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22 Nov 2005

Fogo Amigo, Muy Amigo...

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O ministro da Fazenda deste inacreditável governo é a bola da vez.

O ministro da Fazenda deste inacreditável governo é a bola da vez. Apesar do razoável desempenho na sabatina da última semana, nada pode garantir que continue no cargo. O presidente, com sua habitual incompetência, dá uma no cravo, afirmando que manterá a política econômica, mas sem mencionar o nome do ministro, e uma na ferradura, ao elogiar seguidamente a chefe da Casa Civil – ao que parece uma concorrente ao Nobel de Economia -, fortalecendo, assim a principal crítica de Palocci, ao lado de outros algozes ferozes de sua “política neoliberal”, como o vice-presidente, vários ministros e secretários, empresários que gostam de vida mansa e dos economistas heterodoxos de sempre, os mesmos que enfeiam seus currículos com o engajamento naqueles cinco planos de congelamentos de preços cometidos entre 1986 e 1991 e que, em nome do “social”, nada mais fizeram do que potenciar a inflação, piorar a distribuição de renda, abortar o crescimento e multiplicar a miséria. Estragaram o país, mas não perdem a pose...

O tiroteio contra o ministro é duplo: pelo flanco da oposição, atiram-lhe os projéteis das acusações de corrupção que pairam sobre alguns de seus ex-assessores, mas reconhecem que sua política econômica é responsável; já pela trincheira conhecida como “fogo amigo”, mandam-lhe balas de diatribes contra as políticas monetária e fiscal, ao mesmo tempo em que tentam escamotear as acusações de desvios em sua conduta moral como político. Quanto a estas, é evidente que precisam ser perscrutadas, escarafunchadas e debulhadas, que sejam comprovadas ou não, mas, quanto às críticas “a esse modelo econômico que está aí”, o mínimo que se deve exigir é que seus detratores parem de entoar repetitivamente os mantras contra os juros altos e apresentem algo que até agora não fizeram: alternativas logicamente consistentes à “política que favorece apenas os bancos” e explicações pormenorizadas sobre o que seria uma guinada “à esquerda” à ortodoxia do Banco Central. Estourar o erário?

Desenvolvimentistas, afinal, somos todos! Ser “desenvolvimentista” é um truísmo equivalente a estar vivo! Como reduzir a taxa básica de juros mantendo o compromisso com a estabilidade de preços, que, mal ou bem, vem-se logrando obter, há onze anos? Como tratar a aritmética inelutável das necessidades de financiamento do setor público (déficit nominal), hoje acima de 3% do PIB, apesar de um superávit primário – transitório, diga-se de passagem – acima do proposto no início do ano? Das duas, uma: ou os críticos mais acerbos desejam mesmo desestabilizar a economia, dando, assim, margem à implantação do seu “outro mundo possível”, ou fugiram mesmo da escola, pois parecem desconhecer que, se reduzir a taxa de juros na “marra”, sem respaldo no enxugamento intertemporal dos gastos do Estado, o governo estará abrindo mão da alternativa de cobrir o rombo total do setor público mediante a dívida interna e, portanto – como é “chata” essa aritmética! – terá que optar pelas três opções restantes, isoladamente ou adotando alguma combinação: maior carga tributária, maior dívida externa e/ou maior taxa de inflação, um trio, sem dúvida, abominável! O que pretendem fazer com a taxa de câmbio? Desvalorizar artificialmente o real perante o dólar, na contramão do que vem ocorrendo na economia mundial? Impor controles sobre a entrada ou saída de capitais externos, transformando o país em uma casa de custódia e afugentando a poupança externa indispensável? Dar um calote na dívida interna? Imitar o que a Argentina fez e calotear os credores externos, algo que fizemos quatro vezes entre 1986 e 1991, com incontáveis prejuízos para a nossa economia?

Uma pitada de boa teoria econômica e duas colheres de chá de aritmética elementar permitem prever, com certeza absoluta, que, caso tais medidas venham a ser adotadas, não haverá crescimento sustentado (talvez nem mesmo uma “bolha”), capitais fugirão do país, haverá uma crise cambial e teremos o retorno do tigre da inflação, gerando ganhos ainda maiores para - logo quem? - os banqueiros e desestabilizando o país. Se isto é o que pretendem, é caso de cadeia... Qualquer caminho para um futuro promissor passa pela adoção de metas decrescentes de déficit nominal, que garantam o equilíbrio intertemporal das contas públicas, pois perseguir apenas superávits primários é uma estratégia insustentável no longo prazo. Quem aprendeu Macroeconomia na má escola da heterodoxia melhor faria se calado – ou calada – ficasse!

O ministro da Fazenda deste inacreditável governo é a bola da vez. Apesar do razoável desempenho na sabatina da última semana, nada pode garantir que continue no cargo. O presidente, com sua habitual incompetência, dá uma no cravo, afirmando que manterá a política econômica, mas sem mencionar o nome do ministro, e uma na ferradura, ao elogiar seguidamente a chefe da Casa Civil – ao que parece uma concorrente ao Nobel de Economia -, fortalecendo, assim a principal crítica de Palocci, ao lado de outros algozes ferozes de sua “política neoliberal”, como o vice-presidente, vários ministros e secretários, empresários que gostam de vida mansa e dos economistas heterodoxos de sempre, os mesmos que enfeiam seus currículos com o engajamento naqueles cinco planos de congelamentos de preços cometidos entre 1986 e 1991 e que, em nome do “social”, nada mais fizeram do que potenciar a inflação, piorar a distribuição de renda, abortar o crescimento e multiplicar a miséria. Estragaram o país, mas não perdem a pose...

O tiroteio contra o ministro é duplo: pelo flanco da oposição, atiram-lhe os projéteis das acusações de corrupção que pairam sobre alguns de seus ex-assessores, mas reconhecem que sua política econômica é responsável; já pela trincheira conhecida como “fogo amigo”, mandam-lhe balas de diatribes contra as políticas monetária e fiscal, ao mesmo tempo em que tentam escamotear as acusações de desvios em sua conduta moral como político. Quanto a estas, é evidente que precisam ser perscrutadas, escarafunchadas e debulhadas, que sejam comprovadas ou não, mas, quanto às críticas “a esse modelo econômico que está aí”, o mínimo que se deve exigir é que seus detratores parem de entoar repetitivamente os mantras contra os juros altos e apresentem algo que até agora não fizeram: alternativas logicamente consistentes à “política que favorece apenas os bancos” e explicações pormenorizadas sobre o que seria uma guinada “à esquerda” à ortodoxia do Banco Central. Estourar o erário?

Desenvolvimentistas, afinal, somos todos! Ser “desenvolvimentista” é um truísmo equivalente a estar vivo! Como reduzir a taxa básica de juros mantendo o compromisso com a estabilidade de preços, que, mal ou bem, vem-se logrando obter, há onze anos? Como tratar a aritmética inelutável das necessidades de financiamento do setor público (déficit nominal), hoje acima de 3% do PIB, apesar de um superávit primário – transitório, diga-se de passagem – acima do proposto no início do ano? Das duas, uma: ou os críticos mais acerbos desejam mesmo desestabilizar a economia, dando, assim, margem à implantação do seu “outro mundo possível”, ou fugiram mesmo da escola, pois parecem desconhecer que, se reduzir a taxa de juros na “marra”, sem respaldo no enxugamento intertemporal dos gastos do Estado, o governo estará abrindo mão da alternativa de cobrir o rombo total do setor público mediante a dívida interna e, portanto – como é “chata” essa aritmética! – terá que optar pelas três opções restantes, isoladamente ou adotando alguma combinação: maior carga tributária, maior dívida externa e/ou maior taxa de inflação, um trio, sem dúvida, abominável! O que pretendem fazer com a taxa de câmbio? Desvalorizar artificialmente o real perante o dólar, na contramão do que vem ocorrendo na economia mundial? Impor controles sobre a entrada ou saída de capitais externos, transformando o país em uma casa de custódia e afugentando a poupança externa indispensável? Dar um calote na dívida interna? Imitar o que a Argentina fez e calotear os credores externos, algo que fizemos quatro vezes entre 1986 e 1991, com incontáveis prejuízos para a nossa economia?

Uma pitada de boa teoria econômica e duas colheres de chá de aritmética elementar permitem prever, com certeza absoluta, que, caso tais medidas venham a ser adotadas, não haverá crescimento sustentado (talvez nem mesmo uma “bolha”), capitais fugirão do país, haverá uma crise cambial e teremos o retorno do tigre da inflação, gerando ganhos ainda maiores para - logo quem? - os banqueiros e desestabilizando o país. Se isto é o que pretendem, é caso de cadeia... Qualquer caminho para um futuro promissor passa pela adoção de metas decrescentes de déficit nominal, que garantam o equilíbrio intertemporal das contas públicas, pois perseguir apenas superávits primários é uma estratégia insustentável no longo prazo. Quem aprendeu Macroeconomia na má escola da heterodoxia melhor faria se calado – ou calada – ficasse!

Alberto Oliva

Filósofo, escritor e professor da UFRJ. Mestre em Comunicação e Doutor em Filosofia pela UFRJ. Professor-palestrante da EGN (Escola de Guerra Naval) e da ECEME (Escola de Comando e Estado-maior). Pesquisador 1-A do CNPq. É articulista do Jornal de Tarde desde 1993. Possui sigficativas publicações como "Liberdade e Conhecimento", "Ciência e Sociedade. Do Consenso à Revolução", "A Solidão da Cidadania", "Entre o Dogmatismo Arrogante e o Desespero Cético" e "Ciência e Ideologia".

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