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10 Abr 2006

Da Dignidade Humana

Escrito por 
"Que cada um respeite o próximo, sem exceção, como "outro eu", levando em consideração antes de tudo a sua vida e os meios necessários para mantê-la dignamente".Nossa sociedade, nestes dias hodiernos, vive dificuldades econômicas, políticas e sociais gritantes beirando muitas vezes as raias do desespero. Isso, não é segredo para ninguém. E, diante dessa realidade, mais do que nunca vemos a dignidade humana sendo colocada em cheque, sendo vilipendiada, usurpada, negada a inúmeros de nossos semelhantes e, muitas vezes, nós mesmo acabamos por fazer isso, das formas mais estúpidas possíveis, não é mesmo? Por isso, tendo a frente de nós a Doutrina Sagrada Judaico-Cristã, cremos ser fundamental que reflitamos sobre a dignidade que é inerente a toda e qualquer criatura humana e que, por miopia existencial, acaba sendo negada por nós a muitos seres humanos tão humanos quanto nós.

Poderíamos iniciar através das veredas apontadas pelas seguintes questões: O que seria a dignidade e como ela se manifesta na criatura que foi criada a imagem e semelhança de Deus? Como a Sagrada Escritura tratam esse assunto? O que Cristo Jesus diria e como ele agiria diante das inúmeras violações realizadas contra a dignidade de pessoas inocentes?

Alias, o que seria a dignidade? Em si, seria um imperativo categórico que em hipótese alguma pode ser relativizado, por que tal valor seria intrínseco ao indivíduo. Ou, segundo a formula kantiana, todos nós deveríamos agir de tal forma que tratássemos a humanidade, tanto na nossa pessoa como na pessoa de qualquer pessoa humana, sempre como um fim em si mesmo e não como um meio para se chegar até algo.

Pois bem, mas qual seria o imperativo categórico do Cristianismo? Qual seria o valor que estaria inerente à pessoa humana segundo ao Doutrina Sagrada revelada nas Sagradas Escrituras?

Podemos ler no Livro do Gênese (I: 26-27) as seguintes palavras: Deus disse: “Façamos o homem a nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”. Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou”. Deste modo, toda vida humana seria, em si, Sagrada, justamente pelo fato de ser a própria imagem e semelhança Daquele que É. E não apenas isso. Quando abrimos a Bíblia, mais especificamente no Evangelho de São Mateus (XXV, 45), lemos que: “Todas as vezes que o deixastes de fazer a um desses pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer”.

Muito bem, e se estamos bem lembrados de nossas lições dominicais, sabemos claramente que não apenas é um imperativo categórico o fato de sermos a imagem e semelhança de Deus, pois, além disso, Aquele que É, fez-se carne e sangue para viver junto de nós e como nós para assim redimir as nossas faltas e, deste modo, reforçar o valor, a importância de nossa existência. E, para tal imperativo, o Rei dos reis solicita apenas que procuremos tratar o nosso semelhante como tratamos a nós mesmos e, nada mais. Não foi essa a mensagem deixada? Todavia, tal pedido não é algo compulsório, mas sim, como afirmamos, é apenas um pedido, um convite para uma longa e dura jornada que é a batalha contra as nossas mais adjetas paixões. Paixões essas que nos apegamos a ponto de macularmos o reflexo Divino que envolve a criatura humana tornando-nos cegos para a Sacra dignidade que se faz luzir nos olhos de qualquer pessoa.

Sobre esse aspecto, o da liberdade, o Concílio Vaticano II, nos trás mais alguns esclarecimentos. Segundo esse texto: “O homem não pode voltar-se para bem a não ser livremente. Os nossos contemporâneos exaltam e defendem com ardor a liberdade. E de fato com razão. Contudo eles a fomentam, muitas vezes de maneira viciada, como uma licença de fazer tudo o que agrada, mesmo o mal. A verdadeira liberdade, porém é sinal eminente da imagem de Deus no homem. Pois Deus quis ‘deixar o homem o poder de decidir’, para que assim procure espontaneamente o seu Criador”.

Tal prerrogativa se faz presente e inerente a Doutrina Sagrada, pelo simples fato de que a Salvação e preservação da Divina dignidade humana não ocorrerão exteriormente, mas sim, quanto tal pulsão para o Bem eclodir do âmago de nossa alma. E, de mais a mais, o “bem” feito de maneira compulsória apenas gera novos males, piores do que os existentes. Para averiguar isso, basta que reflitamos sobre a boa intenção dos comunistas e seus nefastos frutos de suas trágicas obras.

E, por essa razão, o texto do Concílio Vaticano II é claro quanto afirma que: “A dignidade do homem exige que se possa agir de acordo com uma opção consciente e livre, isto é, movido e levado por convicção pessoal e não por força de um impulso cego ou debaixo de uma mera coação. O homem consegue a sua dignidade quando, liberado de todo o cativeiro das paixões, caminha para o seu fim pela livre escolha do bem e procura eficazmente os meios aptos com diligente aplicação”.

Sem mais delongas, nos perguntamos sobre o exposto: se é apenas através das veredas da liberdade que podemos nos encontrar com o Sapientíssimo, por que insistimos tanto em uma postura coativa para podermos supostamente propagar a Verdade revelada que afirmamos viver e seguir? Se, é apenas através da liberdade que podemos ter o respeito e a preservação da dignidade humana, por que vemos muitas vezes, como sendo algo de bom grato, uma atitude autoritária para se impor uma determinada ordem? Alias, se somos tão bons e pios, por que fazemos na maioria das vezes o uso de subterfúgios despóticos para podermos fazer valerem os nossos interesses e supostas opiniões?

Ora, meu caro, “O respeito pela pessoa humana passa pelo respeito deste princípio: ‘Que cada um respeite o próximo, sem exceção, como ‘outro eu’, levando em consideração antes de tudo a sua vida e os meios necessários para mantê-la dignamente’. Nenhuma lei seria capaz, só por si, de fazer desaparecer os temores, os preconceitos, as atitudes de orgulho e o egoísmo que constituem obstáculo para o estabelecimento de sociedades verdadeiramente fraternais”. Pelo menos é o que está escrito no Catecismo da Igreja Católica Apostólica Romana (p. 446). Agora, se essas palavras estão escritas em nossos corações marcando profundamente nossas atitudes com seus ensinamentos como se fosse uma chama viva e salutar, isso é uma outra história, uma prosa profundamente sincera que cabe a cada um de nós ter consigo mesmo. Não com esse hipócrita que vos escreve.
Nossa sociedade, nestes dias hodiernos, vive dificuldades econômicas, políticas e sociais gritantes beirando muitas vezes as raias do desespero. Isso, não é segredo para ninguém. E, diante dessa realidade, mais do que nunca vemos a dignidade humana sendo colocada em cheque, sendo vilipendiada, usurpada, negada a inúmeros de nossos semelhantes e, muitas vezes, nós mesmo acabamos por fazer isso, das formas mais estúpidas possíveis, não é mesmo? Por isso, tendo a frente de nós a Doutrina Sagrada Judaico-Cristã, cremos ser fundamental que reflitamos sobre a dignidade que é inerente a toda e qualquer criatura humana e que, por miopia existencial, acaba sendo negada por nós a muitos seres humanos tão humanos quanto nós.

Poderíamos iniciar através das veredas apontadas pelas seguintes questões: O que seria a dignidade e como ela se manifesta na criatura que foi criada a imagem e semelhança de Deus? Como a Sagrada Escritura tratam esse assunto? O que Cristo Jesus diria e como ele agiria diante das inúmeras violações realizadas contra a dignidade de pessoas inocentes?

Alias, o que seria a dignidade? Em si, seria um imperativo categórico que em hipótese alguma pode ser relativizado, por que tal valor seria intrínseco ao indivíduo. Ou, segundo a formula kantiana, todos nós deveríamos agir de tal forma que tratássemos a humanidade, tanto na nossa pessoa como na pessoa de qualquer pessoa humana, sempre como um fim em si mesmo e não como um meio para se chegar até algo.

Pois bem, mas qual seria o imperativo categórico do Cristianismo? Qual seria o valor que estaria inerente à pessoa humana segundo ao Doutrina Sagrada revelada nas Sagradas Escrituras?

Podemos ler no Livro do Gênese (I: 26-27) as seguintes palavras: Deus disse: “Façamos o homem a nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”. Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou”. Deste modo, toda vida humana seria, em si, Sagrada, justamente pelo fato de ser a própria imagem e semelhança Daquele que É. E não apenas isso. Quando abrimos a Bíblia, mais especificamente no Evangelho de São Mateus (XXV, 45), lemos que: “Todas as vezes que o deixastes de fazer a um desses pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer”.

Muito bem, e se estamos bem lembrados de nossas lições dominicais, sabemos claramente que não apenas é um imperativo categórico o fato de sermos a imagem e semelhança de Deus, pois, além disso, Aquele que É, fez-se carne e sangue para viver junto de nós e como nós para assim redimir as nossas faltas e, deste modo, reforçar o valor, a importância de nossa existência. E, para tal imperativo, o Rei dos reis solicita apenas que procuremos tratar o nosso semelhante como tratamos a nós mesmos e, nada mais. Não foi essa a mensagem deixada? Todavia, tal pedido não é algo compulsório, mas sim, como afirmamos, é apenas um pedido, um convite para uma longa e dura jornada que é a batalha contra as nossas mais adjetas paixões. Paixões essas que nos apegamos a ponto de macularmos o reflexo Divino que envolve a criatura humana tornando-nos cegos para a Sacra dignidade que se faz luzir nos olhos de qualquer pessoa.

Sobre esse aspecto, o da liberdade, o Concílio Vaticano II, nos trás mais alguns esclarecimentos. Segundo esse texto: “O homem não pode voltar-se para bem a não ser livremente. Os nossos contemporâneos exaltam e defendem com ardor a liberdade. E de fato com razão. Contudo eles a fomentam, muitas vezes de maneira viciada, como uma licença de fazer tudo o que agrada, mesmo o mal. A verdadeira liberdade, porém é sinal eminente da imagem de Deus no homem. Pois Deus quis ‘deixar o homem o poder de decidir’, para que assim procure espontaneamente o seu Criador”.

Tal prerrogativa se faz presente e inerente a Doutrina Sagrada, pelo simples fato de que a Salvação e preservação da Divina dignidade humana não ocorrerão exteriormente, mas sim, quanto tal pulsão para o Bem eclodir do âmago de nossa alma. E, de mais a mais, o “bem” feito de maneira compulsória apenas gera novos males, piores do que os existentes. Para averiguar isso, basta que reflitamos sobre a boa intenção dos comunistas e seus nefastos frutos de suas trágicas obras.

E, por essa razão, o texto do Concílio Vaticano II é claro quanto afirma que: “A dignidade do homem exige que se possa agir de acordo com uma opção consciente e livre, isto é, movido e levado por convicção pessoal e não por força de um impulso cego ou debaixo de uma mera coação. O homem consegue a sua dignidade quando, liberado de todo o cativeiro das paixões, caminha para o seu fim pela livre escolha do bem e procura eficazmente os meios aptos com diligente aplicação”.

Sem mais delongas, nos perguntamos sobre o exposto: se é apenas através das veredas da liberdade que podemos nos encontrar com o Sapientíssimo, por que insistimos tanto em uma postura coativa para podermos supostamente propagar a Verdade revelada que afirmamos viver e seguir? Se, é apenas através da liberdade que podemos ter o respeito e a preservação da dignidade humana, por que vemos muitas vezes, como sendo algo de bom grato, uma atitude autoritária para se impor uma determinada ordem? Alias, se somos tão bons e pios, por que fazemos na maioria das vezes o uso de subterfúgios despóticos para podermos fazer valerem os nossos interesses e supostas opiniões?

Ora, meu caro, “O respeito pela pessoa humana passa pelo respeito deste princípio: ‘Que cada um respeite o próximo, sem exceção, como ‘outro eu’, levando em consideração antes de tudo a sua vida e os meios necessários para mantê-la dignamente’. Nenhuma lei seria capaz, só por si, de fazer desaparecer os temores, os preconceitos, as atitudes de orgulho e o egoísmo que constituem obstáculo para o estabelecimento de sociedades verdadeiramente fraternais”. Pelo menos é o que está escrito no Catecismo da Igreja Católica Apostólica Romana (p. 446). Agora, se essas palavras estão escritas em nossos corações marcando profundamente nossas atitudes com seus ensinamentos como se fosse uma chama viva e salutar, isso é uma outra história, uma prosa profundamente sincera que cabe a cada um de nós ter consigo mesmo. Não com esse hipócrita que vos escreve.
Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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