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15 Nov 2005

Acredite Se Quiser

Escrito por 
É compreensível que muitas vezes desconheçamos o significado de uma e outra palavra do vernáculo de nossa língua materna, todavia, essa que está em questão, é uma palavra extremamente cotidiana e, o seu significado lhe era desconhecido.
Há certos momentos em que um educador pira na batatinha, bate com a caixa craniana na parede pra ver se os neurônios realmente estão processando de maneira clara as informações que são captadas pelos nossos sentidos e assim ter certeza de que o que ele está constatando não é um mero devaneio e sim um dado concreto da realidade sensível captada.

Recentemente vivi um desses momentos que, diga-se de passagem, foi deveras desesperador. Estou até agora com a sua imagem em minha mente e não consegui ainda processar o que eu presenciei. Ou melhor, não estou querendo acreditar no que eu vi e ouvi, tamanho foi meu estado de perplexidade, o qual compartilho aqui com vocês através destas linhas mal fadadas.

Estava eu em uma biblioteca a ler pacientemente um livro quanto, de repente, uma moça interpela-me para perguntar-me o que significava a palavra “unificação”. Isso mesmo amigo leitor, a moça, que cursa um curso superior qualquer, em uma Faculdade como tantas outras, não sabia o que significava a palavra “unificação”.

É compreensível que muitas vezes desconheçamos o significado de uma e outra palavra do vernáculo de nossa língua materna, todavia, essa que está em questão, é uma palavra extremamente cotidiana e, o seu significado lhe era desconhecido.

Se a moça fosse uma aluna do Ensino Fundamental, o caso era aceitável. Se estivesse a cursar o Ensino Médio, tornar-se-ía preocupante. Entretanto, em um Curso Superior, o caso chega a se tornar digno daquele programa que era exibido na antiga Rede Manchete de Televisão: “Acredite, se quiser”!

Mas, em fim, o que nos preocupa é que provavelmente este não é um caso isolado e que, em um futuro próximo, teremos pessoas deste quilate diplomadas pelas Faculdades brasileiras e que, arrogarão para si, a imagem de doutos por serem possuidores de um canudo de papel que lhes valida a sua uma douta nesciedade.

Alias, este fenômeno já está dando os seus primeiros frutos podres na quitanda do saber. O primeiro nos vem da "Disneylândia sem graça", Brasília, que nos oferta mais de uma palhaçada por dia, onde um bando de patetas, ditos intelectuais renomados, que entregaram na Câmara dos Deputados um manifesto em favor de José Dirceu, alegando que o processo é "uma afronta às regras democráticas cuja conquista custou tanta luta e sacrifício". O que nós podemos pensar a respeito de uma cena como esta? Como respeitar intelectuais que, até pouco tempo posavam de baluartes da éti[ti]ca e agora, passam a mão na cabeça do senhor José Dirceu só porque ele é petista e pupilo de Fidel Castro e, por isso, pode cometer qualquer leviandade e sair ileso?

Todavia, a loucura não apenas está endereçada em terras distantes de nossas paragens no terceiro planalto paranaense. Ela mora bem em nosso âmago. Nesta semana, foi realizado pela UNICENTRO o segundo Psiu Training, onde convidaram nada mais, nada menos que INRI Cristo, o lunático que diz ser o próprio Cristo Jesus que teria retornado para a redenção de nossas faltas.

Aí, fico aqui a me indagar com minha ignorância abotoada e de pijamas: será que o universo intelectual paranaense não dispunha de nenhuma estrela mais interessante para integrar um debate em uma Instituição de Ensino Superior mantida com verbas públicas? Será que as Universidades Paranaenses estão tão folgadas em seus orçamentos a ponto de se darem ao luxo de "investir" em um espetáculo grotesco como este? Será que não ocorreu a ninguém nesta egrégia casa do saber que isso seria, no mínimo, uma falta de respeito para com os cidadãos desta nação que, através de seus tributos, ajudam a manter Instituições como ela?

Houve um tempo, nos primórdios da criação das primeiras Universidades, as UNIVERSITAS MAGISTRORUM EST SCHOLIARUM, inspiradas nas Escolas Neoplatônicas, em que os seus membros procuravam congregar as mais elevadas mentes pensantes de seu tempo, pois, a função prima que lhes fora atribuída era a preservação do patrimônio cultural da humanidade e sua ampliação através de zelosos e cautelosos estudos. E, o que vemos nos dias hodiernos e "odientos"? Minha Santa Tereza de Ávila, o que podemos dizer deste cenário que está se armando em nossa sociedade?

Tenho receio até mesmo de pensar sobre o assunto. Por isso, fico com as palavras de Sto. Tomás de Aquino que em sua Suma Teológica nos dizia que, "Há de se notar que um indivíduo, vivendo em sociedade, constitui de certo modo uma parte ou um membro desta sociedade. Por isso, aquele que faz algo para o bem ou para o mal de um de seus membros atinge, com isso, a toda a sociedade".

E, sendo assim, creio que todos aqueles que integram uma Instituição de Ensino Superior, incluso eu, seja na posição de docente ou discente, devem passar a refletir sobre a forma que estamos a influir a sociedade. Devemos meditar sobre os reflexos dolosos de nossa ação no corpo societal que, a olhos vistos, já se fazem bem presentes e nós, cinicamente, agimos como se isso não tivesse nada haver com o nosso modo de ser. Por isso, reflitamos!

Ah! Mas é Claro! Isso se não nos acharmos imaculados seres que supostamente estejam acima do bem e do mal, não é mesmo?
Há certos momentos em que um educador pira na batatinha, bate com a caixa craniana na parede pra ver se os neurônios realmente estão processando de maneira clara as informações que são captadas pelos nossos sentidos e assim ter certeza de que o que ele está constatando não é um mero devaneio e sim um dado concreto da realidade sensível captada.

Recentemente vivi um desses momentos que, diga-se de passagem, foi deveras desesperador. Estou até agora com a sua imagem em minha mente e não consegui ainda processar o que eu presenciei. Ou melhor, não estou querendo acreditar no que eu vi e ouvi, tamanho foi meu estado de perplexidade, o qual compartilho aqui com vocês através destas linhas mal fadadas.

Estava eu em uma biblioteca a ler pacientemente um livro quanto, de repente, uma moça interpela-me para perguntar-me o que significava a palavra “unificação”. Isso mesmo amigo leitor, a moça, que cursa um curso superior qualquer, em uma Faculdade como tantas outras, não sabia o que significava a palavra “unificação”.

É compreensível que muitas vezes desconheçamos o significado de uma e outra palavra do vernáculo de nossa língua materna, todavia, essa que está em questão, é uma palavra extremamente cotidiana e, o seu significado lhe era desconhecido.

Se a moça fosse uma aluna do Ensino Fundamental, o caso era aceitável. Se estivesse a cursar o Ensino Médio, tornar-se-ía preocupante. Entretanto, em um Curso Superior, o caso chega a se tornar digno daquele programa que era exibido na antiga Rede Manchete de Televisão: “Acredite, se quiser”!

Mas, em fim, o que nos preocupa é que provavelmente este não é um caso isolado e que, em um futuro próximo, teremos pessoas deste quilate diplomadas pelas Faculdades brasileiras e que, arrogarão para si, a imagem de doutos por serem possuidores de um canudo de papel que lhes valida a sua uma douta nesciedade.

Alias, este fenômeno já está dando os seus primeiros frutos podres na quitanda do saber. O primeiro nos vem da "Disneylândia sem graça", Brasília, que nos oferta mais de uma palhaçada por dia, onde um bando de patetas, ditos intelectuais renomados, que entregaram na Câmara dos Deputados um manifesto em favor de José Dirceu, alegando que o processo é "uma afronta às regras democráticas cuja conquista custou tanta luta e sacrifício". O que nós podemos pensar a respeito de uma cena como esta? Como respeitar intelectuais que, até pouco tempo posavam de baluartes da éti[ti]ca e agora, passam a mão na cabeça do senhor José Dirceu só porque ele é petista e pupilo de Fidel Castro e, por isso, pode cometer qualquer leviandade e sair ileso?

Todavia, a loucura não apenas está endereçada em terras distantes de nossas paragens no terceiro planalto paranaense. Ela mora bem em nosso âmago. Nesta semana, foi realizado pela UNICENTRO o segundo Psiu Training, onde convidaram nada mais, nada menos que INRI Cristo, o lunático que diz ser o próprio Cristo Jesus que teria retornado para a redenção de nossas faltas.

Aí, fico aqui a me indagar com minha ignorância abotoada e de pijamas: será que o universo intelectual paranaense não dispunha de nenhuma estrela mais interessante para integrar um debate em uma Instituição de Ensino Superior mantida com verbas públicas? Será que as Universidades Paranaenses estão tão folgadas em seus orçamentos a ponto de se darem ao luxo de "investir" em um espetáculo grotesco como este? Será que não ocorreu a ninguém nesta egrégia casa do saber que isso seria, no mínimo, uma falta de respeito para com os cidadãos desta nação que, através de seus tributos, ajudam a manter Instituições como ela?

Houve um tempo, nos primórdios da criação das primeiras Universidades, as UNIVERSITAS MAGISTRORUM EST SCHOLIARUM, inspiradas nas Escolas Neoplatônicas, em que os seus membros procuravam congregar as mais elevadas mentes pensantes de seu tempo, pois, a função prima que lhes fora atribuída era a preservação do patrimônio cultural da humanidade e sua ampliação através de zelosos e cautelosos estudos. E, o que vemos nos dias hodiernos e "odientos"? Minha Santa Tereza de Ávila, o que podemos dizer deste cenário que está se armando em nossa sociedade?

Tenho receio até mesmo de pensar sobre o assunto. Por isso, fico com as palavras de Sto. Tomás de Aquino que em sua Suma Teológica nos dizia que, "Há de se notar que um indivíduo, vivendo em sociedade, constitui de certo modo uma parte ou um membro desta sociedade. Por isso, aquele que faz algo para o bem ou para o mal de um de seus membros atinge, com isso, a toda a sociedade".

E, sendo assim, creio que todos aqueles que integram uma Instituição de Ensino Superior, incluso eu, seja na posição de docente ou discente, devem passar a refletir sobre a forma que estamos a influir a sociedade. Devemos meditar sobre os reflexos dolosos de nossa ação no corpo societal que, a olhos vistos, já se fazem bem presentes e nós, cinicamente, agimos como se isso não tivesse nada haver com o nosso modo de ser. Por isso, reflitamos!

Ah! Mas é Claro! Isso se não nos acharmos imaculados seres que supostamente estejam acima do bem e do mal, não é mesmo?
Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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