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27 Nov 2005

Mixórdia Brasil

Escrito por 
Ao chegar ao topo do poder o PT instalou no Brasil a mais incrível mixórdia já registrada em toda nossa história.

Ao chegar ao topo do poder o PT instalou no Brasil a mais incrível mixórdia já registrada em toda nossa história. Isso porque, acostumados a militarem na oposição, os petistas são governo que não sabe governar.

 Exemplo disso se constata no próprio presidente Luiz Inácio, que parece ser incapaz de dirigir uma repartição pública. Homem de muita sorte, mesmo sem condições para exercer o cargo que ora ocupa obteve sucesso apelando ao símbolo operário, algo de efeito emocional e calcado nos recuados tempos em que seu partido surgiu de forças sindicais.

 Mesmo tendo trabalhado apenas por breve período, Luiz Inácio se apresenta, e é apresentado pela chamada esquerda (essa mixórdia ideológica cujos adeptos agem como direita e vivem como burgueses) como o pobre e injustiçado proletário, o que pretende também significar para efeitos de sedução populista o defensor de seus supostos iguais fracos e oprimidos.

Contradição ambulante que atinge seu paroxismo na farsa, Luiz Inácio, sempre se dizendo o torneiro mecânico que não é mais, encena a pantomima em que surge como paladino de uma hipotética luta de classes. Vestido como patrão, usufruindo as delícias da burguesia, os privilégios da corte, os luxos palacianos, ele simula ser o coitadinho perseguido pelas malvadas elites que, na verdade, ajudaram sua ascensão ao poder e nele o sustentam.

Em que pese a última pesquisa da CNT/Sensus, divulgada em 22/11, que aponta para expressiva queda de popularidade do presidente, uma porcentagem de crédulos – cada vez menor, é verdade – ainda não percebeu que o ídolo de pés de barro atingiu seu nível máximo de incompetência e, o que é pior, sustentou e sustenta junto a si ministros e assessores muito próximos sobre os quais pairam pesadas acusações de corrupção que lhes inviabilizariam a permanência no cargo não fosse o Brasil o país da mixórdia. Sem falar que em sua maioria os ministros são, por sua vez, inoperantes.

Espantosamente, esse presidente da República que em última instância é o responsável pela impressionante corrupção que grassa em seu governo, se apresenta feliz e risonho para a reeleição. A ele a ao seu partido (outra mixórdia onde predominam a falsa ética e a truculência oposicionista) interessa apenas a manutenção do poder custe o que custar e pelo maior tempo possível. Para tanto o PT supõe que basta cultivar o mito do eterno retirante para superar a realidade que afunda na sordidez das falcatruas e dos crimes acobertados pelo Legislativo, pelo Judiciário e por fortes interesses econômicos.

Mas se os atuais governantes não sabem governar, as oposições não sabem se opor. Sem partidos verdadeiramente oposicionistas se acentua a mixórdia. Vê-se, por exemplo, o PSDB proteger o PT do próprio PT sempre autofágico, no que conta com a ajuda do PFL, enquanto o PMDB utiliza sua tradicional estratégia de ser ao mesmo tempo oposição e situação.

No primeiro ano do governo Luiz Inácio, quando o Congresso foi quase dominado pelo Executivo a partir do modelo Hugo Chávez, o PSDB e o PFL, mesmo sem se venderem por mensalões foram os fiéis votantes das vontades governamentais a partir da postura de “oposições responsáveis”. E quem desenvolveu a tese de enfraquecer Luiz Inácio ao invés de pedir seu impeachment?” O cordato PSDB, que sempre demonstrou um amor não correspondido ao PT que, implacável, berrou durante oito anos “fora FHC”, e no poder tem clamado contra a herança maldita que lhe possibilitou o relativo sucesso na macroeconomia.

Somos faltos de oposição, exceção feita a certos parlamentares, e quando esta resolve assumir seu papel é crivada de críticas pela mídia. Na linha do bom-mocismo jornais passaram a acusar a cúpula do PSDB de “políticos de borduna”. E não faltam próceres desse partido que defendem o comportamento punhos de renda, como Aécio Neves que declarou: “não conseguiremos transformar o Lula em ladrão porque ninguém vai acreditar”. Será que não? O governador mineiro passa a impressão de que nada lhe agradaria mais do que ser o vice de Luiz Inácio na chapa da reeleição. E, afinal, no ano que vem a máquina do Estado jorrará de suas engrenagens a felicidade dos pobres com o aumento de esmolas governamentais que os deixarão mais pobres, os lucros dos ricos que ficaram mais ricos, enquanto as classes médias receberão alguns benefícios capazes de lhes despertar a gratidão que se externa em votos.

O PT tudo compra, tudo corrompe e na mixórdia Brasil, sem governo nem oposição, todas as surpresas, todas as malandragens, todas as iniqüidades, todas as hipocrisias são possíveis, pois acreditamos até em juiz de futebol ladrão.

Nada muda na espécie humana e pensando em 2006, meditemos sobre a frase proferida poucos anos antes de Cristo, na Roma Antiga, por Gaio Otávio, chamado de Augusto: “Cidadãos corruptos criam governantes corruptos, e é a turba que finalmente decide quando a virtude morrerá”.

Ao chegar ao topo do poder o PT instalou no Brasil a mais incrível mixórdia já registrada em toda nossa história. Isso porque, acostumados a militarem na oposição, os petistas são governo que não sabe governar.

 Exemplo disso se constata no próprio presidente Luiz Inácio, que parece ser incapaz de dirigir uma repartição pública. Homem de muita sorte, mesmo sem condições para exercer o cargo que ora ocupa obteve sucesso apelando ao símbolo operário, algo de efeito emocional e calcado nos recuados tempos em que seu partido surgiu de forças sindicais.

 Mesmo tendo trabalhado apenas por breve período, Luiz Inácio se apresenta, e é apresentado pela chamada esquerda (essa mixórdia ideológica cujos adeptos agem como direita e vivem como burgueses) como o pobre e injustiçado proletário, o que pretende também significar para efeitos de sedução populista o defensor de seus supostos iguais fracos e oprimidos.

Contradição ambulante que atinge seu paroxismo na farsa, Luiz Inácio, sempre se dizendo o torneiro mecânico que não é mais, encena a pantomima em que surge como paladino de uma hipotética luta de classes. Vestido como patrão, usufruindo as delícias da burguesia, os privilégios da corte, os luxos palacianos, ele simula ser o coitadinho perseguido pelas malvadas elites que, na verdade, ajudaram sua ascensão ao poder e nele o sustentam.

Em que pese a última pesquisa da CNT/Sensus, divulgada em 22/11, que aponta para expressiva queda de popularidade do presidente, uma porcentagem de crédulos – cada vez menor, é verdade – ainda não percebeu que o ídolo de pés de barro atingiu seu nível máximo de incompetência e, o que é pior, sustentou e sustenta junto a si ministros e assessores muito próximos sobre os quais pairam pesadas acusações de corrupção que lhes inviabilizariam a permanência no cargo não fosse o Brasil o país da mixórdia. Sem falar que em sua maioria os ministros são, por sua vez, inoperantes.

Espantosamente, esse presidente da República que em última instância é o responsável pela impressionante corrupção que grassa em seu governo, se apresenta feliz e risonho para a reeleição. A ele a ao seu partido (outra mixórdia onde predominam a falsa ética e a truculência oposicionista) interessa apenas a manutenção do poder custe o que custar e pelo maior tempo possível. Para tanto o PT supõe que basta cultivar o mito do eterno retirante para superar a realidade que afunda na sordidez das falcatruas e dos crimes acobertados pelo Legislativo, pelo Judiciário e por fortes interesses econômicos.

Mas se os atuais governantes não sabem governar, as oposições não sabem se opor. Sem partidos verdadeiramente oposicionistas se acentua a mixórdia. Vê-se, por exemplo, o PSDB proteger o PT do próprio PT sempre autofágico, no que conta com a ajuda do PFL, enquanto o PMDB utiliza sua tradicional estratégia de ser ao mesmo tempo oposição e situação.

No primeiro ano do governo Luiz Inácio, quando o Congresso foi quase dominado pelo Executivo a partir do modelo Hugo Chávez, o PSDB e o PFL, mesmo sem se venderem por mensalões foram os fiéis votantes das vontades governamentais a partir da postura de “oposições responsáveis”. E quem desenvolveu a tese de enfraquecer Luiz Inácio ao invés de pedir seu impeachment?” O cordato PSDB, que sempre demonstrou um amor não correspondido ao PT que, implacável, berrou durante oito anos “fora FHC”, e no poder tem clamado contra a herança maldita que lhe possibilitou o relativo sucesso na macroeconomia.

Somos faltos de oposição, exceção feita a certos parlamentares, e quando esta resolve assumir seu papel é crivada de críticas pela mídia. Na linha do bom-mocismo jornais passaram a acusar a cúpula do PSDB de “políticos de borduna”. E não faltam próceres desse partido que defendem o comportamento punhos de renda, como Aécio Neves que declarou: “não conseguiremos transformar o Lula em ladrão porque ninguém vai acreditar”. Será que não? O governador mineiro passa a impressão de que nada lhe agradaria mais do que ser o vice de Luiz Inácio na chapa da reeleição. E, afinal, no ano que vem a máquina do Estado jorrará de suas engrenagens a felicidade dos pobres com o aumento de esmolas governamentais que os deixarão mais pobres, os lucros dos ricos que ficaram mais ricos, enquanto as classes médias receberão alguns benefícios capazes de lhes despertar a gratidão que se externa em votos.

O PT tudo compra, tudo corrompe e na mixórdia Brasil, sem governo nem oposição, todas as surpresas, todas as malandragens, todas as iniqüidades, todas as hipocrisias são possíveis, pois acreditamos até em juiz de futebol ladrão.

Nada muda na espécie humana e pensando em 2006, meditemos sobre a frase proferida poucos anos antes de Cristo, na Roma Antiga, por Gaio Otávio, chamado de Augusto: “Cidadãos corruptos criam governantes corruptos, e é a turba que finalmente decide quando a virtude morrerá”.

Maria Lúcia V. Barbosa

Graduada em Sociologia e Política e Administração Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em Ciência Política pela UnB. É professora da Universidade Estadual de Londrina/PR. Articulista de vários jornais e sites brasileiros. É membro da Academia de Ciências, Artes e Letras de Londrina e premiada na área acadêmica com trabalhos como "Breve Ensaio sobre o Poder" e "A Favor de Nicolau Maquiavel Florentino".
E-mail: mlucia@sercomtel.com.br

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