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19 Jan 2006

Um Balanço de 2005

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O ano de 2005 poderia entrar para a história como o ano em que as ilusões foram desmascaradas, os santos de barro viram seus pés derreterem, a mentira mostrou que tem pernas longas mas inevitavelmente tropeça em algum ponto do caminho.

O ano de 2005 poderia entrar para a história como o ano em que as ilusões foram desmascaradas, os santos de barro viram seus pés derreterem, a mentira mostrou que tem pernas longas mas inevitavelmente tropeça em algum ponto do caminho. Infelizmente, também foi o ano que mostrou que muita gente está disposta a continuar acreditando nas mesmas ilusões mistificadoras, adorando os mesmos santos e contando as mesmas mentiras, e que é muito fácil trocar as falsidades desacreditadas por versões novas da mesma velha lorota.

No campo internacional, este ano mostrou mais uma vez o que é mais do que óbvio: o modelo de Estado de Bem-Estar Social (Welfare State), que a esquerda chique tenta nos vender como a salvação da lavoura, está em colapso. Isso não é nenhuma surpresa: é a conseqüência natural de um modelo de organização econômica que, em nome da “justiça social” e da “igualdade”, deu a uma determinada geração benesses e segurança bancados pelo Estado e pendurou a conta para as gerações futuras pagarem; de um sistema em que progressivamente faz mais sentido, do ponto de vista puramente racional, ficar em casa e viver do seguro-desemprego do que ir à luta e encontrar trabalho. É inevitável que um sistema que dá uma enorme proteção aos trabalhadores empregados formais, mas deixa os jovens recém-formados, os desempregados, e os sub-empregados à míngua, um dia desabe. As vitórias de partidos mais à direita na Polônia, na Alemanha (onde, infelizmente, a coalizão com os social-democratas tende a levar o governo Merkel ao colapso rapidamente), e na Itália é sinal de que as pessoas começam a perceber o erro do modelo social-democrata imperante desde o fim da Segunda Guerra: a priorização da redistribuição de renda de acordo com um plano qualquer estatal, em detrimento da geração de renda por meio do trabalho, da livre iniciativa e da competição levou a dois problemas: a esclerose econômica (que impede, já há pelo menos vinte anos, que o continente gere um emprego líquido novo sequer) e a esclerose social (pois a sociedade civil organizada, ao invés de ator autônomo capaz de seguir uma agenda própria e operar mudanças na sociedade de baixo para cima, passa a ter como único foco arrancar do Estado benefícios e benesses para grupos específicos, naquilo que pode muito bem ser chamado de “cultura da reclamação”).

Nada demonstra melhor a esclerose do Estado de Bem-Estar Social do que os recentes distúrbios na França. Sem ignorar o fato cabal de que a sociedade francesa é racista, xenófoba e preconceituosa, é realmente factível aceitar como “resistência” ou “revolta” legítimas a ação de jovens de origem magrebina, que recebem do Estado francês casa, dinheiro, educação e assistência médica subsidiadas ou de graça? O fato de que isso aconteça na França, berço da social-democracia moderna, mãe do modelo europeu, e farol da esquerda chique de todo o mundo, é sintomático: mesmo depois de décadas no poder, os socialistas franceses foram incapazes de criar um modelo de “justiça social”. É óbvio que seria assim, porque não existe “justiça social”: justiça só existe na relação entre duas pessoas, ou entre o indivíduo e o Estado. Uma sociedade justa é aquela em que a justiça predomina nas relações entre indivíduos e com o Estado, ou seja, em que os direitos fundamentais das pessoas são preservados e considerados superiores às vontades do Estado e das massas. Não há justiça alguma em um sistema que tira renda dos pobres para dar aos não-pobres e chama isso de “justiça social”. O Estado de Bem-Estar Social, simbolizado na França ardendo em chamas, é o retrato acabado de um modelo cheio de boas intenções que apenas gera mais e mais iniquidades.

E se sintomático é a Paris social-democrata ardendo em chamas ateadas por aqueles que ela subvenciona, defende e justifica, também é sintomático o comportamento da esquerda ao redor do mundo: diante da falência óbvia do modelo que ela mesma defendeu durante décadas, a resposta dela é, obviamente, defender que é preciso aprofundá-lo, não reformá-lo ou mesmo dissolvê-lo. A esquerda chique também tenta defender seu modelo de redistribuição de renda (que apenas a tira dos que não conseguem reclamar para dar àqueles que berram mais alto) amarrando-o a outros elementos, como educação universal, que antecedem o Estado de Bem-Estar Social e não dependem dele de forma alguma. Assim, fica fácil satanizar os que criticam a falência do sistema social-democrata como se fossem monstros insensíveis e cruéis. Como sempre, diante do fracasso, a esquerda prefere atacar “a direita” e o capitalismo do que reconhecer seus próprios erros.

No Brasil e na América Latina a evidência factual não apenas é ignorada, como distorcida para justificar um programa que é ainda mais iníquo do que o defendido pela esquerda chique européia. A máscara de Hugo Chavez finalmente caiu com as eleições parlamentares recentes, deixando claro que a Venezuela já é uma ditadura em tudo menos no nome. Na Bolívia, A vitória de Evo Morales leva ao poder o segundo líder esquerdista nos moldes de Luiz Inácio Lula da Silva (o messias trabalhador que vai redimir os pecados de cinco séculos de exploração), e tal como o original, está condenado de antemão ao fracasso se levar adiante as políticas insanas que sempre defendeu. O fato de que a Bolívia, vítima de séculos de populismo, demagogia, patrimonialismo, e agora socialismo, não ter importância alguma para o mundo pode efetivamente dar a Morales a chance de destruir seu país e tranformá-lo em uma terceira Cuba impunemente. Chavez conseguiu, o que aumenta as chances de Morales.

No Brasil, 2005 foi o ano em que o país descobriu (ou abriu os olhos, pois as evidências já existiam há muito) quem e o quê é o PT e Lula. O governo Lula patrocinou um retrocesso incrível na qualidade das práticas políticas brasileiras, e mostrou que o único objetivo do PT é o poder, custe o que custar. Mas me parece que, a despeito da incompetência e fraqueza da oposição partidária (que não teve a capacidade de pedir o impeachment de Lula, a despeito de todas as evidências), o Rubicão foi cruzado e a mítica que a esquerda regressiva construiu desde os anos 60, e de que o PT é representante máximo, começa a trincar. 2006 será um ano difícil, pois a gangue que ascendeu ao poder em 2002 não poupará esforços para permanecer no comando do país. Caberá a todos os democratas, de qualquer linha ideológica, entrar em campo para garantir que o PT e Lula sejam lançados ao ostracismo político que merecem. E tão importante quanto derrotar o PT e Lula é desmascarar a farsa do discurso que eles incorporam, para impedir que ele seja apropriado por outros. Afinal, como sempre ocorre quando a liderança da esquerda entre em colapso, já surgem os candidatos a sucessores do PT e de Lula: o PSOL e Heloísa Helena estão aí, e todo mundo parece mais preocupado em cantar loas à “força” e à “coragem” da senadora alagoana e à “coerência histórica” do seu partido, do que em atentar que o objetivo final que eles perseguem é o de implantar no Brasil um regime socialista (e portanto ditatorial), do mesmo estilo do que existe em Cuba e que está sendo implementado gradualmente na Venezuela. A questão que se coloca ao Brasil em 2006 é a seguinte: vamos romper de uma vez com essa ladainha pseudo-humanista de raiz socialista, enxergar o mundo de forma realista e objetiva, e enterrar de uma vez as utopias regressivas pregadas por sindicalistas pançudos e professores universitários patifes, ou vamos apenas trocar as moscas?

Que 2006 seja o ano em que terminemos de derrubar o muro de Berlim no Brasil. Caso contrário, corremos o risco de continuar caminhando, de queixo erguido e gritando palavras de ordem, rumo à lenta africanização.

O ano de 2005 poderia entrar para a história como o ano em que as ilusões foram desmascaradas, os santos de barro viram seus pés derreterem, a mentira mostrou que tem pernas longas mas inevitavelmente tropeça em algum ponto do caminho. Infelizmente, também foi o ano que mostrou que muita gente está disposta a continuar acreditando nas mesmas ilusões mistificadoras, adorando os mesmos santos e contando as mesmas mentiras, e que é muito fácil trocar as falsidades desacreditadas por versões novas da mesma velha lorota.

No campo internacional, este ano mostrou mais uma vez o que é mais do que óbvio: o modelo de Estado de Bem-Estar Social (Welfare State), que a esquerda chique tenta nos vender como a salvação da lavoura, está em colapso. Isso não é nenhuma surpresa: é a conseqüência natural de um modelo de organização econômica que, em nome da “justiça social” e da “igualdade”, deu a uma determinada geração benesses e segurança bancados pelo Estado e pendurou a conta para as gerações futuras pagarem; de um sistema em que progressivamente faz mais sentido, do ponto de vista puramente racional, ficar em casa e viver do seguro-desemprego do que ir à luta e encontrar trabalho. É inevitável que um sistema que dá uma enorme proteção aos trabalhadores empregados formais, mas deixa os jovens recém-formados, os desempregados, e os sub-empregados à míngua, um dia desabe. As vitórias de partidos mais à direita na Polônia, na Alemanha (onde, infelizmente, a coalizão com os social-democratas tende a levar o governo Merkel ao colapso rapidamente), e na Itália é sinal de que as pessoas começam a perceber o erro do modelo social-democrata imperante desde o fim da Segunda Guerra: a priorização da redistribuição de renda de acordo com um plano qualquer estatal, em detrimento da geração de renda por meio do trabalho, da livre iniciativa e da competição levou a dois problemas: a esclerose econômica (que impede, já há pelo menos vinte anos, que o continente gere um emprego líquido novo sequer) e a esclerose social (pois a sociedade civil organizada, ao invés de ator autônomo capaz de seguir uma agenda própria e operar mudanças na sociedade de baixo para cima, passa a ter como único foco arrancar do Estado benefícios e benesses para grupos específicos, naquilo que pode muito bem ser chamado de “cultura da reclamação”).

Nada demonstra melhor a esclerose do Estado de Bem-Estar Social do que os recentes distúrbios na França. Sem ignorar o fato cabal de que a sociedade francesa é racista, xenófoba e preconceituosa, é realmente factível aceitar como “resistência” ou “revolta” legítimas a ação de jovens de origem magrebina, que recebem do Estado francês casa, dinheiro, educação e assistência médica subsidiadas ou de graça? O fato de que isso aconteça na França, berço da social-democracia moderna, mãe do modelo europeu, e farol da esquerda chique de todo o mundo, é sintomático: mesmo depois de décadas no poder, os socialistas franceses foram incapazes de criar um modelo de “justiça social”. É óbvio que seria assim, porque não existe “justiça social”: justiça só existe na relação entre duas pessoas, ou entre o indivíduo e o Estado. Uma sociedade justa é aquela em que a justiça predomina nas relações entre indivíduos e com o Estado, ou seja, em que os direitos fundamentais das pessoas são preservados e considerados superiores às vontades do Estado e das massas. Não há justiça alguma em um sistema que tira renda dos pobres para dar aos não-pobres e chama isso de “justiça social”. O Estado de Bem-Estar Social, simbolizado na França ardendo em chamas, é o retrato acabado de um modelo cheio de boas intenções que apenas gera mais e mais iniquidades.

E se sintomático é a Paris social-democrata ardendo em chamas ateadas por aqueles que ela subvenciona, defende e justifica, também é sintomático o comportamento da esquerda ao redor do mundo: diante da falência óbvia do modelo que ela mesma defendeu durante décadas, a resposta dela é, obviamente, defender que é preciso aprofundá-lo, não reformá-lo ou mesmo dissolvê-lo. A esquerda chique também tenta defender seu modelo de redistribuição de renda (que apenas a tira dos que não conseguem reclamar para dar àqueles que berram mais alto) amarrando-o a outros elementos, como educação universal, que antecedem o Estado de Bem-Estar Social e não dependem dele de forma alguma. Assim, fica fácil satanizar os que criticam a falência do sistema social-democrata como se fossem monstros insensíveis e cruéis. Como sempre, diante do fracasso, a esquerda prefere atacar “a direita” e o capitalismo do que reconhecer seus próprios erros.

No Brasil e na América Latina a evidência factual não apenas é ignorada, como distorcida para justificar um programa que é ainda mais iníquo do que o defendido pela esquerda chique européia. A máscara de Hugo Chavez finalmente caiu com as eleições parlamentares recentes, deixando claro que a Venezuela já é uma ditadura em tudo menos no nome. Na Bolívia, A vitória de Evo Morales leva ao poder o segundo líder esquerdista nos moldes de Luiz Inácio Lula da Silva (o messias trabalhador que vai redimir os pecados de cinco séculos de exploração), e tal como o original, está condenado de antemão ao fracasso se levar adiante as políticas insanas que sempre defendeu. O fato de que a Bolívia, vítima de séculos de populismo, demagogia, patrimonialismo, e agora socialismo, não ter importância alguma para o mundo pode efetivamente dar a Morales a chance de destruir seu país e tranformá-lo em uma terceira Cuba impunemente. Chavez conseguiu, o que aumenta as chances de Morales.

No Brasil, 2005 foi o ano em que o país descobriu (ou abriu os olhos, pois as evidências já existiam há muito) quem e o quê é o PT e Lula. O governo Lula patrocinou um retrocesso incrível na qualidade das práticas políticas brasileiras, e mostrou que o único objetivo do PT é o poder, custe o que custar. Mas me parece que, a despeito da incompetência e fraqueza da oposição partidária (que não teve a capacidade de pedir o impeachment de Lula, a despeito de todas as evidências), o Rubicão foi cruzado e a mítica que a esquerda regressiva construiu desde os anos 60, e de que o PT é representante máximo, começa a trincar. 2006 será um ano difícil, pois a gangue que ascendeu ao poder em 2002 não poupará esforços para permanecer no comando do país. Caberá a todos os democratas, de qualquer linha ideológica, entrar em campo para garantir que o PT e Lula sejam lançados ao ostracismo político que merecem. E tão importante quanto derrotar o PT e Lula é desmascarar a farsa do discurso que eles incorporam, para impedir que ele seja apropriado por outros. Afinal, como sempre ocorre quando a liderança da esquerda entre em colapso, já surgem os candidatos a sucessores do PT e de Lula: o PSOL e Heloísa Helena estão aí, e todo mundo parece mais preocupado em cantar loas à “força” e à “coragem” da senadora alagoana e à “coerência histórica” do seu partido, do que em atentar que o objetivo final que eles perseguem é o de implantar no Brasil um regime socialista (e portanto ditatorial), do mesmo estilo do que existe em Cuba e que está sendo implementado gradualmente na Venezuela. A questão que se coloca ao Brasil em 2006 é a seguinte: vamos romper de uma vez com essa ladainha pseudo-humanista de raiz socialista, enxergar o mundo de forma realista e objetiva, e enterrar de uma vez as utopias regressivas pregadas por sindicalistas pançudos e professores universitários patifes, ou vamos apenas trocar as moscas?

Que 2006 seja o ano em que terminemos de derrubar o muro de Berlim no Brasil. Caso contrário, corremos o risco de continuar caminhando, de queixo erguido e gritando palavras de ordem, rumo à lenta africanização.

Luiz Antonio Moraes Simi

Bacharel em Administração pela Universidade de São Paulo, tem sua experiência profissional concentrada nas áreas de finanças e controladoria. Atualmente reside em Munique, onde trabalha com projetos para a área de exportação de uma grande companhia alemã. Um seguidor do liberalismo clássico e da Escola Austríaca de Economia, acredita em livre mercado, liberdade individual, pluralismo político e direitos individuais inalienáveis. É colunista dos sites Capitólio.org e Liberdade Econômica, e mantém um blog, "Livre Pensamento", dedicado à discussão da doutrina liberal.

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