Sex11222019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

26 Abr 2006

Educar Para...

Escrito por 
Alias, se esse seria o intento de nosso sistema educacional não é estranho que a educação básica seja compulsória mesmo que o seu real acesso não seja universal?

As instituições de ensino atualmente estão sendo incumbidas de tarefas literalmente hercúleas. Tarefas essas que, via de regra, não são só impossíveis de serem cumpridas por elas, mas que, em momento algum, deveriam ter sido atribuídas a elas.

Uma dessas tantas tarefas atribuídas às instituições de ensino é a de “libertar as mentes” dos indivíduos para que eles venham a se tornar “livres pensadores”, pessoas com um “senso-crítico” aguçado e provocador. A intenção, aparentemente é deveras benevolente, mas apenas em aparência e não mais que isso e lhes apontamos o porquê desta nossa afirmação. Libertar o indivíduo de que e para que?

A pergunta é simples e talvez por isso incomode tanto e por esse mesmo motivo seja tão desdenhada. Incomoda pelo fato de termos em nossa nação a troca de uma doutrinação ideológica por outra que, na maioria dos casos, é mais perversa que a primeira. Mas, essa segunda forma de doutrinação se apresenta de forma mais elegante por ter maior número de porta vozes junto ao corpo docente e, por isso, passa a ser tratada como “teoria de ensino-aprendizagem” e não “teoria de manipulação de massas”. Essa segunda agrada o educador-doutrinador e por isso o mesmo entende essa nova escravidão por libertação ou, se preferirmos, pelo fato do doutrinador ver nessa nova alienação da realidade vivida uma expressão mais decantada da dita e escarrada “consciência crítica”. Que nojo!

Ideologia, meus caros, não se combate com contra-ideologia, mas sim, com ilustração, muito estudo e reflexão. Não se acaba com manipulação de massa com outra forma de manipulação, visto que, a única coisa que se troca é a coleira de cão servil e nada mais que isso. Para uma legítima e sincera libertação do intelecto ser ensejada, as instituições de ensino, de um modo geral, não mais devem se ver como entidades libertadoras. Chega das falácias, pois, em muitos casos, nós sabemos que elas são literalmente o inverso.

Por exemplo: o que se entende pela dita consciência crítica nos dias atuais? Nada mais que um decorar mal “frojado” de alguns slogans politicamente corretos ou a assimilação de alguns trejeitos da mesma ordem como se a repetição destes fosse sinalizar que esses indivíduos seriam superiores aos demais. Como se um elemento só pelo fato de proclamar-se a favor da “paz”, ou defensor do “desarmamento” da sociedade civil, ou dizer que em algum momento da vida leu “O manifesto do Partido comunista de 1848”, ou que é contra a dita ALCA, etc., em si, denotasse alguma inteligência superior. Se assim o fosse todo papagaio poderia ser muito bem candidato a mente bem pensante.

O caminho para a liberdade intelectual pode até ser apontado por uma instituição de ensino e até mesmo por uma entidade doutrinadora, porém, nunca estas lhes poderão ofertar a liberdade de pensamento enquanto um de seus regalos. A liberdade é antes de tudo uma ânsia, um clamar individual e não uma promoção de bazar de roupas usadas ou novas. Se este, o clamor pela liberdade, não é cultivado pelo indivíduo, tudo o mais, de antemão, se encontrará fadado ao servilismo como são os casos apontados nas linhas acima e claramente visíveis em nossa sociedade para aqueles que realmente usarem os olhos para observar e analisar a realidade.

Como podemos afirmar que uma pessoa realmente está sendo iniciada no labor do livre pensar, sendo que, boa parte de nós segue sempre o caminho mais cômodo para podermos desenvolver um parecer sobre algum assunto? Nem falemos dos adultos porque esses são muito chatos e cheios de si. Iniciemos pelas pesquisas escolares: o que são a maioria delas senão uma cópia literal de um e outro verbete da Enciclopédia Britânica ou do Almanaque Abril? Raios! Que fome é essa por saber sendo que os mancebos simplesmente realizam cópias chulas e nada meditadas de textos pouco compreendidos?

Provavelmente similar a fome por saber de muitos “educadores” que partiram para realização de uma especialização e lá chegando são incapazes de fazer um trabalho e muito menos mostram-se aptos a fazer uma monografia recorrendo, muitas vezes, de maneira mais que indigna, para o mercado negro dos trabalhos acadêmicos. E, serão esses mesmos elementos que irão falar da dita necessidade de (de)formarmos livres pensadores e que os nossos egressos são indivíduos tomados até os gorgomilos pela desídia.

De um modo geral e muito claro para todo aquele que procura alimentar a suas almas com uma visão sincera da realidade, o que temos hoje em termos de educação, em um nível muito mais elevado do que em outros tempos e de maneira gritante frente a tolerância do bom senso é uma grande encenação, cínica e medíocre, onde todos nós, enquanto sociedade, fingimos estar preocupados com a educação fingindo que sabemos algo e nos indignando com os que, sinceramente, não querem aprender nada e, por isso, fingem, mal, aprender, para assim nos agradar e fazer-nos sentir aliviados diante do fracasso da nossa experiência societal.

Diante disso, julgamos ser basilar a indagação que fizemos linhas atrás: se hoje tanto se fala em educar para libertar seria mais do que plausível indagar-se de quais grilhões temos o intento de livrar as gerações de idade mais tenra. De que e pra que? Alias, se esse seria o intento de nosso sistema educacional não é estranho que a educação básica seja compulsória mesmo que o seu real acesso não seja universarl.

Tais indagações, para realmente terem o devido aprofundamento, devem ser ensaiadas, meditadas e refletidas não só por agentes que atuam diretamente em instituições de ensino, mas sim, por todas as pessoas, principalmente pelos pais e alunos que estão no meio deste angu de caroços burocráticos em uma miscelânea com o fingimento e desdém crônico que nos domina e assombra. Se não for assim, continuaremos a relegar essa responsabilidade para as pessoas que são incumbidas pelos nossos governantes e, creio eu, responsabilidade deste tamanho não deveria ser jamais relegada a um pequeno grupo de pessoas. Alias, a nosso ver, quando lavamos nossas mãos diante das grandes questões que afetam a nossa sociedade, acabamos sempre relegando a resolução das mesmas questões para as pessoas menos preparadas e menos dignas para tratarem de tal questão, tamanha nossa indignidade frente a nossa desqualificada condição de dito cidadão que, tão só nos comprometemos com nossos colossais umbigos.

As instituições de ensino atualmente estão sendo incumbidas de tarefas literalmente hercúleas. Tarefas essas que, via de regra, não são só impossíveis de serem cumpridas por elas, mas que, em momento algum, deveriam ter sido atribuídas a elas.

Uma dessas tantas tarefas atribuídas às instituições de ensino é a de “libertar as mentes” dos indivíduos para que eles venham a se tornar “livres pensadores”, pessoas com um “senso-crítico” aguçado e provocador. A intenção, aparentemente é deveras benevolente, mas apenas em aparência e não mais que isso e lhes apontamos o porquê desta nossa afirmação. Libertar o indivíduo de que e para que?

A pergunta é simples e talvez por isso incomode tanto e por esse mesmo motivo seja tão desdenhada. Incomoda pelo fato de termos em nossa nação a troca de uma doutrinação ideológica por outra que, na maioria dos casos, é mais perversa que a primeira. Mas, essa segunda forma de doutrinação se apresenta de forma mais elegante por ter maior número de porta vozes junto ao corpo docente e, por isso, passa a ser tratada como “teoria de ensino-aprendizagem” e não “teoria de manipulação de massas”. Essa segunda agrada o educador-doutrinador e por isso o mesmo entende essa nova escravidão por libertação ou, se preferirmos, pelo fato do doutrinador ver nessa nova alienação da realidade vivida uma expressão mais decantada da dita e escarrada “consciência crítica”. Que nojo!

Ideologia, meus caros, não se combate com contra-ideologia, mas sim, com ilustração, muito estudo e reflexão. Não se acaba com manipulação de massa com outra forma de manipulação, visto que, a única coisa que se troca é a coleira de cão servil e nada mais que isso. Para uma legítima e sincera libertação do intelecto ser ensejada, as instituições de ensino, de um modo geral, não mais devem se ver como entidades libertadoras. Chega das falácias, pois, em muitos casos, nós sabemos que elas são literalmente o inverso.

Por exemplo: o que se entende pela dita consciência crítica nos dias atuais? Nada mais que um decorar mal “frojado” de alguns slogans politicamente corretos ou a assimilação de alguns trejeitos da mesma ordem como se a repetição destes fosse sinalizar que esses indivíduos seriam superiores aos demais. Como se um elemento só pelo fato de proclamar-se a favor da “paz”, ou defensor do “desarmamento” da sociedade civil, ou dizer que em algum momento da vida leu “O manifesto do Partido comunista de 1848”, ou que é contra a dita ALCA, etc., em si, denotasse alguma inteligência superior. Se assim o fosse todo papagaio poderia ser muito bem candidato a mente bem pensante.

O caminho para a liberdade intelectual pode até ser apontado por uma instituição de ensino e até mesmo por uma entidade doutrinadora, porém, nunca estas lhes poderão ofertar a liberdade de pensamento enquanto um de seus regalos. A liberdade é antes de tudo uma ânsia, um clamar individual e não uma promoção de bazar de roupas usadas ou novas. Se este, o clamor pela liberdade, não é cultivado pelo indivíduo, tudo o mais, de antemão, se encontrará fadado ao servilismo como são os casos apontados nas linhas acima e claramente visíveis em nossa sociedade para aqueles que realmente usarem os olhos para observar e analisar a realidade.

Como podemos afirmar que uma pessoa realmente está sendo iniciada no labor do livre pensar, sendo que, boa parte de nós segue sempre o caminho mais cômodo para podermos desenvolver um parecer sobre algum assunto? Nem falemos dos adultos porque esses são muito chatos e cheios de si. Iniciemos pelas pesquisas escolares: o que são a maioria delas senão uma cópia literal de um e outro verbete da Enciclopédia Britânica ou do Almanaque Abril? Raios! Que fome é essa por saber sendo que os mancebos simplesmente realizam cópias chulas e nada meditadas de textos pouco compreendidos?

Provavelmente similar a fome por saber de muitos “educadores” que partiram para realização de uma especialização e lá chegando são incapazes de fazer um trabalho e muito menos mostram-se aptos a fazer uma monografia recorrendo, muitas vezes, de maneira mais que indigna, para o mercado negro dos trabalhos acadêmicos. E, serão esses mesmos elementos que irão falar da dita necessidade de (de)formarmos livres pensadores e que os nossos egressos são indivíduos tomados até os gorgomilos pela desídia.

De um modo geral e muito claro para todo aquele que procura alimentar a suas almas com uma visão sincera da realidade, o que temos hoje em termos de educação, em um nível muito mais elevado do que em outros tempos e de maneira gritante frente a tolerância do bom senso é uma grande encenação, cínica e medíocre, onde todos nós, enquanto sociedade, fingimos estar preocupados com a educação fingindo que sabemos algo e nos indignando com os que, sinceramente, não querem aprender nada e, por isso, fingem, mal, aprender, para assim nos agradar e fazer-nos sentir aliviados diante do fracasso da nossa experiência societal.

Diante disso, julgamos ser basilar a indagação que fizemos linhas atrás: se hoje tanto se fala em educar para libertar seria mais do que plausível indagar-se de quais grilhões temos o intento de livrar as gerações de idade mais tenra. De que e pra que? Alias, se esse seria o intento de nosso sistema educacional não é estranho que a educação básica seja compulsória mesmo que o seu real acesso não seja universarl.

Tais indagações, para realmente terem o devido aprofundamento, devem ser ensaiadas, meditadas e refletidas não só por agentes que atuam diretamente em instituições de ensino, mas sim, por todas as pessoas, principalmente pelos pais e alunos que estão no meio deste angu de caroços burocráticos em uma miscelânea com o fingimento e desdém crônico que nos domina e assombra. Se não for assim, continuaremos a relegar essa responsabilidade para as pessoas que são incumbidas pelos nossos governantes e, creio eu, responsabilidade deste tamanho não deveria ser jamais relegada a um pequeno grupo de pessoas. Alias, a nosso ver, quando lavamos nossas mãos diante das grandes questões que afetam a nossa sociedade, acabamos sempre relegando a resolução das mesmas questões para as pessoas menos preparadas e menos dignas para tratarem de tal questão, tamanha nossa indignidade frente a nossa desqualificada condição de dito cidadão que, tão só nos comprometemos com nossos colossais umbigos.

Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.