Qua10232019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

20 Mai 2006

Rios da Ignorância

Escrito por 
Acho difícil provar isto, mas tenho a impressão que há menos realmente “atingidos” por construções de infra-estrutura energética do que agricultores de fato dentro do MST.
Tenho andado pelas universidades estatais deste país só sondando... E algo que me chamou a atenção foi uma frase de camiseta onde se lia “pela descriminalização dos movimentos sociais”. O que significa, em bom português, não julguemos os “movimentos sociais”, ou melhor, socialistas, pela lei. Criemos um regime especial para os mesmos. Em suma, descriminalizemos os criminosos! Em um país que passou por reino, império, república velha, estado novo, regime militar, nova república etc., mas os direitos ainda têm exceções como prisão especial para quem tem algum curso de graduação, nada como adapta-los ao novo contexto “politicamente correto”, segundo preceitos chavistas, claro.
 
Entre os inúmeros movimentos “sociais” que nossos participativos estudantes pretendem salvar, está o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), associação que apresenta nítidas ligações com o MST. Acho difícil provar isto, mas tenho a impressão que há menos realmente “atingidos” por construções de infra-estrutura energética do que agricultores de fato dentro do MST. E olhe que superar a farsa do MST não é fácil...
 
Onde quer que haja no Brasil de hoje, estacas fincadas indicando uma futura usina hidroelétrica já pode se avistar lonas de membros do MAB que indicavam (!) ali existirem residentes. Como? Não sei, talvez como alguma entidade da mitologia indígena às margens dos rios. Já que estamos no reino da imaginação, imaginemos um país onde haja um déficit energético em andamento, ou melhor, a galope. E este mesmo país tem um modelo econômico que afasta o capital externo e interno produtivos, especialmente os de longo prazo. Como se não bastasse nossa paquidérmica carga tributária que bloqueiam incentivos à construção de hidroelétricas, grupos ambientalistas procuram, na justiça, embargar a obra acusando falta de Estudo de Impacto do Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto do Meio Ambiente (RIMA). Tais estudos necessários, diga-se de passagem, são feitos e, por vezes, comprova-se que a obra pode continuar. Não satisfeitos com resultados positivos, grupos ambientalistas, o MAB e afins invadem o local da usina ou a sede da empresa responsável pela obra.
 
O ato seguinte conta com a participação de uma suposta organização internacional que diz representar interesses e regular conflitos internacionais intervindo para protestar contra quem foi preso, mesmo cometendo assassinato.
 
No dia 17 de dezembro passado, Hina Jilani, relatora para defensores dos direitos humanos da ONU, visitou Santa Catarina. O motivo de sua visita foram as acusações de prisões dos integrantes do MAB que defende, entre outras causas, o ressarcimento dos moradores da área da construção de barragens. No caso, a UHE de Campos Novos em SC. Em 12 de novembro passado, 500 ativistas do MAB ocuparam instalações de outra hidroelétrica, a de Manso no Rio Cuiabá. A sua retórica em prol dos direitos humanos não se estende como deveria aos funcionários da empresa construtora, que foram mantidos por 48 horas pelo MAB. Em maio de 2002, outra tentativa de invasão da usina em construção levou a morte de um vigia. O disparo foi dado com o revólver da vítima por um integrante do MAB e ex-PM! Aí, não há solidariedade da ONU aos familiares da vítima. Mas, a Relatoria Nacional para o Direito Humano ao Meio Ambiente da ONU acusa a construção da hidroelétrica de Manso como “genocídio cultural”.
 
Vejamos, 500 pessoas foram indenizadas pela construção da usina do grupo Enercan, mas outras 300 esperam por indenização. Isto é ou não é uma “indústria da indenização”, correlata a indústria do dano moral que acusa Josino Morais?
 
Diferente do “apagão ético e moral”, talvez o apagão energético demore um pouco a vir, dado o pífio crescimento de nossa economia. Para o governo, a redução de oferta não cria demanda, mas para os populares sem demanda devido à escassez de investimentos, não há relevância em ter ou não ter oferta. Com o freio de mão esgarçado, nossas metas inflacionárias ficam fáceis de ser alcançadas. Bom para a publicidade do “Brasil de tol... de todos”.
 
E nosso Ministério Público Federal (MPF), que mais parece uma sede petista no distrito federal, vai à justiça para impedir o prosseguimento de obras da usina a ser construída em território sagrado indígena. E o faz ancorado em argumentos de antropólogos indigenistas e ambientalistas. O mesmo tipo de ambientalistas que diz besteiras da grossa como a necessidade de preservar a “fauna marinha do rio Culuene”! Até o presente momento, eu não sabia que cardumes do oceano Atlântico pudessem viver em pleno sertão do Mato Grosso... será que peregrinaram de trem até Carajás e depois conseguiram carona? Ou algum profeta que disse que o sertão vai virar mar esqueceu de dizer que os rios do Centro-Oeste também fariam parte do Atlântico? Com este tipo de “argumento ecológico”, melhor chamar o Leonardo Boff e o Frei Betto para falarem de engenharia florestal...
 
A bem da verdade, para que serve este tipo de obstrução judicial? Nem para os antropólogos empenhados em preservar a cultura indígena, como se estes fossem incapazes de decidir qualquer coisa, ou para o MPF que não considera qualquer acordo satisfatório, a empresa Paranatinga doará recursos às tribos da região. Ao final das contas, tudo funciona como mais um imposto, só que informal. Para não dizer ilegal.
 
Por outro lado, não deveríamos substituir o domínio do Direito no Brasil pelo do “esquerdo”, uma vez que qualquer ação contra uma empresa tem um apreço muito maior? A usina de Corumbá IV, ao custo de R$ 600 milhões, cujas reservas são suficientes para assegurar água potável para 30 milhões de pessoas nos próximos 30 anos e energia para impedir cortes em pontos do DF, está impedida de ligar suas turbinas. A justiça federal de Goiás embarga a obra desde 2002. A alegação ambientalista é que a obra não suprirá a demanda por água. Ora, mas e o impacto ambiental que seria de sua alçada e interesse, o que dizem? O que importa é a utilização de qualquer argumento, mesmo com perda de foco, para se impedir o desenvolvimento econômico. O interesse implícito pode ser a estagnação do capitalismo brasileiro ou “apenas” mais um meio de subornar a empresa em questão. Afinal, tudo vale, estamos em ano de Copa do Mundo!
 
Aos trancos e barrancos ...secos, já que as usinas são impedidas de entrarem em operação, temos hoje um saldo negativo de 33 das 42 usinas hidroelétricas em construção no país dependendo de aprovação de órgãos públicos. O caso de Corumbá, o rio está correndo, pelo vertedouro. Sabe-se lá quando a obra for definitivamente aprovada, se não for acumulada água suficiente no período de seca, não haverá reservas suficientes.
 
E quando um membro de alguma ong, como o engenheiro da EcoData, Donizete Tokarski, disse em 1986 que poderia faltar água no DF em 2000, foi chamado de “louco”. O próprio IBGE e a Agência Reguladora de Águas e Saneamento do DF (Adasa), colocam o distrito como a terceira pior das unidades federativas quanto à disponibilidade hídrica por metro cúbico habitante/ano. Não se pode divergir, não se pode discordar... Se o fizeres, vais para um index dos irracionais, segundo o receituário ambientalista. Ou concordas que o problema não pode ser sanado por qualquer empresa em interação com o planejamento governamental ou és excluído dos sãos agraciados por mamãe Gaia.
 
Mas, não deixa de ser interessante observar que o Ibama não empaca qualquer obra. O gasoduto de 500 km da Bacia de Urucu explorado pela Petrobrás já foi assegurado. Será que tem algo a ver com o peso do sindicato dos petroleiros no governo Lula? Ou com qualquer ideologia corporativista endossada pela CUT? Será que toda ong de crédito tem que ser, no fundo no fundo, vermelhinha para ser tratada como séria?
 
Quando nem se averigua se os “atingidos pela barragem” são realmente moradores da região, qual a seriedade do MPF? Por testemunho? Como prová-lo, se não têm escritura de propriedades? Qual a credibilidade desses movimentos e, por extensão, do processo judicial? Sobradinho no São Francisco teve cerca de 25% de seu custo para realocar moradores em novos povoados. Mas, o mesmo não se deu em usinas no Rio Paraná. Eu sempre me perguntei sobre o porquê do tratamento diferenciado. Mais tarde vim a saber o óbvio: nem todos têm registro de propriedade, nem sequer habitavam a região. Apareceram depois, só pela indenização. É claro que cabe ao poder público não ceder, se o caso for de impropriedade. Mas, é justamente o contrário que ocorre.
 
Com este tipo de “consciência” ambiental, que não sabe sequer a diferença entre ambientes marinhos e fluviais, assim como a ação politiqueira de órgãos públicos, o tipo de ambientalismo que floresce no Brasil varonil é um saque ao nosso erário que financia ongs de interesses escusos e, cujos rios da discórdia não levam nem lavam sua ignorância embora deste continente para diluir num mar distante.
Tenho andado pelas universidades estatais deste país só sondando... E algo que me chamou a atenção foi uma frase de camiseta onde se lia “pela descriminalização dos movimentos sociais”. O que significa, em bom português, não julguemos os “movimentos sociais”, ou melhor, socialistas, pela lei. Criemos um regime especial para os mesmos. Em suma, descriminalizemos os criminosos! Em um país que passou por reino, império, república velha, estado novo, regime militar, nova república etc., mas os direitos ainda têm exceções como prisão especial para quem tem algum curso de graduação, nada como adapta-los ao novo contexto “politicamente correto”, segundo preceitos chavistas, claro.
 
Entre os inúmeros movimentos “sociais” que nossos participativos estudantes pretendem salvar, está o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), associação que apresenta nítidas ligações com o MST. Acho difícil provar isto, mas tenho a impressão que há menos realmente “atingidos” por construções de infra-estrutura energética do que agricultores de fato dentro do MST. E olhe que superar a farsa do MST não é fácil...
 
Onde quer que haja no Brasil de hoje, estacas fincadas indicando uma futura usina hidroelétrica já pode se avistar lonas de membros do MAB que indicavam (!) ali existirem residentes. Como? Não sei, talvez como alguma entidade da mitologia indígena às margens dos rios. Já que estamos no reino da imaginação, imaginemos um país onde haja um déficit energético em andamento, ou melhor, a galope. E este mesmo país tem um modelo econômico que afasta o capital externo e interno produtivos, especialmente os de longo prazo. Como se não bastasse nossa paquidérmica carga tributária que bloqueiam incentivos à construção de hidroelétricas, grupos ambientalistas procuram, na justiça, embargar a obra acusando falta de Estudo de Impacto do Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto do Meio Ambiente (RIMA). Tais estudos necessários, diga-se de passagem, são feitos e, por vezes, comprova-se que a obra pode continuar. Não satisfeitos com resultados positivos, grupos ambientalistas, o MAB e afins invadem o local da usina ou a sede da empresa responsável pela obra.
 
O ato seguinte conta com a participação de uma suposta organização internacional que diz representar interesses e regular conflitos internacionais intervindo para protestar contra quem foi preso, mesmo cometendo assassinato.
 
No dia 17 de dezembro passado, Hina Jilani, relatora para defensores dos direitos humanos da ONU, visitou Santa Catarina. O motivo de sua visita foram as acusações de prisões dos integrantes do MAB que defende, entre outras causas, o ressarcimento dos moradores da área da construção de barragens. No caso, a UHE de Campos Novos em SC. Em 12 de novembro passado, 500 ativistas do MAB ocuparam instalações de outra hidroelétrica, a de Manso no Rio Cuiabá. A sua retórica em prol dos direitos humanos não se estende como deveria aos funcionários da empresa construtora, que foram mantidos por 48 horas pelo MAB. Em maio de 2002, outra tentativa de invasão da usina em construção levou a morte de um vigia. O disparo foi dado com o revólver da vítima por um integrante do MAB e ex-PM! Aí, não há solidariedade da ONU aos familiares da vítima. Mas, a Relatoria Nacional para o Direito Humano ao Meio Ambiente da ONU acusa a construção da hidroelétrica de Manso como “genocídio cultural”.
 
Vejamos, 500 pessoas foram indenizadas pela construção da usina do grupo Enercan, mas outras 300 esperam por indenização. Isto é ou não é uma “indústria da indenização”, correlata a indústria do dano moral que acusa Josino Morais?
 
Diferente do “apagão ético e moral”, talvez o apagão energético demore um pouco a vir, dado o pífio crescimento de nossa economia. Para o governo, a redução de oferta não cria demanda, mas para os populares sem demanda devido à escassez de investimentos, não há relevância em ter ou não ter oferta. Com o freio de mão esgarçado, nossas metas inflacionárias ficam fáceis de ser alcançadas. Bom para a publicidade do “Brasil de tol... de todos”.
 
E nosso Ministério Público Federal (MPF), que mais parece uma sede petista no distrito federal, vai à justiça para impedir o prosseguimento de obras da usina a ser construída em território sagrado indígena. E o faz ancorado em argumentos de antropólogos indigenistas e ambientalistas. O mesmo tipo de ambientalistas que diz besteiras da grossa como a necessidade de preservar a “fauna marinha do rio Culuene”! Até o presente momento, eu não sabia que cardumes do oceano Atlântico pudessem viver em pleno sertão do Mato Grosso... será que peregrinaram de trem até Carajás e depois conseguiram carona? Ou algum profeta que disse que o sertão vai virar mar esqueceu de dizer que os rios do Centro-Oeste também fariam parte do Atlântico? Com este tipo de “argumento ecológico”, melhor chamar o Leonardo Boff e o Frei Betto para falarem de engenharia florestal...
 
A bem da verdade, para que serve este tipo de obstrução judicial? Nem para os antropólogos empenhados em preservar a cultura indígena, como se estes fossem incapazes de decidir qualquer coisa, ou para o MPF que não considera qualquer acordo satisfatório, a empresa Paranatinga doará recursos às tribos da região. Ao final das contas, tudo funciona como mais um imposto, só que informal. Para não dizer ilegal.
 
Por outro lado, não deveríamos substituir o domínio do Direito no Brasil pelo do “esquerdo”, uma vez que qualquer ação contra uma empresa tem um apreço muito maior? A usina de Corumbá IV, ao custo de R$ 600 milhões, cujas reservas são suficientes para assegurar água potável para 30 milhões de pessoas nos próximos 30 anos e energia para impedir cortes em pontos do DF, está impedida de ligar suas turbinas. A justiça federal de Goiás embarga a obra desde 2002. A alegação ambientalista é que a obra não suprirá a demanda por água. Ora, mas e o impacto ambiental que seria de sua alçada e interesse, o que dizem? O que importa é a utilização de qualquer argumento, mesmo com perda de foco, para se impedir o desenvolvimento econômico. O interesse implícito pode ser a estagnação do capitalismo brasileiro ou “apenas” mais um meio de subornar a empresa em questão. Afinal, tudo vale, estamos em ano de Copa do Mundo!
 
Aos trancos e barrancos ...secos, já que as usinas são impedidas de entrarem em operação, temos hoje um saldo negativo de 33 das 42 usinas hidroelétricas em construção no país dependendo de aprovação de órgãos públicos. O caso de Corumbá, o rio está correndo, pelo vertedouro. Sabe-se lá quando a obra for definitivamente aprovada, se não for acumulada água suficiente no período de seca, não haverá reservas suficientes.
 
E quando um membro de alguma ong, como o engenheiro da EcoData, Donizete Tokarski, disse em 1986 que poderia faltar água no DF em 2000, foi chamado de “louco”. O próprio IBGE e a Agência Reguladora de Águas e Saneamento do DF (Adasa), colocam o distrito como a terceira pior das unidades federativas quanto à disponibilidade hídrica por metro cúbico habitante/ano. Não se pode divergir, não se pode discordar... Se o fizeres, vais para um index dos irracionais, segundo o receituário ambientalista. Ou concordas que o problema não pode ser sanado por qualquer empresa em interação com o planejamento governamental ou és excluído dos sãos agraciados por mamãe Gaia.
 
Mas, não deixa de ser interessante observar que o Ibama não empaca qualquer obra. O gasoduto de 500 km da Bacia de Urucu explorado pela Petrobrás já foi assegurado. Será que tem algo a ver com o peso do sindicato dos petroleiros no governo Lula? Ou com qualquer ideologia corporativista endossada pela CUT? Será que toda ong de crédito tem que ser, no fundo no fundo, vermelhinha para ser tratada como séria?
 
Quando nem se averigua se os “atingidos pela barragem” são realmente moradores da região, qual a seriedade do MPF? Por testemunho? Como prová-lo, se não têm escritura de propriedades? Qual a credibilidade desses movimentos e, por extensão, do processo judicial? Sobradinho no São Francisco teve cerca de 25% de seu custo para realocar moradores em novos povoados. Mas, o mesmo não se deu em usinas no Rio Paraná. Eu sempre me perguntei sobre o porquê do tratamento diferenciado. Mais tarde vim a saber o óbvio: nem todos têm registro de propriedade, nem sequer habitavam a região. Apareceram depois, só pela indenização. É claro que cabe ao poder público não ceder, se o caso for de impropriedade. Mas, é justamente o contrário que ocorre.
 
Com este tipo de “consciência” ambiental, que não sabe sequer a diferença entre ambientes marinhos e fluviais, assim como a ação politiqueira de órgãos públicos, o tipo de ambientalismo que floresce no Brasil varonil é um saque ao nosso erário que financia ongs de interesses escusos e, cujos rios da discórdia não levam nem lavam sua ignorância embora deste continente para diluir num mar distante.
Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.