70”) é que me dei conta do tamanho do perigo por que passou todo o Ocidente àquela altura, e não estou falando de guerra nuclear. Os sucessivos governos, desde Kennedy, levaram a economia norte-americana para um beco sem saída, vez que os governantes não hesitaram em impingir idéias coletivistas que deixaram profundas feridas na economia mundial e, em particular, nos EUA. Quase destruíram a pujante economia de mercado, que era o esteio das potências ocidentais.

O tal programa Fome Zero (a quantas anda? A mídia parou de falar no assunto) é uma mera cópia da Lei de Oportunidades Iguais, editada pelo presidente Lyndon Johnson a 20 de agosto de 1964, pelo menos nas intenções declaradas. Dito do presidente, na ocasião: “Essa administração hoje, aqui e agora, declara guerra incondicional à pobreza”. E mais: “Hoje, pela primeira vez na história da raça humana, uma grande nação é capaz e está disposta a assumir um compromisso para erradicar a pobreza de seu povo”. Menos de vinte anos depois o governo Reagan teve a missão de debelar a inflação e corrigir algumas das decisões insensatas então tomadas, entre elas reduzindo a imensa carga tributária. Mas não se corrigem facilmente erros sucessivos cometidos ao longo de décadas. O desastre orçamentário e a supertributação reduziram a produtividade de trabalho e a economia daquele país entrou em declínio, a ponto de o dólar perder a paridade com o ouro e a inflação comprometer a liderança econômica e política dos EUA. Foi o que poderíamos chamar de tragédia.

Nem aquele rico país pôde abolir a lei da escassez. Como a nossos jecas ora governantes haveriam de fazê-lo por aqui? Nosso Fome Zero desde o início só poderia ser tomado como a grande farsa que é, um esforço publicitário demagógico e insustentável que não engana nem mesmo os cabos eleitorais do PT.  Essa lei nos EUA não veio sozinha, mas foi seguida por dezenas de outras que regulamentaram a atividade produtiva, encarecendo toda a matriz industrial. Em paralelo, a Suprema Corte passou também a legislar, fazendo dos EUA o paraíso dos advogados. O autor escreveu: “A animosidade dos tribunais foi dirigida particularmente contra os homens de negócios, notadamente quando o judiciário, por extensão do conceito de direitos civis, abraçou o princípio da ‘ação afirmativa’”. E acrescentou: “Uma crescente proporção dos recursos empresariais e de tempo dos executivos era dedicada à reação contra o litígio; nos anos 70, a América possuía quatro vezes mais advogados per capita do que a Alemanha Ocidental, e vinte vezes mais do que o Japão”.

Qualquer semelhança com o ocorre por aqui não é mera coincidência. A ideologia é a mesma. A diferença é que nosso ambiente institucional não permitirá facilmente a reversão das perversões legais e econômicas que estão sendo cometidas. Um Reagan por aqui é algo inimaginável dentro de um horizonte de tempo previsível.

O velho Marx teria se divertido, se vivo fosse, vendo esses fatos todos e escreveria a mesma frase constante no seu 18 Brumário. Era comunista mas não era burro e nem cego. A tribo tupiniquim tem uma irresistível tendência a macaquear o que dá errado pelo mundo, piorando tudo no processo. Infelizmente.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 20:27
José Nivaldo Cordeiro

José Nivaldo Cordeiro é economista e mestre em Administração de Empresas na FGV-SP. Cristão, liberal e democrata, acredita que o papel do Estado deve se cingir a garantia da ordem pública. Professa a idéia de que a liberdade, a riqueza e a prosperidade devem ser conquistadas mediante esforço pessoal, afastando coletivismos e a intervenção estatal nas vidas dos cidadãos.

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