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30 Mai 2004

O Pior de Tudo

Escrito por 

Lula jamais acerta o prego, bate todas na ferradura e se converteu no inesgotável filão de chargistas e humoristas.

Diversas pessoas me interrogam sobre um paradoxo. Diferentemente do que aconteceu com Collor, observam elas, a decepção com Lula não está produzindo uma rejeição pessoal. Por quê? A questão é interessante. Lula jamais acerta o prego, bate todas na ferradura e se converteu no inesgotável filão de chargistas e humoristas. Está levando a esquerda à loucura e escandalizando a direita. Mas as pessoas o vêem com benevolência. "Como se explica isso?", perguntam-me. Tentarei responder.

Nosso presidente é um homem do povo, origem humílima, operário, ex-torneiro mecânico e isso, sob vários aspectos, é muito bom. Mas o Brasil, apesar do aperto em que estamos, é mais complicado do que um torno. E isso não é bom. Lula e seu partido, durante os vinte anos em que perambularam e cresceram nas planícies oposicionistas, tinham solução para todos os problemas nacionais e isso era ótimo. Mas essa soluções estavam todas erradas, não resistiram ao exercício real do poder e isso foi péssimo. O presidente exala sinceridade, o que é bom. Mas a sinceridade com que fala sobre a fome ou discorre sobre o ambiente miserável em que nasceu, não enche barrigas e a ninguém tira da miséria. E isso não é bom. Ele sempre diz o que pensa e isso é bom. Mas, muitas vezes, aquilo que pensa e diz não tem qualquer sentido. E isso não é bom.

Lula se fazia acompanhar de parcela significativa da inteligentzia nacional. E isso era bom. Mas essa inteligentzia nunca pilotou nada mais operacional do que um quadro negro, uma barra de giz ou um teclado de computador. E isso não é bom. Ele e o PT foram dotados, sempre, de imensa vontade política e isso era bom. Mas vontade política não aumenta o PIB, não gera empregos, não fecha as contas no fim do mês e isso não é bom. Lula e seu partido combateram ferozmente tanto os adversários desonrados, o que era bom, quanto os honrados, o que não era bom. No exercício do poder, uniram-se aos primeiros e não conseguiram se aproximar dos segundos, o que não foi bom. Nosso presidente quer levar bem longe e bem alto o nome do Brasil, o que é bom. Mas, para tanto, comprou um avião novo, o que também não foi bom.

Creio que assim se esclarece o fenômeno, não é mesmo? Lula e o governo têm altos e baixos, mas os baixos estão superando a estatura dos altos.

Ah! Ia esquecendo: já se passaram 17 meses do governo e isso é bom. Mas ainda faltam 31. E isso é o pior de tudo.

Última modificação em Quarta, 30 Outubro 2013 21:28
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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