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19 Dez 2005

Torcendo Pelos Gafanhotos

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Enfim uma boa notícia para as hostes petistas gaúchas e outros ingênuos companheiros de viagem nesse turismo eleitoral através do infortúnio do Estado.Os olhos do deputado exibiam um brilho há muito não visto. Durante meses, as sobrancelhas arqueavam ao peso dos escândalos, formando bico na parte central, junto à testa, em expressão que suscitava piedade e solidariedade. "Tadinho, tanta esperança naufragada nessa tormenta de fracassos e escândalos", a gente ficava pensando. Mas agora era diferente. A voz readquiria o tônus antigo e o velho punho esquerdo cerrado quase se erguia para o alto, em descontrole. Diante de si, o gráfico exibido às câmeras, mostrando que o PIB e o nível do emprego industrial do Rio Grande decresceram entre 2004 e 2005. Sem esboçar o menor constrangimento, sua excelência sugeria que tudo tinha origem no aumento de alguns impostos, aprovado em fins de 2004, e fazia comparações com os minguados e minguantes índices positivos de crescimento da economia nacional.

Assistindo-o, lembrei-me do samba de Noel Rosa: "Quem é você que não sabe o que diz? Meu Deus do céu, que palpite infeliz!" A economia gaúcha foi vítima, neste ano de 2005, da pior estiagem de sua história. Perdemos 72% da safra de soja e 64% da safra de milho, ou, em números absolutos, mais de seis milhões de toneladas do primeiro e três milhões de toneladas do segundo produto. Os danos se estenderam, também, às colheitas de arroz (-10%), trigo (-30%) e feijão (-50%). O efeito dessa catástrofe nas cadeias produtivas e no conjunto do mercado ultrapassa os sete bilhões de reais e gera um impacto negativo superior a cinco por cento no PÌB estadual. Isso é riqueza sumida e consumida ao sol, na terra seca. E sua excelência atribuía os números negativos da economia gaúcha ao aumento nas contas de luz, telefone e combustível, a partir de abril, esquecido de que: a) à exceção da telefonia, as novas alíquotas não incidem nos fornecimentos à indústria; b) esse aumento custou aos demais consumidores 300 milhões de reais; c) os mesmos preços a cujos aumentos sua excelência e outros desinformados pretendem atribuir a queda do PIB gaúcho são administrados pelo governo federal que a todos concedeu, ao longo do ano, abusivas elevações cujo ônus supera, em muito, os números do aumento do ICMS.

"Não há de ser nada", argumentaram meus botões, "verás que ele vai referir a Taxa Selic, a centralização de 60% dos recursos públicos na União, a política cambial, a questão chinesa, o preço das commodities, e tal e coisa". Mas qual o quê! Meus botões não entendem coisa alguma de PT. Sua excelência brandia o dedo sobre o gráfico como quem descobriu um ninho de éguas e mostrava que entre 2004 e 2005 o Brasil crescera e a economia gaúcha encolhera. E ponto final! Aleluia! Enfim uma boa notícia para as hostes petistas gaúchas e outros ingênuos companheiros de viagem nesse turismo eleitoral através do infortúnio do Estado. As sobrancelhas invertem a curvatura e nos olhos reluz a esperança: que peguem todos os maus-olhados e venham os gafanhotos, os terremotos, as saúvas, as sete pragas do Egito e as maldições de Malaquias. Será a glória, companheiros!
Os olhos do deputado exibiam um brilho há muito não visto. Durante meses, as sobrancelhas arqueavam ao peso dos escândalos, formando bico na parte central, junto à testa, em expressão que suscitava piedade e solidariedade. "Tadinho, tanta esperança naufragada nessa tormenta de fracassos e escândalos", a gente ficava pensando. Mas agora era diferente. A voz readquiria o tônus antigo e o velho punho esquerdo cerrado quase se erguia para o alto, em descontrole. Diante de si, o gráfico exibido às câmeras, mostrando que o PIB e o nível do emprego industrial do Rio Grande decresceram entre 2004 e 2005. Sem esboçar o menor constrangimento, sua excelência sugeria que tudo tinha origem no aumento de alguns impostos, aprovado em fins de 2004, e fazia comparações com os minguados e minguantes índices positivos de crescimento da economia nacional.

Assistindo-o, lembrei-me do samba de Noel Rosa: "Quem é você que não sabe o que diz? Meu Deus do céu, que palpite infeliz!" A economia gaúcha foi vítima, neste ano de 2005, da pior estiagem de sua história. Perdemos 72% da safra de soja e 64% da safra de milho, ou, em números absolutos, mais de seis milhões de toneladas do primeiro e três milhões de toneladas do segundo produto. Os danos se estenderam, também, às colheitas de arroz (-10%), trigo (-30%) e feijão (-50%). O efeito dessa catástrofe nas cadeias produtivas e no conjunto do mercado ultrapassa os sete bilhões de reais e gera um impacto negativo superior a cinco por cento no PÌB estadual. Isso é riqueza sumida e consumida ao sol, na terra seca. E sua excelência atribuía os números negativos da economia gaúcha ao aumento nas contas de luz, telefone e combustível, a partir de abril, esquecido de que: a) à exceção da telefonia, as novas alíquotas não incidem nos fornecimentos à indústria; b) esse aumento custou aos demais consumidores 300 milhões de reais; c) os mesmos preços a cujos aumentos sua excelência e outros desinformados pretendem atribuir a queda do PIB gaúcho são administrados pelo governo federal que a todos concedeu, ao longo do ano, abusivas elevações cujo ônus supera, em muito, os números do aumento do ICMS.

"Não há de ser nada", argumentaram meus botões, "verás que ele vai referir a Taxa Selic, a centralização de 60% dos recursos públicos na União, a política cambial, a questão chinesa, o preço das commodities, e tal e coisa". Mas qual o quê! Meus botões não entendem coisa alguma de PT. Sua excelência brandia o dedo sobre o gráfico como quem descobriu um ninho de éguas e mostrava que entre 2004 e 2005 o Brasil crescera e a economia gaúcha encolhera. E ponto final! Aleluia! Enfim uma boa notícia para as hostes petistas gaúchas e outros ingênuos companheiros de viagem nesse turismo eleitoral através do infortúnio do Estado. As sobrancelhas invertem a curvatura e nos olhos reluz a esperança: que peguem todos os maus-olhados e venham os gafanhotos, os terremotos, as saúvas, as sete pragas do Egito e as maldições de Malaquias. Será a glória, companheiros!
Percival Puggina

O Prof. Percival Puggina formou-se em arquitetura pela UFRGS em 1968 e atuou durante 17 anos como técnico e coordenador de projetos do grupo Montreal Engenharia e da Internacional de Engenharia AS. Em 1985 começou a se dedicar a atividades políticas. Preocupado com questões doutrinárias, criou e preside, desde 1996, a Fundação Tarso Dutra de Estudos Políticos e Administração Pública, órgão do PP/RS. Faz parte do diretório metropolitano do partido, de cuja executiva é 1º Vice-presidente, e é membro do diretório e da executiva estadual do PP e integra o diretório nacional.

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