Seg10212019

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

03 Dez 2005

Nem vem com esta droga de Enem: campanha desarmamentista às vésperas do referendo

Escrito por 
Nenhuma das questões anteriores que pude analisar foi tão longe na desinformação quanto esta. Nenhuma usou de tamanha canalhice ao tentar incutir nos estudantes o ideário “politicamente correto” tão ao gosto de prostituídas redes de comunicação e nenhuma questão foge tanto do princípio que entendo por ensinar. Exceto se por “ensinar”, entendemos doutrinar na maior cara de pau.

Nenhuma das questões anteriores que pude analisar foi tão longe na desinformação quanto esta. Nenhuma usou de tamanha canalhice ao tentar incutir nos estudantes o ideário “politicamente correto” tão ao gosto de prostituídas redes de comunicação e nenhuma questão foge tanto do princípio que entendo por ensinar. Exceto se por “ensinar”, entendemos doutrinar na maior cara de pau.

Alguém poderia me objetar, por exemplo, que eu também estou doutrinando ao endossar a opção 1 do referendo, do Não ao desarmamento e à proibição de fabricação e comercialização de armas e munições. Errou novamente, pois cabe a um professor de verdade mostrar as opções e argumentos favoráveis e desfavoráveis a cada uma delas. Isto eu faço. No entanto, o que não deixo de fazer é dizer qual advogo e por que. O que, evidentemente, não está em contradição, desde que seja deixada opção ao aluno em se posicionar e se expressar.

Quanto à avaliação, ela tem que se pautar em fatos, dados objetivos e não opções. Isto quer dizer que até mesmo em uma redação, onde o candidato tenha que exercer uma argumentação e, porventura, se posicionar, ele deverá ser julgado pelo examinador não no teor de seu argumento, mas na qualidade do mesmo.

É algo totalmente diferente da manipulação atroz e grosseira que se segue.

image002.jpg

Esta é, sem dúvida, a pior, cuja mensagem subliminar não está na resposta ‘e’, correta aliás de acordo com a questão em si, mas na tirinha. É no pressuposto da questão que reside o erro. Se há dissenso sobre a possibilidade ou não da paz ou uma situação de maior segurança ser alcançada, segundo o Enem, ela só se dá com o desarmamento.

A tirinha aparentemente ingênua traz uma mensagem anos-luz pior que a poesia, não por seu conteúdo, mas pela tática utilizada. A forma utilizada de transmitir o assunto já contém conteúdo. Ou seja, a idéia de que a poesia e a sensibilidade estão associadas, intrinsecamente, à segurança e à paz. Como se não fosse possível fazer possível louvando a morte, o genocídio e ditaduras como Cuba. Como se não fosse possível um Chico Buarque apoiar, implicitamente, o paredão. Nada melhor do que colocar uma poesia de Chico Buarque, cuja admiração pela ditadura cubana é bem conhecida e alguém que notoriamente perdoa (e suspeito, endossa) a corrupção atual do governo Lula. Já, a personagem Mafalda é muito lida por crianças e adultos de modo descompromissado, o que não posso julgar como errado... Eu próprio sou admirador do traço de um Robert Crumb ou dos Freak Bros. de Gilbert Shelton. Mas, embora estes sejam representantes do cartoon da contra-cultura americana, eles expõem as contradições e hipocrisia inerentes ao período (como de resto, ao próprio ser humano). Para mim, o que se passa acima é como usar uma historinha dos Freak Bros. para uma questão a favor da liberação das drogas. Ou seja, um crime. Crime contra o que deveria se chamar educação. Crime não pela defesa do consumo de drogas, mas muito mais do que isto, crime contra a liberdade de pensamento.[1]

Claro que há um séqüito de admiradores da personagem Mafalda que são bem ideologizados, mas não são todos... É para estes que a mensagem subliminar repercute inconscientemente, é para estes que ela se dirige, prioritariamente.

John R. Lott em Mais Armas, Menos Crimes?[2] pergunta, contrastando diferentes visões sobre o uso e posse de armas de fogo como condição para defesa, o que é melhor? A “concordância ativa” que endossa a não resistência a um ataque ou a “resistência ativa”? No segundo caso, as chances de se defender a propriedade ou a própria vida são maiores, mas são igualmente maiores as chances de ser ferido (p. 3).

Contrariamente ao que me disse Denis Mizne em debate que participei no dia 16 de setembro, baseado em suposto estudo do FBI [3], a probabilidade de sofrer ferimento sérios é 2,5 vezes maior para mulheres que não oferecem nenhum tipo de resistência que para aquelas que esboçam algum tipo, segundo dados do Department of Justice’s National of Crime Victimization Survey entre 1979 e 1987. Por outro lado, a resistência sem arma infligiu quatro vezes mais ferimentos às mulheres (pp. 3-4).

Para os homens há diferença, mas não resultados opostos. Tanto o comportamento passivo quanto à resistência desarmada são menores. No primeiro caso, aqueles que reagem passivamente têm 1,4 vez mais ferimentos graves e no segundo, chances 1,5 vez maior de saírem feridos do que a resistência armada. A menor diferença na possibilidade de defesa por parte do homem em defender-se desarmado e armado resulta da maior capacidade de defesa pessoal masculina em relação à feminina. [4]

Embora há quem afirme que o direito natural faz parte da “mitologia iluminista”, a defesa do porte de arma legal para o cidadão não pode prescindir de uma concepção de direito natural e da defesa da vida, segundo a liberdade humana. Se a primeira emenda da Constituição Americana é o pressuposto da segunda, esta é que garante aquela.

Inglaterra e Austrália aprovaram leis de controle de armas e desarmamento, mas é notório o crescimento da criminalidade. Desde 1997, quando ocorreu o desarmamento na Inglaterra, homicídios cresceram 25% e os roubos, 36%.

Conforme a tabela abaixo, a Inglaterra vem perdendo em segurança pública após o desarmamento:

 

Roubos:

Assaltos:

Arrombamentos:

Inglaterra

191,7

450

1550

Estados Unidos

142

295

740

*Casos por 100 mil habitantes. In Luiz Tadeu Viapiana

E foi o próprio Reino Unido que há alguns meses aprovou uma lei de legitima defesa em casos de invasão domiciliar, para minimizar os efeitos da alta da criminalidade.

Desesperados, os desarmamentistas evocam leis mais restritivas ainda ao controle de armas, como é caso australiano. O desarmamento australiano praticado a partir de 1996 não alterou significativamente a taxa de homicídios. Não surtiu efeito. Exceto se considerarmos como efeito, o aumento do número de assaltos em 39%, agressões sexuais em 25% e roubos em 20%, considerando-se o período 1996-2003.

Ou, se considerarmos um período menor, como revela o gráfico abaixo:

Percentage of persons experiencing crime, 1998 and 2002

image003.gif

Fonte: Australian Bureau of Statistics 1999 and 2003. Crime and safety, Australia 1998 and 2002 cat no 4509.0. Canberra: ABS apud http://www.aic.gov.au/publications/facts/2004/fig043.html

Sem o apoio da rede Globo ou de falcatruas pedagógicas goebbelianas como a prova do Enem, os desarmamentistas têm suas “teses” desmascaradas; em debate com membros da Appadi ou da Viva Brasil, do Pró Legítima Defesa, do Pela Legítima Defesa, os desarmamentistas padecem, voltando ao seu estado natural: de apologistas da “paz” para o cidadão para a  morte para esse mesmo cidadão. A sua “paz” acaba sendo atingida sim, mas no cemitério...

Para ser menos dramático eu diria que a tirinha da Mafalda seria mais realista se, ao ser vítima de tentativa de estupro, a simpática personagem tivesse por quem ela intercedesse. Armado ou não. Do contrário, a alternativa seria ver seu aviãozinho amassado e manchado de sangue por algum psicopata, que não entendeu seu recado pacifista...

 

 

1 - Neste ponto só estamos um pouco melhor do que os muçulmanos, cujos desenhos televisivos para a criançada têm personagens “heróicos” que são homens-bomba! Cf. http://memritv.org/search.asp?ACT=S9&P1=906#. [retorna]

2 - São Paulo, Makron Books, 1999. [retorna]

3 - Na primeira pergunta que lhe dirigi, perguntei a fonte, link de tal estudo etc., ao que o mesmo se furtou em me responder. Apenas repetiu que era do FBI, procurando assim adquirir alguma autoridade moral no debate. Insisti por mais duas vezes e não obtive sucesso nem resposta em conseguir a alegada informação... [retorna]

4 - “Self-Defense with Guns: The consequences”, Managerial and Decision Economics, tabelas 5 e 6 apud Lott op.cit. [retorna]

Nenhuma das questões anteriores que pude analisar foi tão longe na desinformação quanto esta. Nenhuma usou de tamanha canalhice ao tentar incutir nos estudantes o ideário “politicamente correto” tão ao gosto de prostituídas redes de comunicação e nenhuma questão foge tanto do princípio que entendo por ensinar. Exceto se por “ensinar”, entendemos doutrinar na maior cara de pau.

Alguém poderia me objetar, por exemplo, que eu também estou doutrinando ao endossar a opção 1 do referendo, do Não ao desarmamento e à proibição de fabricação e comercialização de armas e munições. Errou novamente, pois cabe a um professor de verdade mostrar as opções e argumentos favoráveis e desfavoráveis a cada uma delas. Isto eu faço. No entanto, o que não deixo de fazer é dizer qual advogo e por que. O que, evidentemente, não está em contradição, desde que seja deixada opção ao aluno em se posicionar e se expressar.

Quanto à avaliação, ela tem que se pautar em fatos, dados objetivos e não opções. Isto quer dizer que até mesmo em uma redação, onde o candidato tenha que exercer uma argumentação e, porventura, se posicionar, ele deverá ser julgado pelo examinador não no teor de seu argumento, mas na qualidade do mesmo.

É algo totalmente diferente da manipulação atroz e grosseira que se segue.

image002.jpg

Esta é, sem dúvida, a pior, cuja mensagem subliminar não está na resposta ‘e’, correta aliás de acordo com a questão em si, mas na tirinha. É no pressuposto da questão que reside o erro. Se há dissenso sobre a possibilidade ou não da paz ou uma situação de maior segurança ser alcançada, segundo o Enem, ela só se dá com o desarmamento.

A tirinha aparentemente ingênua traz uma mensagem anos-luz pior que a poesia, não por seu conteúdo, mas pela tática utilizada. A forma utilizada de transmitir o assunto já contém conteúdo. Ou seja, a idéia de que a poesia e a sensibilidade estão associadas, intrinsecamente, à segurança e à paz. Como se não fosse possível fazer possível louvando a morte, o genocídio e ditaduras como Cuba. Como se não fosse possível um Chico Buarque apoiar, implicitamente, o paredão. Nada melhor do que colocar uma poesia de Chico Buarque, cuja admiração pela ditadura cubana é bem conhecida e alguém que notoriamente perdoa (e suspeito, endossa) a corrupção atual do governo Lula. Já, a personagem Mafalda é muito lida por crianças e adultos de modo descompromissado, o que não posso julgar como errado... Eu próprio sou admirador do traço de um Robert Crumb ou dos Freak Bros. de Gilbert Shelton. Mas, embora estes sejam representantes do cartoon da contra-cultura americana, eles expõem as contradições e hipocrisia inerentes ao período (como de resto, ao próprio ser humano). Para mim, o que se passa acima é como usar uma historinha dos Freak Bros. para uma questão a favor da liberação das drogas. Ou seja, um crime. Crime contra o que deveria se chamar educação. Crime não pela defesa do consumo de drogas, mas muito mais do que isto, crime contra a liberdade de pensamento.[1]

Claro que há um séqüito de admiradores da personagem Mafalda que são bem ideologizados, mas não são todos... É para estes que a mensagem subliminar repercute inconscientemente, é para estes que ela se dirige, prioritariamente.

John R. Lott em Mais Armas, Menos Crimes?[2] pergunta, contrastando diferentes visões sobre o uso e posse de armas de fogo como condição para defesa, o que é melhor? A “concordância ativa” que endossa a não resistência a um ataque ou a “resistência ativa”? No segundo caso, as chances de se defender a propriedade ou a própria vida são maiores, mas são igualmente maiores as chances de ser ferido (p. 3).

Contrariamente ao que me disse Denis Mizne em debate que participei no dia 16 de setembro, baseado em suposto estudo do FBI [3], a probabilidade de sofrer ferimento sérios é 2,5 vezes maior para mulheres que não oferecem nenhum tipo de resistência que para aquelas que esboçam algum tipo, segundo dados do Department of Justice’s National of Crime Victimization Survey entre 1979 e 1987. Por outro lado, a resistência sem arma infligiu quatro vezes mais ferimentos às mulheres (pp. 3-4).

Para os homens há diferença, mas não resultados opostos. Tanto o comportamento passivo quanto à resistência desarmada são menores. No primeiro caso, aqueles que reagem passivamente têm 1,4 vez mais ferimentos graves e no segundo, chances 1,5 vez maior de saírem feridos do que a resistência armada. A menor diferença na possibilidade de defesa por parte do homem em defender-se desarmado e armado resulta da maior capacidade de defesa pessoal masculina em relação à feminina. [4]

Embora há quem afirme que o direito natural faz parte da “mitologia iluminista”, a defesa do porte de arma legal para o cidadão não pode prescindir de uma concepção de direito natural e da defesa da vida, segundo a liberdade humana. Se a primeira emenda da Constituição Americana é o pressuposto da segunda, esta é que garante aquela.

Inglaterra e Austrália aprovaram leis de controle de armas e desarmamento, mas é notório o crescimento da criminalidade. Desde 1997, quando ocorreu o desarmamento na Inglaterra, homicídios cresceram 25% e os roubos, 36%.

Conforme a tabela abaixo, a Inglaterra vem perdendo em segurança pública após o desarmamento:

 

Roubos:

Assaltos:

Arrombamentos:

Inglaterra

191,7

450

1550

Estados Unidos

142

295

740

*Casos por 100 mil habitantes. In Luiz Tadeu Viapiana

E foi o próprio Reino Unido que há alguns meses aprovou uma lei de legitima defesa em casos de invasão domiciliar, para minimizar os efeitos da alta da criminalidade.

Desesperados, os desarmamentistas evocam leis mais restritivas ainda ao controle de armas, como é caso australiano. O desarmamento australiano praticado a partir de 1996 não alterou significativamente a taxa de homicídios. Não surtiu efeito. Exceto se considerarmos como efeito, o aumento do número de assaltos em 39%, agressões sexuais em 25% e roubos em 20%, considerando-se o período 1996-2003.

Ou, se considerarmos um período menor, como revela o gráfico abaixo:

Percentage of persons experiencing crime, 1998 and 2002

image003.gif

Fonte: Australian Bureau of Statistics 1999 and 2003. Crime and safety, Australia 1998 and 2002 cat no 4509.0. Canberra: ABS apud http://www.aic.gov.au/publications/facts/2004/fig043.html

Sem o apoio da rede Globo ou de falcatruas pedagógicas goebbelianas como a prova do Enem, os desarmamentistas têm suas “teses” desmascaradas; em debate com membros da Appadi ou da Viva Brasil, do Pró Legítima Defesa, do Pela Legítima Defesa, os desarmamentistas padecem, voltando ao seu estado natural: de apologistas da “paz” para o cidadão para a  morte para esse mesmo cidadão. A sua “paz” acaba sendo atingida sim, mas no cemitério...

Para ser menos dramático eu diria que a tirinha da Mafalda seria mais realista se, ao ser vítima de tentativa de estupro, a simpática personagem tivesse por quem ela intercedesse. Armado ou não. Do contrário, a alternativa seria ver seu aviãozinho amassado e manchado de sangue por algum psicopata, que não entendeu seu recado pacifista...

 

 

1 - Neste ponto só estamos um pouco melhor do que os muçulmanos, cujos desenhos televisivos para a criançada têm personagens “heróicos” que são homens-bomba! Cf. http://memritv.org/search.asp?ACT=S9&P1=906#. [retorna]

2 - São Paulo, Makron Books, 1999. [retorna]

3 - Na primeira pergunta que lhe dirigi, perguntei a fonte, link de tal estudo etc., ao que o mesmo se furtou em me responder. Apenas repetiu que era do FBI, procurando assim adquirir alguma autoridade moral no debate. Insisti por mais duas vezes e não obtive sucesso nem resposta em conseguir a alegada informação... [retorna]

4 - “Self-Defense with Guns: The consequences”, Managerial and Decision Economics, tabelas 5 e 6 apud Lott op.cit. [retorna]

Anselmo Heidrich

Professor de Geografia no Ensino Médio e Pré-Vestibular em S. Paulo. Formado pela UFRGS em 1987.

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.