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19 Dez 2005

Por Que Lula Pode Perder?

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Durante grande parte deste governo acreditei que a reeleição do Presidente era um fato difícil de ser revertido.

Durante grande parte deste governo acreditei que a reeleição do Presidente era um fato difícil de ser revertido. Entretanto, após as duas últimas rodadas de pesquisas, tenho observado uma mudança significativa que pode comprometer o projeto de continuidade do presidente Lula no Palácio do Planalto.

O primeiro ponto importante de análise reside nos elementos que levaram a atual administração encarar o descrédito da opinião pública. Os fatos relevantes nasceram no seio do governo petista, ou seja, o ponto central da crise que abate o Planalto tem origem no seu modus operandi administrativo-político. A crise, portanto, não foi gestada, nem deflagrada pela oposição, pois nasceu de desentendimentos da base aliada, que, depois de sentir-se traída, denunciou, sem cerimônia, as práticas pouco ortodoxas de relacionamento entre Palácio do Planalto e alguns membros do Congresso Nacional. Vale lembrar que o Partido dos Trabalhadores não alcançou o poder com maioria parlamentar. Como lembrei no artigo “Desafio Político para Lula”, em 3 de janeiro de 2003, o governo contaria com uma base, eleita, de no máximo 240 deputados federais e 43 senadores – “Pode ser um número razoável para governar, porém não é um número confortável para mudar”, lembrei. Começaria o difícil jogo da articulação política no Congresso.

A cooptação parlamentar veio, entretanto, além do habitual uso de liberação de emendas nos Ministérios, por meio da conhecida mesada destinada a alguns parlamentares, o chamado “mensalão”. Assim, partidos como PP, PL e PTB se alinharam ao Governo. As denúncias dos antigos aliados do Planalto fizeram surgir três CPI’s que passaram a investigar os tentáculos da rede de corrupção organizada no Governo Lula, com destaque para a CPI dos Correios. A partir daí, descobriu-se financiamento ilegal da campanha do Presidente Lula com recursos alocados em paraísos fiscais, esquemas de desvio de recursos em estatais, negócios escusos com fundos de pensão, quase duas dezenas de congressistas processados no Conselho de Ética, queda de presidentes de partidos, diretores de estatais e ministros de Estado, entre diversas outros.

Enquanto isso, a popularidade do Presidente mostrava sinais de franqueza, aos poucos. Os efeitos das denúncias chegam aos poucos para as diversas camadas da sociedade, portanto, somente algum tempo após a eclosão da crise e o estabelecimento de seu ritmo, poderia se avaliar o grau de desgaste que estava sofrendo o Governo e o Presidente. Assim, acerca de um mês o primeiro esboço estável pós-crise foi divulgado e finalmente confirmado pelos retratos de dezembro. Várias conclusões podem ser extraídas. As mais importantes, entretanto, evidenciam que a figura do Presidente não se encontra mais descolada de seu governo e o apoio colhido pelo Planalto e seu condutor minguou de forma drástica nas classes A, B e C, e nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Aqueles que continuam a apoiar o presidente Lula são as classes menos favorecidas, das regiões mais pobres, que se beneficiam com a rede de proteção social-assistencial.

O erro estratégico da equipe política presidencial se evidencia na medida que Lula busca o eleitorado que já possui. Esta é uma estratégia perigosa, pois mostra-se desguarnecida exatamente na parcela da população formadora de opinião, que em última instância pode influenciar o voto dos que ainda apóiam o Presidente. Lula e sua equipe, se realmente desejam mais quatro anos no Planalto, precisam de uma agenda que traga benefícios rápidos para a classe média e resgate a mais preciosa parte do eleitorado, responsável pela vitória de 2002, e que atualmente está sendo perdida. Nada de radicalismos, grandes discursos, obras ou enfadonhas discussões entre monetaristas e desenvolvimentistas. Uma equipe competente, que gere resultados e foque sua atuação na segurança pública, desoneração tributária para médios e micro empresários, facilitação do crédito, entre outras dezenas de pequenas medidas que possam trazer esta parcela preciosa do eleitorado de volta. Sem um movimento neste sentido, a reeleição de Lula estará comprometida. Sem esta parte do eleitorado, o candidato Lula não passa dos 30% de intenções de voto, sem qualquer chance de vitória.

Durante grande parte deste governo acreditei que a reeleição do Presidente era um fato difícil de ser revertido. Entretanto, após as duas últimas rodadas de pesquisas, tenho observado uma mudança significativa que pode comprometer o projeto de continuidade do presidente Lula no Palácio do Planalto.

O primeiro ponto importante de análise reside nos elementos que levaram a atual administração encarar o descrédito da opinião pública. Os fatos relevantes nasceram no seio do governo petista, ou seja, o ponto central da crise que abate o Planalto tem origem no seu modus operandi administrativo-político. A crise, portanto, não foi gestada, nem deflagrada pela oposição, pois nasceu de desentendimentos da base aliada, que, depois de sentir-se traída, denunciou, sem cerimônia, as práticas pouco ortodoxas de relacionamento entre Palácio do Planalto e alguns membros do Congresso Nacional. Vale lembrar que o Partido dos Trabalhadores não alcançou o poder com maioria parlamentar. Como lembrei no artigo “Desafio Político para Lula”, em 3 de janeiro de 2003, o governo contaria com uma base, eleita, de no máximo 240 deputados federais e 43 senadores – “Pode ser um número razoável para governar, porém não é um número confortável para mudar”, lembrei. Começaria o difícil jogo da articulação política no Congresso.

A cooptação parlamentar veio, entretanto, além do habitual uso de liberação de emendas nos Ministérios, por meio da conhecida mesada destinada a alguns parlamentares, o chamado “mensalão”. Assim, partidos como PP, PL e PTB se alinharam ao Governo. As denúncias dos antigos aliados do Planalto fizeram surgir três CPI’s que passaram a investigar os tentáculos da rede de corrupção organizada no Governo Lula, com destaque para a CPI dos Correios. A partir daí, descobriu-se financiamento ilegal da campanha do Presidente Lula com recursos alocados em paraísos fiscais, esquemas de desvio de recursos em estatais, negócios escusos com fundos de pensão, quase duas dezenas de congressistas processados no Conselho de Ética, queda de presidentes de partidos, diretores de estatais e ministros de Estado, entre diversas outros.

Enquanto isso, a popularidade do Presidente mostrava sinais de franqueza, aos poucos. Os efeitos das denúncias chegam aos poucos para as diversas camadas da sociedade, portanto, somente algum tempo após a eclosão da crise e o estabelecimento de seu ritmo, poderia se avaliar o grau de desgaste que estava sofrendo o Governo e o Presidente. Assim, acerca de um mês o primeiro esboço estável pós-crise foi divulgado e finalmente confirmado pelos retratos de dezembro. Várias conclusões podem ser extraídas. As mais importantes, entretanto, evidenciam que a figura do Presidente não se encontra mais descolada de seu governo e o apoio colhido pelo Planalto e seu condutor minguou de forma drástica nas classes A, B e C, e nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Aqueles que continuam a apoiar o presidente Lula são as classes menos favorecidas, das regiões mais pobres, que se beneficiam com a rede de proteção social-assistencial.

O erro estratégico da equipe política presidencial se evidencia na medida que Lula busca o eleitorado que já possui. Esta é uma estratégia perigosa, pois mostra-se desguarnecida exatamente na parcela da população formadora de opinião, que em última instância pode influenciar o voto dos que ainda apóiam o Presidente. Lula e sua equipe, se realmente desejam mais quatro anos no Planalto, precisam de uma agenda que traga benefícios rápidos para a classe média e resgate a mais preciosa parte do eleitorado, responsável pela vitória de 2002, e que atualmente está sendo perdida. Nada de radicalismos, grandes discursos, obras ou enfadonhas discussões entre monetaristas e desenvolvimentistas. Uma equipe competente, que gere resultados e foque sua atuação na segurança pública, desoneração tributária para médios e micro empresários, facilitação do crédito, entre outras dezenas de pequenas medidas que possam trazer esta parcela preciosa do eleitorado de volta. Sem um movimento neste sentido, a reeleição de Lula estará comprometida. Sem esta parte do eleitorado, o candidato Lula não passa dos 30% de intenções de voto, sem qualquer chance de vitória.

Márcio Coimbra

Márcio Chalegre Coimbra, é advogado, sócio da Governale - Políticas Públicas e Relações Institucionais (www.governale.com.br). Habilitado em Direito Mercantil pela Unisinos. Professor de Direito Constitucional e Internacional do UniCEUB – Centro Universitário de Brasília. PIL pela Harvard Law School. MBA em Direito Econômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em Direito Internacional pela UFRGS. Vice-Presidente do Conil-Conselho Nacional dos Institutos Liberais pelo Distrito Federal. Sócio do IEE - Instituto de Estudos Empresariais. É editor do site Parlata (www.parlata.com.br) articulista semanal do site www.diegocasagrande.com.br e www.direito.com.br. Tem artigos e entrevistas publicadas em diversos sites nacionais e estrangeiros (www.urgente24.tv e www.hacer.org) e jornais brasileiros como Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Zero Hora, Jornal de Brasília, Correio Braziliense, O Estado do Maranhão, Diário Catarinense, Gazeta do Paraná, O Tempo (MG), Hoje em Dia, Jornal do Tocantins, Correio da Paraíba e A Gazeta do Acre. É autor do livro “A Recuperação da Empresa: Regimes Jurídicos brasileiro e norte-americano”, Ed. Síntese - IOB Thomson (www.sintese.com).

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