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14 Dez 2005

Fuvest 2006: A Apologia da Irresponsabilidade

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Das doze questões apresentadas na última prova de 1a fase da Fuvest, quatro revelam-se problemáticas devido a tendeciosidade...
Das doze questões apresentadas na última prova de 1a fase da Fuvest, quatro revelam-se problemáticas devido a:

-          Tendenciosidade ideológica;

-          Ignorância historiográfica;

-          Suposições sem rigor analítico;

-          Confusão entre ciência ambiental e política ambiental;

-          E superestimação dos efeitos econômicos do protocolo de Kyoto.

 

Toma que o filho é teu

 

A questão abaixo revela que ocorreram dois saltos na dívida externa latino-americana, um nos anos 80 e outro em meados dos anos 90. A resposta óbvia e banal é que a dívida aumentou devido a alta dos juros internacionais. Óbvia por que trata de um mero efeito, conseqüência e nada alem disto. É como se os juros subissem por conta própria, sem relações entre governos e agencias internacionais.

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Respeito o intento de testar a capacidade de observação e análise gráfica dos candidatos a vaga na universidade. Sim, por que o nível de nosso ensino médio é tão baixo que até isto tem que ser posto a prova, creiam-me. O analfabetismo funcional também é analfabetismo em vários sentidos, inclusive, “analfabetismo de leitura gráfica”.

Nada mais sintomático do que a USP querer criar agora um curso, cuja avaliação será meramente oral para militantes do MST, como bem alertou Daniel Sant’Anna em sua crítica ferina e irônica.

Mas, retornando à questão, qual a causa da alta dos juros? O preço do barril de petróleo foi o principal fator, considerando-se o período analisado. No inicio dos anos 80, o preço do barril chegou a bater nos US$ 70,00 devido a crise no Golfo Pérsico deflagrada pelo aiatolá Khomeini que barrou a passagem de cargueiros no Estreito de Ormuz. Com menos dinheiro em caixa devido ao custo da mercadoria, os bancos diminuíram o crédito oferecido. Logo depois, aventuras latino-americanas, como a moratória declarada por México e Brasil em 1982 (esta, no governo de José Sarney) bem como a da Bolívia em 1984 fizeram com que os acionistas internacionais só emprestassem dinheiro em condições mais vantajosas, isto é, com maiores taxas de retorno do investimento.

Também fica implicitamente fora da análise que um país como o Brasil detenha altos juros em seu financiamento externo por que os seus gastos internos com a máquina administrativa sejam exorbitantes. Logo, o financiamento da dívida do governo federal e estados é muito mais interessante do que o empréstimo para o setor produtivo privado.

Mas, acusar tais agentes como causadores da alta dos juros, o Oriente Médio, o populismo congênito da América Latina e o desequilíbrio fiscal nacional, significa tributar a causa aos próprios “expropriados”, o que, evidentemente, uma Fuvest não faria. Portanto, fica mais conveniente dizer “aumento das taxas de juros externos” como se estes fossem independentes de uma dinâmica de mercado global. Ou que tal dinâmica também não seja decorrente do que América Latina e Oriente Médio façam ou deixem de fazer. A idéia subjacente é que nós, latino-americanos, bem como árabes e persas sejamos apenas afetados, submetidos pela “dinâmica externa do mercado”. Ou, como gostariam muitos professores de humanas, induzir a responsabilidade aos acionistas internacionais que simplesmente reagiram a uma crise deflagrada pelos próprios mercados de investimento, ou seja, nós. Não explicitando os agentes envolvidos resta uma névoa que oculta os verdadeiros culpados e atribui, implicitamente, a responsabilidade aos “ricos insensíveis”.

Mais um joguinho da Fuvest.

 

Desprezo pela história[1]

 

A questão a seguir sobre os investimentos externos na União Européia considera como correta os itens I e III. Quanto ao primeiro, nada a objetar, uma vez que a condição de sede da União deve trazer mesmo algum tratamento especial. Aliás, não apenas isto, mas regiões mais pobres da união, como Portugal, Espanha e Grécia ao entrarem no bloco em 1973 e 1981 passaram a ser alvo de investimentos específicos retirados de um fundo comum para desenvolvimento da “periferia”.[2]

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No entanto, o item III que afirma ter o Reino Unido sido beneficiado em investimentos externos devido ao “apoio à política externa dos Estados Unidos” é obscuro. Em se tratando do período 1989-1999 temos como política externa efetiva dos EUA, a primeira Guerra do Golfo em 1991, na qual a França, além do Reino Unido enviaram tropas contra as forças iraquianas. Portanto, como entender algum benefício dado aos britânicos se os “comedores de rãs” também pisaram nas areias da Mesopotâmia ao lado dos yankees?

A afirmativa III só não pode ser considerada incorreta por que não exclui de modo implícito, dos investimentos externos, países como a França, que também fizeram parte da aliança na guerra de 1991. Mas, é estranho por que não teriam sido citados na afirmativa.

Faria mais sentido se o gráfico abarcasse o período posterior a 2003 – a segunda Guerra do Golfo[3] -, quando os britânicos foram os principais aliados europeus e países como França e Alemanha se opuseram ao envio de tropas e apoio militar geral.

Quem formulou tal questão quis acusar os britânicos de efetuarem uma espécie de “política externa mercenária”. Apontando a razão para os britânicos apoiarem os EUA no fomento a sua economia, não passa de um simples wishful thinking. Pois se fosse uma questão bem articulada, seu formulador se daria, pelo menos, ao préstimo de verificar a cronologia dos fatos. E se verificou, é pior. Pois daí, a escolha preferencial pelo RU como “aliado mercenário” dos EUA revela um juízo de valor em desconsideração com os fatos, uma vez que não foi o único a fornecer apoio na guerra durante o período.

Se a questão não é contraditória e ainda apresenta lógica, por outro lado peca pela falta de clareza e abrangência. Peca pela intuição em relacionar causa – apoio aos EUA – e efeito – investimentos externos. Quem acha que os EUA fariam caridade neste sentido ou comprariam o apoio político não entende patavina do modus operandi da economia americana. Uma prova disto é que, em que pese a oposição sistemática da China em muitas questões externas aos EUA, este continua investindo maciçamente naquele país. Assim como a própria China tem financiado o déficit público americano...

Mesmo que possa existir tal relação econômica entre EUA e RU, ela teria que ser provada e dada como fato, coisa que duvido tenham posse os professores da Fuvest.

O porquê de privilegiar o Reino Unido na análise se origina pela posição de Blair em relação a Bush em sua mais recente aliança. Se por um lado, a questão continua válida, por outro ela não expõe claramente a situação, utilizando-se de um gráfico que não apresenta correspondência cronológica. Para acertar a resposta, o aluno tem que intuir a suposição do formulador da questão. Tal capacidade mediúnica é hoje um pré-requisito para passar no vestibular, dada a falta de rigor factual com que se ensina no Brasil.

 

O Homo sapiens deve ser extinto

 

A seguir, a confusão entre análise sobre o meio ambiente com definição de política para o meio ambiente.

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As afirmações I e II tidas como corretas são controversas. A primeira diz que “a preservação dos ecossistemas pressupõe a conservação integral de vastas superfícies”. Não é consenso este “modelo Yellowstone” de preservação. Antonio Carlos Diegues em O Mito Moderno da Natureza Intocada faz defesa contraria, mostrando como é possível sim, preservar ecossistemas em interação com populações locais e autóctones.[4] As primeiras bases teóricas e legais para a criação de parques sem ocupação humana se deram em 1872, no Parque Nacional de Yellowstone no noroeste de Wyoming, nos EUA.[5] Mas, o resultado positivo deste modelo só se dá em sociedades altamente urbanizadas que possam prescindir de vastas zonas rurais.

Até aí, nada de ideologia socialista permeando a criação dos parques. Mas, em 1962, em Bali na Indonésia, o Terceiro Congresso Mundial de Parques Nacionais asseverava que “(...) a estratégia de parques nacionais e unidades de conservação somente ganharia sentido (sic) com [a] redução do consumismo dos países industrializados e com elevação da qualidade de vida da população humana dos países em vias de desenvolvimento, sem o que ela seria forçada a superexplorar os recursos naturais”.[6]

O que se passa? Que a falta de uma política conservacionista adequada por parte dos países em desenvolvimento se deve a economia dos países desenvolvidos! Que a falta de desenvolvimento do setor privado nacional e a incompetência do planejamento no uso dos recursos naturais é culpa da Europa, EUA e Japão! Que, se queremos ter algum recurso futuro, devemos acabar com a economia de mercado – e deixar de investir em tecnologia -, para voltarmos a um estado primitivo, “puro”. Uma vez que para alçar um maior desenvolvimento econômico e social é, implícito, explorar menos os recursos naturais. Como se vê, o subdesenvolvimento é, antes de tudo, mental, pois a precondição para o desenvolvimento não está na exploração maior ou menor de recursos naturais, mas na produtividade de seu uso. E, em se tratando de meio ambiente, na minoração de seus impactos, o que é também, altamente lucrativo. Existe todo um campo de consultoria hoje, em pleno desenvolvimento, assessorando empresas a poluir menos e reciclar mais. Não é o sócio-ambientalismo que salva a natureza, mas a produtividade capitalista. Fazer render mais a produção energética, por exemplo, é um pressuposto ambiental em plena concordância com a lógica do capitalismo.

Só falta aos apologistas desta visão anticivilizatória copiarem Dom Cappio, o bispo que apelou para a greve de fome contra a transposição do Rio São Francisco e fazerem greve de fome! Melhor seria se seguissem o exemplo do ambientalista que ateou fogo ao próprio corpo contra as usinas de álcool que seriam construídas no Pantanal, pondo assim fim a sua fútil existência.

Ao invés de limites, a natureza fornece inúmeras possibilidades. Por outro lado, o fanatismo que deriva do culto a “mãe natureza”, bem antigo. E se funda na ignorância sobre o que é a própria natureza, em como ela funciona e nas possibilidades de sua utilização. Em O Homem e o Mundo Natural, Keith Thomas chama a atenção para os primórdios da crítica à urbanidade (e as bases do futuro ambientalismo) na Inglaterra dos séculos XVI ao XVIII. Seu estudo parte da literatura e de poetas que louvavam e faziam ode a um mundo do qual não viveram, verdadeiramente. Criaram então, uma visão idílica sobre o que seria seu country, idealizando um mundo harmônico e estável.

No item II, a preocupação justificada de Aziz Ab’Saber[7] quanto a exploração de florestas próximas a estradas poder levar a um maior desmatamento é pertinente. No entanto, a ênfase dada é pela simples localização: ao longo da estrada podem surgir outros focos de desmatamento não previstos pelo planejamento inicial devido às facilidades de acesso. Mas, se a fiscalização na produção, distribuição e, especialmente, no consumo com a adoção de “selos verdes” condicionaria os produtores a adotarem os parâmetros de planejamento, qual é o problema? Não podemos, sob o argumento da “possibilidade de desmatamento” deixar de implementar infra-estrutura necessária a integração nacional como as estradas. Isto é uma prova de incompetência gerencial. O intercambio entre Ibama e Policia Federal, bem como a integração de seus sistemas de informação e a criação de satélites brasileiros é que deveriam ser metas para melhor gerenciamento e não, simplesmente, a obstrução a um desenvolvimento racional.

Uma outra questão, para futuros artigos pode ser sugerida: a quem serve o Ibama? Como funciona este órgão? Comecemos pensando sobre quem, no Congresso Nacional, o encampa...

No entanto, a morosidade do Ibama em expedir qualquer autorização de exploração, o anúncio da declaração de moratória a qualquer atividade madeireira no Mato Grosso, Pará e Rondônia, a suspensão do transporte de produtos florestais já levou a demissão de 6.000 empregados em apenas um mês. Obviamente que não endosso o desmatamento a qualquer custo, mesmo por que isto elimina a possibilidade de desenvolvimento mais lucrativo e no longo prazo. Mas, defendo sim o corte com reflorestamento ou gestão ambiental correta demarcando áreas para germinação. O fato do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama não acatarem uma administração e políticas de consenso só pode ser explicada pela cegueira ideológica ambientalista e por “incompetência conveniente” de sua administração.[8] E não pense o leitor que tais madeireiras não se empenhem em seguir regras de ongs ambientalistas internacionais. Até mesmo ongs ambientalistas criticaram a ação do ministério. Segundo Marco Lentini, engenheiro florestal da ong Imazon, as madeireiras afiliadas que buscam o manejo adequado são responsáveis por 8 mil empregos diretos e indiretos. Já, para as madeireiras ilegais não há impedimentos nem restrições de qualquer espécie. A certificação ambiental é que deveria ser fomentada. Como informa o site Alerta em Rede:

“No fundo, por seguirem as regras e pagarem um alto preço para obter o selo-verde do FSC – criado e controlado pela tríade WWF-Greenpeace-Friends of the Earth -, esperavam contar com um ‘tratamento diferenciado’ por parte do Ibama e outros órgãos públicos. Pelo jeito, se equivocaram: ‘Mas como é que vamos fazer os produtores virem para a certificação se acontecem essas coisas? Não existe nenhum incentivo para as empresas adotarem o manejo florestal’, reclamou Lentini.”

Segundo a revista Exame de setembro passado, a Amazônia tem potencial de 2 trilhões de dólares na exploração de sua biodiversidade; 1 trilhão em potencial mineral; 9 bilhões no manejo florestal sustentável; e 200 milhões através de investimentos em ecoturismo. No entanto, o uso irracional com queimadas para pastos já acabou com 17% dela, aliada a burocracia que impede investimentos produtivos e racionais. Também ocorrem invasões em propriedades por parte dos chamados “sem tora” ligados a madeireiros ilegais.

Considerar a alternativa ‘d’ como certa significa apoiar uma Amazônia sem seres humanos. Significa abdicar de uma ocupação racional do território brasileiro... pelos brasileiros. A quem interessa? Mais do que a estrangeiros gananciosos, a brasileiros covardes e ignorantes. Precisamos revisar nosso conceito de ambientalismo. Pois o que está em voga já passou do conceito que visa a preservação das espécies para aquele que promove a extinção da espécie humana e nenhum destes pode ser sustentado em nome da ciência.

 

Na base do álcool

 

Embora o interesse externo por fontes renováveis e alternativas de energia seja um fator importante à produção de cana para o álcool combustível (alternativa ‘e’) não é irrelevante a desvalorização cambial (alternativa ‘d’) como facilitador desta situação. Ademais, querer crer que Kyoto tenha alguma influência substancial nisto é prova de grande desinformação. A alternativa ‘d’ só permanece incorreta devido ao detalhe da palavra ‘todos’, pois realmente é difícil imaginar o mesmo incremento ocorrido nas exportações de derivados de cana com a rapadura...

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O foco reside na alternativa energética devido a redução da oferta de petróleo, e a oscilação de seu preço no mercado internacional devido aos conflitos no Oriente Médio. Em duas décadas, o biodiesel e o álcool combustível serão dois importantes substitutos. O que vemos agora é um pequeno esboço do que se vislumbra no horizonte em termos de política energética.[9]

A alternativa ‘e’ só pode ser tomada como correta no lugar de ‘d’ se rezarmos junto à cartilha ambientalista. E o mundo econômico ainda não se move integralmente pelos planos das ongs. Quando um vestibular adota subterfúgios como invalidar uma alternativa (d) por esta se referir a “todos os subprodutos”, ele não está avaliando o conhecimento do aluno em relação à matéria, mas sim seu grau de atenção e uma certa dose de esperteza. Eu estaria de acordo até, se a resposta correta não se baseasse num mito, o de que o Protocolo de Kyoto tem peso significativo nas transações internacionais.

Colocar um detalhe errado em uma alternativa substancialmente certa, é uma boa maneira de condicionar a opção do candidato àquela endossada, ideologicamente, pela banca examinadora. Pode-se aventar uma conjuntura internacional favorável como a dada pelo Protocolo de Kyoto, mas é difícil desprezar a alta do petróleo como menos pertinente. Ademais, se o câmbio não estivesse favorável às exportações, outro produtor poderia tomar o lugar do Brasil. De modo que a alternativa ‘d’ só pode ser considerada errada por um detalhe (“todos os subprodutos”) e a alternativa ‘e’ considerada correta por falta de alternativa mais abrangente e 100% correta.

Tanto Kyoto não é substancial por que se o petróleo estivesse barato, as exportações de álcool não alavancariam por si só. Por outro lado, com toda argumentação moralista em cima de Kyoto, as exportações do álcool combustível não aumentaram significativamente antes da Guerra ao Iraque e aos efeitos do Katrina nas plataformas petrolíferas do Golfo do México que aumentaram o preço do barril de petróleo. Na verdade, ocorre uma conjunção de fatores favoráveis à exportação. Dentre os quais, Kyoto é o menos significativo.

Portanto, quando uma WWF critica o programa do álcool sustentando que o mesmo só deu certo devido a “concessão de subsídios, o que ocorreria até hoje, pelo desrespeito a questões ambientais, fundiárias e trabalhistas”, ela está usando qualquer falácia como argumento para bloquear uma política econômica e ambiental bem sucedida.

Quando relatório da WWF diz que “questões fiscais à parte, outras conseqüências negativas do programa incluem a exacerbação dos problemas trabalhistas, contaminação hídrica e atmosférica pela queimada de resíduos e a competição com outros produtos agrícolas e alimentares” revela uma atroz ignorância sobre a atual produção:

  1. A utilização de bóias-frias no corte de cana é conseqüência de uma legislação trabalhista ultrapassada no Brasil, onde se criam formas de emprego alternativas. Caso contrário, provavelmente, não haveria produção devido aos altos custos do emprego;
  1. A contaminação dos lençóis freáticos pela deposição do vinhoto no solo já não é prática comum. Na verdade, este subproduto deixou de ser indesejável, pois serve de matéria-prima para a fabricação de fertilizantes;
  1. A poluição atmosférica gerada pela queima do álcool é muitíssimo menor do que pelo uso de gasolina ou diesel. Neste quesito, o álcool é um produto “ecologicamente correto” e a posição da WWF é, no mínimo, estranha. Como se houvesse mais do que “interesse ambiental” em jogo;
  1. A produção de alimentos pode sofrer revezes por que interessa ao agricultor ganhar dinheiro. Assim como quem produz soja para ração do gado, o álcool revela-se uma alternativa sustentável para a agricultura. Se diminui a produção de alimentos é por que esta é excedente, daí seu baixo preço.
  1. Analogamente, se há fome (crônica, não aguda) no Brasil, esta se deve a falta de emprego, especialmente em regiões rurais dominadas por elites congressistas e não, a baixa produtividade agrária nacional.

Desconfiem portanto, dos porta-vozes do ambientalismo, há mais coisas entre o canavial e o mercado externo do que supõe nossa vã filosofia.

O que quer a WWF e, por extensão, nossos professores universitários, é uma resistência e proposição fundada no natimorto Protocolo de Kyoto.

Protocolo este que, em surdina, está em processo de desativação pelo G-8. Além dos EUA e Austrália que não aderiram ao referido projeto, o Comitê Econômico da Câmara dos Lordes britânica em julho passado, divulgou relatório com fortes críticas a objetividade científica do acordo. Entre outras observações, o documento ressalta que:

“(...) o conhecimento científico sobre as mudanças climáticas deixa margem a ‘consideráveis incertezas’ sobre o futuro [já que] existem dúvidas sobre a objetividade científica do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) [e] as metas de redução de emissões do Protocolo de Kyoto farão pouca diferença no cenário global e, provavelmente, fracassarão.” [10]

Segundo o documento, há um claro reconhecimento de que a demanda global de energia deverá crescer em 60% nos próximos 25 anos, especialmente na China e na Índia, e que isto irá requerer a manutenção e o desenvolvimento de “fontes de energia seguras, confiáveis e acessíveis”, fundamentais para a estabilidade e o desenvolvimento econômicos.

Quem formula tais questões é ingênuo, a ponto de advogar teses ambientalistas rejeitadas pela economia mundial ou tem interesses escusos ou bebe além da conta. Bem, se for a razão for esta última, o autor não seria tão contrário ao álcool assim...

 

Réquiem para a educação

 

Que a “educação brasileira” tem piorado muito, todos sabem. Mas, verdade seja dita e justiça seja feita, ela não pode ser atribuída, exclusivamente, a este governo Lula. Este processo de deterioração começou com o governo de Luíza Erundina na prefeitura de São Paulo, com seu “sistema de aprovação automática”, logo endossado pelo governo federal de Fernando Henrique Cardoso. Isto por parte do “lado oficial”, governista, pois por parte da própria sociedade civil já vem de longa data.

Quando vim para São Paulo, em 1989, pude trabalhar no inicio dos anos 90 em um grande grupo educacional do país. As condições físicas eram deploráveis, não havia sequer papel-toalha nos banheiros e as divisórias eram feitas de “compensado naval”, aquele material cor-de-rosa utilizado como divisória nas favelas mais pobres, só que pintado. A estrutura física era, na realidade, um reflexo do esmero que tinham pela escola especificamente e, pela educação em geral. Neste mesmo grupo educacional, antes da prova bimestral era feita uma série de revisões, cujas questões-treino eram as próprias questões que seriam utilizadas na prova, só que invertidas! Isto é, o que seria a resposta na prova, tornava-se pergunta na lista de preparo e vice-versa.

Pode se dizer que isto não corresponde as grandes linhas pedagógicas atuais que não exigem provinhas com perguntas objetivas. É verdade, a moderna pedagogia exige “trabalhos”. Trabalhos estes requisitados por professores redundam em simples cópias da internet. Eu já não pedia mais quando dava aula em escolas, tamanha picaretagem de alunos cujos pais endossam o que fazem. E “orientadores pedagógicos” nos recomendavam “não criar problemas”. Já, a direção das escolas, por seu turno, estava empenhada em meras campanhas de marketing e a maioria dos professores simplesmente dava nota pela “apresentação”, isto é, a capa do texto.

E a educação, o valor que se atribui a ela é um mero reflexo do que somos como nação. E a culpa não é deste ou daquele governo, não. Este ou aquele partido que está no governo, apenas se adeqüa, oferecendo um produto que a sociedade quer.

“Os pais não pensam assim” é uma das idiotices que já ouvi, eles nem querem saber o que se passa realmente. Eu já trabalhei em escola de elite em Moema, bairro nobre paulistano, onde os alunos tinham pais inadimplentes, mas todo mês apareciam com o modelo mais caro de tênis ou roupa de grife. O valor dado ao mercado existe sim, mas não àquilo que é precondição de desenvolvimento para os países ricos do mundo.

Isto em escolas da rede privada. Por isto que esta historinha de que o livre-mercado leva, inexoravelmente, a uma sociedade melhor é, extremamente, relativa. Não se avança socialmente sem uma base cultural adequada. Antes que algum liberal tenha um chilique e esperneie por que contestei sua ideologia, cabe o aviso: sou sim a favor do máximo de liberalização econômica possível conjunturalmente, mas isto, por si só, não é suficiente. As condições de surgimento e desenvolvimento do capitalismo não foram analisadas de melhor forma por ninguém mais do que Max Weber. E como é sabido, não é possível o desenvolvimento capitalista em bases contratuais e livres do gigantismo estatal sem uma base cultural propícia.[11]

Nosso mercado calcado em uma sociedade apática dá no que dá: vestibulares para ignorantes feitos por ignorantes. A irresponsabilidade intelectual é apenas uma decorrência da irresponsabilidade em geral dos agentes que conduzem a educação. Culpemos o FMI, os EUA, Bush, o Capitalismo etc. e tal, sem olharmos nosso próprio filho e sua escola. Qual candidato ou partido discute plataforma educacional em sua campanha eleitoral no Brasil?

O lixo que temos é comum em bairros ricos e pobres, com a anuência de uma classe despreparada e ignóbil de professores que quando indagada sobre a crise educacional só sabe mostrar o contra-cheque. É claro que com tantos medíocres, os governantes sabem que podem restringir e/ou estagnar a massa salarial. Se não há auto-estima pelo estudo como pode se acreditar que estes professores abandonarão seus empregos se estiverem insatisfeitos? Eles não o farão, assim como ganham o que merecem. Ganham o merecido não simplesmente pelo mercado, mas pela (falta de) moral portada.

Vamos deixar a hipocrisia de lado. Não há um único culpado pela crise da educação. Todos são cúmplices e o governo com seus burocratas do MEC sequer tomam conhecimento do problema em profundidade. Muitos burocratas acreditam, piamente, que a solução está em alguma “revisão pedagógica”. Eles preferem citar Piaget, Vygotsky e outros “grandes pedagogos” que falaram muito sobre educação na proporção inversa a que ministraram aulas. Em que pese a contribuição destes, suas idéias são também deturpadas para se adequaram de modo “politicamente correto” a corrupção moral que faz parte da ética educacional brasileira. Vejamos um exemplo: Piaget falava, em casos extremos, de exclusão do indivíduo cujas tentativas de adaptação a escola fossem todas rejeitadas. Quem hoje no Brasil endossaria qualquer atitude que tivesse a palavra exclusão como parte de seu conceito? Quem hoje do beautiful people aprovaria a construção de centros correcionais, baseados em estatísticas sobre alunos problema que mereceriam atendimento especial? Claro que não. Ninguém quer “se queimar”. Mas, dê uma rápida passada de olhos nas livrarias de nossos shoppings para ver títulos como “Quem ama, educa”.

Não é de amor que o sistema educacional precisa. Mas, de respeito, inclusive, a si próprio.



[1] Gostaria de aproveitar este espaço para agradecer a José F. Santaella em sua contextualização (2/12) da tirinha da Mafalda na seção Cartas, de acordo com a conjuntura do Pós-Guerra. À propósito, também gosto e aprecio a personagem... [retorna]

[2] A Espanha recebeu cerca de 9,7 milhões de ECUs (European Currency Unity) de 1989 a 1993; a Itália (especialmente, no seu Mezzogiorno) 7,4; Portugal com 6,9; Grécia com 6,6; Irlanda, 3,6 etc. Tais dotações seguem o mesmo princípio de uma Sudene que, “estranhamente”, não funcionam no Brasil. [retorna]

[3] Pode-se chamá-la de terceira se entendermos a Guerra Irã-Iraque de 1980 a 1988 como sendo a primeira. Esta não é uma mera questão formal. Quem assim assinala é por que defende a idéia de que a indução do Iraque à guerra com o Irã parte de uma mesma diretriz externa nos conflitos regionais. Leia-se, com os EUA “por traz dos conflitos”. Independente de julgarmos a guerra entre Irã e Iraque como pertinente em termos geopolíticos ou não, o fato é que não foi bem assim. A Revolução Islâmica no Irã afetou vários países e teria conseqüências desastrosas para o globo caso não fosse coibida. Há, no entanto, discordâncias sobre a maneira como se procurou atingir este resultado, com um saldo de um milhão de mortos entre os dois países. Mas, digo que não foi bem assim, por que os EUA não foram os principais agenciadores do armamento iraquiano. Os EUA foram o 11o colocado, tendo a então URSS como principal agenciadora do Iraque. Portanto, para sermos rigorosos, a “primeira Guerra do Golfo” não tem a mesma diretriz e apoio das subseqüentes em 1991 e 2003. [retorna]

[4] Hucitec, 3a edição. Por outro lado, a posição do autor é restrita a comunidades nativas, o que discordo, pois acredito na opção destas se modernizarem se assim o desejarem, bem como de não nativos se integrarem dentro de critérios produtivos racionais e sustentáveis aos ecossistemas. Para uma visão oposta, isolacionista dos parques e reservas, conferir Tornando os Parques Eficientes: estratégias para conservação da natureza nos trópicos. John Terborgh... [et. al.] (organizadores). – Curitiba : Ed. da UFPR / Fundação O Boticário, 2002. [retorna]

[5] Logo a seguir vieram o Canadá com seu primeiro parque em 1885, a Nova Zelândia e o México em 1894, a África do Sul e a Austrália em 1898, a Argentina em 1903, a Europa nos Alpes em 1914, o Chile em 1926 e o Brasil em 1937. [retorna]

[6] Antonio Carlos Diegues, op.cit., p. 100. [retorna]

[7] Eu gostaria de afirmar que admiro o trabalho do professor Aziz Ab’Saber, a quem considero um geógrafo de verdade. Embora eu discorde de sua visão política, pró-estatal e antiliberal, seu trabalho de geografia é autônomo em relação a isto. Diferentemente daqueles que fazem seu método e análise enviesarem levando a própria conclusão, Ab’Saber é dos que assumem uma separação entre o trabalho do cientista e o posicionamento político. Uma não contradiz com a outra, mas são coisas distintas – isto é neopositivismo no estrito sentido cientifico, detalhe que eu endosso. Uma vez feita a pesquisa, sua opção política, seja reformista, revolucionária ou mesmo conservadora fica a critério pessoal. [retorna]

[9] “O interesse de muitos países em incluírem o álcool combustível na sua matriz energética indica que o mercado é explosivo. Calcula-se que a utilização de álcool para fins energéticos no mundo alcance hoje 25 bilhões de litros. Desse total, 60% são consumidos no Brasil” in Forbes Brasil, 18 de novembro de 2005, p. 46. [retorna]

[10] Cf. para mais observações, o comentário do geógrafo Philip Stott em Spiking the G8 and the 'global warming' hysteria....., em 15 de julho. [retorna]

[11] Esta não precisa ser, a priori, a do luteranismo ou do calvinismo que foram analisados por Weber. Este foi seu estudo de caso. Podemos incluir aí o exemplo do xintoísmo japonês, distante destas religiões ou o católico francês. Embora, a França seja, atualmente, um exemplo inadequado devido a sua decadência. Decadência esta relacionada às benesses do Welfare State que cobra, com juros e dividendos altíssimos, sua cota pela perda moral da sociedade. [retorna]

Das doze questões apresentadas na última prova de 1a fase da Fuvest, quatro revelam-se problemáticas devido a:

-          Tendenciosidade ideológica;

-          Ignorância historiográfica;

-          Suposições sem rigor analítico;

-          Confusão entre ciência ambiental e política ambiental;

-          E superestimação dos efeitos econômicos do protocolo de Kyoto.

 

Toma que o filho é teu

 

A questão abaixo revela que ocorreram dois saltos na dívida externa latino-americana, um nos anos 80 e outro em meados dos anos 90. A resposta óbvia e banal é que a dívida aumentou devido a alta dos juros internacionais. Óbvia por que trata de um mero efeito, conseqüência e nada alem disto. É como se os juros subissem por conta própria, sem relações entre governos e agencias internacionais.

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Respeito o intento de testar a capacidade de observação e análise gráfica dos candidatos a vaga na universidade. Sim, por que o nível de nosso ensino médio é tão baixo que até isto tem que ser posto a prova, creiam-me. O analfabetismo funcional também é analfabetismo em vários sentidos, inclusive, “analfabetismo de leitura gráfica”.

Nada mais sintomático do que a USP querer criar agora um curso, cuja avaliação será meramente oral para militantes do MST, como bem alertou Daniel Sant’Anna em sua crítica ferina e irônica.

Mas, retornando à questão, qual a causa da alta dos juros? O preço do barril de petróleo foi o principal fator, considerando-se o período analisado. No inicio dos anos 80, o preço do barril chegou a bater nos US$ 70,00 devido a crise no Golfo Pérsico deflagrada pelo aiatolá Khomeini que barrou a passagem de cargueiros no Estreito de Ormuz. Com menos dinheiro em caixa devido ao custo da mercadoria, os bancos diminuíram o crédito oferecido. Logo depois, aventuras latino-americanas, como a moratória declarada por México e Brasil em 1982 (esta, no governo de José Sarney) bem como a da Bolívia em 1984 fizeram com que os acionistas internacionais só emprestassem dinheiro em condições mais vantajosas, isto é, com maiores taxas de retorno do investimento.

Também fica implicitamente fora da análise que um país como o Brasil detenha altos juros em seu financiamento externo por que os seus gastos internos com a máquina administrativa sejam exorbitantes. Logo, o financiamento da dívida do governo federal e estados é muito mais interessante do que o empréstimo para o setor produtivo privado.

Mas, acusar tais agentes como causadores da alta dos juros, o Oriente Médio, o populismo congênito da América Latina e o desequilíbrio fiscal nacional, significa tributar a causa aos próprios “expropriados”, o que, evidentemente, uma Fuvest não faria. Portanto, fica mais conveniente dizer “aumento das taxas de juros externos” como se estes fossem independentes de uma dinâmica de mercado global. Ou que tal dinâmica também não seja decorrente do que América Latina e Oriente Médio façam ou deixem de fazer. A idéia subjacente é que nós, latino-americanos, bem como árabes e persas sejamos apenas afetados, submetidos pela “dinâmica externa do mercado”. Ou, como gostariam muitos professores de humanas, induzir a responsabilidade aos acionistas internacionais que simplesmente reagiram a uma crise deflagrada pelos próprios mercados de investimento, ou seja, nós. Não explicitando os agentes envolvidos resta uma névoa que oculta os verdadeiros culpados e atribui, implicitamente, a responsabilidade aos “ricos insensíveis”.

Mais um joguinho da Fuvest.

 

Desprezo pela história[1]

 

A questão a seguir sobre os investimentos externos na União Européia considera como correta os itens I e III. Quanto ao primeiro, nada a objetar, uma vez que a condição de sede da União deve trazer mesmo algum tratamento especial. Aliás, não apenas isto, mas regiões mais pobres da união, como Portugal, Espanha e Grécia ao entrarem no bloco em 1973 e 1981 passaram a ser alvo de investimentos específicos retirados de um fundo comum para desenvolvimento da “periferia”.[2]

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No entanto, o item III que afirma ter o Reino Unido sido beneficiado em investimentos externos devido ao “apoio à política externa dos Estados Unidos” é obscuro. Em se tratando do período 1989-1999 temos como política externa efetiva dos EUA, a primeira Guerra do Golfo em 1991, na qual a França, além do Reino Unido enviaram tropas contra as forças iraquianas. Portanto, como entender algum benefício dado aos britânicos se os “comedores de rãs” também pisaram nas areias da Mesopotâmia ao lado dos yankees?

A afirmativa III só não pode ser considerada incorreta por que não exclui de modo implícito, dos investimentos externos, países como a França, que também fizeram parte da aliança na guerra de 1991. Mas, é estranho por que não teriam sido citados na afirmativa.

Faria mais sentido se o gráfico abarcasse o período posterior a 2003 – a segunda Guerra do Golfo[3] -, quando os britânicos foram os principais aliados europeus e países como França e Alemanha se opuseram ao envio de tropas e apoio militar geral.

Quem formulou tal questão quis acusar os britânicos de efetuarem uma espécie de “política externa mercenária”. Apontando a razão para os britânicos apoiarem os EUA no fomento a sua economia, não passa de um simples wishful thinking. Pois se fosse uma questão bem articulada, seu formulador se daria, pelo menos, ao préstimo de verificar a cronologia dos fatos. E se verificou, é pior. Pois daí, a escolha preferencial pelo RU como “aliado mercenário” dos EUA revela um juízo de valor em desconsideração com os fatos, uma vez que não foi o único a fornecer apoio na guerra durante o período.

Se a questão não é contraditória e ainda apresenta lógica, por outro lado peca pela falta de clareza e abrangência. Peca pela intuição em relacionar causa – apoio aos EUA – e efeito – investimentos externos. Quem acha que os EUA fariam caridade neste sentido ou comprariam o apoio político não entende patavina do modus operandi da economia americana. Uma prova disto é que, em que pese a oposição sistemática da China em muitas questões externas aos EUA, este continua investindo maciçamente naquele país. Assim como a própria China tem financiado o déficit público americano...

Mesmo que possa existir tal relação econômica entre EUA e RU, ela teria que ser provada e dada como fato, coisa que duvido tenham posse os professores da Fuvest.

O porquê de privilegiar o Reino Unido na análise se origina pela posição de Blair em relação a Bush em sua mais recente aliança. Se por um lado, a questão continua válida, por outro ela não expõe claramente a situação, utilizando-se de um gráfico que não apresenta correspondência cronológica. Para acertar a resposta, o aluno tem que intuir a suposição do formulador da questão. Tal capacidade mediúnica é hoje um pré-requisito para passar no vestibular, dada a falta de rigor factual com que se ensina no Brasil.

 

O Homo sapiens deve ser extinto

 

A seguir, a confusão entre análise sobre o meio ambiente com definição de política para o meio ambiente.

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As afirmações I e II tidas como corretas são controversas. A primeira diz que “a preservação dos ecossistemas pressupõe a conservação integral de vastas superfícies”. Não é consenso este “modelo Yellowstone” de preservação. Antonio Carlos Diegues em O Mito Moderno da Natureza Intocada faz defesa contraria, mostrando como é possível sim, preservar ecossistemas em interação com populações locais e autóctones.[4] As primeiras bases teóricas e legais para a criação de parques sem ocupação humana se deram em 1872, no Parque Nacional de Yellowstone no noroeste de Wyoming, nos EUA.[5] Mas, o resultado positivo deste modelo só se dá em sociedades altamente urbanizadas que possam prescindir de vastas zonas rurais.

Até aí, nada de ideologia socialista permeando a criação dos parques. Mas, em 1962, em Bali na Indonésia, o Terceiro Congresso Mundial de Parques Nacionais asseverava que “(...) a estratégia de parques nacionais e unidades de conservação somente ganharia sentido (sic) com [a] redução do consumismo dos países industrializados e com elevação da qualidade de vida da população humana dos países em vias de desenvolvimento, sem o que ela seria forçada a superexplorar os recursos naturais”.[6]

O que se passa? Que a falta de uma política conservacionista adequada por parte dos países em desenvolvimento se deve a economia dos países desenvolvidos! Que a falta de desenvolvimento do setor privado nacional e a incompetência do planejamento no uso dos recursos naturais é culpa da Europa, EUA e Japão! Que, se queremos ter algum recurso futuro, devemos acabar com a economia de mercado – e deixar de investir em tecnologia -, para voltarmos a um estado primitivo, “puro”. Uma vez que para alçar um maior desenvolvimento econômico e social é, implícito, explorar menos os recursos naturais. Como se vê, o subdesenvolvimento é, antes de tudo, mental, pois a precondição para o desenvolvimento não está na exploração maior ou menor de recursos naturais, mas na produtividade de seu uso. E, em se tratando de meio ambiente, na minoração de seus impactos, o que é também, altamente lucrativo. Existe todo um campo de consultoria hoje, em pleno desenvolvimento, assessorando empresas a poluir menos e reciclar mais. Não é o sócio-ambientalismo que salva a natureza, mas a produtividade capitalista. Fazer render mais a produção energética, por exemplo, é um pressuposto ambiental em plena concordância com a lógica do capitalismo.

Só falta aos apologistas desta visão anticivilizatória copiarem Dom Cappio, o bispo que apelou para a greve de fome contra a transposição do Rio São Francisco e fazerem greve de fome! Melhor seria se seguissem o exemplo do ambientalista que ateou fogo ao próprio corpo contra as usinas de álcool que seriam construídas no Pantanal, pondo assim fim a sua fútil existência.

Ao invés de limites, a natureza fornece inúmeras possibilidades. Por outro lado, o fanatismo que deriva do culto a “mãe natureza”, bem antigo. E se funda na ignorância sobre o que é a própria natureza, em como ela funciona e nas possibilidades de sua utilização. Em O Homem e o Mundo Natural, Keith Thomas chama a atenção para os primórdios da crítica à urbanidade (e as bases do futuro ambientalismo) na Inglaterra dos séculos XVI ao XVIII. Seu estudo parte da literatura e de poetas que louvavam e faziam ode a um mundo do qual não viveram, verdadeiramente. Criaram então, uma visão idílica sobre o que seria seu country, idealizando um mundo harmônico e estável.

No item II, a preocupação justificada de Aziz Ab’Saber[7] quanto a exploração de florestas próximas a estradas poder levar a um maior desmatamento é pertinente. No entanto, a ênfase dada é pela simples localização: ao longo da estrada podem surgir outros focos de desmatamento não previstos pelo planejamento inicial devido às facilidades de acesso. Mas, se a fiscalização na produção, distribuição e, especialmente, no consumo com a adoção de “selos verdes” condicionaria os produtores a adotarem os parâmetros de planejamento, qual é o problema? Não podemos, sob o argumento da “possibilidade de desmatamento” deixar de implementar infra-estrutura necessária a integração nacional como as estradas. Isto é uma prova de incompetência gerencial. O intercambio entre Ibama e Policia Federal, bem como a integração de seus sistemas de informação e a criação de satélites brasileiros é que deveriam ser metas para melhor gerenciamento e não, simplesmente, a obstrução a um desenvolvimento racional.

Uma outra questão, para futuros artigos pode ser sugerida: a quem serve o Ibama? Como funciona este órgão? Comecemos pensando sobre quem, no Congresso Nacional, o encampa...

No entanto, a morosidade do Ibama em expedir qualquer autorização de exploração, o anúncio da declaração de moratória a qualquer atividade madeireira no Mato Grosso, Pará e Rondônia, a suspensão do transporte de produtos florestais já levou a demissão de 6.000 empregados em apenas um mês. Obviamente que não endosso o desmatamento a qualquer custo, mesmo por que isto elimina a possibilidade de desenvolvimento mais lucrativo e no longo prazo. Mas, defendo sim o corte com reflorestamento ou gestão ambiental correta demarcando áreas para germinação. O fato do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama não acatarem uma administração e políticas de consenso só pode ser explicada pela cegueira ideológica ambientalista e por “incompetência conveniente” de sua administração.[8] E não pense o leitor que tais madeireiras não se empenhem em seguir regras de ongs ambientalistas internacionais. Até mesmo ongs ambientalistas criticaram a ação do ministério. Segundo Marco Lentini, engenheiro florestal da ong Imazon, as madeireiras afiliadas que buscam o manejo adequado são responsáveis por 8 mil empregos diretos e indiretos. Já, para as madeireiras ilegais não há impedimentos nem restrições de qualquer espécie. A certificação ambiental é que deveria ser fomentada. Como informa o site Alerta em Rede:

“No fundo, por seguirem as regras e pagarem um alto preço para obter o selo-verde do FSC – criado e controlado pela tríade WWF-Greenpeace-Friends of the Earth -, esperavam contar com um ‘tratamento diferenciado’ por parte do Ibama e outros órgãos públicos. Pelo jeito, se equivocaram: ‘Mas como é que vamos fazer os produtores virem para a certificação se acontecem essas coisas? Não existe nenhum incentivo para as empresas adotarem o manejo florestal’, reclamou Lentini.”

Segundo a revista Exame de setembro passado, a Amazônia tem potencial de 2 trilhões de dólares na exploração de sua biodiversidade; 1 trilhão em potencial mineral; 9 bilhões no manejo florestal sustentável; e 200 milhões através de investimentos em ecoturismo. No entanto, o uso irracional com queimadas para pastos já acabou com 17% dela, aliada a burocracia que impede investimentos produtivos e racionais. Também ocorrem invasões em propriedades por parte dos chamados “sem tora” ligados a madeireiros ilegais.

Considerar a alternativa ‘d’ como certa significa apoiar uma Amazônia sem seres humanos. Significa abdicar de uma ocupação racional do território brasileiro... pelos brasileiros. A quem interessa? Mais do que a estrangeiros gananciosos, a brasileiros covardes e ignorantes. Precisamos revisar nosso conceito de ambientalismo. Pois o que está em voga já passou do conceito que visa a preservação das espécies para aquele que promove a extinção da espécie humana e nenhum destes pode ser sustentado em nome da ciência.

 

Na base do álcool

 

Embora o interesse externo por fontes renováveis e alternativas de energia seja um fator importante à produção de cana para o álcool combustível (alternativa ‘e’) não é irrelevante a desvalorização cambial (alternativa ‘d’) como facilitador desta situação. Ademais, querer crer que Kyoto tenha alguma influência substancial nisto é prova de grande desinformação. A alternativa ‘d’ só permanece incorreta devido ao detalhe da palavra ‘todos’, pois realmente é difícil imaginar o mesmo incremento ocorrido nas exportações de derivados de cana com a rapadura...

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O foco reside na alternativa energética devido a redução da oferta de petróleo, e a oscilação de seu preço no mercado internacional devido aos conflitos no Oriente Médio. Em duas décadas, o biodiesel e o álcool combustível serão dois importantes substitutos. O que vemos agora é um pequeno esboço do que se vislumbra no horizonte em termos de política energética.[9]

A alternativa ‘e’ só pode ser tomada como correta no lugar de ‘d’ se rezarmos junto à cartilha ambientalista. E o mundo econômico ainda não se move integralmente pelos planos das ongs. Quando um vestibular adota subterfúgios como invalidar uma alternativa (d) por esta se referir a “todos os subprodutos”, ele não está avaliando o conhecimento do aluno em relação à matéria, mas sim seu grau de atenção e uma certa dose de esperteza. Eu estaria de acordo até, se a resposta correta não se baseasse num mito, o de que o Protocolo de Kyoto tem peso significativo nas transações internacionais.

Colocar um detalhe errado em uma alternativa substancialmente certa, é uma boa maneira de condicionar a opção do candidato àquela endossada, ideologicamente, pela banca examinadora. Pode-se aventar uma conjuntura internacional favorável como a dada pelo Protocolo de Kyoto, mas é difícil desprezar a alta do petróleo como menos pertinente. Ademais, se o câmbio não estivesse favorável às exportações, outro produtor poderia tomar o lugar do Brasil. De modo que a alternativa ‘d’ só pode ser considerada errada por um detalhe (“todos os subprodutos”) e a alternativa ‘e’ considerada correta por falta de alternativa mais abrangente e 100% correta.

Tanto Kyoto não é substancial por que se o petróleo estivesse barato, as exportações de álcool não alavancariam por si só. Por outro lado, com toda argumentação moralista em cima de Kyoto, as exportações do álcool combustível não aumentaram significativamente antes da Guerra ao Iraque e aos efeitos do Katrina nas plataformas petrolíferas do Golfo do México que aumentaram o preço do barril de petróleo. Na verdade, ocorre uma conjunção de fatores favoráveis à exportação. Dentre os quais, Kyoto é o menos significativo.

Portanto, quando uma WWF critica o programa do álcool sustentando que o mesmo só deu certo devido a “concessão de subsídios, o que ocorreria até hoje, pelo desrespeito a questões ambientais, fundiárias e trabalhistas”, ela está usando qualquer falácia como argumento para bloquear uma política econômica e ambiental bem sucedida.

Quando relatório da WWF diz que “questões fiscais à parte, outras conseqüências negativas do programa incluem a exacerbação dos problemas trabalhistas, contaminação hídrica e atmosférica pela queimada de resíduos e a competição com outros produtos agrícolas e alimentares” revela uma atroz ignorância sobre a atual produção:

  1. A utilização de bóias-frias no corte de cana é conseqüência de uma legislação trabalhista ultrapassada no Brasil, onde se criam formas de emprego alternativas. Caso contrário, provavelmente, não haveria produção devido aos altos custos do emprego;
  1. A contaminação dos lençóis freáticos pela deposição do vinhoto no solo já não é prática comum. Na verdade, este subproduto deixou de ser indesejável, pois serve de matéria-prima para a fabricação de fertilizantes;
  1. A poluição atmosférica gerada pela queima do álcool é muitíssimo menor do que pelo uso de gasolina ou diesel. Neste quesito, o álcool é um produto “ecologicamente correto” e a posição da WWF é, no mínimo, estranha. Como se houvesse mais do que “interesse ambiental” em jogo;
  1. A produção de alimentos pode sofrer revezes por que interessa ao agricultor ganhar dinheiro. Assim como quem produz soja para ração do gado, o álcool revela-se uma alternativa sustentável para a agricultura. Se diminui a produção de alimentos é por que esta é excedente, daí seu baixo preço.
  1. Analogamente, se há fome (crônica, não aguda) no Brasil, esta se deve a falta de emprego, especialmente em regiões rurais dominadas por elites congressistas e não, a baixa produtividade agrária nacional.

Desconfiem portanto, dos porta-vozes do ambientalismo, há mais coisas entre o canavial e o mercado externo do que supõe nossa vã filosofia.

O que quer a WWF e, por extensão, nossos professores universitários, é uma resistência e proposição fundada no natimorto Protocolo de Kyoto.

Protocolo este que, em surdina, está em processo de desativação pelo G-8. Além dos EUA e Austrália que não aderiram ao referido projeto, o Comitê Econômico da Câmara dos Lordes britânica em julho passado, divulgou relatório com fortes críticas a objetividade científica do acordo. Entre outras observações, o documento ressalta que:

“(...) o conhecimento científico sobre as mudanças climáticas deixa margem a ‘consideráveis incertezas’ sobre o futuro [já que] existem dúvidas sobre a objetividade científica do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) [e] as metas de redução de emissões do Protocolo de Kyoto farão pouca diferença no cenário global e, provavelmente, fracassarão.” [10]

Segundo o documento, há um claro reconhecimento de que a demanda global de energia deverá crescer em 60% nos próximos 25 anos, especialmente na China e na Índia, e que isto irá requerer a manutenção e o desenvolvimento de “fontes de energia seguras, confiáveis e acessíveis”, fundamentais para a estabilidade e o desenvolvimento econômicos.

Quem formula tais questões é ingênuo, a ponto de advogar teses ambientalistas rejeitadas pela economia mundial ou tem interesses escusos ou bebe além da conta. Bem, se for a razão for esta última, o autor não seria tão contrário ao álcool assim...

 

Réquiem para a educação

 

Que a “educação brasileira” tem piorado muito, todos sabem. Mas, verdade seja dita e justiça seja feita, ela não pode ser atribuída, exclusivamente, a este governo Lula. Este processo de deterioração começou com o governo de Luíza Erundina na prefeitura de São Paulo, com seu “sistema de aprovação automática”, logo endossado pelo governo federal de Fernando Henrique Cardoso. Isto por parte do “lado oficial”, governista, pois por parte da própria sociedade civil já vem de longa data.

Quando vim para São Paulo, em 1989, pude trabalhar no inicio dos anos 90 em um grande grupo educacional do país. As condições físicas eram deploráveis, não havia sequer papel-toalha nos banheiros e as divisórias eram feitas de “compensado naval”, aquele material cor-de-rosa utilizado como divisória nas favelas mais pobres, só que pintado. A estrutura física era, na realidade, um reflexo do esmero que tinham pela escola especificamente e, pela educação em geral. Neste mesmo grupo educacional, antes da prova bimestral era feita uma série de revisões, cujas questões-treino eram as próprias questões que seriam utilizadas na prova, só que invertidas! Isto é, o que seria a resposta na prova, tornava-se pergunta na lista de preparo e vice-versa.

Pode se dizer que isto não corresponde as grandes linhas pedagógicas atuais que não exigem provinhas com perguntas objetivas. É verdade, a moderna pedagogia exige “trabalhos”. Trabalhos estes requisitados por professores redundam em simples cópias da internet. Eu já não pedia mais quando dava aula em escolas, tamanha picaretagem de alunos cujos pais endossam o que fazem. E “orientadores pedagógicos” nos recomendavam “não criar problemas”. Já, a direção das escolas, por seu turno, estava empenhada em meras campanhas de marketing e a maioria dos professores simplesmente dava nota pela “apresentação”, isto é, a capa do texto.

E a educação, o valor que se atribui a ela é um mero reflexo do que somos como nação. E a culpa não é deste ou daquele governo, não. Este ou aquele partido que está no governo, apenas se adeqüa, oferecendo um produto que a sociedade quer.

“Os pais não pensam assim” é uma das idiotices que já ouvi, eles nem querem saber o que se passa realmente. Eu já trabalhei em escola de elite em Moema, bairro nobre paulistano, onde os alunos tinham pais inadimplentes, mas todo mês apareciam com o modelo mais caro de tênis ou roupa de grife. O valor dado ao mercado existe sim, mas não àquilo que é precondição de desenvolvimento para os países ricos do mundo.

Isto em escolas da rede privada. Por isto que esta historinha de que o livre-mercado leva, inexoravelmente, a uma sociedade melhor é, extremamente, relativa. Não se avança socialmente sem uma base cultural adequada. Antes que algum liberal tenha um chilique e esperneie por que contestei sua ideologia, cabe o aviso: sou sim a favor do máximo de liberalização econômica possível conjunturalmente, mas isto, por si só, não é suficiente. As condições de surgimento e desenvolvimento do capitalismo não foram analisadas de melhor forma por ninguém mais do que Max Weber. E como é sabido, não é possível o desenvolvimento capitalista em bases contratuais e livres do gigantismo estatal sem uma base cultural propícia.[11]

Nosso mercado calcado em uma sociedade apática dá no que dá: vestibulares para ignorantes feitos por ignorantes. A irresponsabilidade intelectual é apenas uma decorrência da irresponsabilidade em geral dos agentes que conduzem a educação. Culpemos o FMI, os EUA, Bush, o Capitalismo etc. e tal, sem olharmos nosso próprio filho e sua escola. Qual candidato ou partido discute plataforma educacional em sua campanha eleitoral no Brasil?

O lixo que temos é comum em bairros ricos e pobres, com a anuência de uma classe despreparada e ignóbil de professores que quando indagada sobre a crise educacional só sabe mostrar o contra-cheque. É claro que com tantos medíocres, os governantes sabem que podem restringir e/ou estagnar a massa salarial. Se não há auto-estima pelo estudo como pode se acreditar que estes professores abandonarão seus empregos se estiverem insatisfeitos? Eles não o farão, assim como ganham o que merecem. Ganham o merecido não simplesmente pelo mercado, mas pela (falta de) moral portada.

Vamos deixar a hipocrisia de lado. Não há um único culpado pela crise da educação. Todos são cúmplices e o governo com seus burocratas do MEC sequer tomam conhecimento do problema em profundidade. Muitos burocratas acreditam, piamente, que a solução está em alguma “revisão pedagógica”. Eles preferem citar Piaget, Vygotsky e outros “grandes pedagogos” que falaram muito sobre educação na proporção inversa a que ministraram aulas. Em que pese a contribuição destes, suas idéias são também deturpadas para se adequaram de modo “politicamente correto” a corrupção moral que faz parte da ética educacional brasileira. Vejamos um exemplo: Piaget falava, em casos extremos, de exclusão do indivíduo cujas tentativas de adaptação a escola fossem todas rejeitadas. Quem hoje no Brasil endossaria qualquer atitude que tivesse a palavra exclusão como parte de seu conceito? Quem hoje do beautiful people aprovaria a construção de centros correcionais, baseados em estatísticas sobre alunos problema que mereceriam atendimento especial? Claro que não. Ninguém quer “se queimar”. Mas, dê uma rápida passada de olhos nas livrarias de nossos shoppings para ver títulos como “Quem ama, educa”.

Não é de amor que o sistema educacional precisa. Mas, de respeito, inclusive, a si próprio.



[1] Gostaria de aproveitar este espaço para agradecer a José F. Santaella em sua contextualização (2/12) da tirinha da Mafalda na seção Cartas, de acordo com a conjuntura do Pós-Guerra. À propósito, também gosto e aprecio a personagem... [retorna]

[2] A Espanha recebeu cerca de 9,7 milhões de ECUs (European Currency Unity) de 1989 a 1993; a Itália (especialmente, no seu Mezzogiorno) 7,4; Portugal com 6,9; Grécia com 6,6; Irlanda, 3,6 etc. Tais dotações seguem o mesmo princípio de uma Sudene que, “estranhamente”, não funcionam no Brasil. [retorna]

[3] Pode-se chamá-la de terceira se entendermos a Guerra Irã-Iraque de 1980 a 1988 como sendo a primeira. Esta não é uma mera questão formal. Quem assim assinala é por que defende a idéia de que a indução do Iraque à guerra com o Irã parte de uma mesma diretriz externa nos conflitos regionais. Leia-se, com os EUA “por traz dos conflitos”. Independente de julgarmos a guerra entre Irã e Iraque como pertinente em termos geopolíticos ou não, o fato é que não foi bem assim. A Revolução Islâmica no Irã afetou vários países e teria conseqüências desastrosas para o globo caso não fosse coibida. Há, no entanto, discordâncias sobre a maneira como se procurou atingir este resultado, com um saldo de um milhão de mortos entre os dois países. Mas, digo que não foi bem assim, por que os EUA não foram os principais agenciadores do armamento iraquiano. Os EUA foram o 11o colocado, tendo a então URSS como principal agenciadora do Iraque. Portanto, para sermos rigorosos, a “primeira Guerra do Golfo” não tem a mesma diretriz e apoio das subseqüentes em 1991 e 2003. [retorna]

[4] Hucitec, 3a edição. Por outro lado, a posição do autor é restrita a comunidades nativas, o que discordo, pois acredito na opção destas se modernizarem se assim o desejarem, bem como de não nativos se integrarem dentro de critérios produtivos racionais e sustentáveis aos ecossistemas. Para uma visão oposta, isolacionista dos parques e reservas, conferir Tornando os Parques Eficientes: estratégias para conservação da natureza nos trópicos. John Terborgh... [et. al.] (organizadores). – Curitiba : Ed. da UFPR / Fundação O Boticário, 2002. [retorna]

[5] Logo a seguir vieram o Canadá com seu primeiro parque em 1885, a Nova Zelândia e o México em 1894, a África do Sul e a Austrália em 1898, a Argentina em 1903, a Europa nos Alpes em 1914, o Chile em 1926 e o Brasil em 1937. [retorna]

[6] Antonio Carlos Diegues, op.cit., p. 100. [retorna]

[7] Eu gostaria de afirmar que admiro o trabalho do professor Aziz Ab’Saber, a quem considero um geógrafo de verdade. Embora eu discorde de sua visão política, pró-estatal e antiliberal, seu trabalho de geografia é autônomo em relação a isto. Diferentemente daqueles que fazem seu método e análise enviesarem levando a própria conclusão, Ab’Saber é dos que assumem uma separação entre o trabalho do cientista e o posicionamento político. Uma não contradiz com a outra, mas são coisas distintas – isto é neopositivismo no estrito sentido cientifico, detalhe que eu endosso. Uma vez feita a pesquisa, sua opção política, seja reformista, revolucionária ou mesmo conservadora fica a critério pessoal. [retorna]

[9] “O interesse de muitos países em incluírem o álcool combustível na sua matriz energética indica que o mercado é explosivo. Calcula-se que a utilização de álcool para fins energéticos no mundo alcance hoje 25 bilhões de litros. Desse total, 60% são consumidos no Brasil” in Forbes Brasil, 18 de novembro de 2005, p. 46. [retorna]

[10] Cf. para mais observações, o comentário do geógrafo Philip Stott em Spiking the G8 and the 'global warming' hysteria....., em 15 de julho. [retorna]

[11] Esta não precisa ser, a priori, a do luteranismo ou do calvinismo que foram analisados por Weber. Este foi seu estudo de caso. Podemos incluir aí o exemplo do xintoísmo japonês, distante destas religiões ou o católico francês. Embora, a França seja, atualmente, um exemplo inadequado devido a sua decadência. Decadência esta relacionada às benesses do Welfare State que cobra, com juros e dividendos altíssimos, sua cota pela perda moral da sociedade. [retorna]

Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

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