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18 Out 2005

Os Calos do Caráter

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Pelo simples fato que não é a miséria a causa da violência, mas sim, uma das inúmeras circunstâncias em que ela pode vir a si manifestar.Em um depoimento dado por Victor Frank, grande psiquiatra e pai do que ele denominava psiquiatria das alturas, em oposição à psiquiatria profunda freudiana, disse-nos que em uma visita a um presídio, onde proferiu uma palestra e ele, ao invés de bajular os detentos dizendo-lhes que eles cometeram tais e quais crimes porque tiveram um trauma na infância, ou porque o sistema os excluiu, ou devido as suas circunstâncias sócio-econômicas, disse-lhes unicamente que eles eram plenamente culpados por tudo que eles fizeram, que como ele, todos que ali estavam tiveram a oportunidade de escolher, de optar pelo caminho que desejassem trilhar e eles, escolheram a senda da criminalidade e por isso deveriam pagar pelos seus atos frente a sociedade.

Tal assertiva, nos dias de hoje, soa nos ouvidos de muitos com se fosse uma violação aos direitos humanos. Como se pode afirmar isso?, diriam alguns. Que um indivíduo, vítima da sociedade, do sistema, pode ser responsabilizado um crime, sendo que quem primeiro fora agredido foi ele, por ter sido excluído? Ora, pode se afirmar isso sim, bastando que acabemos com a confusão que há entre o que seja a causa e o que seja a circunstância em que um ato doloso é cometido.

Afirmamos isso, pois, é lugar comum também entre nós, ouvir-se a afirmativa de que a causa prima da violência é a miséria. Aí eu pergunto: se esta é a causa prima desta chaga, por que então há cada vez mais um número crescente de delinqüentes em meio a famílias abastadas? Ou então, por que em meio a tanta pobreza que impera em uma favela, podemos encontrar tanta dignidade nas faces da maioria de seus habitantes, ao invés de um olhar criminoso em potencial? Se a violência nasce deste fato, como pode, existir na história da humanidade tantos casos de Santidade entre pessoas que optaram viver como mendigos e fundando Ordens Sacras?

Pelo simples fato que não é a miséria a causa da violência, mas sim, uma das inúmeras circunstâncias em que ela pode vir a si manifestar. E nesta tentativa populista das classes falantes de “agradar” os mais humildes em suas falas proferidas quase que sempre, a pessoas de classe mediana, acabam sim, por insulta-los de maneira injusta e imperdoável.

Como assim? Ora, se a carência material é a causa da violência, a pessoa humilde, poderá ser apenas duas coisas em sua vida: ou um bandido por predestinação, ou um otário por optar em ser digno e preferir ganhar a sua vida com o suor que escorre de seu rosto. Mas, como eu não engrosso esta fileira que vive a repedir esta verborréia, afirmo que, não é a pobreza material a causa da violência, mas sim, a pobreza espiritual. É violenta a pessoa que não tem uma constituição sólida de valores, é violenta a pessoa que pensa que o mundo foi feito para ela e para satisfazer todas as suas sandices.

Com toda certeza, não sofriam da primeira os assassinos do índio Galdino, mas e quanto a segunda? E um Fernadinho Beira-mar, até que ponto a circunstância em que ele nasceu justifica a sua brutalidade, visto que, já há muito ele não mais sofre de carências materiais? Até quanto criminosos serão tratados como adolescentes?

Provavelmente até, a sociedade brasileira chegar a Idade da Razão. E que ela chegue, mesmo que tardiamente.
Em um depoimento dado por Victor Frank, grande psiquiatra e pai do que ele denominava psiquiatria das alturas, em oposição à psiquiatria profunda freudiana, disse-nos que em uma visita a um presídio, onde proferiu uma palestra e ele, ao invés de bajular os detentos dizendo-lhes que eles cometeram tais e quais crimes porque tiveram um trauma na infância, ou porque o sistema os excluiu, ou devido as suas circunstâncias sócio-econômicas, disse-lhes unicamente que eles eram plenamente culpados por tudo que eles fizeram, que como ele, todos que ali estavam tiveram a oportunidade de escolher, de optar pelo caminho que desejassem trilhar e eles, escolheram a senda da criminalidade e por isso deveriam pagar pelos seus atos frente a sociedade.

Tal assertiva, nos dias de hoje, soa nos ouvidos de muitos com se fosse uma violação aos direitos humanos. Como se pode afirmar isso?, diriam alguns. Que um indivíduo, vítima da sociedade, do sistema, pode ser responsabilizado um crime, sendo que quem primeiro fora agredido foi ele, por ter sido excluído? Ora, pode se afirmar isso sim, bastando que acabemos com a confusão que há entre o que seja a causa e o que seja a circunstância em que um ato doloso é cometido.

Afirmamos isso, pois, é lugar comum também entre nós, ouvir-se a afirmativa de que a causa prima da violência é a miséria. Aí eu pergunto: se esta é a causa prima desta chaga, por que então há cada vez mais um número crescente de delinqüentes em meio a famílias abastadas? Ou então, por que em meio a tanta pobreza que impera em uma favela, podemos encontrar tanta dignidade nas faces da maioria de seus habitantes, ao invés de um olhar criminoso em potencial? Se a violência nasce deste fato, como pode, existir na história da humanidade tantos casos de Santidade entre pessoas que optaram viver como mendigos e fundando Ordens Sacras?

Pelo simples fato que não é a miséria a causa da violência, mas sim, uma das inúmeras circunstâncias em que ela pode vir a si manifestar. E nesta tentativa populista das classes falantes de “agradar” os mais humildes em suas falas proferidas quase que sempre, a pessoas de classe mediana, acabam sim, por insulta-los de maneira injusta e imperdoável.

Como assim? Ora, se a carência material é a causa da violência, a pessoa humilde, poderá ser apenas duas coisas em sua vida: ou um bandido por predestinação, ou um otário por optar em ser digno e preferir ganhar a sua vida com o suor que escorre de seu rosto. Mas, como eu não engrosso esta fileira que vive a repedir esta verborréia, afirmo que, não é a pobreza material a causa da violência, mas sim, a pobreza espiritual. É violenta a pessoa que não tem uma constituição sólida de valores, é violenta a pessoa que pensa que o mundo foi feito para ela e para satisfazer todas as suas sandices.

Com toda certeza, não sofriam da primeira os assassinos do índio Galdino, mas e quanto a segunda? E um Fernadinho Beira-mar, até que ponto a circunstância em que ele nasceu justifica a sua brutalidade, visto que, já há muito ele não mais sofre de carências materiais? Até quanto criminosos serão tratados como adolescentes?

Provavelmente até, a sociedade brasileira chegar a Idade da Razão. E que ela chegue, mesmo que tardiamente.
Dartagnan Zanela

Professor e ensaísta. Autor dos livros Sofia Perennis, O Ponto Arquimédico, A Boa Luta, In Foro Conscientiae e Nas Mãos de Cronos – ensaios sociológicos.

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