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15 Mar 2006

Que Vergonha!

Escrito por 
Não podemos nos surpreender, portanto, quando acordos celebrados por nossos congressistas concedem alvará de soltura para deputados condenados pela Comissão de Ética.

Há alguns dias, em artigo com o título “São duras estas palavras”, registrei um conjunto de evidências de que estamos nos tornando, com exceções, claro,  um país de ladrões. O fenômeno, longe de ser recente, é causa e não conseqüência dos valeriodutos. Rouba-se tudo. Somos roubados por larápios visíveis e invisíveis, pelo crime organizado e pelo crime desorganizado. Somos roubados até sem saber, em circunstâncias tão variadas que não há espaço aqui para descrever. As consciências deformaram-se a tal ponto que as pessoas roubam sem perceber que estão roubando. Ocupamos, por isso, um vergonhoso 62º lugar no ranking da Transparência Internacional, com a ínfima nota 3,7 num índice cujo máximo é 10.

Não podemos nos surpreender, portanto, quando acordos celebrados por nossos congressistas concedem alvará de soltura para deputados condenados pela Comissão de Ética. A política jamais será – constituiria imensa ingenuidade supor que pudesse ser – um estuário de pessoas probas num país tomado pelos destituídos de caráter. Anos atrás, eu assisti a cena, um caminhão carregado com Nescafé tombou à margem da auto-estrada Porto Alegre-Osório. Houve um brutal congestionamento nos dois sentidos da rodovia porque os automóveis paravam e seus ocupantes desciam para roubar o que pudessem da carga derramada sobre o acostamento. Em setembro, sete mil frangos vivos caíram de um caminhão na avenida Sarmento Leite. Será preciso descrever a conduta dos transeuntes? Ano passado, quando se debatia o tema do referendo que desarmaria apenas as pessoas de bem, era comum ouvir-se: “Mas o que é uma pessoa de bem?” Já não sabemos mais. Quando me apareceram com essa num debate eu perguntei: “Nem olhando no espelho?”

Fosse orientada por mais elevados padrões morais, perante a infindável sucessão de escândalos que ocuparam o noticiário dos últimos meses, a sociedade daria aos partidos e personalidades implicados uma resposta institucional e eleitoral arrasadora. No início deste mês, na cidade uruguaia de Rivera, chegou ao conhecimento da justiça a informação de que estavam ocorrendo acréscimos indevidos nas prestações de contas das despesas de viagem dos ediles (vereadores). Em poucos dias, 21 dos 31 membros do parlamento local estavam na cadeia, condenados em rito sumário por um juiz que trabalhou sábado e domingo, realizando as audiências, e despachando os aproveitadores para o lugar merecido. Você sabe de alguém preso no Brasil, apesar das filmagens, gravações e confissões que se amontoam nos arquivos da imprensa?

Mais ainda. Fôssemos animados por princípios e valores elevados, nunca uma pesquisa eleitoral poderia manter o presidente da República na posição que hoje ocupa nas preferências nacionais. Nunca! Talvez seja essa a mais clara expressão da vergonhosa crise moral que assola o país.

Há alguns dias, em artigo com o título “São duras estas palavras”, registrei um conjunto de evidências de que estamos nos tornando, com exceções, claro,  um país de ladrões. O fenômeno, longe de ser recente, é causa e não conseqüência dos valeriodutos. Rouba-se tudo. Somos roubados por larápios visíveis e invisíveis, pelo crime organizado e pelo crime desorganizado. Somos roubados até sem saber, em circunstâncias tão variadas que não há espaço aqui para descrever. As consciências deformaram-se a tal ponto que as pessoas roubam sem perceber que estão roubando. Ocupamos, por isso, um vergonhoso 62º lugar no ranking da Transparência Internacional, com a ínfima nota 3,7 num índice cujo máximo é 10.

Não podemos nos surpreender, portanto, quando acordos celebrados por nossos congressistas concedem alvará de soltura para deputados condenados pela Comissão de Ética. A política jamais será – constituiria imensa ingenuidade supor que pudesse ser – um estuário de pessoas probas num país tomado pelos destituídos de caráter. Anos atrás, eu assisti a cena, um caminhão carregado com Nescafé tombou à margem da auto-estrada Porto Alegre-Osório. Houve um brutal congestionamento nos dois sentidos da rodovia porque os automóveis paravam e seus ocupantes desciam para roubar o que pudessem da carga derramada sobre o acostamento. Em setembro, sete mil frangos vivos caíram de um caminhão na avenida Sarmento Leite. Será preciso descrever a conduta dos transeuntes? Ano passado, quando se debatia o tema do referendo que desarmaria apenas as pessoas de bem, era comum ouvir-se: “Mas o que é uma pessoa de bem?” Já não sabemos mais. Quando me apareceram com essa num debate eu perguntei: “Nem olhando no espelho?”

Fosse orientada por mais elevados padrões morais, perante a infindável sucessão de escândalos que ocuparam o noticiário dos últimos meses, a sociedade daria aos partidos e personalidades implicados uma resposta institucional e eleitoral arrasadora. No início deste mês, na cidade uruguaia de Rivera, chegou ao conhecimento da justiça a informação de que estavam ocorrendo acréscimos indevidos nas prestações de contas das despesas de viagem dos ediles (vereadores). Em poucos dias, 21 dos 31 membros do parlamento local estavam na cadeia, condenados em rito sumário por um juiz que trabalhou sábado e domingo, realizando as audiências, e despachando os aproveitadores para o lugar merecido. Você sabe de alguém preso no Brasil, apesar das filmagens, gravações e confissões que se amontoam nos arquivos da imprensa?

Mais ainda. Fôssemos animados por princípios e valores elevados, nunca uma pesquisa eleitoral poderia manter o presidente da República na posição que hoje ocupa nas preferências nacionais. Nunca! Talvez seja essa a mais clara expressão da vergonhosa crise moral que assola o país.

Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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