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20 Mai 2006

Quem é esse tal de neoliberalismo?

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Os indivíduos mais odiados por serem apontados como os grandes responsáveis pelas desventuras de nosso país são os ditos liberais e, atualmente, os malditos neoliberais.
Os indivíduos mais odiados por serem apontados como os grandes responsáveis pelas desventuras de nosso país são os ditos liberais e, atualmente, os malditos neoliberais. Perfeito! Entretanto, o grande problema que encontro nesta percepção é que justamente não consigo encontrar os ditos liberais e neoliberais para trocar umas figurinhas. Inclusive entre meus amigos que são economistas por ofício. Os poucos que conheço são via web e, diga-se de passagem, bem poucos.
 
         Por isso me indago diuturnamente: se esses são os grandes responsáveis pela desgraça brasileira das duas uma: ou eles são poderosos demais que, mesmo estando distante das Potestades Estatais e Acadêmicas conseguem desgraçar o país todo ou então, a sociedade brasileira que é muito estúpida e consegue ser persuadida por uma minoria tão ínfima que nem tem o privilégio de ter disponibilizado nas estantes das universidades as suas principais obras em quantia similar às obras marxistas.
 
         Não, meus amigos. Não é nem a primeira e muito menos a segunda opção que responderia a nossa indagação. O problema é que temos aí o uso de um forte estratagema erístico para desviar o foco central da discussão. Estratagema este deveras eficiente que seria empregado do seguinte modo: cria-se um inimigo hipotético e projeta-se sobre ele as mais pesadas injúrias deste e de qualquer outro mundo “possível”. Criado o monstrengo hipotético, basta usar o termo que passou a significar toda a pecha de maldade sobre qualquer adversário real e teremos a transformação do indivíduo no referido monstrengo hipotético.
 
         Esse modo de atuação é claramente perceptível entre os grupelhos que estão a disputar o poder atualmente. Vejam só: o PSDB, partido com estreitas ligações com o Partido Socialista Francês e com o Partido Trabalhista Inglês é nominado como Neoliberal. Atualmente, o PT, partido ligado (e co-fundador) ao Foro de São Paulo, é rotulado pelos malucos do PSTU, PSOL, PCO, PDT e et caterva como sendo também neoliberal. Raios só porque um governo procura adotar uma política monetária austera não significa, necessariamente, que ele seja neoliberal. Se assim o fosse, até a China Comunista seria “neoquarquecoisa”, não é mesmo?
 
         Por isso, coloquemos nossos pés no chão e volvamos nossos olhos para o horizonte e não para as nuvens dos devaneios utópicos. Isso mesmo, vamos procurar refletir um pouco sobre a forma como esse estratagema malicioso é edificado. Alias, diga-se de passagem, a sacanagem epistemológica é tão grande que neste libelo procuraremos apenas apontar um dos muitos casos e que se instrui destruindo qualquer possibilidade de clara compreensão.
 
         Por isso, fiquemos apenas com uma das leituras, das muitas leituras, falaciosas da obra O CAMINHO DA SERVIDÃO de Friedrich A. Von Hayek. Tal leitura sacana se encontra no quarto volume do livro História Crítica de Mário Schmidt, destinado a crianças que estão a freqüentar o 8o. ano do Ensino Fundamental.
 
         Neste livro nós temos o excerto da obra “Pós-liberalismo. As políticas sociais e o Estado Democrático” organizada por Pablo Gentili e Emir Sader. O excerto em questão seria do capítulo “Balanço do Neoliberalismo” escrito por Perry Anderson que diz: “A chegada da grande crise do modelo econômico do pós-guerra, em 1973, quando todo mundo capitalista avançado caiu numa longa e profunda recessão, combinando, pela primeira vez, baixas taxas de crescimento com altas taxas de inflação, mudou todo. A partir daí as idéias liberais passaram a ganhar terreno. [...] As raízes da crise, alegava Hayek e seus companheiros, estavam localizadas no poder excessivo e nefasto dos sindicatos, [...] que haviam corroído as bases da acumulação capitalista com suas pressões reivindicativas sobre os salários e com sua pressão parasitária para que o Estado aumentasse cada vez mais os gastos sociais”.
 
         Pois bem, mas em nenhum momento é esclarecido por Perry Anderson ou por Mário Schmidt que os sindicados aos quais Hayek se referia eram os sindicatos Corporativistas e, mais especificamente, os sindicatos que serviam de base para partidos políticos como o Partido Nacional-socialista dos Trabalhadores da Alemanha (Nazista), o Partido Fascista e os Partidos Comunistas e não todo e qualquer sindicato.
 
Cabe também lembrarmos aqui que os sindicatos corporativistas não defendiam os interesses dos trabalhadores de um modo geral, mas sim, de determinados grupos de modo especial que acabava levando a uma supervalorização salarial de um determinado grupo em detrimento dos demais sem uma devida razão plausível que, acima de tudo, feria o princípio liberal de que todos devem ser tratados de modo igual perante a lei.
 
         Outro ponto que acreditamos ser salutar lembrar é o fato de que Hayek combatia gastos com programas assistenciais, ditos sociais, porque, em primeiro lugar, são um ótimo caminho para desviar recursos (corrupção em português bem claro). Em segundo lugar, são sempre recursos oriundos da tributação do setor produtivo (nós, trabalhadores, no caso) que perde forças para alavancar novos investimentos. Nos piores casos, gera-se expansão monetária que leva a nação a mergulhar em um funil inflacionário. A curto prazo, tais práticas são aparentemente ótimas. Uma maravilha! Todavia, em longo prazo, geram recessão, visto que, o bem-estar gerado fora propiciado sem haver o devido contra-ponto do crescimento econômico. Em terceiro lugar: os efeitos nefastos não seriam fruto dos sindicatos em si, mas sim, dos políticos populistas que estariam por traz deles.
 
E mais! Hayek escreveu todo isso na década de 40, mais especificamente em 1946 e tudo o que ele havia previsto em sua obra “O Caminho da Servidão” ocorreu, do mesmo modo que a sua teoria monetária exposta através do que ficou conhecido como os “Triângulos de Hayek”, demonstrada nos idos da década de 20 da centúria passada contra as teorias de Keynes, também. E isso sem falar da teoria das escolhas racionais. Aí também é pedir demais. Mas tudo isso meus caros, é omitido no texto de Anderson (seja no excerto ou no original). E pior! Coloca a sua teoria com sendo a responsável pela crise que se seguiu na década de 80 (a década perdida para nós brasileiros).
 
         Mas, as medidas “neoliberais” não ampliaram a recessão? Sim, pois para que se corrigisse a crise, para que a economia voltasse a patamares reais e, pensadores como ele não procuravam ser populista, mas sim, realistas, como todos nós, reris cidadãos, somos como as nossas finanças, coisa que nenhum populista é com a governança de uma nação.
 
         Dito isso, nos indagamos: se os referidos autores omitem tudo isso de sua obra que visão os seus leitores terão sobre o tal neoliberalismo? Uma visão excessivamente maniqueísta e doutrinária que, por essa mesma razão, o levará a cada vez menos conhecer o que seria a doutrina liberal. Mas, com toda certeza, irá vociferar contra a imagem distorcida que lhe foi inculcada desde tenra idade sem saber do que definitivamente se trata o objeto de sua injúria.
 
 
Os indivíduos mais odiados por serem apontados como os grandes responsáveis pelas desventuras de nosso país são os ditos liberais e, atualmente, os malditos neoliberais. Perfeito! Entretanto, o grande problema que encontro nesta percepção é que justamente não consigo encontrar os ditos liberais e neoliberais para trocar umas figurinhas. Inclusive entre meus amigos que são economistas por ofício. Os poucos que conheço são via web e, diga-se de passagem, bem poucos.
 
         Por isso me indago diuturnamente: se esses são os grandes responsáveis pela desgraça brasileira das duas uma: ou eles são poderosos demais que, mesmo estando distante das Potestades Estatais e Acadêmicas conseguem desgraçar o país todo ou então, a sociedade brasileira que é muito estúpida e consegue ser persuadida por uma minoria tão ínfima que nem tem o privilégio de ter disponibilizado nas estantes das universidades as suas principais obras em quantia similar às obras marxistas.
 
         Não, meus amigos. Não é nem a primeira e muito menos a segunda opção que responderia a nossa indagação. O problema é que temos aí o uso de um forte estratagema erístico para desviar o foco central da discussão. Estratagema este deveras eficiente que seria empregado do seguinte modo: cria-se um inimigo hipotético e projeta-se sobre ele as mais pesadas injúrias deste e de qualquer outro mundo “possível”. Criado o monstrengo hipotético, basta usar o termo que passou a significar toda a pecha de maldade sobre qualquer adversário real e teremos a transformação do indivíduo no referido monstrengo hipotético.
 
         Esse modo de atuação é claramente perceptível entre os grupelhos que estão a disputar o poder atualmente. Vejam só: o PSDB, partido com estreitas ligações com o Partido Socialista Francês e com o Partido Trabalhista Inglês é nominado como Neoliberal. Atualmente, o PT, partido ligado (e co-fundador) ao Foro de São Paulo, é rotulado pelos malucos do PSTU, PSOL, PCO, PDT e et caterva como sendo também neoliberal. Raios só porque um governo procura adotar uma política monetária austera não significa, necessariamente, que ele seja neoliberal. Se assim o fosse, até a China Comunista seria “neoquarquecoisa”, não é mesmo?
 
         Por isso, coloquemos nossos pés no chão e volvamos nossos olhos para o horizonte e não para as nuvens dos devaneios utópicos. Isso mesmo, vamos procurar refletir um pouco sobre a forma como esse estratagema malicioso é edificado. Alias, diga-se de passagem, a sacanagem epistemológica é tão grande que neste libelo procuraremos apenas apontar um dos muitos casos e que se instrui destruindo qualquer possibilidade de clara compreensão.
 
         Por isso, fiquemos apenas com uma das leituras, das muitas leituras, falaciosas da obra O CAMINHO DA SERVIDÃO de Friedrich A. Von Hayek. Tal leitura sacana se encontra no quarto volume do livro História Crítica de Mário Schmidt, destinado a crianças que estão a freqüentar o 8o. ano do Ensino Fundamental.
 
         Neste livro nós temos o excerto da obra “Pós-liberalismo. As políticas sociais e o Estado Democrático” organizada por Pablo Gentili e Emir Sader. O excerto em questão seria do capítulo “Balanço do Neoliberalismo” escrito por Perry Anderson que diz: “A chegada da grande crise do modelo econômico do pós-guerra, em 1973, quando todo mundo capitalista avançado caiu numa longa e profunda recessão, combinando, pela primeira vez, baixas taxas de crescimento com altas taxas de inflação, mudou todo. A partir daí as idéias liberais passaram a ganhar terreno. [...] As raízes da crise, alegava Hayek e seus companheiros, estavam localizadas no poder excessivo e nefasto dos sindicatos, [...] que haviam corroído as bases da acumulação capitalista com suas pressões reivindicativas sobre os salários e com sua pressão parasitária para que o Estado aumentasse cada vez mais os gastos sociais”.
 
         Pois bem, mas em nenhum momento é esclarecido por Perry Anderson ou por Mário Schmidt que os sindicados aos quais Hayek se referia eram os sindicatos Corporativistas e, mais especificamente, os sindicatos que serviam de base para partidos políticos como o Partido Nacional-socialista dos Trabalhadores da Alemanha (Nazista), o Partido Fascista e os Partidos Comunistas e não todo e qualquer sindicato.
 
Cabe também lembrarmos aqui que os sindicatos corporativistas não defendiam os interesses dos trabalhadores de um modo geral, mas sim, de determinados grupos de modo especial que acabava levando a uma supervalorização salarial de um determinado grupo em detrimento dos demais sem uma devida razão plausível que, acima de tudo, feria o princípio liberal de que todos devem ser tratados de modo igual perante a lei.
 
         Outro ponto que acreditamos ser salutar lembrar é o fato de que Hayek combatia gastos com programas assistenciais, ditos sociais, porque, em primeiro lugar, são um ótimo caminho para desviar recursos (corrupção em português bem claro). Em segundo lugar, são sempre recursos oriundos da tributação do setor produtivo (nós, trabalhadores, no caso) que perde forças para alavancar novos investimentos. Nos piores casos, gera-se expansão monetária que leva a nação a mergulhar em um funil inflacionário. A curto prazo, tais práticas são aparentemente ótimas. Uma maravilha! Todavia, em longo prazo, geram recessão, visto que, o bem-estar gerado fora propiciado sem haver o devido contra-ponto do crescimento econômico. Em terceiro lugar: os efeitos nefastos não seriam fruto dos sindicatos em si, mas sim, dos políticos populistas que estariam por traz deles.
 
E mais! Hayek escreveu todo isso na década de 40, mais especificamente em 1946 e tudo o que ele havia previsto em sua obra “O Caminho da Servidão” ocorreu, do mesmo modo que a sua teoria monetária exposta através do que ficou conhecido como os “Triângulos de Hayek”, demonstrada nos idos da década de 20 da centúria passada contra as teorias de Keynes, também. E isso sem falar da teoria das escolhas racionais. Aí também é pedir demais. Mas tudo isso meus caros, é omitido no texto de Anderson (seja no excerto ou no original). E pior! Coloca a sua teoria com sendo a responsável pela crise que se seguiu na década de 80 (a década perdida para nós brasileiros).
 
         Mas, as medidas “neoliberais” não ampliaram a recessão? Sim, pois para que se corrigisse a crise, para que a economia voltasse a patamares reais e, pensadores como ele não procuravam ser populista, mas sim, realistas, como todos nós, reris cidadãos, somos como as nossas finanças, coisa que nenhum populista é com a governança de uma nação.
 
         Dito isso, nos indagamos: se os referidos autores omitem tudo isso de sua obra que visão os seus leitores terão sobre o tal neoliberalismo? Uma visão excessivamente maniqueísta e doutrinária que, por essa mesma razão, o levará a cada vez menos conhecer o que seria a doutrina liberal. Mas, com toda certeza, irá vociferar contra a imagem distorcida que lhe foi inculcada desde tenra idade sem saber do que definitivamente se trata o objeto de sua injúria.
 
 
Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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