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14 Fev 2006

Legislando em Terra Alheia

Escrito por 
Audácia, mais audácia, sempre audácia, senhores árabes. A Europa é um celeiro de ações contra a religião e crença muçulmanas.Enquanto os taleban oferecem cem quilos de ouro a quem assassinar os chargistas responsáveis pelas caricaturas de Maomé, enquanto embaixadas ocidentais são atacadas e bandeiras são incendiadas no mundo árabe, enquanto 300 manifestantes muçulmanos invadem uma base militar norueguesa, o Jyllands Posten, responsável pela publicação das charges em setembro passado, pede desculpas. Enquanto diversos jornais em toda a Europa republicaram as charges, em solidariedade ao jornal dinamarquês, este recua e abdica do exercício da livre imprensa e da crítica. Diga-se de passagem, em nome das boas relações com seus imigrantes, a imprensa européia está omitindo os nomes e os países de origem dos estupradores. Uma onda de estupros cometidos por imigrantes está assolando a Noruega, Suécia, França e Austrália, e a mídia permanece silente, sem ousar denunciar o caráter étnico da violência. A libertária imprensa do velho continente acabou por dobrar-se ao "politicamente correto" ianque.

Enquanto isso, os países muçulmanos querem criar uma cláusula contra a blasfêmia nos estatutos do novo Conselho de Direitos Humanos da ONU. Os 57 países que integram a OIC (Organização da Conferência Islâmica) pediram a inclusão de um parágrafo para "prevenir casos de intolerância, discriminação, incitação ao ódio e à violência, gerados por ações contra religiões e crenças". A blasfêmia, de pecado, infração que diz respeito a teólogos, passaria a ser crime punido pela legislação. Os muçulmanos, cujo calendário começou em 622 da era cristã, querem nada mais nada menos que arrastar a Europa de volta à Idade Média, onde discussões sobre o destino do prepúcio de Cristo podiam levar um homem à fogueira.

A ira dos árabes se fundamenta em dois pontos. Primeiro, a reprodução das imagens de Alá, o que o islamismo não permite. Poderiam começar censurando os mecanismos de buscas da Internet. O Google, por exemplo. Clique em Imagens e digite Maomé, Muhamad, Mahoma, Maometto, enfim, as diferentes variantes do santo nome. Sacrilégio! Há milhares de imagens do profeta, em preto e branco ou a cores, algumas de origem ocidental, outras de fontes árabes. A infâmia é diariamente reiterada, ao menor clique de mouse, e mulá algum parece ter percebido este insulto constante e universal aos preceitos do Islã. Abaixo o Google. A menos que retire de seus arquivos as imagens heréticas. Afinal, se já aceitou retirar a palavra democracia de seus mecanismos de busca na China, por que não poderia fazer este gesto de cortesia ao Islã?

O segundo ponto é a imagem do profeta confundida com uma bomba. É curioso observar que quando bin Laden usou bombas humanas para destruir as duas torres de Nova York em nome de Alá, nenhum mulá ou aiatolá, nenhuma multidão de crentes, se pronunciou contra o uso indevido do santo nome. Os homens-bomba se explodem todos os dias, sempre em nome de Alá, o misericordioso, e ninguém os desautoriza quando invocam o deus do Islã. Ou seja, quem associou Islã a terror foram os próprios muçulmanos, não o Ocidente. Esta charge, em verdade, tem a assinatura do saudita bin Laden. E o patrocínio da Al Qaeda.

Verdade que nem as Nações Unidas nem os países ocidentais receberam favoravelmente a idéia da cláusula contra a blasfêmia, por considerarem que o respeito às religiões já está presente na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mas a pretensão dos muçulmanos de legislar nos países ocidentais existe. A Europa, minada pela quinta-coluna dos Direitos Humanos, já fez graves concessões. A França, por exemplo, em nome do multiculturalismo e do reagrupamento muçulmano, já aceitou a poligamia. Mas só para os árabes, bem entendido. Afinal, se Alá permite a seus fiéis até quatro mulheres, este preceito religioso não pode ser desrespeitado. Um francês, se casar com duas, comete crime. Estima-se que hoje, na França, vivam 30 mil famílias em regime poligâmico.

"Audace, encore d'audace, toujours d'audace" - dizia Danton ante a Assembléia Legislativa, conclamando o povo francês a resistir à ameaça austríaca. Audácia, mais audácia, sempre audácia, senhores árabes. A Europa é um celeiro de ações contra a religião e crença muçulmanas. Os restaurantes de todos os países estão repletos de carnes desse animal imundo, o porco, em uma ofensa intolerável aos fiéis de Alá. Espanha, França e Itália ostentam seus sacrílegos presuntos como o supra-sumo da gastronomia. A Espanha - acinte supremo! - orgulha-se de seus cochinillos e mantém verdadeiros templos de abominação, os museos del jamón, onde a carne abominável pende das paredes e até mesmo dos tetos. A França - ignomínia! - oferece ao mundo seus boudins asquerosos, feitos de sangue de porco. Pior ainda, aproveita até as tripas do animal imundo para suas perversas andouilletes. As cochonailles constituem um ramo da cozinha francesa, que não nutre respeito algum pelos milhões de imigrantes que alimenta. Abaixo as cochonailles. Alá-u-akbar!

Como todas as religiões merecem o mesmo e sagrado respeito, sejam abolidas também as carnes bovinas. A Europa pulula de hindus, para os quais a vaca é um animal sagrado. Abaixo os filés à Chateaubriand, as bistecas fiorentinas, as picanhas argentinas, seja banido todo consumo dos nobres e divinos bovinos.

E abaixo sobretudo o vinho. Destruam-se os vinhedos, as caves, os recipientes, as lojas de distribuição da bebida infame. Abaixo também o uísque, as águas-de-vida, os conhaques e champanhes, abaixo tudo que embriaga. Abaixo também o turismo e os roteiros gastronômicos. A Europa que descubra outras fontes de divisas. Ou submeta-se também à aridez de falta de sabor do universo muçulmano. Se a Europa criminaliza o turismo sexual, por que permitir o obsceno turismo gastronômico? Verdade que o Corão promete ao crente rios de vinho. Mas só no paraíso. Abaixo o prazer aqui na terra. O vinho está reservado para os crentes que se explodem e explodem quantos podem em torno a si. Alá-u-akabar!

Nestes dias em que uma onda de moralismo varre certos países da Europa, seria talvez o caso de se substituir as casas de prostituição pelas casas de castidade, onde os casais teriam ambiente seguro e saudável. A patente é iraniana. Como é proibido, segundo o Islã, manter relações sexuais fora do casamento, em tais casas os castos muçulmanos podem praticar o sigheh, modalidade de matrimônio permitida pelo ramo xiita do Islã, predominante no Irã. Tais matrimônios podem durar poucos minutos ou 99 anos, e são especialmente recomendados para viúvas que precisam de suporte financeiro. O sigheh foi aprovado no início dos anos 90, como forma de canalizar o desejo sexual dos jovens sob a segregação sexual estrita da república islâmica.

Segundo o aiatolá Muhammad Moussavi Bojnourdi, defensor incondicional das casas de castidade, "se quisermos ser realistas e limparmos a cidade dessas mulheres, precisamos usar o caminho que o Islã nos oferece". Para praticar o sigheh, basta recitar um versículo do Corão. O contrato oral não é registrado e o versículo pode ser lido por qualquer um. Uma contraprestação em dinheiro às mulheres casadas segundo este ritual é bem-vinda.

E quando tudo estiver dominado, por que não acabar com essa burocracia idiota e demorada para a obtenção do divórcio? No mundo regido pelo Corão, tudo se resolve com a lei dos três talaqs. À menor insubmissão da mulher, o marido diz: talaq. É um aviso. Se ela insiste em não fazer a vontade de seu amo e senhor, o marido repete: talaq. Na terceira insubmissão, o terceiro e definitivo talaq. Está consumado o divórcio, sem essa tralha inútil de cartórios e advogados. Talaq, talaq, talaq e passar bem.

Alá-u-akbar!

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http://cristaldo.blogspot.com
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Enquanto isso, os países muçulmanos querem criar uma cláusula contra a blasfêmia nos estatutos do novo Conselho de Direitos Humanos da ONU. Os 57 países que integram a OIC (Organização da Conferência Islâmica) pediram a inclusão de um parágrafo para "prevenir casos de intolerância, discriminação, incitação ao ódio e à violência, gerados por ações contra religiões e crenças". A blasfêmia, de pecado, infração que diz respeito a teólogos, passaria a ser crime punido pela legislação. Os muçulmanos, cujo calendário começou em 622 da era cristã, querem nada mais nada menos que arrastar a Europa de volta à Idade Média, onde discussões sobre o destino do prepúcio de Cristo podiam levar um homem à fogueira.

A ira dos árabes se fundamenta em dois pontos. Primeiro, a reprodução das imagens de Alá, o que o islamismo não permite. Poderiam começar censurando os mecanismos de buscas da Internet. O Google, por exemplo. Clique em Imagens e digite Maomé, Muhamad, Mahoma, Maometto, enfim, as diferentes variantes do santo nome. Sacrilégio! Há milhares de imagens do profeta, em preto e branco ou a cores, algumas de origem ocidental, outras de fontes árabes. A infâmia é diariamente reiterada, ao menor clique de mouse, e mulá algum parece ter percebido este insulto constante e universal aos preceitos do Islã. Abaixo o Google. A menos que retire de seus arquivos as imagens heréticas. Afinal, se já aceitou retirar a palavra democracia de seus mecanismos de busca na China, por que não poderia fazer este gesto de cortesia ao Islã?

O segundo ponto é a imagem do profeta confundida com uma bomba. É curioso observar que quando bin Laden usou bombas humanas para destruir as duas torres de Nova York em nome de Alá, nenhum mulá ou aiatolá, nenhuma multidão de crentes, se pronunciou contra o uso indevido do santo nome. Os homens-bomba se explodem todos os dias, sempre em nome de Alá, o misericordioso, e ninguém os desautoriza quando invocam o deus do Islã. Ou seja, quem associou Islã a terror foram os próprios muçulmanos, não o Ocidente. Esta charge, em verdade, tem a assinatura do saudita bin Laden. E o patrocínio da Al Qaeda.

Verdade que nem as Nações Unidas nem os países ocidentais receberam favoravelmente a idéia da cláusula contra a blasfêmia, por considerarem que o respeito às religiões já está presente na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mas a pretensão dos muçulmanos de legislar nos países ocidentais existe. A Europa, minada pela quinta-coluna dos Direitos Humanos, já fez graves concessões. A França, por exemplo, em nome do multiculturalismo e do reagrupamento muçulmano, já aceitou a poligamia. Mas só para os árabes, bem entendido. Afinal, se Alá permite a seus fiéis até quatro mulheres, este preceito religioso não pode ser desrespeitado. Um francês, se casar com duas, comete crime. Estima-se que hoje, na França, vivam 30 mil famílias em regime poligâmico.

"Audace, encore d'audace, toujours d'audace" - dizia Danton ante a Assembléia Legislativa, conclamando o povo francês a resistir à ameaça austríaca. Audácia, mais audácia, sempre audácia, senhores árabes. A Europa é um celeiro de ações contra a religião e crença muçulmanas. Os restaurantes de todos os países estão repletos de carnes desse animal imundo, o porco, em uma ofensa intolerável aos fiéis de Alá. Espanha, França e Itália ostentam seus sacrílegos presuntos como o supra-sumo da gastronomia. A Espanha - acinte supremo! - orgulha-se de seus cochinillos e mantém verdadeiros templos de abominação, os museos del jamón, onde a carne abominável pende das paredes e até mesmo dos tetos. A França - ignomínia! - oferece ao mundo seus boudins asquerosos, feitos de sangue de porco. Pior ainda, aproveita até as tripas do animal imundo para suas perversas andouilletes. As cochonailles constituem um ramo da cozinha francesa, que não nutre respeito algum pelos milhões de imigrantes que alimenta. Abaixo as cochonailles. Alá-u-akbar!

Como todas as religiões merecem o mesmo e sagrado respeito, sejam abolidas também as carnes bovinas. A Europa pulula de hindus, para os quais a vaca é um animal sagrado. Abaixo os filés à Chateaubriand, as bistecas fiorentinas, as picanhas argentinas, seja banido todo consumo dos nobres e divinos bovinos.

E abaixo sobretudo o vinho. Destruam-se os vinhedos, as caves, os recipientes, as lojas de distribuição da bebida infame. Abaixo também o uísque, as águas-de-vida, os conhaques e champanhes, abaixo tudo que embriaga. Abaixo também o turismo e os roteiros gastronômicos. A Europa que descubra outras fontes de divisas. Ou submeta-se também à aridez de falta de sabor do universo muçulmano. Se a Europa criminaliza o turismo sexual, por que permitir o obsceno turismo gastronômico? Verdade que o Corão promete ao crente rios de vinho. Mas só no paraíso. Abaixo o prazer aqui na terra. O vinho está reservado para os crentes que se explodem e explodem quantos podem em torno a si. Alá-u-akabar!

Nestes dias em que uma onda de moralismo varre certos países da Europa, seria talvez o caso de se substituir as casas de prostituição pelas casas de castidade, onde os casais teriam ambiente seguro e saudável. A patente é iraniana. Como é proibido, segundo o Islã, manter relações sexuais fora do casamento, em tais casas os castos muçulmanos podem praticar o sigheh, modalidade de matrimônio permitida pelo ramo xiita do Islã, predominante no Irã. Tais matrimônios podem durar poucos minutos ou 99 anos, e são especialmente recomendados para viúvas que precisam de suporte financeiro. O sigheh foi aprovado no início dos anos 90, como forma de canalizar o desejo sexual dos jovens sob a segregação sexual estrita da república islâmica.

Segundo o aiatolá Muhammad Moussavi Bojnourdi, defensor incondicional das casas de castidade, "se quisermos ser realistas e limparmos a cidade dessas mulheres, precisamos usar o caminho que o Islã nos oferece". Para praticar o sigheh, basta recitar um versículo do Corão. O contrato oral não é registrado e o versículo pode ser lido por qualquer um. Uma contraprestação em dinheiro às mulheres casadas segundo este ritual é bem-vinda.

E quando tudo estiver dominado, por que não acabar com essa burocracia idiota e demorada para a obtenção do divórcio? No mundo regido pelo Corão, tudo se resolve com a lei dos três talaqs. À menor insubmissão da mulher, o marido diz: talaq. É um aviso. Se ela insiste em não fazer a vontade de seu amo e senhor, o marido repete: talaq. Na terceira insubmissão, o terceiro e definitivo talaq. Está consumado o divórcio, sem essa tralha inútil de cartórios e advogados. Talaq, talaq, talaq e passar bem.

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Janer Cristaldo

O escritor e jornalista Janer Cristaldo nasceu em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul. Formou-se em Direito e Filosofia e doutorou-se em Letras Francesas e Comparadas pela Université de la Sorbonne Nouvelle (Paris III). Morou na Suécia, França e Espanha. Lecionou Literatura Comparada e Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina e trabalhou como redator de Internacional nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Faleceu no dia 18 de Outubro de 2014.

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